Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Rom 9
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1 Eu digo a verdade em Cristo, eu não minto; a minha consciência também me dá testemunho no Espírito Santo, Rm 9:1
A consciência é verdadeiramente limpa, pura e apta para nos orientar, somente quando julgada e aprovada pelo Espírito Santo.
2 que eu tenho grande pesar e contínua tristeza no meu coração.
3 Porque eu mesmo desejava ser amaldiçoado de Cristo, por meus irmãos, meus parentes segundo a carne; Rm 9:3
Paulo faz um paralelo com a súplica de Moisés logo após o terrível pecado cometido pelos judeus ao fazerem de um bezerro de ouro um deus e o adorarem (Êx 32.32). Esse grande amor de Paulo pelas almas dos seus semelhantes também deve nortear as ações missionárias e evangelizadoras da Igreja em todo o mundo.
4 que são israelitas, aos quais pertence a adoção, e a glória, e os pactos, e concessão da lei, e o serviço de Deus, e as promessas; Rm 9:4
A expressão hebraica, traduzida para o grego na Septuaginta, shekiná refere-se à glória soberana e majestosa da presença maravilhosa de Deus no templo e no tabernáculo. Quanto às “alianças”, embora alguns manuscritos tragam a expressão no singular numa alusão à aliança celebrada no monte Sinai (Êx 34.38), os melhores originais se referem a todas as alianças firmadas por Deus com o seu povo: com Abraão (Gn 15:17 -21; 17:1 -8); com Moisés (Êx 19.5; 24:1 -4), renovada nas planícies de Moabe (Dt 29:1 -15), nos montes de Ebal, Gerizim e em Siquém (Js 8:30 -35; 24); com os levitas (Nm 25.12,13; Jr 33.21; Ml 2.4,5); com Davi (2Sm 7; 23.5; Sl 89.3,4,28,29; 132.11,12) e, especialmente, a Nova Aliança, profetizada em Jr 31:31 -40).
5 dos quais são os pais, e dos quais, segundo a carne, veio Cristo, que é sobre todos, Deus bendito para sempre. Amém. Rm 9:5
Nesse trecho, encontramos uma das declarações mais claras e exatas sobre a absoluta divindade e humanidade de Cristo. Outras passagens corroboram com essa afirmação de Paulo (Mt 1.23; 28.19; Lc 1.35; 5:20 -21; Jo 1.1,3,10,14,18; 5.18; 20.28; 2Co 13.14; Fp 2.6; Cl 1:15 -20; 2.9; Tt 2.13; Hb 1.3,8; 2Pe 1.1; Ap 1:13 -18; 22.13).
6 Não, porém, que a Palavra de Deus tenha perdido o seu efeito, porque nem todos os que são de Israel são israelitas.
7 Nem por serem a semente de Abraão são todos os filhos; mas, em Isaque será chamada a tua semente. Rm 9:7
Paulo faz uma clara distinção entre os judeus, segundo a descendência sangüínea (a carne) e os verdadeiros israelitas que através da fé são os legítimos filhos de Abraão. Paulo vê em Isaque uma prefigura de Jesus Cristo, que é, portanto, filho de Abraão. Por meio de Cristo, somos igualmente os filhos da promessa feita a Abraão (Gn 21.12; 18.10,14).
8 Isto é, os que são filhos da carne, estes não são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são considerados como semente.
9 Porque esta é a palavra da promessa: Por este tempo eu virei, e Sara terá um filho.
10 E não somente isso, mas também quando Rebeca concebeu de um, de nosso pai Isaque.
11 (Porque, não tendo os filhos ainda nascido, nem tendo feito algo bom ou mal, para que o propósito de Deus pudesse permanecer segundo a eleição, não por obras, mas por aquele que chama),
12 isto foi dito a ela: O mais velho servirá ao mais jovem. Rm 9:12
Paulo deixa evidente que Deus escolheu Jacó não pelo cumprimento de quaisquer condições prévias, obras ou leis, mas por causa da sua vontade livre e soberana. Esta profecia não se refere somente a Esaú e Jacó (Gn 25.23), mas também às nações que surgiram a partir deles. Os filhos de Esaú – os edomitas – estiveram, por longos períodos, sujeitos a Israel (2Sm 8.14; 1Rs 22.47). O propósito divino é concretizado na eleição que Ele faz (Ef 1.4).
13 Como está escrito: Eu amei Jacó, e odiei Esaú.
14 O que diremos então? Há em Deus injustiça? De forma alguma!
15 Porque ele diz a Moisés: Eu terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e eu terei compaixão de quem eu tiver compaixão.
16 Assim, pois, não é da parte dele quem quer, nem daquele que corre, mas de Deus, que manifesta misericórdia. Rm 9:16
Ao citar as contundentes declarações de Moisés (Êx 33.19), Paulo demonstra que a compaixão e a misericórdia de Deus não estão sujeitas a qualquer força do universo, muito menos ao controle humano, apenas à Sua absoluta e livre graça, justiça e vontade. Deus tratou a Isaque e Ismael, bem como, a Jacó e Esaú, por meio de sua soberania e onisciência, usando do direito que Ele tem de oferecer sua misericórdia a quem desejar.
17 Porque a escritura diz a faraó: Para este mesmo propósito eu te levantei; para mostrar o meu poder em ti, e para que o meu nome seja declarado em toda a terra.
18 Portanto, ele tem misericórdia de quem ele quer ter misericórdia, e endurece a quem quer. Rm 9:18
Deus, em geral, não impede ninguém de fazer o mal. Isso não quer dizer que o Faraó (de Êxodo) foi criado para ser um homem cruel e insensível, mas, diante das circunstâncias que o deveriam ter levado ao arrependimento, ele, por sua livre decisão, permaneceu incrédulo e duro de coração (Êx 9.16; 8.15; 7.3; 15.13; Js 2.10,11; 9.9; 1Sm 4.8). Deus não é arbitrário em sua misericórdia. Paulo revela que o grande motivo da rejeição de Israel por Deus é sua renitente incredulidade (Rm 9:30 -32).
19 Tu dirás a mim então: Por que ele ainda achou culpa? Pois quem tem resistido à sua vontade?
20 Mas, ó homem, quem és tu, para que contestes a Deus? Dirá a coisa formada ao que a formou: Porque tu me fizeste assim?
21 Não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?
22 E se Deus, disposto a demonstrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a destruição, Rm 9:22
Não cabe ao homem murmurar contra o direito soberano que o Criador tem de realizar o que bem entende com Sua criação e filhos. Entretanto, a tônica desta passagem está na misericórdia de Deus que suporta com infinita paciência a persistente e crescente maldade humana (fortemente influenciada pelo Diabo), retardando Sua ira por séculos e séculos (2Pe 3:7 -9).
23 para que ele também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que antes ele já preparou para glória,
24 até nós, a quem ele chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
25 Assim como ele também diz em Oseias: Eu chamarei de meu povo aqueles que não eram meu povo; e amada à que não era amada.
26 E acontecerá que, no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois meu povo; ali serão chamados filhos do Deus vivo. Rm 9:26
Embora as palavras de Oséias, em seu contexto original no AT, se refiram à restauração espiritual de Israel, Paulo as interpreta como um princípio: Deus é salvador, perdoador e restaurador; cujo prazer está em buscar “os que não-são-meu-povo” e fazer deles “povo-meu”. Deus transforma os nomes dos filhos ilegítimos e rejeitados de Oséias (em hebraico: Lo-ruhamah – não-objeto-da-minha-afeição, e Lo-ammi – não-meu-parente) em “povo-meu” (Os 1.10). Paulo aplica esse princípio à inclusão dos gentios, de modo soberano, no relacionamento pactual com o Senhor (conforme Atos 11).
27 Isaías também clamava acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente será salvo;
28 porque ele concluirá a obra e a abreviará em justiça; porque o Senhor fará breve a obra sobre a terra.
29 E como Isaías disse antes: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado semente, teríamos nos tornado como Sodoma, e teríamos sido feitos semelhante a Gomorra. Rm 9:29
Essas passagens de Isaías revelam que apenas um pequeno remanescente sobreviverá em comparação à grande maioria dos judeus que não reconhecerão a Salvação do Senhor em Cristo. O chamado de Deus inclui tanto judeus quanto gentios (Rm 9.24), contudo, a imensa multidão dos salvos será formada de gentios de todas as nações (Rm 9.30; Is 10.22,23; 1.9).
30 O que diremos então? Que os gentios, que não seguiam a justiça, alcançaram justiça, a justiça que é pela fé. Rm 9:30
As doutrinas da eleição divina e da responsabilidade humana quanto ao dom da Salvação, concedido por Deus em Cristo, devem ser, ambas, cridas e vividas firmemente por todo cristão sincero.
31 Mas Israel, que seguia a lei da justiça, não alcançou a lei da justiça.
32 Por quê? Porque eles não a buscaram pela fé, mas como que pelas obras da lei; pois eles tropeçaram na pedra de tropeço. Rm 9:32
O fracasso de Israel não foi ter buscado desesperadamente uma vida justa diante de Deus. O grande pecado foi a arrogância e a prepotência ao acreditar que suas muitas obras externas, regras e rituais poderiam constranger Deus a lhes tratar com deferimento, sem prestar atenção à falta da fé pura e sincera em seus corações. Por isso Jesus se tornou a “Pedra de tropeço” de Israel e de todos os incrédulos, porquanto, o povo de Deus não aceitou o modo que Ele determinara para que a nação viesse a alcançar a fé, e, com a fé, a justificação. Confiando em seus próprios métodos e obras, Israel rejeitou o Filho de Deus, o Messias prometido (1Pe 2:4 -8; Sl 118.22; Lc 20.17,18).
33 Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de ofensa; e todo aquele que crer nela não será envergonhado. Rm 9:33
Paulo combina alguns textos do profeta Isaías, extremamente respeitado pelos líderes religiosos dos judeus, para apelar ao coração e ao entendimento de Israel. Originalmente, o profeta falava do “remanescente fiel”, a esperança do futuro, incorporado pessoalmente no Messias da Casa de Davi. Essa passagem constituiu-se num testimonium, que era o uso apologético de passagens do AT, pelos discípulos do Senhor na igreja primitiva, a fim de defenderem o messianato de Cristo e ensinar que só a fé em Jesus leva à salvação (Is 28.16 com Is 8.14).