Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Luk 22
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1 Ora, aproximava-se a festa dos pães ázimos, que é chamada Páscoa. Lc 22:1
A palavra “Páscoa” era usada em dois sentidos: A refeição específica que se iniciava ao pôr-do-sol, no dia 14 do primeiro mês do ano judaico (Lv 23.4,5), conhecido como nisã, e que corresponde aos meses de março e abril (Lv 23.4,5), e a semana que se seguia à refeição da Páscoa (Ez 45.21), conhecida também como a Festa dos Pães (asmos), ou Festa dos Pães (sem fermento), semana na qual a Lei proibia o uso de fermento (Êx 12:15 -20; 13:3 -7). Na época do NT, essa celebração nacional, religiosa e política, com uma semana de duração, era reconhecida por ambos os nomes.
2 E os principais sacerdotes e os escribas procuravam como o matariam, pois eles temiam o povo.
3 Então, entrou Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze. Lc 22:3
Desde sua derrota, quando tentou a Jesus de várias e poderosas formas (Lc 4.1), Satanás permaneceu sempre na defensiva, influenciando pessoas, circunstâncias e elementos da natureza para atacar o Senhor. Agora, aproveitando a permissão divina (Lc 22.31) e a falta de fé sincera de Judas, bem como sua avareza, inveja e revolta exacerbadas, volta à ofensiva. Apenas nesta passagem e durante a última ceia (Jo 13.27) essa expressão é usada no original grego.
4 E ele foi no seu caminho, e comunicou aos principais sacerdotes e capitães como ele poderia traí-lo. Lc 22:4
Até esse momento não houve qualquer participação romana. Os guardas eram todos judeus, selecionados especialmente entre os levitas e a serviço do Sinédrio, formado pelos principais sacerdotes (chefes dos sacerdotes), escribas (mestres da lei) e os anciãos (líderes do povo).
5 E eles se alegraram, e concordaram em lhe dar dinheiro.
6 E ele prometeu, e buscava uma oportunidade de traí-lo na ausência da multidão. Lc 22:6
A essa altura, todo o plano para assassinar Jesus estava tramado e em andamento. O maior receio dos inimigos de Cristo era quanto a uma possível revolta das multidões que amavam Jesus e já o aclamavam como rei dos judeus. A grande oportunidade seria durante a celebração da Páscoa, quando as ruas e estradas estariam desertas.
7 Então, chegou o dia dos pães sem fermento, em que se devia matar a Páscoa. Lc 22:7
Conforme a lei e a tradição, o cordeiro pascal deveria ser sacrificado no dia 14 de nisã, entre 14h30 e 17h30, no átrio dos sacerdotes. Era quinta-feira da semana da Paixão.
8 E ele enviou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a Páscoa, para que nós possamos comer. Lc 22:8
Preparar a Páscoa consistia em matar e assar o cordeiro conforme todas as instruções ritualísticas da lei e providenciar pão sem fermento (asmo), ervas amargas e vinho.
9 E eles lhe disseram: Onde tu queres que a preparemos?
10 E ele lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem carregando um cântaro de água; segui-o até a casa em que ele entrar. Lc 22:10
Carregar água em potes era um serviço típico das mulheres, por isso um homem realizando esse trabalho seria fácil de ser notado. Jesus precisava tomar todo cuidado para não ser capturado antes da ceia, momento tão significativo, o qual tanto desejou partilhar com seus discípulos. Judas não devia ter conhecimento prévio do local da celebração. Entretanto, a maneira como Jesus pede que os discípulos se apresentem ao dono da casa indica que além de conhecido, aquele homem era um seguidor de Jesus. Vários estudiosos acreditam que essa casa pertencia aos pais de Marcos (Atos 12.12).
11 E direis ao dono da casa: O Mestre te diz: Onde está o quarto dos convidados, onde comerei a Páscoa com os meus discípulos?
12 Então, ele vos mostrará um grande quarto superior mobiliado; ali fazei os preparativos.
13 E eles foram, e acharam como lhes tinha dito; e prepararam a Páscoa. Lc 22:13
As profecias do Senhor sempre se cumprem cabalmente (Lc 19.32).
14 E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e os doze apóstolos com ele.
15 E ele disse-lhes: Quão intensamente desejei comer convosco esta Páscoa, antes que eu sofra,
16 porque eu vos digo que não mais comerei dela, até que se cumpra no reino de Deus. Lc 22:16
O evangelho segundo João (Lc 13:26 -30) deixa claro que Judas já havia se retirado do cenáculo antes de Jesus haver compartilhado o pão e o cálice da Ceia do Senhor, mas Lucas não se preocupa em mostrar quando Judas se ausentou do grupo dos discípulos para ir cumprir sua traição. Jesus ansiava por comemorar essa Páscoa em comunhão com seus amados discípulos, pois esta seria sua última oportunidade antes de ser sacrificado como o perfeito “Cordeiro pascal” (1Co 5.7) em resgate de todos cristãos sinceros. Contudo, todos aqueles que durante todas as eras, por causa da fé que abraçaram, participaram desse memorial, também estarão com Cristo nas grandes “bodas” messiânicas do futuro (Ap 19.9). A Ceia, portanto, é a Páscoa cristã, e o antegozo da futura festa messiânica, quando a noiva (a Igreja verdadeira) se unirá eternamente ao Noivo (Cristo – Ap 19.6).
17 E ele tomando o cálice, e tendo dado graças, disse: Tomai-o e dividi-o entre vós, Lc 22:17
Três grandes cálices de vinho foram tomados durante a Páscoa (a tradição judaica recomendava quatro cálices): dois antes de ser servido o cordeiro, e o terceiro depois, quando Jesus explicou os novos significados do pão e do vinho instituindo a Ceia como memorial a ser guardado por todos os cristãos até o seu glorioso retorno.
18 porque eu vos digo que não mais beberei do fruto da videira até que venha o reino de Deus.
19 E ele tomando o pão, e tendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isso em memória de mim. Lc 22:19
Assim como o ano judaico começava com a Páscoa, que era uma constante lembrança e proclamação de como Deus redimiu Israel de séculos de escravidão gentílica (egípcia), da mesma forma, os cristãos fiéis deveriam observar as ordenanças de Jesus e guardar a cerimônia da Ceia do Senhor, celebrando a libertação dos crentes do jugo do pecado e da morte eterna mediante a obra expiatória de Jesus Cristo na cruz (1Co 1.9; 5.7; 16.22; Cl 1.13).
20 Semelhantemente também o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.
21 Mas eis que a mão do que me trai está comigo à mesa.
22 E, na verdade, o Filho do homem vai conforme o que está determinado; mas ai daquele homem por quem ele é traído! Lc 22:22
Deus está no controle do Universo, da história e do indivíduo. Suas profecias são todas infalíveis e anunciam prudência aos sábios e perdição aos arrogantes. Deus em Cristo tem um plano de redenção que jamais enfrentará surpresas ou reveses intransponíveis. Jesus desejava que as pessoas o tivessem compreendido melhor e obedecido suas orientações, mas sabia que apenas alguns o seguiriam até o fim ao acreditar e receber o seu sacrifício oferecido por toda a humanidade (Lc 22.37; 24.25).
23 E eles começaram a perguntar entre si qual deles seria o que havia de fazer isso.
24 E houve também uma contenda entre eles, sobre qual deles deveria se considerar o maior.
25 E ele lhes disse: Os reis dos gentios exercem senhorio sobre eles, e os que exercem autoridade sobre eles são chamados benfeitores. Lc 22:25
Já que haveria um traidor no grupo, e que o líder estava prestes a ser preso e morto, os demais quiseram aproveitar o momento para definir quem era o mais importante para continuar a “obra revolucionária” do mestre. Os discípulos ainda não estavam convertidos e não entendiam a amplitude da obra de Jesus Cristo. O termo “discussão” no original grego é “contenda”. Os governantes da Síria, Egito e Roma (três dominadores clássicos de Israel) se autoproclamavam “benfeitores” do povo, ainda que na maioria das vezes isso não passasse de propaganda política enganosa, e servisse apenas para alimentar o ego insaciável dos déspotas. Jesus, entretanto, convoca seus maiores e melhores discípulos para que sejam bons servos e cooperem com todos os demais em amor e humildade. Infelizmente, muitas vezes, o único recurso de Deus para arrancar a arrogância e o orgulho do coração humano é permitir que Satanás o “peneire” (Lc 22.31). Pedro e alguns dos discípulos precisaram passar fortemente por essa provação. A grandeza do verdadeiro discípulo de Cristo está na sua humilde dedicação aos outros (Lc 9.46). A palavra “servir” no original grego é: diakonõn, e significa: “servir às mesas” (Atos 6.2). Servir é apascentar os famintos espirituais (Jo 21:15 -17).
26 Mas não será assim com vós; mas o maior entre vós será como o mais jovem; e quem governa, como quem serve.
27 Porquanto qual é maior, quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Mas eu estou entre vós como aquele que serve.
28 Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações. Lc 22:28
Muitas tribulações, entre as quais: Tentações (Lc 4.13); adversidades (Lc 9.58) e rejeição (Jo 1.11). Algumas versões usam aqui a palavra “tentações”, no entanto, a expressão no grego original é peirasmois, que significa “tribulações” ou “provações” (Tg 1.2,12), as quais serão compartilhadas por todos os discípulos de Cristo até sua volta gloriosa (Cl 1.24).
29 E eu vos designo o reino, como meu Pai me designou,
30 para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos assenteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel. Lc 22:30
O contexto desta passagem demonstra que Jesus está se referindo à forma futura do reino (Lc 4.43; Mt 3.2). Da mesma maneira que os discípulos compartilharam das provações do Senhor, assim também compartilharão do seu reinado (2Tm 2.12), governando (julgando ou liderando) as doze tribos de Israel (Jz 2.16 e Mt 19.28).
31 E o Senhor disse: Simão, Simão, eis que Satanás tem desejado te ter, para vos peneirar como trigo;
32 mas eu orei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.
33 E ele lhe disse: Senhor, eu estou pronto a ir contigo até a prisão e à morte.
34 E ele disse: Digo-te, Pedro, que o galo não cantará hoje, antes que tu negues por três vezes, de conhecer-me. Lc 22:34
Jesus se refere ao cantar do galo para sinalizar que sua profecia em relação à atitude covarde de Pedro (que até então tinha uma auto-estima por demais elevada) aconteceria antes que aquela noite terminasse.
35 E ele disse-lhes: Quando eu vos enviei sem bolsa, alforje ou calçados, faltou-vos alguma coisa? E eles responderam: Nada. Lc 22:35
Os discípulos de Cristo precisariam estar atentos às épocas e aos tempos difíceis. De agora em diante não poderiam mais contar com a bênção da hospitalidade onde quer que fossem. A grande oposição e perseguição futura exigiria que eles estivessem preparados para pagar suas despesas de ministério. Jesus se refere à espada como mais uma figura de linguagem, a fim de alertá-los quanto aos tempos perigosos que já estavam chegando. Assim como Paulo ao apelar a César (Atos 25.11) como portador de espada (Rm 13.4).
36 Então ele disse-lhes: Mas agora aquele que tiver bolsa, tome-a, como também seu alforje; e o que não tem espada, venda a sua veste e compre uma.
37 Pois eu vos digo que é necessário que aquilo que está escrito se cumpra em mim: E ele foi contado entre os transgressores; porque as coisas que me dizem respeito têm um fim.
38 E eles disseram: Senhor, eis que aqui estão duas espadas. E ele lhes disse: É o suficiente. Lc 22:38
Esse trecho da Bíblia já gerou muita polêmica. Em 1302 d.C. o papa Bonifácio VII assinou um documento (bula papal), chamado em latim: Unam Sanctum, onde afirmava o direito divino da Igreja de exercer plenamente todos os poderes (espiritual e material, civil e militar), interpretando literalmente essa palavra de Cristo. A separação do Mestre trouxe ao mundo, e especialmente aos discípulos, ainda mais hostilidade. Entretanto, Jesus não está recomendando a compra de espadas (Lc 22.36; Mt 5.9,22,38), mas assinalando sua crucificação e as sanguinárias perseguições que viriam em breve. As mais eficazes armas do cristão são: o poder espiritual (Lc 6.10) e a oração (Lc 22.40). Quando os discípulos correm para mostrar-lhe as duas espadas que possuíam, Jesus demonstra que elas poderão ser necessárias, mas não decisivas para vencer no seu reino, e encerra o assunto (Lc 22.51).
39 E, ele saindo, foi, como costumava, para o monte das Oliveiras; e seus discípulos também o seguiram. Lc 22:39
O local exato no monte das Oliveiras (Jo 18.2) é descrito, de forma mais judaica, por Mateus como Getsêmani (Mt 26.36), e João o indica, mais teologicamente, como um olival (Jo 18.1). De qualquer maneira, tratava-se de um grande jardim, que ficava localizado na encosta inferior do monte das Oliveiras.
40 E, ele chegando ao lugar, disse- lhes: Orai, para que não entreis em tentação. Lc 22:40
O objetivo de Satanás e seus demônios em relação aos cristãos é atingi-los da mesma maneira que o fez com Judas. Suas armas vão das promessas de riquezas, sucesso e poder às terríveis provas e perseguições. Nesses momentos todas as fraquezas humanas são alvos de seus ardis (ambição, inveja, arrogância, depressão, revolta, indolência, medo, dor, etc). É preciso orar e desenvolver uma fé inabalável no Senhor (Rm 8:35 -37).
41 E retirou-se deles cerca de um tiro de pedra, e, ajoelhando-se, orava, Lc 22:41
Lucas destaca a forma adotada por Jesus para orar, pois o tradicional, para os judeus era a oração em pé. A oração de joelhos expressava total submissão, adoração e insistência humilde (Lc 18.11).
42 dizendo: Pai, se tu quiseres, remove de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua.
43 E apareceu-lhe um anjo do céu, fortalecendo- o.
44 E, estando em agonia, ele orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue que caíam por terra. Lc 22:44
Jesus sentiu de tal maneira as emoções humanas que teve uma crise aguda de hematidrose, que é a mistura de sangue ao suor, nos casos de extrema angústia e severas alterações emocionais.
45 E ele levantando-se da oração, veio para os seus discípulos, e ele encontrou-os dormindo de tristeza.
46 E ele disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação.
47 E, estando ele ainda a falar, eis que uma multidão, e aquele que se chamava Judas, um dos doze, ia adiante dela, e aproximou- se de Jesus para o beijar.
48 Mas Jesus lhe disse: Judas, com um beijo tu trais o Filho do homem?
49 Quando os que estavam ao redor, viram o que ia acontecer, eles disseram-lhe: Senhor, feriremos com a espada?
50 E um deles feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a sua orelha direita. Lc 22:50
O servo do sumo sacerdote chamava-se Malco e foi Pedro quem lhe arrancou a orelha direita quando tentou matá-lo com um golpe de espada (Jo 18.10). Jesus imediatamente restabeleceu a orelha daquele homem. Jesus não era um mero chefe de uma das muitas facções revolucionárias que havia em Jerusalém e evitou que qualquer acusação verdadeira neste sentido fosse alegada em seu inquérito no alto tribunal religioso e político do judaísmo.
51 E, Jesus respondendo, disse: Permiti ainda isto! E, tocando sua orelha, o curou.
52 E disse Jesus aos principais sacerdotes, e aos capitães do templo, e aos anciãos que tinham vindo contra ele: Viestes contra um ladrão, com espadas e bastões.
53 Eu tenho estado diariamente convosco no templo, não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e o poder das trevas.
54 Então, tomando-o, levaram-no, e o trouxeram para a casa do sumo sacerdote. E Pedro seguia-o de longe.
55 E, havendo-se acendido fogo no meio do pátio, estando todos sentados, assentou- se Pedro entre eles.
56 Mas uma certa serva vendo-o assentado ao lado do fogo, e olhando-o seriamente, disse: Este homem também estava com ele.
57 E ele negou-o, dizendo: Mulher, eu não o conheço.
58 E, um pouco depois, vendo-o outro, disse: Tu és também deles. E Pedro disse: Homem, eu não sou.
59 E, passada quase uma hora, um outro com confiança afirmava, dizendo: Com certeza este indivíduo também estava com ele; pois ele é um galileu.
60 E Pedro disse: Homem, eu não sei o que tu dizes. E imediatamente, enquanto ele falava, o galo cantou.
61 E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe tinha dito: Antes do galo cantar, tu me negará três vezes.
62 E, Pedro saindo, chorou amargamente.
63 E os homens que guardavam Jesus zombavam dele, e feriam-no.
64 E, vendando-lhe os olhos, o batiam na sua face, perguntando-lhe, dizendo: Profetiza, quem é que te bateu?
65 E muitas outras coisas diziam contra ele, blasfemando.
66 E logo que amanheceu, ajuntaram-se os anciãos do povo, os principais dos sacerdotes e os escribas, e o conduziram ao seu concílio, dizendo: Lc 22:66
Jesus foi submetido a dois inquéritos preliminares nas casas de Anás (Jo 18:19 -23) e de Caifás, o sumo sacerdote (Lc 22.54; Jo 11.49), e finalmente, depois do amanhecer (para ser legal, conforme a tradição judaica), diante do Sinédrio (as mais altas autoridades religiosas e políticas do judaísmo na época). Entretanto, este tribunal não tinha poderes para aplicar a pena de morte sem autorização expressa do procurador romano em exercício (Jo 18.31).
67 Se tu és o Cristo, dize-nos. E ele lhes disse: Se eu vo-lo disser, não o crereis.
68 E se eu também vos perguntar, não me respondereis, nem me soltareis.
69 De hoje em diante, o Filho do homem se assentará à direita do poder de Deus.
70 Então, todos disseram: És tu então o Filho de Deus? E ele lhes disse: Vós dizeis que eu sou.
71 E eles disseram: Por que ainda temos necessidade de outro testemunho? Porque nós mesmos o ouvimos da sua própria boca. Lc 22:71
Tendenciosamente o Sinédrio acusa Jesus de se autoproclamar o Messias (o Libertador). Essa era a única acusação formal que poderia levar Pilatos a condenar Jesus à pena de morte. Admitir que era rei implicaria que Cristo estava em rebelião contra o Estado romano (Lc 23.2). A assembléia dos sacerdotes e mestres judaicos não estava à procura da verdade, apenas desejava arrancar de Jesus uma confissão condenatória que satisfizesse os líderes político-religiosos dos judeus. Para os verdadeiros interessados Jesus podia revelar-se por meio das muitas profecias messiânicas a seu respeito (Lc 24.44; Mc 16:62 -64).