Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Heb 10
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1 Porque a lei, tendo a sombra das coisas boas que virão, e não a imagem exata das coisas, não pode nunca, com os mesmos sacrifícios que eram continuamente oferecidos de ano em ano, aperfeiçoar os que se achegam. Hb 10:1
O sistema mosaico era composto da Lei e de todos os procedimentos sacerdotais levíticos (Hb 7.11). Contudo, os sacrifícios perpetuados pela Lei, ano após ano, constituíam-se em uma grande ilustração e antevisão (literalmente em grego: uma sombra) do poderoso e derradeiro sacrifício vicário de Cristo. O alvo da fé cristã é nos tornar discípulos (cópias fiéis) de Jesus Cristo (Rm 8.29; 2Co 4.4; Cl 2.17).
2 Se ainda o fosse, não teriam deixado de ser oferecidos? Pois os adoradores, tendo sido uma vez purificados, nunca mais teriam consciência de pecado. Hb 10:2
A consciência que condena e aflige diuturnamente o coração de uma pessoa em relação aos pecados cometidos, e que não pode aceitar humilde e alegremente o perdão de Deus, ainda não conheceu a verdadeira Salvação que está à disposição de todos mediante a simples e sincera fé em Cristo Jesus (Jo 1.12). Absolutamente, nada, e nenhum tipo de oferta ou sacrifício, têm o poder de perdoar, limpar e renovar a consciência humana (Hb 10.4; Sl 51.10,16; 66.18).
3 Mas, nesses sacrifícios, a cada ano se recordam os pecados.
4 Porque não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados.
5 Pelo que, quando ele entra no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste.
6 Em ofertas queimadas e sacrifícios pelo pecado não tens prazer algum.
7 Então, eu disse: Eis-me aqui (na cabeça do rolo está escrito sobre mim) para fazer a tua vontade, ó Deus. Hb 10:7
O autor de Hebreus cita trechos dos Salmos da Septuaginta (a mais importante e antiga tradução grega do AT), para demonstrar o tipo de obediência concorde e voluntária (submissão, sob missão) de Cristo em relação à vontade do seu Pai (Sl 40:6 -8; Lc 22.42; Jo 4.34). Nota-se que Deus nunca se interessou pelos sacrifícios em si, mas na verdadeira devoção e obediência à sua Palavra (1Sm 15.22).
8 Acima, quando disse: Sacrifício e ofertas, e holocaustos e ofertas pelo pecado não quiseste, nem neles tiveste prazer, os quais são oferecidos pela lei.
9 Então, ele disse: Eis-me aqui para fazer a tua vontade, ó Deus. Ele tira o primeiro, para que possa estabelecer o segundo.
10 Por cuja vontade somos santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez por todas.
11 E cada sacerdote se apresenta diariamente, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados.
12 Mas este homem, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados para sempre, assentou-se à direita de Deus.
13 Deste momento em diante encontra- se à espera, até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés.
14 Porque com uma só oferta ele aperfeiçoou para sempre os que estão santificados;
15 e disto o Espírito Santo também nos é por testemunha, porque depois de haver dito:
16 Este é o pacto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e em suas mentes as escreverei;
17 e de seus pecados e iniquidades não mais me lembrarei.
18 Ora, onde há remissão destes, não há mais oferta pelo pecado. Hb 10:18
É prova de incredulidade e insulto contra Deus oferecer qualquer tipo de sacrifício por pecados já remidos em Cristo. Portanto, o verdadeiro caminho para Deus não é mais pavimentado pelas ofertas ou cerimônias sacrificiais (como a tradicional missa católica ou os rituais espiritualistas), mas exclusivamente pela fé no Cristo ressurreto (Hb 9.12; Rm 4.25; 5.19). As citações nesta passagem também foram extraídas da Septuaginta (o AT em grego) e atestam que na nova aliança todos os nossos pecados podem ser perdoados de maneira eficaz, completa e perpétua, dispensando todo e qualquer tipo de sacrifício adicional ao já consumado por Cristo (Jr 31:31 -34 já mencionado em 8:8 -12).
19 Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus,
20 por um caminho novo e vivo, que ele consagrou para nós, através do véu, isto é, da sua carne, Hb 10:20
Na antiga aliança, o acesso ao Santo dos Santos era ultra-restrito, porquanto o sangue dos animais era insuficiente para realizar a plena expiação dos pecados. Mas hoje, os crentes de todas as etnias e nações, podem se achegar com fé ao trono da graça, pois o sacerdote perfeito ofereceu a si mesmo (o sacrifício perfeito) e expiou todo o pecado e condenação, de uma vez para sempre. No momento exato da morte de Cristo na cruz do Calvário, o véu que, simbolicamente, fazia separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos, rasgou-se em duas partes, de cima a baixo (Mc 15.38). Aquele véu (cortina de tecido) representa o corpo de Cristo em relação à questão do sofrimento. Assim como aquele véu, o corpo de Cristo foi rasgado, e abriu caminho para a morada de Deus (literalmente: o tabernacular) na vida dos cristãos sinceros.
21 e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus;
22 cheguemo-nos com coração verdadeiro, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água pura.
23 Fiquemos, pois, firmes em nossa profissão de fé, sem nos abalar; porque fiel é aquele que prometeu;
24 e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.
25 Não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes exortando- nos uns aos outros; e tanto mais, à medida que vedes que aquele dia se aproxima. Hb 10:25
A expressão grega aqui traduzida por “abandonemos” transmite o sentido original de “deserção” (Mt 27.46; 2Co 4.9; 2Tm 4.10,16). Deus planejou a Igreja para que os cristãos pudessem ser companheiros de caminhada, exortando e sendo exortados pelo Espírito e uns aos outros, em amor fraternal. Por isso, não é concebível a teoria do culto exclusivo e distante da comunhão dos irmãos (1Jo 1.3). A demora do glorioso retorno do Senhor causou certa apatia e frustração naqueles cuja fé era frágil e oscilante, e foram tentados a desistir da luta espiritual diária para voltar aos rudimentos do judaísmo e da antiga aliança. Entretanto, o autor de Hebreus, e muitos cristãos, presenciaram o terrível dia da destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. Um dos sinais da iminente volta de Cristo (Lc 21:20 -22; 1Ts 5.2,4; 2Ts 1.10; 2.2; 2Pe 3.10).
26 Porque se pecamos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados. Hb 10:26
Todo e qualquer pecado tem seu perdão e remissão em Cristo Jesus, menos o pecado da rejeição consciente e sistemática (apostasia) ao amor de Deus mediante seu Evangelho. O cenário histórico dessa passagem do AT está registrado em Nm 15.27- 31 e refere-se especialmente àquelas pessoas que, havendo confessado sua fé no Senhor, decidem afastar-se do Corpo de Cristo (a Igreja), negando a fé que um dia abraçaram (Hb 6:4 -8). Rejeitar o sacrifício de Cristo é rejeitar a única possibilidade efetiva de Salvação eterna, porquanto não existe nenhum outro sacrifício aceito por Deus. A expressão “feriu os pés do Filho de Deus” comunica o sentido de “absoluto e renitente desprezo ao Senhor e sua Palavra” (Zc 12:1 -9).
27 Porém uma expectação terrível de juízo, e uma indignação ardente que há de devorar os adversários.
28 Aquele que desprezou a lei de Moisés, morreu sem misericórdia, sob duas ou três testemunhas.
29 Com quão maior castigo pensais vós que será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do pacto com que foi santificado, e ultrajar ao Espírito da graça?
30 Porque conhecemos aquele que disse: A vingança pertence a mim, eu retribuirei, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.
31 Coisa terrível é cair nas mãos do Deus vivo.
32 Lembrai-vos, porém, dos dias passados, nos quais, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições. Hb 10:32
Com o passar do tempo, tendemos a ganhar mais conhecimento bíblico e experiência na convivência com o Corpo de Cristo. Todavia, precisamos sempre nos lembrar do tempo em que fomos alcançados pelo divino amor do Senhor, quando a luz da salvação brilhou alegremente em nossas mentes e corações, como as Boas Novas de Deus (Hb 6.4; Jo 1.9; Atos 2:40 -44).
33 Em parte, sendo feitos alvos tanto de desonra como de tribulações, e também por vos tornardes companheiros dos que assim foram tratados.
34 Pois vos compadecestes de mim quando estive em prisões, mas também com alegria aceitastes a espoliação dos vossos bens, sabendo que vós tendes uma matéria melhor e duradoura.
35 Não lanceis fora a vossa confiança, porquanto tem por ela uma grande recompensa.
36 Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.
37 Porque por mais um pouco de tempo, aquele que há de vir virá, e não tardará.
38 Mas o justo viverá pela fé; mas se algum homem recuar, a minha alma não terá prazer nele. Hb 10:38
O autor de Hebreus toma como base a Septuaginta (o AT em grego) para salientar o fundamento da fé cristã: a salvação pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo; e a vida (cristã), como resultado direto da fé que depositamos em nosso Salvador (Hb 2.3,4). O autor escreve para os salvos e perseverantes, porém está consciente de que há alguns insinceros entre os crentes, mas que somente o Senhor poderá cuidar deles. Muitos cristãos hebreus serviram de “espetáculo” ao mundo (literalmente em grego theatrizomenoi), devido às muitas e terríveis perseguições por causa do Evangelho que viviam e pregavam, contudo ainda não haviam passado pelo martírio que viria (Hb 12.4; 1Co 4.9). Mesmo assim, alguns já estavam apostatando da fé. Em Jerusalém, porém, vários santos líderes do Senhor morreram torturados por proclamarem a mensagem salvadora de Jesus Cristo: Estevão, Tiago, filho de Zebedeu, Tiago, irmão do Senhor Jesus, esses por volta do ano 62 d.C.
39 Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que creem para a salvação da alma.