Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Luk 21
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1 E ele olhando para cima, e viu os ricos lançarem as suas ofertas na tesouraria. Lc 21:1
O gazofilácio era o nome dado a uma seção do átrio das mulheres onde havia treze caixas para coleta de ofertas, com o formato de trombeta. Cada uma tinha uma inscrição que indicava em qual uso específico sua arrecadação seria investida. Alguns ricos contribuíam de forma generosa.
2 E ele viu também uma certa viúva pobre lançar ali dois leptos.
3 E ele disse: Verdadeiramente eu vos digo que esta pobre viúva lançou mais do que todos;
4 porque todos estes lançaram como ofertas a Deus do que tinham em abundância; mas ela, da sua pobreza, lançou todo o sustento que tinha. Lc 21:4
Lucas usa uma rara palavra grega penichra para salientar a condição de pobreza absoluta daquela mulher vestida de luto, conforme a tradição judaica, o que indicava seu estado de viuvez. Ela ofertou duas lepta. O lepton era uma moedinha de cobre (a única moeda judaica mencionada no NT) e tinha um valor monetário irrisório (equivalente a um oitavo de centavo de dólar). Por isso a lei recomendava jamais colocar um lepton na caixa de caridade. Entretanto, conhecendo a condição de vida daquela senhora e seu coração, Jesus declara não apenas que ela teria dado mais do que cada um dos ofertantes; mas, sim, literalmente, que ela deu mais do que todos aqueles contribuintes somados. Jesus calculou o valor espiritual da oferta pelo que sobrou a cada um e a pobre viúva ofereceu o maior sacrifício.
5 E, quando alguns falaram sobre o templo, que estava adornado de formosas pedras e dádivas, ele disse: Lc 21:5
Esse segundo templo (515 a.C.) havia sido completamente renovado por Herodes a partir de 19 a.C. e foi mais uma estratégia política para reconciliar o povo judeu com seu rei que era idumeu, do que um ato de louvor e adoração ao Senhor, mesmo considerando que Herodes mandou treinar cerca de mil sacerdotes como pedreiros e construtores, para edificarem o santuário com todo o zelo religioso. A estrutura principal foi terminada no ano 9 a.C., mas toda a reconstrução foi concluída somente no ano 64 a.C., pouco tempo antes da invasão romana. O templo ocupava uma área aproximada de 400 por 500 metros, sendo todo revestido em ouro e prata. As pedras usadas para erigir a construção eram enormes blocos com cerca de 60 cm de altura por 5 metros de comprimento. Algumas dessas grandes pedras ainda podem ser vistas no chamado “muro das lamentações” em Jerusalém. Contudo, esse muro fazia parte da infra-estrutura, e não propriamente do templo. Josefo faz a seguinte descrição em relação às enormes pedras que adornavam o templo: “Tudo o que não era revestido de ouro, era do branco mais puro”. Herodes ofereceu ao templo uma videira de ouro como obra de arte. Cada um de seus cachos era da altura de um homem e cada uva do tamanho de uma melancia de ouro maciço.
6 Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que não se deixará uma pedra sobre outra que não seja derrubada. Lc 21:6
A destruição de Jerusalém e, especialmente do templo, seria tão arrasadora que prefiguraria a destruição final do sistema mundial no Dia do Juízo. Os exércitos romanos cercaram Jerusalém e no ano 70 d.C. invadiram a cidade santa, matando quase toda a população. Destruíram e saquearam completamente o templo. Invadiram o santo dos santos e levaram para Roma o candelabro de ouro, a mesa dos pães da proposição e todos os objetos sagrados dos judeus, como um sinal de que haviam vencido o Deus dos judeus. Além de não deixarem uma pedra em cima da outra (Mt 24.2), e rasparem até o ouro que havia nas junções dos blocos de pedra, salgaram toda a cidade para que nem a grama voltasse a crescer naquele lugar.
7 E eles perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, mas quando serão essas coisas? E que sinal haverá quando estas coisas estiverem para acontecer? Lc 21:7
Marcos esclarece que essa pergunta foi feita por quatro discípulos: Pedro, Tiago, João e André (Mc 13.3). Mateus apresenta a questão de forma mais abrangente, incluindo um pedido de mais detalhes sobre o sinal do retorno de Jesus e conseqüentemente do final dos tempos (Mt 24.3). Parte do discurso de Jesus refere-se ao final dos tempos e parte, especificamente, à destruição de Jerusalém. Em Lucas a distinção entre os dois acontecimentos, considerando que a queda de Jerusalém faz parte das profecias em relação ao fim do mundo, é mais clara que nos demais evangelhos. Jesus anunciou pessoalmente o fim das eras, mas adiantou que esse terrível evento não se daria logo. Jesus expressa sua certeza na vitória final dos crentes fiéis, embora tivessem que passar por períodos muito difíceis à frente. E termina com um desafio animador aos seus seguidores no sentido de permanecerem vigilantes e não se deixarem envolver pelas preocupações deste mundo. A linguagem usada pelo Senhor relembra passagens do AT (2Cr 15.6; Is 8:21 -22; 13.13; Jr 34.17) e enfatiza que ele estava descrevendo uma visitação divina.
8 E ele disse: Acautelai-vos para que não vos enganem; porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e o tempo está próximo; não vades, portanto, após eles.
9 Mas, quando ouvirdes de guerras e tumultos, não vos apavoreis; porque é necessário que primeiro aconteçam essas coisas, mas o fim não será logo. Lc 21:9
Jesus adverte seus seguidores e discípulos para não se deixarem enganar pelos acontecimentos tumultuosos pelos quais passaria a terra. Em épocas conturbadas apareceriam falsos cristos, ou seja, falsos messias (salvadores), afirmando ser como Cristo (Eu Sou) e predizendo a data do final dos tempos. Todos os acontecimentos citados nos versos de 8 a 18 caracterizam a era presente como um todo, além de serem sinais do final dos tempos (Mt 24.3,6; Mc 13.25).
10 Então, lhes disse: Nação se levantará contra nação, e reino contra reino;
11 e haverá em vários lugares, grandes terremotos, e fomes, e pestilências; haverá fenômenos atemorizantes e grandes sinais haverá do céu.
12 Mas, antes de todas essas coisas, eles lançarão mão de vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, e conduzindo-vos diante de reis e governadores, por causa do meu nome. Lc 21:12
As sinagogas serviam não apenas para o culto e o estudo religioso, mas também para a administração comunitária e para aprisionar pessoas acusadas que aguardavam julgamento.
13 E isso voltará para vós por testemunho.
14 Decidi, pois, em vosso coração a não premeditar como haveis de responder;
15 porque eu vos darei boca e sabedoria, que todos os seus adversários não poderão resistir nem contradizer. Lc 21:15
O Senhor concederia aos seus discípulos a oratória e um saber acima do normal para testemunhar diante das autoridades (Atos 6.9,10). O Espírito de Cristo (Mc 13.11) dará a mensagem e a coragem para proclamá-la (Atos 4:8 -13; 6.3,10; 7.1).
16 E vós sereis traídos pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos; e eles matarão alguns de vós.
17 E sereis odiados por todos os homens por causa do meu nome.
18 Mas não perecerá um único cabelo da vossa cabeça. Lc 21:18
É preciso muito cuidado para não interpretar literalmente metáforas e outras figuras de linguagem muito usadas na Bíblia. Jesus não estava garantindo a integridade física dos seus discípulos, uma vez que ele mesmo avisou sobre a morte de alguns (Lc 21.16). Mas, assegurou aos fiéis que, mesmo a morte, não lhes roubaria todas as honras e glórias para eles reservadas no céu. O Senhor sempre está no controle da história e especialmente da vida de cada crente. O resultado final será sem dúvida o triunfo eterno. O crente jamais sofrerá perda total e real, pois seu espírito receberá um novo e perfeito corpo na ressurreição (Fp 3.21).
19 Na vossa paciência, possuí a vossa alma.É na vossa perseverança que confirmais a salvação da vossa alma. Lc 21:19
A palavra grega para “alma” é psyche, de onde vêm as palavras “psiquiatria, psicologia”. A psique é a sede das emoções, sentimentos, vontades, paixões, razão e entendimento, e por isso, a alma é diferenciada do corpo físico. A “psique” é o nosso “Eu interior”, a essência da vida.Várias vezes essa palavra no grego denota a própria “pessoa” (Atos 2.41,43; 1Pe 3.20). A “psique” não pode ser dissolvida com a morte. Corpo e espírito serão separados, mas espírito e alma podem apenas ser distinguidos, jamais divorciados. A Bíblia nos ensina que o ser humano é constituído de três partes: O corpo, nossa parte física; a alma, constituída pelas emoções e intelecto; e o espírito, que é nossa verdadeira e eterna natureza. Ao recebermos Jesus como Salvador pessoal, nosso espírito – que estava morto por causa do pecado – é prontamente revivificado e, portanto, devemos passar a alimentá-lo com a Palavra e cuidar para que, tendo um desenvolvimento saudável, possa cada vez mais viver em harmonia com o Espírito de Deus. Esse é o mais amplo aspecto do Reino de Deus, o qual nosso Senhor deseja que se expanda dentro de nós e administre as mais profundas dimensões do nosso caráter e personalidade. A disposição e a coragem para enfrentar lutas interiores, perseguições e provações em geral são confirmações de que somos verdadeiramente salvos e, portanto, podemos ter essa certeza e a paz decorrente (Mt 10.28).
20 E, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, então sabei que é chegada a sua desolação.
21 Então, deixai os que estiverem na Judeia, fugirem para os montes; e deixai os que estiverem no meio dela, saírem; e não deixai os que estiverem no campo, entrarem nela. Lc 21:21
Quando um exército cercava uma cidade o mais indicado era buscar refúgio dentro dos muros. Entretanto Jesus previne seus discípulos para que fujam do centro da cidade e busquem segurança nos montes. Os muros de Jerusalém agüentaram os fortes ataques dos exércitos romanos por cerca de três meses, quando então foram invadidos violentamente e todo o povo chacinado (Mt 24.16).
22 Porque estes são dias de vingança, para que tudo o que está escrito seja cumprido. Lc 21:22
Os dias da vingança eram a maneira profética de se expressar no AT para advertir os judeus em relação à justiça punitiva de Deus, em conseqüência da incredulidade e da infidelidade dos líderes religiosos e do povo em relação ao Senhor (Is 63.4; Jr 5.29; Os 9.7).
23 Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira sobre este povo.
24 E eles cairão ao fio de espada e serão levados cativos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem. Lc 21:24
Na verdade, Jerusalém já vinha sendo dominada por nações gentias (em grego: ethnõn), há vários séculos, e esta dominação ainda seria pior com a devastação dos romanos, as sucessivas guerras com os países árabes, as grandes guerras mundiais, hoje com a forte presença gentílica na cidade; haja vista que a principal mesquita mulçumana na Palestina está situada sobre as ruínas do templo no centro de Jerusalém, e no futuro com novas e poderosas invasões (Ap 11.2). Por outro lado, esse também é o “tempo da oportunidade” (em grego: kairos). Um longo tempo da graça de Deus para que todos os não judeus possam receber o Senhor e serem salvos (Mc 13.10; Lc 20.16; Rm 11.25). Contudo, o “tempo dos gentios” será encerrado logo depois de terem sido cumpridos os propósitos do Senhor para os próprios gentios.
25 E haverá sinais no sol, e na lua, e nas estrelas, e sobre a terra, aflição das nações, com perplexidade; o mar e as ondas bramindo; Lc 21:25
Continuam, a partir daqui, as profecias iniciadas em Lc 21.11, depois do parêntese aberto pelos versos 12 a 24. Como afirma 17.20, o significado dos sinais do glorioso retorno do Senhor, ainda que portentosos e espantosos (Lc 21.11), passará sem a verdadeira compreensão por parte dos incrédulos. O próprio discípulo que for incauto ou infiel será apanhado como um pássaro por uma armadilha. Essa terminologia apocalíptica do AT e dos escritos judaicos é muito utilizada para descrever convulsões políticas, ou acerca do fim do mundo. Aqui devem ser considerados ainda os fenômenos cósmicos que ocorrerão (Is 13.10; 34.4; Ez 32.7).
26 o coração dos homens desfalecerão por medo da expectativa daquilo que sobrevirá a terra; porque os poderes do céu serão abalados.
27 E eles então verão o Filho do Homem vindo em uma nuvem, com poder e grande glória.
28 E quando essas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai a vossa cabeça, porque a vossa redenção está próxima. Lc 21:28
Muitas das predições nesse discurso de Jesus têm a ver com a iminente destruição de Jerusalém que ocorreria em 70 d.C., mas consideram também que esse seria um dos grandes sinais quanto ao final dos tempos e o glorioso retorno de Jesus (Dn 7.13). Contudo, os discípulos do Senhor não devem ficar apavorados quando observarem esses sinais, mas erguer as cabeças, olhar para cima, de onde virá a nossa redenção, a salvação completa e eterna de nossas almas e a dádiva de um novo corpo glorificado (Rm 13.11; 1Jo 3.2).
29 E ele falou-lhes uma parábola: Olhai para a figueira e para todas as árvores;
30 quando elas já começam a brotar, as vedes e, por vós mesmos, sabeis que o verão está próximo.
31 Assim também vós, quando virdes acontecer essas coisas, sabei que o reino de Deus está próximo.
32 Verdadeiramente eu vos digo que não passará esta geração até que tudo se cumpra. Lc 21:32
Segundo descobriu-se nas análises dos rolos do monte Qunram a expressão “geração”, significa “a duração de uma vida” e pretendia identificar “um tipo especial de pessoas”, como no AT: os maus (Sl 12.7) e os bons (Sl 14.5). Isso quer dizer que aquelas pessoas que presenciarem os sinais dos grandes eventos são de uma geração que verá o cumprimento daquelas profecias específicas, por exemplo, como ocorreu com a geração à qual Jesus profetizou sobre a destruição de Jerusalém, aqueles que viram o cumprimento da profecia, faziam parte da “geração” que foi até o fim. Da mesma forma, aqueles que virem os grandes sinais que antecederão o glorioso retorno de Jesus, haverão de ficar firmes até o fim. Tal como “última hora” (1Jo 2.18), “hoje” (Hb 3.7,15) ou “agora” (2Co 6.2), “geração” significa também a fase final da história da Salvação. A geração dos “fins dos séculos” (1Co 10.11) que se estende da ressurreição de Jesus até a revelação pública do Reino (em grego: parousia) prestes a surgir, mas cujo tempo cronológico é indeterminado.
33 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Lc 21:33
O cumprimento da Palavra do Senhor é mais certo e seguro que a permanência do mundo ou do próprio universo (Mt 5.18).
34 E tomai cuidado por vós mesmos, para que em nenhum momento os vossos corações sejam sobrecarregados com excessos, e embriaguez, e cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha desprevenidamente.
35 Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Lc 21:35
A volta gloriosa de Jesus abrangerá todas as nações e a raça humana em geral. A queda de Jerusalém foi um evento localizado e específico, aviso de Deus para o mundo, e parte dos sinais que apontam para o final dos tempos.
36 Vigiai, pois, orando sempre, para serdes considerados dignos de escapar de todas essas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem. Lc 21:36
Os cristãos escaparão da destruição eterna por evidenciarem um viver próprio dos salvos: Corações livres de vícios carnais e ambições mundanas (Lc 21.34; Hb 2.3; 2Pe 3.10,11). Mentes e corações em sintonia com as profecias e os sinais bíblicos (Mt 24.33; 1Ts 5.4). Vida com alegria espiritual, fruto da esperança em Cristo, sem desânimo (“exultai”, Lc 21.28; Tt 2.13). Estado de oração constante (1Ts 5.17; 1Tm 2.8).
37 E, de dia ele ensinava no templo, e à noite, saindo, ficava no monte chamado monte das Oliveiras. Lc 21:37
Jesus fez questão de passar sua última semana na terra ensinando no templo, desde o princípio do dia até o pôr-do-sol. Desde a entrada triunfal até a Páscoa (de domingo até quinta-feira da Paixão). Após seus longos períodos de oração no monte das Oliveiras, em Betânia, caminhava até a casa de Lázaro, onde pernoitava (Mt 21.17). Bem cedo, quando o povo chegava ao templo para ouvi-lo, Ele já estava lá.
38 E todo o povo chegava cedo de manhã a ele no templo, para ouvi-lo.