Ozzuu Bible
pt_kjfiel - 1Co 7
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1 Ora, acerca das coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher.
2 Ainda assim, para evitar fornicação, cada homem tenha a sua própria esposa, e cada mulher tenha o seu próprio marido. 1Co 7:2
Os coríntios tinham o costume de fazer perguntas embaraçosas a Paulo (1Co 7.25; 8.1; 12.1; 16.1,12). Paulo sempre se pronunciou favorável ao casamento e à vida familiar conforme a vontade de Deus (Ef 5:22 -33; Cl 3.18,19; 1Tm 3.2,12; 5.14). Ensinou que o celibato é dom de Deus e uma decisão absolutamente pessoal. Quando grupos auto-intitulados cristãos começassem a proibir o casamento, este seria um sinal do início da apostasia que marcaria o final dos tempos (1Tm 4:1 -3).
3 O marido cumpra sua obrigação conjugal para com a sua esposa, e da mesma forma também a mulher ao marido. 1Co 7:3
Os cônjuges têm direitos e deveres em função do ideal de desenvolverem uma família sadia e um lar harmonioso. Neste sentido, o amor sexual é uma dívida mútua, não um favor ou obrigação contratual. É a expressão de uma vida de compromisso amoroso, fidelidade e respeito, ou seja, amor conjugal. A idéia de que a abstenção sexual é mais santa tem sua origem no paganismo (1Pe 3.7; Hb 13.4).
4 A esposa não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas o marido; e também semelhante, o marido não tem poder sobre seu próprio corpo, mas a esposa.
5 Não vos defraudeis um ao outro, exceto se com consentimento, por algum tempo, para que se dêem ao jejum e oração; e ajuntai- vos novamente, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência. 1Co 7:5
Deus criou a maioria dos homens e mulheres com grande disposição natural para o relacionamento sexual (libido), acentuadamente durante a juventude. O casamento oferece aos cônjuges a correta motivação e o perfeito ambiente para a satisfação física e emocional do amor erótico. A abstenção temporária, com consentimento mútuo e tendo em vista alguma finalidade proveitosa, é plenamente compreensível e aceitável (como uma espécie de jejum), pois a vida conjugal não se limita ao relacionamento sexual (Ec 3.5; Jl 2.16).
6 Mas eu falo isto por permissão, e não como mandamento.
7 Porque eu quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada homem tem o seu próprio dom de Deus, um de uma maneira, e outro de outra. 1Co 7:7
Embora o casamento faça parte da vontade de Deus para a humanidade, não é obrigatório, especialmente considerando as circunstâncias culturais, sociais e religiosas pelas quais passavam os coríntios naquele momento. Paulo preferiu o celibato por boas e pessoais razões (29, 32, 35), e porque tinha o “dom” (em grego charisma) de viver solteiro, o qual inclui efetivo controle sobre o apetite sexual e uma grande apreciação por um estilo de vida totalmente independente. O casamento também exige um “dom” específico (Mt 5.32; 19:10 -12; Mc 10:2 -12; Lc 16.18).
8 Eu digo, portanto, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se permanecerem como eu.
9 Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que queimar-se.
10 E aos casados ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se aparte do seu marido;
11 mas, se apartar, que ela permaneça solteira, ou que se reconcilie com o seu marido; e o marido não deixe a sua esposa.
12 Mas aos restantes digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem esposa descrente, e ela consente em habitar com ele, não a abandone,
13 e a mulher que tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o abandone.
14 Porque o marido descrente é santificado pela esposa, e a esposa descrente é santificada pelo marido. Do contrário, os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos.
15 Mas, se o descrente se apartar, aparte- se; o irmão ou a irmã não está sob a servidão neste caso; mas Deus chamou-nos para a paz.
16 Porque, como sabes, ó esposa, se tu salvarás teu marido? Ou, como sabes, ó homem, se tu salvarás tua esposa? 1Co 7:16
Paulo está falando de casais que já estavam casados quando um deles aceitou a Cristo como Salvador e Senhor. O cônjuge descrente é influenciado diretamente pelo Espírito Santo que agora habita no coração do cônjuge cristão, especialmente quando este age de acordo com a vontade de Deus (1Pe 3.1). Os filhos pertencem à comunidade cristã (Igreja). Essa é uma bênção geral e funciona de forma similar à bênção outorgada por Deus a Israel, onde todos gozavam de certos benefícios especiais do Senhor, apesar de muitos não serem salvos e fiéis (1Co 10:1 -5). O crente deve fazer todo o possível para preservar seu casamento. Se, ainda assim, o cônjuge descrente decidir abandonar o crente, numa reação contra o Evangelho, o cristão fica livre da obrigação de continuar casado, pois deve haver paz no lar do crente (Lc 12.51; 14.26; 21.16).
17 Mas assim como Deus distribuiu a cada homem, como o Senhor chamou a cada um, assim ele ande. E assim eu ordeno em todas as igrejas.
18 É algum homem chamado sendo circuncidado? Não se torne incircuncidado. É alguém chamado, estando incircuncidado? Não se torne circuncisado.
19 A circuncisão nada é, e também a incircuncisão nada é, mas a guarda dos mandamentos de Deus. 1Co 7:19
Os cristãos judeus não devem preocupar-se em eliminar fisicamente o fato de serem judeus, assim como, os gentios não devem ceder às pressões judaizantes a favor da circuncisão e da guarda de leis e costumes legalistas (Atos 15:1 -5; Gl 5:1 -3). O que importa na vida é a obediência a Cristo, pois comprova a realidade da existência do amor e da fé. A fé não anula a obediência, mas sim a confirma.
20 Cada homem permaneça na vocação em que foi chamado.
21 Foste chamado sendo servo? Não te preocupes, mas se tu podes chegar a ser livre, aproveite bastante.
22 Porque aquele que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é homem livre do Senhor; e, semelhante também aquele que é chamado, sendo livre, é servo de Cristo.
23 Fostes comprados por um preço; não sejais servos dos homens.
24 Irmãos, cada homem permaneça com Deus naquilo que foi chamado. 1Co 7:24
No Império Romano, era comum os nobres presentearem seus escravos com a liberdade por algum serviço prestado ou ato notável. Paulo está ensinando que o crente deve viver satisfeito onde está e com o que tem. Essa é uma maneira de testemunhar nossa fé em Cristo em qualquer fase ou circunstância da vida. Entretanto, sempre que for possível, não perder a oportunidade de buscar o sucesso e a liberdade (econômica, financeira, política e social), pois já temos a mais importante das liberdades em Jesus: a espiritual.
25 Ora, com relação as virgens, eu não tenho mandamento do Senhor; contudo, eu dou a minha opinião, como alguém que tem obtido misericórdia do Senhor para ser fiel.
26 Suponho, portanto, que isto é bom por causa da aflição presente, eu digo, que é bom para o homem estar assim.
27 Estás ligado à esposa? Não busques desligar- te. Foste desligado da esposa? Não busques esposa.
28 Mas, se casares, não pecas; e, se a virgem se casar, ela não peca. Porém, os tais terão tribulações na carne, e eu quisera poupar-vos.
29 Mas isto eu vos digo, irmãos: O tempo é curto; o que importa é os que têm esposas sejam como se não tivessem nenhuma;
30 e os que choram, como se não chorassem; e os que se alegram, como se não se alegrassem; e os que compram, como se não possuíssem;
31 e os que usam deste mundo, como não abusassem dele, porque a moda deste mundo passa. 1Co 7:31
Embora Paulo não esteja retransmitindo uma ordem direta de Jesus, manifesta sua opinião, especialmente para uma questão que não envolve uma decisão entre o certo e o errado, e considerando aquele momento específico dos cristãos em Corinto. Escrevendo sob inspiração do Espírito Santo (1Co 7.40), fica claro que seus conselhos devem ser motivo de reflexão por parte de todos os cristãos em todas as épocas. O tempo urge e a vida é fugaz. A volta de Cristo é iminente, e o cristão deve aproveitar o tempo para evangelizar e preparar-se para seu encontro com o Senhor (1Co 7:29 -31). O mundo cada vez mais se preocupa com os aspectos materiais e temporais dessa vida. O cristão deve compreender que todas essas coisas estão se transformando e desaparecerão em breve; portanto, o amor ao Senhor e os demais bens espirituais e eternos são as virtudes que devem ser cultivadas e preservadas.
32 Mas quero que estejais livres de preocupações. Aquele que é solteiro cuida das coisas que pertencem ao Senhor, e como ele pode agradar ao Senhor;
33 mas o que é casado cuida das coisas que são do mundo, em como ele pode agradar a sua esposa.
34 Há diferença também entre a esposa e a virgem; a mulher solteira cuida das coisas do Senhor, para ela poder ser santa, tanto no corpo como no espírito; mas a que é casada cuida das coisas do mundo, em como ela pode agradar o seu marido.
35 E eu digo isso para o vosso proveito; não que eu lance um laço sobre vós, mas para o que é gracioso, para vos unirdes ao Senhor sem distração.
36 Mas, se algum homem pensa que ele trata sem decoro a sua virgem, se ela passar a flor da idade, e a necessidade o exigir, faça o que quiser; não peca; casem-se.
37 Todavia, aquele que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas tendo poder sobre a sua própria vontade, e assim decretou no seu coração, de guardar a sua virgindade, faz bem.
38 Assim, então, aquele que a dá em casamento faz bem; mas o que a não dá em casamento faz melhor.
39 A esposa está ligada pela lei ao seu marido enquanto ele viver; mas, se o seu marido morrer, ela está livre para se casar com quem quiser, somente no Senhor.
40 Mas ela será mais feliz se permanecer assim, segundo a minha opinião, e penso também que eu tenho o Espírito de Deus. 1Co 7:40
O casamento é uma união vitalícia (com exceção de Mt 19.9), por isso o cristão deve procurar conhecer bem a pessoa com quem deseja passar o restante da sua vida, antes de assumir esse compromisso solene. Entretanto, com o falecimento (expressão que no grego original significa: dormir – Atos 7.60), o cônjuge fica livre do vínculo conjugal e pode se casar com outro cristão, isso porque os costumes de um eventual cônjuge pagão, certamente, tornariam difícil a vida de um crente. Neste caso, seria melhor ficar só e receber o amparo dos filhos, parentes e igreja (1Co 7:26 -34; 1Tm 5:3 -16). Paulo nos assegura que fala em conformidade com o juízo do Espírito Santo, o que era também uma resposta aos céticos e críticos de seu tempo que procuravam negar sua autoridade apostólica (1Co 1:1 -7; 9.1; 12.25).