Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Mat 15Config
2
Por que os teus discípulos transgridem a tradição dos anciãos? Pois eles não lavam as mãos quando comem pão.
3
Mas ele, respondendo, disse-lhes: Por que também vós transgredis o mandamento de Deus pela vossa tradição?
4
Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe, inevitavelmente morrerá.
5
Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: Isto é uma oferta, tudo quanto puderes ser aproveitado por mim;
6
e não honrar a seu pai nem a sua mãe, esse estará livre. Assim invalidastes o mandamento de Deus pela vossa tradição. Mt 15:6
Os escribas e fariseus chegaram de Jerusalém para reforçar o grupo dos inimigos de Jesus, que já estava se estruturando, como no caso dos fariseus com os herodianos (Mc 3.6). Mais tarde, até os saduceus, tradicionalmente rivais dos fariseus, se juntariam aos perseguidores do Senhor (Mt 16.6). A “tradição dos anciãos” era a interpretação oral e escrita da Lei de Moisés, mas com muitas outras doutrinas e preceitos que foram sendo adicionados com o tempo; e que tinha autoridade quase igual a da própria Lei, entre os fariseus (Mt 5.43). Todas essas orientações deram origem, mais tarde (200 a.D.) à Mishná, a parte mais importante do Talmude, que é a fonte da lei judaica. O legalismo e o volume de pequenos preceitos haviam crescido tanto que a simples tradição, por motivos higiênicos, de se lavar as mãos antes das refeições, tornou-se um ritual de purificação para afastar a mínima possibilidade de um judeu ter sido contaminado pela poeira vinda de algum pagão (Mt 10.14). A ocupação romana intensificou esse estado de “guerra contra a impureza” mediante o cumprimento de inúmeras doutrinas e obrigações religiosas. A intenção por traz dessas práticas, entretanto, era conseguir o favor de Deus para a expulsão dos pagãos (romanos). Jesus passa a citar os mandamentos (Êx 20.12; Dt 5.16; Êx 21.17; Lv 20.9), mostrando como a tradição dos judeus e muitas interpretações e práticas religiosas estavam em desacordo com a própria Lei e, portanto, se constituíam em maior pecado contra Deus. Por exemplo, se alguém desejava livrar-se da responsabilidade judaica de cuidar dos pais idosos, era só fazer uma declaração falsa de que havia doado seus bens ao templo (em hebraico korban, quer dizer, oferta). Assim, os bens dessa pessoa seriam registrados em nome do templo como uma oferta ao Senhor, até a morte dos pais, quando então se “negociaria” com os escribas, um valor a ser pago para reavê-los. Jesus censura esse tipo de amor às regras, maior do que o amor devido a Deus e às pessoas (Is 29.13). Adverte que a comida que não foi preparada segundo as tradições dos antigos mestres não prejudica o corpo ou traz pecado sobre a alma (Atos 10:10 -15). Jesus usa um vocábulo raro (em grego aphedrôna), que significa: esgoto, privada, latrina. O que profana (em grego koinein), ou seja, torna uma pessoa comum, impura e, portanto, sem direito a participar do culto público ou, sequer, aproximar-se de Deus em oração, é o mal concentrado no íntimo do ser humano e que é expresso por meio das palavras da boca (Tg 3:6 -12).
Os escribas e fariseus chegaram de Jerusalém para reforçar o grupo dos inimigos de Jesus, que já estava se estruturando, como no caso dos fariseus com os herodianos (Mc 3.6). Mais tarde, até os saduceus, tradicionalmente rivais dos fariseus, se juntariam aos perseguidores do Senhor (Mt 16.6). A “tradição dos anciãos” era a interpretação oral e escrita da Lei de Moisés, mas com muitas outras doutrinas e preceitos que foram sendo adicionados com o tempo; e que tinha autoridade quase igual a da própria Lei, entre os fariseus (Mt 5.43). Todas essas orientações deram origem, mais tarde (200 a.D.) à Mishná, a parte mais importante do Talmude, que é a fonte da lei judaica. O legalismo e o volume de pequenos preceitos haviam crescido tanto que a simples tradição, por motivos higiênicos, de se lavar as mãos antes das refeições, tornou-se um ritual de purificação para afastar a mínima possibilidade de um judeu ter sido contaminado pela poeira vinda de algum pagão (Mt 10.14). A ocupação romana intensificou esse estado de “guerra contra a impureza” mediante o cumprimento de inúmeras doutrinas e obrigações religiosas. A intenção por traz dessas práticas, entretanto, era conseguir o favor de Deus para a expulsão dos pagãos (romanos). Jesus passa a citar os mandamentos (Êx 20.12; Dt 5.16; Êx 21.17; Lv 20.9), mostrando como a tradição dos judeus e muitas interpretações e práticas religiosas estavam em desacordo com a própria Lei e, portanto, se constituíam em maior pecado contra Deus. Por exemplo, se alguém desejava livrar-se da responsabilidade judaica de cuidar dos pais idosos, era só fazer uma declaração falsa de que havia doado seus bens ao templo (em hebraico korban, quer dizer, oferta). Assim, os bens dessa pessoa seriam registrados em nome do templo como uma oferta ao Senhor, até a morte dos pais, quando então se “negociaria” com os escribas, um valor a ser pago para reavê-los. Jesus censura esse tipo de amor às regras, maior do que o amor devido a Deus e às pessoas (Is 29.13). Adverte que a comida que não foi preparada segundo as tradições dos antigos mestres não prejudica o corpo ou traz pecado sobre a alma (Atos 10:10 -15). Jesus usa um vocábulo raro (em grego aphedrôna), que significa: esgoto, privada, latrina. O que profana (em grego koinein), ou seja, torna uma pessoa comum, impura e, portanto, sem direito a participar do culto público ou, sequer, aproximar-se de Deus em oração, é o mal concentrado no íntimo do ser humano e que é expresso por meio das palavras da boca (Tg 3:6 -12).
8
Este povo se aproxima de mim com a sua boca, e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.
11
Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que procede da boca, isso é o que contamina o homem.
12
Então, chegando-se a ele os seus discípulos, disseram-lhe: Tu sabes que os fariseus se ofenderam ouvindo esse provérbio?
14
Deixai-os sozinhos; eles são cegos condutores de cegos. E se um cego conduzir outro cego, ambos cairão na cova.
19
Porque do coração procedem os maus pensamentos, assassinatos, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias;
22
E, eis que uma mulher cananeia, vindo daquelas regiões, gritou para ele, dizendo: Tenha misericórdia de mim, Ó Senhor, Filho de Davi; minha filha está severamente atormentada por um demônio.
23
Mas ele não lhe respondeu uma palavra. E, vindo a ele os seus discípulos, pediram- lhe, dizendo: Manda-a embora, porque está gritando atrás de nós.
24
Mas ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Mt 15:24
A expressão “cananéia” ocorre muitas vezes no AT, mas no NT, apenas aqui. Tem a ver com os descendentes dos cananeus que Josué expulsou de Canaã, a Terra Prometida, cuja civilização ficou estabelecida na cidade de Tiro. Marcos chamava essa senhora de “grega” (gentia), quer dizer, helênica, por causa de sua origem sírio-fenícia (Mc 7.26). A palavra “cães de estimação” ou “cachorrinhos”, como em algumas versões, vem do grego original kunarion, que significa: pequenos cães de colo. Jesus precisava deixar claro que a prioridade máxima de sua missão era salvar os judeus. Por algum motivo, aquela senhora grega e gentia compreendeu perfeitamente a mensagem de Jesus, e reverentemente, usou a própria metáfora do Senhor para reivindicar seu espaço no coração compassivo de Cristo. A fé daquela mulher humilde mostrou-se maior, mais verdadeira e pura que a fé demonstrada pelos mestres e líderes religiosos que haviam contestado a santidade (pureza religiosa) de Jesus e seus discípulos.
A expressão “cananéia” ocorre muitas vezes no AT, mas no NT, apenas aqui. Tem a ver com os descendentes dos cananeus que Josué expulsou de Canaã, a Terra Prometida, cuja civilização ficou estabelecida na cidade de Tiro. Marcos chamava essa senhora de “grega” (gentia), quer dizer, helênica, por causa de sua origem sírio-fenícia (Mc 7.26). A palavra “cães de estimação” ou “cachorrinhos”, como em algumas versões, vem do grego original kunarion, que significa: pequenos cães de colo. Jesus precisava deixar claro que a prioridade máxima de sua missão era salvar os judeus. Por algum motivo, aquela senhora grega e gentia compreendeu perfeitamente a mensagem de Jesus, e reverentemente, usou a própria metáfora do Senhor para reivindicar seu espaço no coração compassivo de Cristo. A fé daquela mulher humilde mostrou-se maior, mais verdadeira e pura que a fé demonstrada pelos mestres e líderes religiosos que haviam contestado a santidade (pureza religiosa) de Jesus e seus discípulos.
27
E ela disse: Verdade, Senhor; ainda assim, os cães comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
28
Então, respondendo Jesus, disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isto assim como tu desejas. E sua filha ficou sã naquela hora.
29
Partindo Jesus dali, aproximou-se do mar da Galileia, e, subindo a um monte, sentou- se ali. Mt 15:29
O monte era uma subida para a planície atrás de Cafarnaum, no sentido de quem sobe do mar da Galiléia. Nesse lugar Jesus costumava pregar, ensinar e curar as muitas pessoas que sempre o procuravam; o mesmo local onde pregou o Sermão do Monte (Mt 5.1). Ao contrário do que pensam alguns teólogos, esse milagre não é apenas outra versão do mesmo fato ocorrido em 14:15 -21. O próprio Jesus destaca claramente os dois acontecimentos (Mt 16.9 e10), além do que, essa segunda multiplicação ocorreu em outro lugar (Decápolis, Mc 7.31), com um número diferente de pães e peixes, uma multidão menor, menos sobras recolhidas, os “cestos” (no original grego spyridas), mencionados aqui eram usados nos mercados da época e maiores do que as alcofas, pequenas “cestas” de vime ou folhas de palma, usadas na primeira multiplicação (Mt 14.20). Jesus toma um rumo diferente, após a segunda multiplicação, desta vez segue com seus discípulos para Magadã, também conhecida como Magdala e Dalmanuta (Mc 8.10), a cidade de Maria Madalena, que ficava entre Tiberíades e Cafarnaum.
O monte era uma subida para a planície atrás de Cafarnaum, no sentido de quem sobe do mar da Galiléia. Nesse lugar Jesus costumava pregar, ensinar e curar as muitas pessoas que sempre o procuravam; o mesmo local onde pregou o Sermão do Monte (Mt 5.1). Ao contrário do que pensam alguns teólogos, esse milagre não é apenas outra versão do mesmo fato ocorrido em 14:15 -21. O próprio Jesus destaca claramente os dois acontecimentos (Mt 16.9 e10), além do que, essa segunda multiplicação ocorreu em outro lugar (Decápolis, Mc 7.31), com um número diferente de pães e peixes, uma multidão menor, menos sobras recolhidas, os “cestos” (no original grego spyridas), mencionados aqui eram usados nos mercados da época e maiores do que as alcofas, pequenas “cestas” de vime ou folhas de palma, usadas na primeira multiplicação (Mt 14.20). Jesus toma um rumo diferente, após a segunda multiplicação, desta vez segue com seus discípulos para Magadã, também conhecida como Magdala e Dalmanuta (Mc 8.10), a cidade de Maria Madalena, que ficava entre Tiberíades e Cafarnaum.
30
E grandes multidões vieram a ele, trazendo aqueles que eram coxos, cegos, mudos, aleijados, e muitos outros, e os puseram aos pés de Jesus, e ele os curou;
31
de modo que a multidão se maravilhou ao ver os mudos falando, os aleijados curados, os coxos andando, e os cegos vendo; e glorificaram ao Deus de Israel.
32
Então Jesus, chamando os seus discípulos, disse: Eu tenho compaixão da multidão, porque eles continuam comigo há três dias, e não tem o que comer; e eu não quero mandá- los embora em jejum, para que não desfaleça no caminho.
33
E os seus discípulos disseram-lhe: De onde encontraremos, aqui no deserto, tantos pães para saciar tão grande multidão?
36
E, ele tomando os sete pães e os peixes, e dando graças, partiu-os, e deu-os aos seus discípulos, e os discípulos à multidão.