Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Mat 25
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1 Então o reino do céu será semelhante a dez virgens que, tomando os seus lampiões, saíram ao encontro do noivo. Mt 25:1
Havia duas fases nos casamentos judaicos típicos da época de Cristo. Na primeira, o noivo ia à casa da noiva e participava da cerimônia de entrega da noiva. Na outra fase, o noivo voltava e a levava para um grande banquete em sua casa. As virgens eram damas de honra e tinham o dever cerimonial de preparar a noiva para o encontro com o noivo.
2 E cinco delas eram prudentes, e cinco eram insensatas.
3 As que eram insensatas, tomando os seus lampiões, não levaram azeite consigo.
4 Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com os seus lampiões. Mt 25:4
Essas candeias eram grandes tochas, capazes de permanecer acesas ao ar livre, feitas com longas varas, com trapos enrolados numa das pontas, embebidos em azeite de oliva. Pequenas candeias de barro eram comumente usadas no interior das residências.
5 E, tardando o noivo, todas elas cochilaram, e dormiram.
6 E à meia-noite houve um grito: Eis que o noivo vem; saí-lhe ao encontro.À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘Eis que vem o noivo! Saí ao seu encontro!’
7 Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam os seus lampiões. Mt 25:7
Quando o azeite era consumido pelo fogo cortavam-se as pontas chamuscadas dos trapos e adicionava-se mais óleo para um novo período médio de iluminação de 15 minutos.
8 E as insensatas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque os nossos lampiões estão se apagando.
9 Mas as prudentes responderam, dizendo: Não, para que não falte a nós e a vós; mas ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós.
10 E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o noivo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e a porta foi fechada.
11 Depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre para nós.
12 Mas ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo, eu não vos conheço.
13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir. Mt 25:13
Essa parábola é continuação da mensagem de Jesus sobre a necessidade do cristão estar sempre preparado e vigilante, pois a volta do Senhor é certa, repentina e iminente. Essa expectativa quanto ao glorioso retorno de Jesus confere ética, dinamismo e senso de urgência à evangelização e ao estilo de vida cristão. A mensagem de Cristo é também um forte apelo aos israelitas em todo o mundo, para que coloquem sua esperança no Noivo Eterno: O Senhor Jesus. Ele é o Messias prometido. A parábola das dez virgens, como é conhecido este trecho das Escrituras, não está ensinando que Cristo arrebatará os atentos e preparados espiritualmente e deixará para trás “crentes” distraídos ou negligentes. Se cinco virgens ficaram sem óleo (o Espírito) é porque nunca creram verdadeiramente no Senhor, pois todo o que crê – recebe o Espírito Santo – e será salvo (Mt 24.13; Jo 1.12; Hb 3:13 -14).
14 Porque o reino do céu é como um homem que, ao viajar para uma terra distante, chamou os seus próprios servos, e entregou-lhes os seus bens.
15 E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um; a cada homem segundo as suas habilidades; em seguida, foi viajar. Mt 25:15
Um talento correspondia à cerca de 35 quilos de prata pura, o equivalente a 6.000 denários (o denário, como já vimos, era uma moeda de prata e valia um dia de trabalho de um soldado romano). Deus concede, aos cristãos, fé e capacidades espirituais para, em primeiro lugar, compreenderem a pessoa e a obra do Seu Filho Jesus, e, em seguida, para servirem no Reino: testemunhando, anunciando a Salvação e cooperando com o Corpo de Cristo, a Igreja. Curiosamente, o uso atual da expressão portuguesa “talento”, significando o conjunto de dons, capacidades e habilidades de uma pessoa, originou-se com base nessa parábola (Lc 19.13). Jesus não está ensinando que o julgamento das pessoas em geral e dos cristãos em particular tem algo a ver com o esforço pessoal e o pleno uso dos dons e capacidades, pois o caminho da Salvação é bem diferente. O uso dos talentos é apenas uma conseqüência natural na vida diária de quem já foi contemplado, abraçou a fé em Jesus e agora vive a alegria da Salvação, mesmo em meio aos sofrimentos deste mundo. É um julgamento semelhante àquele pronunciado contra o convidado que comparece à festa eterna sem vestir-se da justificação (salvação) em Cristo (Mt 22:12 -14).
16 Então o que recebera cinco talentos foi e negociou com eles, e fez outros cinco talentos.
17 E da mesma forma, o que recebera dois, ele também ganhou outros dois.
18 Mas o que recebera um, foi e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 Depois de muito tempo veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles.
20 Então, chegando o que recebera cinco talentos, trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, tu me entregaste cinco talentos; eis aqui cinco talentos a mais que eu ganhei.
21 Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel sobre poucas coisas, eu te farei governante sobre muitas coisas; entra na alegria do teu senhor.
22 E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que eu ganhei outros dois talentos além desses.
23 Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel sobre poucas coisas, eu te farei governante sobre muitas coisas; entra na alegria do teu senhor.
24 Então, chegando o que recebera um talento, disse: Senhor, eu soube, que és um homem duro, que colhes onde não semeaste, e ajuntas onde tu não espalhaste;
25 e receoso, eu fui e escondi na terra o teu talento; eis que aqui está o que é teu.
26 Respondendo o seu senhor, disse-lhe: Servo perverso e preguiçoso, tu sabias que eu colho onde não semeei, e ajunto onde eu não espalhei;
27 tu deverias portanto ter dado o meu dinheiro aos cambistas e então, e na minha vinda, teria recebido o meu com os juros. Mt 25:27
A palavra “banqueiro” vem do grego trapeza (mesa), e ainda hoje é comum ver essa palavra nas fachadas das instituições financeiras na Grécia. Na época de Jesus, os “banqueiros” eram pessoas que ficavam sentadas atrás de pequenas mesas e trocavam dinheiro (Mt 21.12). Outra palavra interessante é “juro”, que tinha o sentido de “prole”, ou seja, os juros eram considerados “filhotes” do principal emprestado ou investido.
28 Tomai, portanto o talento dele, e dai-o ao que tem os dez talentos.
29 Porque a cada um que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver, será tomado até o que ele tem.
30 E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Mt 25:30
Os escravos foram libertos e elevados à posição de servos (mordomos), aos quais aquele senhor confiou todos os seus bens. O servo que não fez uso do talento concedido, agiu assim porque não gostava do seu senhor e desconfiava dele. Não queria trabalhar e se arriscar apenas para tornar o senhor mais rico. Preferiu a conveniência e a tranqüilidade de uma aparente isenção de responsabilidade. Os dons e talentos de Deus multiplicam-se quando os utilizamos, pois transformam nossas vidas e ficamos preparados para receber ainda mais da plenitude do Espírito Santo. O amor de Cristo em nós gera mais amor, a fé mais fé, o caráter mais caráter de Deus nos crentes, e a obediência à Palavra do Senhor produz uma fonte de virtudes que influencia todo o ambiente (2Pe 1:3 -7).
31 Quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então ele se assentará no trono da sua glória;
32 e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará umas das outras, como o pastor divide suas ovelhas dos bodes.
33 E ele colocará as ovelhas à sua mão direita, mas os bodes à esquerda.
34 Então o Rei dirá aos que estiverem à sua mão direita: Vinde, benditos de meu Pai, herdai o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
35 porque eu tive fome, e destes-me de comer; eu tive sede, e destes-me de beber; eu era um estrangeiro, e me acolhestes;
36 despido, e me vestistes, eu estava enfermo e me visitastes, eu estive preso, e fostes até mim.
37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te alimentamos? Ou com sede, e te demos de beber?
38 E quando nós te vimos estrangeiro, e te acolhemos? Ou despido, e te vestimos?
39 E quando te vimos enfermo ou na prisão, e fomos visitar-te?
40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Na verdade eu vos digo que quando o fizestes ao menor destes meus irmãos, a mim o fizestes. Mt 25:40
Jesus ensina que o grande pecado do ser humano é a falta do exercício do amor verdadeiro: primeiro em relação ao seu Criador e depois para com seu semelhante e próximo (Tg 4:1 -17). Há duas interpretações escatológicas mais aceitas, sobre esse aspecto do Julgamento: 1) Vai acontecer no início de um reino milenar na terra e definirá quem terá o direito de fazer parte do Reino (Mt 25.31,34), com base no tratamento dispensado ao povo israelense (“meus irmãos, mesmo que ao menor deles” – Mt 25:40 -46) no período anterior à Grande Tribulação (Mt 25:35 -40, 42-45). 2) Para muitos estudiosos, o Julgamento ocorrerá diante do Trono Branco no final dos tempos (Ap 20:11 -15). Seu objetivo será identificar as pessoas de todas as épocas, culturas, povos e nações que poderão ingressar no reino eterno dos salvos e aqueles que serão condenados a viver em punição eterna no inferno (Mt 25.34,36). A base desse julgamento definitivo será a atitude de amor com a qual, aqueles que afirmam crer em Deus, trataram seus irmãos e semelhantes (1Jo 3:11 -24).
41 Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para dentro do fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;
42 porque eu tive fome, e não me destes de comer; eu tive sede, e não me destes de beber;
43 eu um era estrangeiro, e não me acolhestes; despido, e não me vestistes; enfermo e na prisão, e não me visitastes.
44 Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou um estrangeiro, ou despido, ou enfermo ou na prisão, e não te servimos?
45 Então ele lhes responderá, dizendo: Na verdade eu vos digo que quando não fizestes ao menor destes, não o fizeste a mim.
46 E irão estes para o castigo eterno; mas os justos para a vida eterna.