Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Joh 18
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1 Tendo Jesus dito essas palavras, saiu com os seus discípulos para além do ribeiro de Cedrom, onde havia um jardim, no qual ele entrou com os seus discípulos. Jo 18:1
“Quidrom” (Cedrom, em outras versões), é a exata expressão hebraica, cuja raiz significa “escuro”, da qual vem o nome de uma comunidade árabe, chamada “Quedar”, por suas tendas negras (Ct 1.5).
2 E também Judas, que o traía, conhecia aquele lugar; porque muitas vezes Jesus se reunira ali com os seus discípulos. Jo 18:2
Marcos (Jo 14.32) e Mateus (Jo 26.36) chamam este lugar de Getsêmani, “o lugar da prensa de azeite”, onde, durante a Semana Santa (Páscoa), Jesus se encontrou com seus discípulos (Lc 21.37).
3 Tendo, então, Judas recebido um bando de homens e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio para ali com lanternas, e tochas, e armas. Jo 18:3
Um destacamento ou pelotão era composto, em geral, por 760 homens da infantaria e 260 da cavalaria para justificar a presença de um oficial comandante (Jo 18.12; Atos 21.31). Os judeus esperavam resistência armada, por isso pediram ajuda aos romanos.
4 Jesus, portanto, sabendo tudo o que lhe aconteceria, saiu, e disse-lhes: A quem buscais?
5 Eles responderam-lhe: A Jesus de Nazaré. Disse-lhes Jesus: Eu sou ele. E Judas, que o traía, estava também com eles. Jo 18:5
Jesus apresenta-se com seu nome divino egô eimi, o nome do Pai (Êx 3.13,14).
6 Assim que lhes disse: Eu sou ele, recuaram, e caíram no chão.
7 Então, ele perguntou novamente: A quem buscais? E eles disseram: A Jesus de Nazaré.
8 Jesus respondeu: Já vos disse que eu sou ele; se, portanto me buscais, deixe-os seguir seu caminho;
9 para se cumprir a palavra que tinha dito: Dos que me deste nenhum deles eu perdi. Jo 18:9
Embora a profecia sobre a dispersão dos discípulos (Jo 16.32) também estivesse sendo cumprida, João destaca a profecia sobre a proteção espiritual que acompanhará seus discípulos para sempre (Jo 17.12).6 Lucas informa-nos que Jesus ainda curou Malco (Lc 22.49,50) e evitou que os demais discípulos puxassem suas espadas.
10 Então Simão Pedro, que tinha uma espada, desembainhou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco. Jo 18:10
João tinha grande familiaridade com o sumo sacerdote e sua criadagem (Jo 18.16), por isso conhecia Malco.
11 Disse, então, Jesus a Pedro: Coloca a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu? Jo 18:11
Jesus estava convicto quanto a fazer a vontade do Pai e cumprir sua missão até às últimas conseqüências (Mt 26:37 -39).
12 Então, o bando, o capitão e os oficiais dos judeus prenderam a Jesus, e o manietaram,
13 e conduziram-no primeiramente a Anás, porque era o sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote naquele ano. Jo 18:13
Anás tinha sido sumo sacerdote de 6 a 15 a.C, porém mesmo como ex-sumo sacerdote ostentava grande poder, além dos seus cinco filhos também terem sido sacerdotes.
14 Ora, Caifás era quem tinha aconselhado aos judeus que convinha que um homem morresse pelo povo.
15 E Simão Pedro seguia a Jesus, e o mesmo fazia outro discípulo; este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e foi e entrou com Jesus no palácio do sumo sacerdote. Jo 18:15
O sumo sacerdote aqui é o próprio Anás, que tinha esse título no sentido emérito (Lc 3.2). Quanto ao “outro”, parece ser um discípulo de Jerusalém com algum parentesco com o sumo sacerdote; devido ao uso da palavra grega gnôstos (conhecido íntimo, parente).
16 Mas Pedro ficou parado do lado de fora do portão. Saiu, então, o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote, e falou àquela que guardava a porta, e trouxe Pedro.
17 Então, a donzela que guardava a porta, disse a Pedro: Não és tu também um dos discípulos deste homem? Disse ele: Eu não sou.
18 E estavam ali os servos e os oficiais, tendo feito uma fogueira com carvão, porque fazia frio, e estavam se aquecendo. Também Pedro estava parado junto deles se aquecendo.
19 Então, o sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos, e da sua doutrina.
20 Jesus lhe respondeu: Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde os judeus sempre se reúnem, e eu nada falei em oculto.
21 Por que me interrogas? Pergunta aos que me ouviram o que lhes falei; eis que eles sabem o que eu disse.
22 E, havendo ele falado isso, um dos oficiais que ali estavam bateu em Jesus com a palma da sua mão, dizendo: Assim que tu responde ao sumo sacerdote?
23 Respondeu-lhe Jesus: Se eu falei mal, testemunho do mal; mas, se bem, porque tu me feres?
24 Então, Anás o enviou, manietado, ao sumo sacerdote Caifás.
25 E Simão Pedro estava ali se aquecendo. Disseram-lhe, então: Não és também tu um dos seus discípulos? Ele negou e disse: Não sou eu.
26 E um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Eu não te vi no jardim com ele?
27 Pedro negou outra vez, e imediatamente o galo cantou.
28 Então eles conduziram Jesus de Caifás para a sala de julgamento, e era cedo, e eles não entraram na sala de julgamento, para não se contaminarem, mas poderem comer a Páscoa. Jo 18:28
O Pretório era o quartel-general (quando em acampamento) do governador militar romano, ou, como neste caso, uma de suas residências (Jo 18.33).12 Os cordeiros pascais tinham de ser sacrificados no templo, à tarde do mesmo dia em que haviam nascido. Seriam comidos pelas pessoas que se mantivessem cerimonialmente puras, logo após o pôr-do-sol. O contato com a presença de fermento na casa de um gentio poderia excluir um judeu da Páscoa (Êx 12.19; 13.7). João contrasta esse zelo dos judeus com o que estão fazendo ao Filho de Deus.
29 Então chegou Pilatos diante deles, e disse- lhes: Que acusação trazeis contra este homem?
30 Eles responderam e disseram-lhe: Se este não fosse malfeitor, nós não o entregaríamos para ti.
31 Disse-lhes, então, Pilatos: Levai-o vós e julgai-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe, então, os judeus: Não nos é lícito matar homem algum;
32 para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer.
33 Então Pilatos entrou novamente na sala de julgamento, e chamou a Jesus, e disse- lhe: És tu o Rei dos Judeus? Jo 18:33
Com a morte de Herodes em 4 a.C., a Judéia viveu um clima político de anarquia, em que qualquer rebelde podia se autoproclamar rei. Se Jesus fosse um rei desse tipo, teria havido uma batalha sangrenta, quando os soldados vieram prendê-lo no olival.
34 Respondeu-lhe Jesus: Dizes estas coisas de ti mesmo, ou foram os outros que te contaram de mim?
35 Pilatos respondeu: Eu sou um judeu? A tua própria nação e os principais sacerdotes entregaram-te a mim, o que tu fizeste?
36 Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, então os meus servos lutariam, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.
37 Disse-lhe, então, Pilatos: Então és tu um rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.
38 Disse-lhe Pilatos: O que é a verdade? E, dizendo isso, ele foi novamente até os judeus e disse-lhes: Eu não acho nenhuma culpa nele.
39 Mas vós tendes por costume que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa; quereis, então, que vos solte o Rei dos Judeus? Jo 18:39
Uma passagem na Mishna (lei escrita dos judeus) indica que o cordeiro pascal podia ser sacrificado em favor de pessoas que não teriam condições de comê-lo. A lista incluía um prisioneiro gentio.
40 Então, todos gritaram novamente, dizendo: Este homem não, mas Barrabás. Ora, Barrabás era ladrão. Jo 18:40
“Bandido” ou “salteador” (em grego lestes, assaltante de estrada). O termo significa “um rebelde zelote”. O mesmo termo é usado em Mc 15.27 e Mt 27.38 para identificar os dois homens crucificados com Jesus. Barrabás era líder de bandidos (em grego archilestes) Mc 15.7; e muito conhecido (em grego episêmos) Mt 27.16.