Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Luk 18
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1 E ele falou-lhes uma parábola com este fim, de que os homens devem sempre orar e nunca desfalecer, Cap.18 LUCAS Lc 18:1
Assim como a parábola do administrador infiel (Lc 16:1 -8), essa também é uma “história enigmática de contraste”. Revela que, se um magistrado que não teme ao Senhor, nem respeita ou teme a homem algum, pode ser levado a atender a petição de uma pobre viúva por causa de sua insistência, quanto mais o fará o justo Juiz do universo (Tg 4.12). Os cristãos são encorajados a permanecer fiéis e confiantes em suas orações a Deus, que no momento oportuno responde a todos como um Pai amoroso.
2 dizendo: Havia em uma cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens;
3 e havia naquela cidade uma viúva; e ela veio a ele, dizendo: Vingue-me do meu adversário. Lc 18:3
O juiz insensível da parábola não temia a Deus e muito menos aos homens. Não se preocupava com o bem-estar da sua comunidade nem com o que as pessoas pensavam sobre ele. A viúva, especialmente no AT, representava – assim como os órfãos – todo tipo de pessoa desamparada e carente de recursos (Sl 68.5; Lm 1.1).
4 E por algum tempo ele não quis; mas depois ele disse consigo: Ainda que eu não temo a Deus, nem respeito os homens,
5 todavia, como esta viúva me incomoda, vou vingá-la, para que ela não continue a virme cansar. Lc 18:5
A palavra grega original aqui traduzida por “aborrecer” é a mesma que Paulo usou ao se referir à disciplina que aplicava ao próprio corpo por causa de Cristo: “esmurro o meu corpo” (1Co 9.27) e seu sentido mais literal é: “esbofetear”. As súplicas da pobre viúva eram como “bofetadas” no rosto daquele juiz insensível. A oração que sempre alcança a resposta do Senhor é: isenta de pecados não confessados (Tg 5.16); incessante (1Ts 5.17) e cheia de fé (1Jo 5.15).
6 E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.
7 E Deus não vingará aos seus próprios eleitos, que clamam a ele dia e noite, já que é longânimo para com eles?
8 Eu vos digo que, ele os vingará rapidamente. Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? Lc 18:8
A justiça de Deus sempre é feita, e será vista com clareza, por toda a terra no glorioso retorno de Jesus. A expressão “escolhidos” tem sua origem num termo hebraico, particularmente usado no AT, para se referir a Israel, o povo eleito de Deus. Entretanto, seu paralelismo com outra palavra hebraica muito significativa “servo” (1Cr 16.13; Sl 105.6; Is 65.9), une as idéias de “responsabilidade” e “privilégio”. No NT a expressão tem seu conceito estendido à Igreja, como o Novo Israel de Deus (1Pe 2.9). Entretanto, Jesus prediz que a sua volta se dará em momento de grande esfriamento espiritual sobre a terra, afastamento da teologia bíblica e perseguição aos crentes sinceros. Nessa época será ainda mais necessário perseverar na oração e não esmorecer na fé leal a Cristo, assim como no exemplo da viúva.
9 E ele falou esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, que eles eram justos, e desprezavam os outros:
10 Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano.
11 O fariseu, posto em pé, assim orava consigo mesmo: Ó Deus, eu te agradeço, porque não sou como os outros homens, extorsionários, injustos e adúlteros; nem como este publicano.
12 Eu jejuo duas vezes na semana, dou os dízimos de tudo quanto eu possuo. Lc 18:12
O jejum não era uma prática ordenada na Torá (Lei), a não ser o jejum do Dia da Expiação. Os fariseus, entretanto, haviam instituído jejuns às segundas e quintas-feiras (Lc 5.33; Mt 6.16; 9.14; Mc 2.18; Atos 27.9). Da mesma forma, em relação ao dízimo, os fariseus ofereciam a décima parte de tudo quanto produziam, recebiam ou ganhavam e não apenas do salário e de algumas rendas, conforme prescrevia a lei mosaica.
13 E o publicano, estando em pé de longe, não queria levantar seus olhos ao céu, mas batia sobre o seu peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Lc 18:13
A palavra “benevolente” vem do hebraico original transliterado hilastheti e quer dizer: “sê conciliado”, “expiado”, “indulgente”. No NT e na Septuaginta essa expressão está relacionada com os atos no propiciatório, no Santo dos Santos do templo (Rm 3.25; Hb 9.5; Êx 25.17). O verbo aqui usado significa “ser propiciado” (1Jo 2:1 -2). O publicano não evoca seu bom coração ou boas obras, mas suplica a misericórdia do Senhor para lhe perdoar os pecados e receber suas orações e ações de graças.
14 Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa, em vez do outro; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e o que a si mesmo se humilhar será exaltado. Lc 18:14
Jesus enfatiza um dos pilares doutrinais da fé cristã: a justificação. O fariseu tenta justificar-se a si mesmo ao apresentar suas qualificações morais e espirituais ao Senhor. Algumas, inclusive, acima do que a lei de Moisés ordenava. Entretanto, somente Deus pode justificar o ser humano culpado e já condenado (Rm 1.17; 5.1). Ao tentar justificar-nos a nós mesmos, estamos sendo falsos, mentirosos e desprezando a justiça da graça de Deus (Rm 3.20).
15 E eles traziam-lhe também crianças, para que ele os tocasse; mas os seus discípulos, vendo isso, os repreendiam.
16 Jesus, porém, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim as criancinhas, e não as proibais; porque de tais é o reino de Deus.
17 Verdadeiramente eu vos digo: Qualquer que não receber o reino de Deus como uma criancinha de forma alguma entrará nele. Lc 18:17
Jesus usa uma outra ilustração para explicar, particularmente aos discípulos, que tipo de pessoa herdará o Reino de Deus. A recepção calorosa e protetora do Senhor às crianças – no original grego transliterado brephe, “infantes” – denota que as principais virtudes desejadas por Deus no ser humano não são a instrução, compreensão e obediência irrefletida às leis; mas sim, a relação de amor puro, confiante e sincero para com o Senhor (Mt 18.3; 19.14; Mc 10.15 de acordo com 1Pe 2.2). Qualquer tentativa de obstruir ou impedir que crianças e pessoas simples do povo tenham essa relação verdadeira com Deus será duramente castigada (Lc 17.1,2; Mt 18.1).
18 E um certo governante perguntou-lhe, dizendo: Bom Mestre, o que eu farei para herdar a vida eterna?
19 E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus. Lc 18:19
A expressão usada por Jesus tem o seguinte sentido original: “Tu sabes o que dizes?” Ou seja, somente alguém que reconhece em Cristo a pessoa de Deus (Eu Sou), pode dirigir-se a ele por suas qualidades de lealdade, misericórdia e benevolência sem cair no pecado da hipocrisia (Rm 7.18). Afinal, somente Deus é bom, todos os homens são pecadores e inclinados ao mal. O jovem rico e religioso não percebeu que estava falando com Deus.
20 Tu sabes os mandamentos: Não cometerás adultério, não assassinarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.
21 E ele disse: Tudo isso eu tenho guardado desde a minha juventude.
22 Ora, Jesus ouvindo estas coisas, lhe disse: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens, e distribua entre os pobres, e tu terás um tesouro no céu; e vem e segue-me. Lc 18:22
Jesus procura ser mais claro e, considerando o apego extremo daquele líder judeu ao cumprimento da Lei, o encoraja a cumprir o décimo mandamento, pois sua avareza era maior do que seu amor a Deus. A renúncia a tudo, e a qualquer coisa, que possa ocupar o lugar de primazia de Deus em nossa alma é condição sine qua non (latim: sem a qual não) para o discipulado (Lc 12.34).
23 E, ao ouvir esta palavra, ele ficou muito triste; porque ele era muito rico.
24 E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Lc 18:24
Causas da tristeza e depressão de muitas pessoas: Negam-se a confiar plenamente em Deus e a corresponder às expectativas do Senhor (Jo 3.3,5); rejeitam o único Mestre que verdadeiramente pode guiá-las pelos árduos caminhos desta vida (Jo 8.12); afastam-se do único Caminho que pode conduzi-las à felicidade e vida eternas (Jo 14.6).
25 Porque é mais fácil um camelo passar por um olho de agulha, do que entrar um homem rico no reino de Deus.
26 E os que ouviram isso disseram: Então, quem poderá ser salvo? Lc 18:26
A ninguém foi dado o dom de salvar-se a si mesmo ou a qualquer outra pessoa. Essa é uma dádiva de Deus, outorgada através do sacrifício vicário de Jesus Cristo em benefício exclusivo daqueles que sinceramente nele crêem (Jo 6.37). Poucos são os ricos, mas todos amam o mundo e as coisas que o mundo oferece (1Jo 2.15). A renúncia de tudo por amor a Cristo é igualmente impossível, tanto para pobres quanto para ricos, por isso dependemos da graça do Senhor e do seu toque milagroso em nossos corações para abraçarmos com fé a salvação e nos convertermos dos nossos caminhos naturais de egoísmo e pecado.
27 E ele disse: As coisas que são impossíveis com homens são possíveis com Deus.
28 Então, disse Pedro: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos.
29 E, ele lhes disse: Verdadeiramente eu vos digo: Não há homem que, tendo deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou esposa, ou filhos por causa do reino de Deus,
30 que não receba, nesse tempo presente, muito mais, e no mundo vindouro a vida eterna.
31 Então, ele tomando consigo os doze, disse- lhes: Eis que estamos subindo para Jerusalém, e todas as coisas escritas pelos profetas a respeito do Filho do homem serão cumpridas.
32 Porque ele será entregue aos gentios, e será escarnecido, humilhado e cuspido; Lc 18:32
Lucas destaca, pela primeira vez, a participação efetiva dos gentios (no caso, os romanos) em relação às perseguições e ao martírio de Jesus Cristo.
33 e, eles o açoitarão, e o matarão; e ao terceiro dia ele será ressuscitado.
34 E eles não entendiam nenhuma dessas coisas; e esta palavra lhes era encoberta, e eles não entenderam as coisas que foram faladas. Lc 18:34
Apesar desta ser a sétima predição feita por Jesus sobre seu holocausto (Lc 5.35; 9.22.44; 12.50; 13.32; 17.25), os discípulos – como todos os judeus da época – esperavam há séculos a chegada de um Messias que venceria todos os inimigos de Israel e se tornaria rei dos judeus, como Davi. E também compartilharia seu reinado de glória com seus seguidores leais. Honras e autoridade seriam distribuídas entre os cooperadores mais próximos. Somente o Espírito Santo poderia lhes esclarecer quanto ao novo e definitivo procedimento de Deus em relação a Israel e ao mundo (2Co 4.3,4 de acordo com Lc 24.26).
35 E aconteceu que, chegando ele perto de Jericó, estava um certo homem cego assentado junto do caminho, mendigando.
36 E, ouvindo passar a multidão, ele perguntou o que isto significava.
37 E disseram-lhe que Jesus de Nazaré estava passando.
38 E ele gritou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim. Lc 18:38
O homem cego já tinha ouvido acerca dos rumores sobre o título messiânico que as multidões haviam consagrado a Jesus: Filho de Davi, e que culminariam na sua entrada triunfal (como o Messias que seria proclamado rei pela vontade popular) em Jerusalém (Lc 19.28). Esse agitar das massas judaicas começava a perturbar seriamente os governadores romanos, que permitiam a livre manifestação religiosa dos povos por eles dominados, mas jamais, qualquer tipo de insubordinação política ou econômica.
39 E os que iam à frente repreendiam-no, para que se calasse; mas ele gritava ainda mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim.
40 E Jesus, parando, ordenou que lho trouxessem. E ele chegando perto, perguntou- lhe,
41 dizendo: O que queres que eu te faça? E ele disse: Senhor, que eu possa receber a minha visão.
42 E Jesus lhe disse: Recebe a visão, a tua fé te salvou.
43 E ele imediatamente recuperou a sua visão, e o foi seguindo, glorificando a Deus; e todo o povo, vendo isso, dava louvores a Deus. Lc 18:43
Jesus parou em sinal de reprovação aos que, desprezando os apelos do mendigo cego, o repreendiam. Por outro lado, Bartimeu demonstrou de forma prática a parábola da “viúva persistente”. Ao homem que pedia “misericórdia” o Senhor pergunta em que sentido prático a misericórdia do Filho de Davi poderia ajudá-lo. Mateus acrescenta que Jesus tocou os olhos do homem, mas ambos mencionam que Jesus abençoou aquele homem com a palavra da cura completa, que pode ser traduzida como “salvação”, o que significa uma cura do corpo e da alma. A fé daquele homem não produziu a cura, mas foi o meio pelo qual ele a recebeu. Daí em diante, o homem podia ver, e vendo, já não chamava a Jesus de Filho de Davi – líder político e rei dos judeus – mas glorificava a Deus, pois havia visto Seu Filho Jesus.