Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Mar 6
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1 E ele saindo dali, chegou à sua própria terra, e os seus discípulos o seguiram.
2 E, chegando o dia do shabat, ele começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ao ouvi- lo, se admiravam, dizendo: De onde lhe vem estas coisas? E que sabedoria é esta que lhe é dada, e como estas poderosas obras são feitas por suas mãos?
3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele. Mc 6:3
Mateus apresenta Jesus como “o filho do carpinteiro” (Mt 13.55), Marcos informa que ele também foi carpinteiro. A palavra grega usada por Marcos descreve o trabalho de um artesão, análise que leva à conclusão de que Jesus poderia igualmente ter trabalhado como escultor, ferreiro ou marceneiro, juntamente com seus familiares. O termo “escândalo” foi literalmente usado nos originais em gregopara descrever a reação de alguns parentes e conhecidos de Jesus, que sabendo que ele era um trabalhador braçal (como a maioria deles), nascido em uma família humilde, não conseguiam compreender, nem aceitar, como Jesus podia pregar com tanta unção e sabedoria. Justino Mártir (por volta de 160 d.C.) relata em seus escritos que em sua época era comum às pessoas procurarem artigos de madeira feitos por Jesus.
4 Mas Jesus lhes dizia: O profeta não está sem honra, exceto na sua própria terra, e entre os seus próprios parentes, e na sua própria casa. Mc 6:4
Jesus revelou várias profecias antigas que anteviam sua chegada e ministério messiânico, uma delas é sobre o Profeta de Dt 18.15,18. O primeiro dos grandes sermões de Pedro, em Atos, mostra claramente que Jesus é o sucessor maior de Moisés e Davi (Atos 3.22).
5 E ele não podia fazer ali nenhuma obra poderosa, salvo impor suas mãos sobre poucas pessoas enfermas, curando-os.
6 E admirou-se da incredulidade deles. Ele percorreu as aldeias vizinhas, ensinando.
7 E ele chamou a si os doze, e começou a enviá- los de dois em dois, e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos. Mc 6:7
Os discípulos saíram para ministrar em duplas, isso reforçaria a credibilidade dos testemunhos, conforme a lei (Dt 17.6), além de oferecer encorajamento mútuo durante o tempo de ministério no campo missionário. Eles receberam autoridade da mesma fonte que abastecia Jesus (Jo 17.2), a qual Ele concede aos seus discípulos ainda hoje (Lc 9.1; Jo 20:21 -23).
8 E ordenou-lhes que nada levassem para sua jornada, senão somente um cajado; nem alforje, nem pão, nem dinheiro no seu cinto;
9 mas que fossem calçados com sandálias, e que não vestissem duas túnicas. Mc 6:9
Ganhar a vida comunicando mensagens de otimismo e legalismo, sem uma sólida base bíblico-teológica não é uma invenção do capitalismo, nem apenas prática comum nos dias de hoje. Na época de Cristo já havia muitos mestres que cobravam altos cachês para pregar mensagens meramente humanas, mas apresentadas como divinas (2Co 2.17). Uma característica desses falsos mestres era a preocupação exagerada com o próprio suprimento financeiro. Por isso, Jesus mandou que seus discípulos se preocupassem exclusivamente em servir a Deus proclamando o Evangelho, e descansassem absolutamente na provisão divina quanto à totalidade das suas demais necessidades (Mt 10.10; 1Co 9:7 -11; Gl 6.6). Dependeriam da sua fé no Senhor, que tocaria o coração dos seus ouvintes para suprí-los do pão, das vestes e do alojamento de cada dia. Uma túnica, extra, poderia servir de cobertor durante as frias noites no deserto, mas Jesus prometeu-lhes uma família para compartilhar as Boas Novas, e uma casa onde se alimentar e repousar. Não ficariam ao relento e sem amparo, como muitos falsos mestres.
10 E ele dizia-lhes: Onde quer que entrardes numa casa, permanecei até partir daquele lugar.
11 E aqueles que não vos receberem, nem vos ouvirem, saindo dali, sacudi o pó que estiver debaixo dos vossos pés, em testemunho contra eles. Em verdade eu vos digo que haverá mais tolerância para Sodoma e Gomorra no dia de juízo do que para os daquela cidade. Mc 6:11
Os pagãos eram tão repugnantes para os judeus, que até o pó de suas sandálias era motivo de rejeição. Jesus usa essa metáfora para ilustrar o mal que a rejeição ao Evangelho e aos verdadeiros ministros do Evangelho pode causar. Recusar as Boas Novas reduz qualquer pessoa, inclusive um judeu, ao nível do mais asqueroso dos pagãos. E essa é uma advertência igualmente válida para os nossos dias. Isso aumenta a responsabilidade do povo de Deus de não dar motivos para que os que ainda não crêem rejeitem a mensagem das Boas Novas.
12 E eles foram, e pregando que os homens se arrependessem.
13 E eles expulsavam muitos demônios, e ungiam com óleo muitos que eram enfermos, e os curavam. Mc 6:13
Jesus curou inúmeras pessoas e multidões sem jamais ter usado óleo, mas recomendou aos discípulos que assim o fizessem, pois era uma prática antiga dos judeus, e esse deveria ser mais um sinal de dependência do Senhor (Is 1.6; Lc 10.34; Tg 5.14).
14 E o rei Herodes ouviu falar dele (pois seu nome foi propagado amplamente) e disse: João, o Batista, ressuscitou dentre os mortos, e por isso estas maravilhas operam nele.
15 Outros diziam: Este é Elias. E outros diziam: Este é um profeta, ou como um dos profetas. Mc 6:15
João passou a vida pregando e preparando o coração das pessoas para a vinda de Jesus (Ml 4:5 -6), sem nunca ter realizado um milagre (Jo 10.41), mas havia o temor de que, se ele viesse a ressuscitar, todos os milagres lhe seriam possíveis (Mt 12:39 -40). Marcos usou o título popular de Herodes, uma vez que ele não era rei de fato, mas o tetrarca da região.
16 Mas Herodes ouvindo isso, dizia: Este é João, a quem eu decapitei; ele ressuscitou dentre os mortos.
17 Pois o próprio Herodes mandara prender a João, e o confinou na prisão, por causa de Herodias, esposa de seu irmão Filipe; porque ele havia se casado com ela.
18 Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito possuir a esposa de teu irmão. Mc 6:18
Flávio Josefo relata em seus escritos que João ficou encarcerado em Maquero, uma fortaleza localizada na Peréia, a leste do mar Morto. Herodias era neta de Herodes, o grande, e Marianne; sobrinha de Herodes. Enquanto o irmão de Herodes vivia, este último não podia se casar com sua cunhada ainda que divorciada do marido; visto que, pela lei, isso é considerado adultério (Lv 18.16; 20.21).
19 Por isso, Herodias tinha uma desavença contra ele, e queria matá-lo, mas ela não podia;
20 porque Herodes temia a João, sabendo que ele era homem justo e santo; e o observava; e ao ouvi-lo, ele fazia muitas coisas, e o ouvia de boa vontade. Mc 6:20
Herodes gostava de ouvir a mensagem de João e chegava a ficar confuso em relação à sua vida e à proposta do Reino. Entretanto, como infelizmente ocorre com muitas pessoas, seu coração não se arrependia e, portanto, não podia haver conversão (Atos 26.28). Gostar dos princípios bíblicos ou acreditar que a vida cristã é um bom caminho não é o suficiente para salvar qualquer pessoa.
21 E, chegando um dia oportuno, quando Herodes em seu aniversário fez um jantar aos seus senhores, altos capitães, e chefes da Galileia.
22 E entrando a filha de Herodias, e dançando, e agradando a Herodes, e aos que estavam sentados com ele, o rei disse á donzela: Pede-me o que quiseres, e eu te darei.
23 E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires eu te darei, até a metade do meu reino. Mc 6:23
Oferecer metade do reino era uma força de expressão antiga e típica dos monarcas que durante celebrações especiais gostavam de demonstrar sua generosidade com a finalidade de bem impressionar seus convidados (Et 5.3,6). Herodes não era rei, embora apreciasse ser considerado assim, segundo os escritos de Josefo. Meio embriagado, prometeu a Salomé, filha de Herodias, o que não podia dar, pois era vassalo de Roma.
24 E, ela saído, disse a sua mãe: O que eu pedirei? E ela disse: A cabeça de João, o Batista.
25 E ela veio apressadamente para junto rei, pediu, dizendo: Eu quero que tu me dês em um prato a cabeça de João, o Batista.
26 E o rei entristeceu-se muito; todavia, por causa do juramento e dos que estavam sentado com ele, não quis deixar de atendê- la.
27 E imediatamente o rei enviou um carrasco, e ordenou que a cabeça dele fosse trazida; e ele foi, e o decapitou na prisão;
28 e trouxe sua cabeça em um prato, e entregou à donzela; e a donzela a deu a sua mãe.
29 E, quando seus discípulos ouviram isso, foram, tomaram o seu corpo, e o puseram no sepulcro.
30 E os apóstolos reuniram-se com Jesus, e contaram-lhe todas estas coisas, tanto o que tinham feito como o que eles tinham ensinado.
31 E ele disse-lhes: Vinde vós, aqui à parte, para um lugar deserto, e descansai um tempo. Porque havia muitos que iam e vinham, e não tinham tempo nem para comer.
32 E eles partiram a sós num barco para um lugar deserto.
33 E as pessoas os viram partir, e muitos o reconheceram, e para lá correram a pé de todas as cidades, e os ultrapassaram, e aproximavam- se dele.
34 E Jesus, ao desembarcar, viu uma grande multidão, e teve compaixão dela, porque eles eram como ovelhas que não têm pastor; e ele começou a ensinar-lhes muitas coisas. Mc 6:34
Jesus viu as pessoas como ovelhas sem pastor (Sl 23.1,2), pois: 1) Carecem de alimento espiritual e da água da vida (Jo 6.35). 2) Necessitam de direção para encontrar o aprisco eterno (Jo 10.16) e 3) Precisam de proteção contra o Inimigo (Jo 10.28).
35 E, quando o dia já estava muito adiantado, os seus discípulos se aproximaram dele, e lhe disseram: Este lugar é deserto, e o dia está muito adiantado; Mc 6:35
O vocábulo “deserto”, embora signifique apenas um lugar não habitado, e que se situava a nordeste do grande lago (chamado de mar) da Galiléia, liga o milagre de Jesus à provisão de Deus para seu povo no deserto, quando lhes enviou o maná (Êx 16).
36 despede-os, para que possam ir nas regiões ao redor, e às aldeias, e comprem pão para si; porque eles nada têm para comer.
37 Ele respondendo, lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram-lhe: Devemos ir e comprar duzentos denários de pão e dar- lhes de comer? Mc 6:37
Um dia de trabalho braçal correspondia, em geral, a um denário (Mt 20.2). Os discípulos estavam calculando um valor equivalente a cerca de oito meses de trabalho de uma pessoa.
38 E ele disse-lhes: Quantos pães vós tendes? Ide e verdes. E, quando eles souberam, disseram: Cinco pães e dois peixes.
39 E ele ordenou-lhes que fizessem assentar a todos, em grupos, sobre a grama verde. Mc 6:39
Ao redor da Galiléia é comum a grama ficar bem verde nos finais de inverno. Jesus usou a expressão “reclinar”, que era a maneira típica como os povos orientais da época se postavam às refeições. Era como se os discípulos estivessem avisando que o almoço seria servido em breve.
40 E eles assentaram-se em grupos de cem e de cinquenta. Mc 6:40
Essa formação relembra a ordem do acampamento mosaico no deserto (Êx 18.21). A palavra “grupos” (em grego,) significa: “canteiros de jardim”.
41 E, tomando ele os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, abençoou e partiu os pães, e deu-os aos seus discípulos para que os pusessem diante deles; e dividiu os dois peixes entre todos eles.
42 E todos eles comeram e se fartaram. Mc 6:42
O antigo ato de graças judaico pelo pão era baseado na Torá: “Louvado sejas Tu, ó Senhor, nosso Deus, Rei do mundo, que tiras pão da terra” (Lv 19.24). Os pães e os peixes passaram a representar a ceia do Senhor nas obras de arte da igreja primitiva, e muitas delas foram encontradas nas catacumbas de Roma. Alguns historiadores e teólogos tentam diminuir o impacto deste milagre de Jesus alegando que ele teria repartido seu almoço com os discípulos, e esses orientado os grupos para, da mesma forma, dividir entre si o alimento que cada pessoa teria trazido. Entretanto é sugestivo que o próprio Jesus tenha pedido aos discípulos para verificarem quantos pães e peixes havia entre eles (Mc 6.38); e foi a partir da multiplicação dessas poucas unidades que se produziu o suficiente para fartar 5.000 homens (na época não se contavam as mulheres e crianças) a ponto de sobrar doze cestos cheios de pedaços que, conforme a tradição judaica, deveriam ser recolhidos do chão (Mt 15.37). Além disso, havia profecias por meio das quais Deus prometera que com a chegada do verdadeiro Pastor, o deserto se tornaria em pastagens verdejantes onde as ovelhas seriam acolhidas e alimentadas (Ez 34:23 -31), e aqui o Messias celebra um banquete com seus seguidores no deserto (Is 25:6 -9). Considerando que as cidades vizinhas, Cafarnaum e Betsaida, tinham uma população de cerca de 2500 pessoas cada, a multidão que se reuniu com Jesus veio de vários lugares e representou um ajuntamento significativo para os padrões da época. E essas notícias abalaram os líderes judaicos e romanos.
43 E recolheram doze cestos cheios dos pedaços, e de peixe.
44 E os que comeram os pães eram quase cinco mil homens.
45 E imediatamente obrigou os seus discípulos a entrar no barco e passar adiante, para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão. Mc 6:45
João informa que o povo estava disposto a levar Jesus à força, e coroá-lo rei dos judeus (Jo 6.14,15), por isso, ele mandouseus discípulos para o outro lado do lago enquanto, sem ser notado, subia o monte para orar só.
46 E, tendo-os despedido, foi ao monte para orar.
47 E, ao entardecer, o barco estava no meio do mar, e ele sozinho em terra.
48 E viu-os fatigados a remar, porque o vento lhes era contrário; perto da quarta vigília da noite aproximou-se deles, andando sobre o mar, e queria passar-lhes adiante. Mc 6:48
A expressão “por volta da quarta vigília da noite”, como consta dos originais, significa um período de tempo que vai das três às seis horas da manhã (Mt 14.25). Ao andar sobre as águas, Jesus demonstra uma vez mais o poder majestoso e transcendente do Senhor, que reina sobre o mar (grande motivo de temor dos judeus) e todas as demais forças da natureza (Sl 89.9; Is 51.10,15; Jr 31.35).
49 Mas, quando eles o viram andar sobre o mar, imaginaram que fosse um espírito, e gritaram; Mc 6:49
As lendas e superstições alimentadas entre a população judaica afirmavam que a visão de um fantasma perambulando durante a noite, era sinal de grande desgraça iminente. Somado ao medo natural que os judeus tinham do mar, é certo que os discípulos ficaram aterrorizados com a impressão de que estavam sendo atacados por um terrível espírito das profundezas das águas.
50 porque todos o viram, e perturbaram- se. E imediatamente falou com eles, e disse- lhes: Tende bom ânimo; sou eu, não tenhas medo.
51 E subiu para junto deles no barco, e o vento cessou; e, no seu interior, ficaram grandemente pasmados e maravilhados;
52 pois eles não tinham considerado o milagre dos pães; pois o seu coração estava endurecido. Mc 6:52
Para Deus é mais fácil dominar as forças da natureza e do cosmo, do que fazer o coração humano acreditar em Jesus com fé e obediência amáveis. Como os israelitas no deserto, os discípulos presenciaram muitos milagres portentosos; mesmo assim, em seu íntimo, eram incrédulos; seus corações estavam empedernidos, à semelhança dos opositores de Jesus (Mc 8:17 -21; Êx 4.21).
53 E, eles passando para o outro lado, chegaram à terra de Genesaré, e atracaram na praia. Mc 6:53
Genesaré era uma planície muito fértil, localizada a sudoeste de Cafarnaum. Uma analogia à fertilidade da fé que as pessoas daquela região demonstraram em Jesus. Tanto que, ao tocar na borda do manto do Senhor, eram imediatamente salvas de suas enfermidades.
54 E, tendo desembarcado, imediatamente o conheceram,
55 e, correndo toda a região em redor, começaram a trazer em leitos os que estavam enfermos, para onde ouviam dizer que ele estava.
56 E, onde quer que ele entrava, em aldeias, ou cidade, ou nos campos, eles colocavam os enfermos nas ruas, e pediam-lhe que eles pudessem tocar somente na orla da sua roupa; e todos quantos o tocavam ficavam curados.