Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Luk 11
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1 E aconteceu que, ele estava orando em um certo lugar, e quando acabou, um dos seus discípulos lhe disse: Senhor, ensina- nos a orar, como João também ensinou aos seus discípulos. Lc 11:1
Jesus conversava (orava) com Deus costumeiramente (Lc 5.16; Mt 14.23; Mc 1.35) e, mais ainda em ocasiões especiais, como em seu batismo (Lc 3.21), na escolha dos seus apóstolos (Lc 6.12), no Getsêmani (Lc 22.41). Os discípulos observaram essa prática devocional e disciplina espiritual de Jesus e quiseram aprender como estabelecer esse nível de comunicação com Deus. Diante desse desejo manifestado pelos discípulos, Jesus nos ensina um modelo de oração e não um mantra ou reza repetitiva. Por isso temos uma sugestão em Mateus (Mt 6:9 -13) no Sermão no Monte, e outra, de forma resumida, aqui.
2 E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade, assim no céu como na terra. Lc 11:2
Jesus ensina que devemos iniciar nossas orações expressando a mesma intimidade, carinho e respeito que uma criança amorosa e obediente tem por seu pai. Mais uma vez Jesus faz um jogo com as palavras para demonstrar o quanto é fácil confundir “religião formal” com “adoração sincera”. Jesus afirma que devemos nos dirigir a Deus como Abba (em aramaico, papai ou paizinho querido – Mc 14.36; Rm 8.15. Gl 4.6), denotando assim o verdadeiro sentimento que há no coração de Deus para com seus filhos. Sentimento este que deveria igualmente inundar nossa alma e que nos ajudaria a compreender melhor a pessoa do Senhor e seu modo de agir na história. Os líderes religiosos judeus costumavam iniciar suas preces com a palavra hebraica transliterada Abinu com o acréscimo de alguma expressão que significasse que Deus estava no céu. Este tipo de formalismo e protocolo – jamais requerido por Deus – tendia a colocar o ser humano numa posição de quase inacessibilidade a Deus. Um tipo de relacionamento parecido com o que os pagãos tinham com seus deuses, e por isso precisavam lhes oferecer sacrifícios, autoflagelos e mantras infindáveis a fim de obter um pouco da atenção e graça divinas.
3 O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
4 E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo que nos deve. E não nos conduzas à tentação, mas livra- nos do mal. Lc 11:4
Depois de certificar-se de que pode chamar a Deus de Pai (Jo 1.12), o discípulo deve exaltar o nome do Senhor. Os nomes na antiguidade judaica tinham um significado intrínseco muito maior do que nos dias de hoje que resumia a totalidade do caráter de uma pessoa. Por isso, Jesus mudou o nome de algumas pessoas quando foram convertidas, pois suas filosofias de vida (a maneira de pensar e viver) haviam sido completamente alteradas ao se tornarem seguidoras de Cristo. Deus é Pai, que significa o Criador: Aquele que dá origem ao ser humano. É nosso “paizinho” mas também é nosso Senhor, esse é o caráter de Deus (amor e justiça) e merece toda a nossa reverência (de alma). Expressamos o Deus que vive em nós através de nossas atitudes (1Pe 1:14 -21; 3.15). Logo em seguida, enquanto ora, o discípulo deve almejar a implantação do Reino de Deus na terra. Esse alvo de Jesus deve ser a missão dos seus discípulos: que todos os povos, raças e culturas, sejam contemplados com a Salvação e que um sistema global de amor e justiça permeie toda a terra (Mt 28:18 -20). Devemos orar, pois essa missão cumpre-se parcialmente quando uma pessoa aceita a Jesus como seu Salvador e Senhor pessoal, mas ainda esperamos pela total e perpétua remissão de toda terra, quando Cristo voltar em glória. A oração continua, e agora o discípulo está pronto para, reconhecendo que Deus é quem provê o sustento diário e eterno (em grego epiousion, que significa, “dia a dia”, “cotidiano”, “para amanhã e depois”), suplicar agradecido pela provisão de amanhã enquanto coloca mãos à obra. Seu trabalho não visa apenas ganhar o sustento, mas sim prestar glória ao Senhor e dar testemunho ao mundo (Jo 6.35 e Jo 4.32 com Pv 30.8 e Ap 19.9). Esta perspectiva cristã do trabalho faz toda a diferença. O pecado é considerado como uma dívida que precisa ser paga. Deus é o Criador de toda a terra e da humanidade, portanto, tudo o que somos e temos pertence a Deus. Quando desobedecemos ao Senhor, estamos roubando os direitos de Deus e ficamos em pecado (em dívida). Assim como o Senhor provê diariamente recursos para nosso sustento, também nos oferece seu perdão em Jesus Cristo. Da mesma maneira, devemos estar dispostos a perdoar nossos semelhantes todos os dias. Viver a vida cristã dentro desse padrão é correr o risco de ser tentado (em grego peirasmos que também significa um tipo de “teste” ou “prova”) a todo o momento. Deus não “tenta” a ninguém, mas “prova” a todos os seus filhos (Mt 9.1; 6:9 -15; Dt 8:1 -5; Tg 1.13; Hb 2.17); Jesus está nos ensinando a ficar alertas e fugir das inúmeras ciladas do Inimigo, que tem o objetivo de nos persuadir a viver abaixo do padrão moral de Deus para nos condenar (1Co 6.18; 10.14; 1Tm 6.11; 2Tm 2.22) e com isso, neutralizar nossa missão de testemunharmos e implementarmos o Reino de Deus no mundo.
5 E ele disse-lhes: Qual de vós terá um amigo, e for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,
6 pois um amigo meu chegou a mim de viagem, e eu não tenho nada para pôr diante dele;
7 e ele de dentro lhe responder, e disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; eu não posso levantar-me para te dar.
8 Eu digo-vos que, ainda que ele não se levante para lhos dar por ser seu amigo, todavia, por causa da sua importunação, ele se levantará e lhe dará quantos pães precisar.
9 E eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
10 Porque todo aquele que pede, recebe; e o que busca, encontra; e ao que bate, se abrirá.
11 Se um filho pedir pão a qualquer um de vós que é pai, acaso lhe dará uma pedra? Ou se ele pedir um peixe, lhe dará por peixe uma serpente?
12 Ou se ele pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
13 Então, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos; quanto mais o vosso Pai celeste dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem? Lc 11:13
Lucas é o evangelho da oração e nos revela o apelo de Jesus para que sejamos ousados e perseverantes na oração (Lc 11:5 -8), nos oferecendo total garantia de que Deus responde às nossas súplicas (Lc 11:9 -13). O argumento é que se nós que estamos sob a influência do pecado universal (Lc 13:1 -9), ainda assim, somos amorosos para com nossos filhos, quanto mais o Pai da humanidade fica feliz em presentear seus filhos com os dons espirituais, sendo o primeiro e maior deles o dom da Salvação (1Co 12.13). Todo crente em Jesus tem o Espírito Santo (Atos 1.8; Gl 5.22), mas quando pedimos para que o Espírito dirija nossas vidas abrimos a alma para sua maravilhosa e completa ação (Ef 4.30 com 1Ts 5.19).
14 E ele estava expulsando um demônio, o qual era mudo. E aconteceu que, saindo o demônio, o mudo falou; e as multidões se maravilharam.
15 Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, o chefe dos demônios.
16 E outros, tentando-o, buscavam dele um sinal do céu. Lc 11:16
O sinal que tanto buscavam estava diante deles. Jesus acabara de expulsar o Mal e curar aquele homem cego, surdo e mudo (Mt 2:22 -30; Mc 3:20 -27). Mas, os olhos dos legalistas, obscurecidos pelo pecado, não podiam enxergar as maravilhas realizadas por Jesus em palavras e atitudes. Ao afirmar que Jesus exorcizava sob o poder do inferno (Mt 12.24), não compreendiam que aquele esconjuro era a maior prova que Jesus agia pelo poder de Deus, pois que o reino do mal não está dividido. Os demônios não lutam entre si, somente os homens agem assim. A expulsão do demônio evidencia a chegada do Reino de Deus e a derrota do príncipe deste mundo.
17 Mas, ele conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo será assolado; e a casa dividida contra si mesma cairá.
18 Se Satanás também está dividido contra si mesmo, como ficará de pé o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demônios por Belzebu.
19 E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Por isso eles serão os vossos juízes.
20 Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, sem dúvida é chegado a vós o reino de Deus.
21 Quando o forte homem, armado, guarda o seu palácio, os seus bens estão em paz; Lc 11:21
O Reino de Deus havia chegado no sentido de o Rei estar presente na pessoa de Cristo (Lc 4.43) e de os poderes do mal estarem sendo vencidos. O Diabo (também chamado de “valente” ou “homem forte”) prende e escraviza a todos que consegue dominar, mas somente até a chegada de Jesus, que tem plena autoridade e poder para destruí-lo; bem como aos seus exércitos e resgatar a humanidade (Cl 1.13; 2.15; Hb 2.14).
22 mas, sobrevindo outro mais forte do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que ele confiava, e divide os seus despojos.
23 Quem não está comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha. Lc 11:23
A neutralidade no Reino de Deus é inaceitável e impossível. Quem não apóia sinceramente a Jesus, seus ensinos e Igreja, opõem-se ao Senhor. Entretanto é preciso cuidado para não censurar os que estão do lado de Cristo como se não estivessem. Aquele obreiro citado em 9.50 não era membro do grupo dos Doze, nem dos setenta e dois, mas fazia a obra em nome de Jesus e o Senhor não o condenou (Mc 9:38 -39).
24 Quando o espírito imundo tem saído do homem, ele anda por lugares secos, buscando repouso; e, não o achando, ele diz: Eu tornarei para minha casa, de onde saí.
25 E, chegando, acha-a varrida e ornamentada.
26 Então, ele vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele; e eles entrando, habitam ali; e o último estado desse homem é pior do que o primeiro. Lc 11:26
O ministério dos exorcistas judeus era ineficaz (Lc 11.19), pois afugentavam os demônios por algum tempo, mas não aceitavam o Reino de Deus em seus corações (Mt 12:43 -45). Quando uma pessoa é liberta da opressão do mal deve abrir seu coração para que seja cheio do Espírito Santo de Deus: a única maneira de viver livre do controle do Diabo. Uma vida reformada, mas sem a presença do Espírito Santo fica sujeita a ser novamente tomada pelo mal.
27 E aconteceu que, enquanto ele falava essas coisas, uma mulher dentre a multidão, levantando a voz, lhe disse: Abençoado é o ventre que te carregou, e os seios em que mamaste.
28 Mas ele disse: Antes, abençoados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam. Lc 11:28
Maior privilégio do que ser a própria mãe de Jesus e compartilhar da humanidade de Deus é compreender e aceitar a mensagem salvadora de Jesus Cristo e participar do seu corpo espiritual (Tg 1.22).
29 E aglomerando-se as multidões, ele começou a dizer: Esta é uma geração perversa; eles pedem um sinal, mas nenhum sinal lhes será dado, senão o sinal do profeta Jonas. Lc 11:29
O profeta Jonas ficou três dias “sepultado” no interior de um grande peixe e depois voltou à terra de Israel. Desta mesma forma, Jesus seria ressuscitado depois de três dias do seu sepultamento (Mt 12.40; Jo 14.11; Jonas 3.4).
30 Porque assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, o Filho do homem também o será para esta geração.
31 A rainha do sul se levantará no julgamento com os homens desta geração, e os condenará; porque ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis que um maior que Salomão está aqui.
32 Os homens de Nínive se levantarão no julgamento com esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas; e eis que um maior do que Jonas está aqui. Lc 11:32
Gentios, como a rainha de Sabá (1Rs 10:1 -10) e os ninivitas, testemunharão, no juízo, contra os incrédulos judeus; porque, ao perceberem um pouco da glória de Deus, não endureceram ainda mais seus corações e se arrependeram de seus pecados. Entretanto, os judeus estavam diante do fulgor da luz divina irradiada de Jesus Cristo e não conseguiam ver o Reino e a glória de Deus. Todos têm alguma luz; todavia, a responsabilidade aumenta, conforme a intensidade da luz do evangelho (Jo 1.9; Rm 1.20; 2.5).
33 Nenhum homem, tendo acendido uma candeia, a põe em lugar oculto, nem debaixo do alqueire, mas no castiçal, para que os que entram possam ver a luz.
34 A luz do corpo é o olho. Se, pois, o teu olho for bom, também todo o teu corpo será cheio de luz; mas, se o teu olho for mau, também o teu corpo será cheio de trevas. Lc 11:34
As pessoas que pedem sinais não precisam de mais luz e sim de ampliar sua percepção, a capacidade de ver e analisar com olhos espirituais. A candeia tem o poder de iluminar todos aqueles que se aproximam dela, tanto mais quanto mais perto estiverem. A luz de Cristo e de Sua Igreja jamais será apagada, mas continuará brilhando até os confins da terra, oferecendo a oportunidade da Salvação a todos os povos, raças e culturas; atraindo para Si todos os que têm “olhos bons” (abençoados por Deus), fazendo-os ingressarem no Reino e participarem da fulgurante luz de Cristo.
35 Toma cuidado, portanto, para que a luz que está em ti não seja trevas.
36 Se, pois, todo o teu corpo for cheio de luz, não tendo parte nas trevas, todo ele será cheio de luz, como quando a candeia te ilumina com a sua luz.
37 E enquanto ele falava, um certo fariseu pediu- lhe que fosse jantar com ele; e, entrando, assentou-se à mesa. Lc 11:37
A expressão “fariseus” significa em hebraico “os separados”, e era usada para identificar uma seita político-religiosa que lutava pela segregação da cultura judaica. Eles aguardavam a vinda de um Messias político, que obrigasse o povo a seguir todas as leis e ordenanças da tradição rabínica e legalista criada por eles para explicar o AT. O ato cerimonial de se lavar (verbo grego: baptizõ) várias vezes antes das refeições, não era ordenado na Lei, mas fora acrescentado pelos fariseus (Mt 7.3; Mt 15.9).
38 E quando o fariseu viu isso, admirou-se por ele não ter se lavado antes do jantar.
39 E o Senhor lhe disse: Agora, vós, fariseus, limpais o exterior do copo e do prato, mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade.
40 Tolos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? Lc 11:40
A mais perigosa insensatez é pensar que Deus se preocupa mais com as cerimônias exteriores do que com o sentimento sincero da alma humana (Is 1:10 -17). Jesus nos adverte para que não tentemos ser mais reais do que o Rei em nossos procedimentos e relacionamentos. Os fariseus estavam dando muito mais atenção a formas rígidas de comportamento do que a uma vida moral limpa e generosa para com Deus e os nossos semelhantes (Mc 7:20 -23).
41 Mas, antes dai esmola das coisas que tiverdes, e eis que todas as coisas vos serão limpas. Lc 11:41
O amor sincero ao próximo, que se reflete em atitudes práticas e concretas de respeito, solidariedade e cooperação, é um dos mais significativos atos de purificação espiritual e adoração a Deus. Os líderes religiosos e políticos devem ter muito cuidado com a demagogia, pois é comum falarem do que não fazem. Exortam o povo às atitudes humanitárias e projetos sociais; contudo, eles próprios não se desprendem de seus bens materiais, amor ao poder, egoísmo e vaidades (Lc 19.8).
42 Mas ai de vós, fariseus, porque dizimais a hortelã, e a arruda, e todo tipo de hortaliça, mas passais por cima do juízo e do amor de Deus; estas deveríeis ter feito, sem deixar as outras por fazer.
43 Ai de vós, fariseus, pois amais os assentos mais altos nas sinagogas e as saudações nos mercados!
44 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque sois como as sepulturas que não aparecem, e os homens que sobre elas andam e não o sabem! Lc 11:44
Os judeus costumavam pintar seus túmulos com cal para que ninguém por acidente tropeçasse ou tocasse neles e, dessa forma, ficasse contaminado ou “imundo cerimonialmente” por sete dias (Nm 19.16; Mt 23.27). Assim como tocar em um túmulo resultava em “impureza”, Jesus afirma que associar-se aos “fariseus” (aos legalistas) podia levar à “impureza moral” e proclama três maldições contra isso: Aqueles que colocam as normas e estatutos religiosos acima do amor a Deus (1Co 16.22) e da justiça (Fp 3.9); aqueles que valorizam a honra e os elogios das pessoas acima da glória de Deus (Jo 12.43); e aqueles que contaminam seus semelhantes ao invés de conduzi-los a Jesus Cristo e, portanto, à Salvação (Hb 12.15 com Tg 5.20).
45 Então, respondendo um dos juristas, disse- lhe: Mestre, quando dizes isso, tu também nos afrontas.
46 E ele lhe disse: Ai de vós também, juristas! Porque carregais os homens com fardos difíceis de suportar, e vós nem ainda com um dos vossos dedos tocais nesses fardos! Lc 11:46
Os advogados da Lei (peritos e intérpretes da Lei) sobrecarregavam o povo com regras e regulamentos acrescentados à Lei original de Moisés (Mt 15.2), sem nada fazer para ajudar as pessoas a guardar essas leis (Mt 23.4). De outro lado, eles estavam criando atalhos legais e normas especiais para se safarem incólumes da necessidade de eles próprios terem que cumprir tais leis. Esses “homens da lei” eram demagogos. Honravam a memória dos profetas construindo ou reformando seus túmulos e monumentos; porém, no íntimo e na prática, rejeitavam a Cristo e a proclamação dos ensinos dos profetas, da mesma maneira como acontecera com seus antepassados.
47 Ai de vós! Porque edificais os sepulcros dos profetas, e vossos pais os mataram.
48 Assim testificais que consentis nas obras de vossos pais; porque eles os mataram, e vós edificais os seus sepulcros.
49 Por isso, diz também a sabedoria de Deus: Eu vos enviarei profetas e apóstolos, e a alguns deles matarão e a outros perseguirão,
50 para que o sangue de todos os profetas, derramado desde a fundação do mundo, possa ser requerido desta geração; Lc 11:50
O genocídio ocorrido em Israel entre os anos 66 e 70 d.C. foi o cumprimento dessa terrível advertência profética. Os exércitos romanos dizimaram impiedosamente quase toda a nação judaica (Lc 21:20 -24). Esse é um dos eventos históricos que demonstra a implacável justiça de Deus contra aqueles que rejeitam seu conselho e mandamentos. Pior ainda será o castigo contra aqueles que rejeitarem o Filho de Deus (Lc 20.14).
51 desde o sangue de Abel até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; em verdade eu vos digo que serão requeridos desta geração. Lc 11:51
Os judeus suplicaram por profetas de Deus, mas quando eles chegaram – a exemplo de Jesus – foram perseguidos, injuriados e assassinados. O sangue inocente de cada um desses homens de Deus será requerido pelo Senhor dessa geração incrédula e perversa. Abel foi o primeiro servo do Senhor martirizado (Gn 4.8), considerado por Jesus como profeta. A morte de Zacarias foi a última morte de um profeta do AT, levando em conta a seqüência dos livros na ordem hebraica tradicional, começando com o Gênesis e terminando em 2 Crônicas (2Cr 24:21 -22). Jesus está afirmando que o sangue de todos aqueles que sofreram e foram mortos por sua fidelidade a Deus seria requerido. As contas desses atos criminosos seriam prestadas pela geração que compartilhou plenamente das atitudes que levaram a efeito a morte dos profetas (incluindo o próprio Filho de Deus).
52 Ai de vós, juristas! Porque tirastes a chave do conhecimento; vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando. Lc 11:52
O “Ai” final de Jesus vai para os escribas (advogados e intérpretes da Lei) e teólogos. Aqueles que dominam o conhecimento e têm a responsabilidade de comunicar o saber à sociedade e apontar o Caminho de Deus ao povo. Tomaram posse da chave da ciência que destrava o significado mais profundo das Escrituras. Mas, ao invés de tornar simples e prático o viver com Deus, angustiavam o povo com a imposição de ordenanças e mitos teológicos. Por fim, esses próprios doutores da Lei, transformaram a Bíblia num livro de obscuridades e foram enredados por suas próprias teorias místicas. Não conseguiam perceber a Graça, a amplitude e o poder da Palavra de Jesus nem mesmo deixavam prosseguir no Caminho aqueles que se aproximavam da Verdade (Jo 14.6) e do Reino de Deus.
53 E, dizendo-lhes ele isso, começaram os escribas e os fariseus a induzi-lo com veemência, e a provocá-lo para que falasse acerca de muitas coisas,
54 espreitando e procurando captar algo de sua boca para poder acusá-lo.