Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Rom 8
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1 Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Jesus Cristo, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Rm 8:1
Essas são as “boas novas” (o Evangelho): 1) A Lei incita, ressalta e condena o pecado. Todavia, o cristão não está “debaixo da Lei” (Rm 6.4); 2) O crente “em Cristo” é incorporado plenamente ao Corpo de Cristo, mediante o Espírito (1Co 12.13); 3) O Corpo, que teve início na morte e ressurreição, tem Jesus Cristo como cabeça e inclui todos os remidos como Seus membros (Ef 1.22,23); 4) A autoridade que governa o Corpo não é mais a Lei, tampouco a natureza carnal, muito menos o pecado, mas a Lei do Espírito, que significa: liberdade (Rm 8.2). Pelo Espírito, o cristão é liberto do cativeiro do pecado.
2 Porque a lei do Espírito de vida, em Jesus Cristo, me livrou da lei do pecado e da morte.
3 Porquanto, o que a lei não podia fazer, visto como estava fraca pela carne, Deus, enviando seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Rm 8:3
Deus se identificou perfeitamente com o ser humano na pessoa de Jesus Cristo, porém sem ter cometido pecado algum (2Co 5.21). Constituindo-se no único e verdadeiro Homem sem pecado, cumpriu integralmente o plano original de Deus para o ser humano. A expressão “oferta pelo pecado” (que não foi traduzida por algumas versões) consta da Septuaginta como peri hamartias, expressão grega derivada do antigo termo hebraico hatta´th, que significa literalmente “oferta para o pecado”.
4 para que a justiça da lei fosse cumprida em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.
5 Porque os que são segundo a carne, têm a mente nas coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito.
6 Porque a mentalidade carnal é morte; mas a mentalidade espiritual é vida e paz.
7 Porquanto, a mentalidade carnal é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem de fato, pode ser.
8 Assim então, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Rm 8:8
Paulo não se refere à carne como substância física, mas sim ao caráter moral e ético da expressão. É o campo (área de nossa vida) ao qual o poder do pecado e do Diabo tem acesso e controle, e no qual as obras próprias da natureza carnal são concebidas e praticadas (Gl 5:19 -21). Após a morte e ressurreição de Jesus, existem apenas dois grandes campos: “a carne” e “o Espírito”. É impossível viver nos dois lugares simultaneamente (Rm 8.9). A Lei não perdeu sua relevância na vida do cristão. Contudo, ela não tem em si o poder da salvação do pecador condenado. Sua autoridade, no entanto, se aplica à orientação moral e ética do crente, que a interpreta e obedece, por amor a Cristo, mediante o esclarecimento e poder do Espírito Santo que agora habita seu espírito, alma e corpo (1Ts 5.23).
9 Mas, vós não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Ora, se algum homem não tem o Espírito de Cristo, esse não é dele.
10 E, se Cristo está em vós, o corpo está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida por causa da justiça.
11 Mas se o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. Rm 8:11
Todos os corpos (cristãos ou não) estão sujeitos à morte e decomposição física, conseqüência do pecado original (Gn 3). A ressurreição da alma e do corpo dos crentes para a vida eterna está garantida mediante a presença do Espírito Santo que neles habita. Presença esta evidenciada por uma vida controlada pelo próprio Senhor Jesus. Uma vida sob o domínio do Espírito é o selo de garantia total de que desde aqui e agora nossa ressurreição está certa (1Co 6.14; 15.20,23; 2Co 4.14; Fp 3.21; 1Ts 4.14).
12 Portanto, irmãos, nós somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne.
13 Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.
14 Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.
15 Porque não recebestes um espírito de servidão, para novamente temerdes, mas recebestes o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai. Rm 8:15
No primeiro século, a adoção era a forma jurídica e legal (especialmente entre os romanos e gregos) por meio da qual o pai adotivo recebia um filho e a ele destinava todos os direitos para perpetuar o nome da família e administrar sua herança. A expressão em aramaico abba era a maneira carinhosa como as famílias judias na palestina, na época de Cristo, se referiam a pessoa do pai. Cristo usou esse termo em suas orações e ensinou seus discípulos a considerarem o Deus Altíssimo e Todo- Poderoso como nosso “pai querido” ou “papai”, numa clara alusão à forma amorosa e sincera com que Deus convive com Seus filhos. Os judeus, entretanto, tinham receio de usar uma forma de tratamento tão informal e pessoal (Rm 8.23; 9.4; Mc 14.36; Lc 11.2; Gl 4.5; Ef 1.5).
16 O mesmo Espírito dá testemunho com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
17 E se filhos, então herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; se sofremos juntos, também seremos glorificados juntos.
18 Porque eu considero que os sofrimentos deste tempo presente não são dignos de serem comparados com a glória que há de ser revelada em nós.
19 Porque a ardente expectativa da criatura espera pela manifestação dos filhos de Deus. Rm 8:19
Todos aqueles que sinceramente crêem em Cristo já foram promovidos à posição de filhos de Deus, todavia, a plena manifestação de tudo o que esse privilégio implica está reservada para os últimos dias (1Jo 3.1,2).
20 Porque a criatura ficou sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa do que a sujeitou em esperança,
21 porque a própria criatura também será libertada da servidão da corrupção, para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Rm 8:21
Paulo se refere à queda cósmica (em algumas versões traduzida impropriamente como “vaidade”), a qual se encontra detalhada nas Escrituras de Gn 3 até Ap 22.3 (“nunca mais haverá maldição”). Toda a natureza criada por Deus, que Ele próprio julgou “boa”, ficou sujeita à degeneração e à inutilidade (vaidade) com o ingresso do pecado na terra por meio da desobediência voluntária dos primeiros seres humanos, representados por Adão. O novo corpo que receberemos, por ocasião da ressurreição, suplantará nosso atual corpo mortal que nos liga à natureza, que a essa altura também será renovada. O termo grego original mataiotes, além de transmitir o sentido de futilidade, frustração (vaidade), remete à adoração a deuses falsos, indicando que a criação foi sujeita às forças do Inimigo (1Co 12.2). O universo não se destina ao aniquilamento (destruição total), mas à renovação (2Pe 3.13; Ap 21.1).
22 Porque nós sabemos que toda a criação geme uníssono, e uníssono sofre dores de parto até agora.
23 E não só ela, mas nós mesmos também, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.
24 Porque somos salvos em esperança. Mas a esperança que se vê não é esperança; como pois esperançar o que um homem vê? Rm 8:24
É importante notar que fomos salvos “na” esperança, não “por” esperança. Paulo repetirá várias vezes que a salvação é um dom de Deus e recebida unicamente por meio da fé do pecador arrependido. A esperança acompanha a salvação (Ef 2.8).
25 Mas, se esperarmos o que não vemos, então com paciência o aguardamos.
26 Semelhantemente o Espírito também nos ajuda em nossas fraquezas; porque não sabemos o que devemos orar como convém, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos que não podem ser proferidos. Rm 8:26
Assim como a esperança sustenta o cristão em seus sofrimentos, da mesma forma, o Espírito Santo o ajuda na comunicação com Deus, quando palavras humanas parecem não fazer sentido. Neste trecho, não é o crente quem geme, mas sim o Espírito.
27 E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; porque ele faz intercessão pelos santos segundo a vontade de Deus.
28 E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados de acordo com o seu propósito. Rm 8:28
A expressão “todas as coisas”, segundo os melhores manuscritos, é objeto do verbo grego sunergei, indicando que o sujeito da ação é Deus. Algumas correntes filosóficas, espiritualistas e esotéricas usam esse trecho da Bíblia para sugerir uma espécie de pensamento positivo inconsistente, visto que as leis físicas provam que “as coisas” no universo não estão se organizando ou ficando melhores, mas se desestruturando e falindo. Portanto, “as coisas” não podem produzir qualquer progresso por si mesmas. É Deus quem põe ordem no caos e convoca o ser humano para ser seu companheiro nessa empreitada.
29 Para quem ele conheceu antes, ele também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, para que ele pudesse ser o primogênito dentre muitos irmãos. Rm 8:29
Embora esse trecho como várias posições teológicas de Paulo continuam sendo grandes temas de estudo por parte de teólogos e lingüistas, nessa passagem, há certo consenso de que o conhecimento aqui mencionado não é abstrato, mas é fruto da essência de Deus. O amor e seus atributos: fidelidade e justiça. Deus não apenas nos conhecia antes mesmo de termos a mínima informação sobre Ele, mas também nos conhecia no sentido de nos haver escolhido desde a fundação do universo (Ef 1.4; 2Tm 1.9). Assim como, desde a eternidade passada, Deus conhecia os que, pela fé, se tornariam o seu povo. Esse conhecimento prévio de Deus em relação a cada ser humano aponta para a graça da eleição, freqüentemente embutida no verbo “conhecer” no AT (Am 3.2; Os 13.5). No NT, ela aparece em passagens como 1Co 8.3 e Gl 4.9.
30 Além disso, aos que ele predestinou, a estes também os chamou; e aos que ele chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou. Rm 8:30
O fato de alguém vir a amar a Deus não é mérito humano, mas resultado direto da ação divina. O homem é chamado não no sentido de um simples e casual convite, mas por “uma convocação solene” e justificado por conseqüência da “convocação” (chamada), e o grande clímax: glorificado, no sentido de ser como Cristo é (1Jo 3.2).
31 O que diremos, então, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem pode ser contra nós?
32 Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará gratuitamente também com ele todas as coisas? Rm 8:32
A expressão grega original pheidomai, aqui traduzida por “não poupou”, nos remete a Gn 22.16 em que a Septuaginta utiliza exatamente a mesma palavra. No modo de pensar judaico, a “amarração de Isaque” é considerada um exemplo clássico do valor transcendente e redentor do martírio do justo.
33 Quem acusará alguma coisa aos escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.
34 Quem é o que condenará? É Cristo que morreu, sim, que foi ressuscitado, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Rm 8:34
Paulo nos leva metaforicamente a um tribunal universal de justiça e afirma que nenhuma acusação formal pode ser apresentada contra o cristão, porquanto, Deus – o Supremo Juiz – já proclamou seu veredicto final de “inocência”. O valor da pena (fiança) foi pago por nosso Advogado na cruz do Calvário: Jesus Cristo.
35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
36 Como está escrito: por causa de ti somos mortos todo o dia; somos considerados como ovelhas para o matadouro.
37 Mas em todas estas coisas somos mais do que vitoriosos, por meio daquele que nos amou. Rm 8:37
Somos realmente mais que vencedores. O termo grego original hupernikõmen significa literalmente “super-vencedores”. O Sl 44.22 é citado em Rm 8.36 para demonstrar que o sofrimento sempre fez parte da experiência de vida do povo de Israel não para separar o povo de Deus, mas justamente para conduzi-los à Salvação em Cristo.
38 Porque eu estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem as coisas do presente, nem as coisas porvir,
39 nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo nosso Senhor. Rm 8:39
É, portanto, impossível fugir do amor de Deus. Nada e nenhum ser do universo poderá nos separar do alcance do Espírito de Cristo. A única pessoa que não consta da lista, e que poderia fazer isso, seria o próprio Deus; no entanto, é Ele mesmo quem nos justificou (Rm 8.33).