Ozzuu Bible
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2
Tive, então, um sonho que me assustou. Os fantasmas da minha cama, as visões de minha mente acabaram me perturbando.
3
Por isso, publiquei um decreto, pelo qual mandava trazer à minha presença todos os sábios da Babilônia, para que me dessem a conhecer a interpretação do meu sonho.
4
Vieram os magos, os adivinhos, os astrólogos e os feiticeiros. Contei-lhes o sonho, mas eles não foram capazes de interpretá-lo.
5
Veio, então, Daniel, chamado Baltasar por causa do nome do meu deus. Ele tem o espírito dos deuses santos. Contei-lhe o meu sonho:
6
‘Baltasar, chefe dos magos, sei que tens o espírito dos deuses santos e que nenhum mistério te embaraça. Escuta a visão que tive num sonho e, depois, dá-me a interpretação.
7
Na cama ia eu observando as imagens que me vinham à cabeça quando vi: Lá estava uma árvore, bem no centro da terra! E era ela muito alta.
8
A tal árvore cresceu e ficou forte, chegando o seu topo até o céu, e sua copa se alargou até o extremo da terra.
9
Folhagem bonita e frutos com fartura, nela havia alimento para todos! Debaixo dela tinham sombra os animais silvestres e em seus galhos se aninhavam as aves do céu! Dela se alimentava todo ser vivo.
10
Ia eu observando as imagens que em minha cabeça se formavam, quando apareceu um vigia santo descido do céu.
11
Em alta voz ele gritou: ‘Cortai a árvore! Cortai seus ramos! Arrancai as folhas! Derrubai os seus frutos! Fugi, feras, de sua sombra! Fugi, pássaros, de seus galhos!
12
Deixai no chão, porém, o tronco com as raízes numa corrente de ferro e de bronze, no meio da grama do pasto. Que ele seja orvalhado pelo sereno do céu, tenha o mesmo destino que os animais silvestres e a erva rasteira.
13
O coração humano lhe seja tirado e um coração de animal lhe seja dado. Sete eras por ele hão de passar.
14
Está resolvido no decreto dos vigias, o que decide é a palavra dos santos, para que todo ser vivente reconheça que é o Altíssimo quem manda nos impérios humanos e põe como rei a quem ele quer. Seja ele mais humilde dos homens, querendo, o Altíssimo o põe nas alturas’.
15
Foi esse o sonho que tive eu, o rei Nabucodonosor. Tu, agora, Baltasar, vais dar-me a interpretação deste sonho. Nenhum sábio do meu império foi capaz de dar-me a interpretação, mas tu podes, porque tens o espírito dos deuses santos”.
16
Daniel, que se chamava também Baltasar, ficou uma hora apavorado, as idéias fervilhando. Disse-lhe o rei: “Baltasar, não deixes que este sonho ou o seu significado te apavorem. ” Baltasar respondeu: “Meu senhor, que o sonho valha para os teus inimigos, que o seu significado seja para os teus adversários!
17
Tu, ó Rei, viste uma árvore muito grande e forte. Seu topo atingia o céu e a copa podia ser vista do mundo inteiro.
18
Sua folhagem era bonita e tinha frutos suficientes para alimentar todo o mundo. À sua sombra viviam os animais silvestres e nos ramos aninhavam-se as aves do céu.
19
Pois bem, essa árvore és tu, ó Rei, tão grandioso, tão magnífico! A tua grandeza, ó Rei, é tal que alcança até o céu, e teu poder vai até os confins do mundo.
20
Tu, ó Rei, viste também um vigia santo que descia do céu e dizia: ‘Derrubai a árvore, destruí-a! No chão, porém deixai só o tronco com as raízes, numa corrente de ferro e bronze, no meio da grama do pasto. Que ele seja orvalhada pelo sereno do céu e tenha o mesmo destino que os animais silvestres. Sete eras por ele hão de passar.
21
Eis a explicação, ó Rei: Aqui estão os decretos do Altíssimo que dizem respeito a ti, ó Rei, meu senhor:
22
Tu, ó Rei, serás tirado da companhia dos homens e obrigado a morar com os animais silvestres. Capim, como aos bois, é o que lhe darão para comer. Tu, ó Rei, terás de viver no sereno e sete anos hão de passar até que o rei aprenda que é o Altíssimo quem manda nos impérios dos homens e dá o poder a quem ele quer.
23
Mandaram deixar o tronco com as raízes. Significa que o teu império ficará de pé, desde que tu, ó Rei, reconheças que é o Céu quem manda.
24
Neste sentido, ó Rei, te seja agradável o meu conselho: paga teus pecados praticando a compaixão e repara tuas faltas cuidando dos pobres. Talvez assim tua felicidade possa durar”.
27
Ia falando consigo mesmo: “Aí está a grande Babilônia que construí para moradia do rei, com o poder da minha autoridade e para o esplendor da minha glória! ”
28
Ainda falava, quando uma voz do céu se fez ouvir: “Rei Nabucodonosor, fica sabendo que perderás teu poder real!
29
Serás tirado da companhia dos homens para morar com os animais silvestres. Deverão alimentar-te com capim como se fosses um boi; e sete anos deverão passar até que aprendas que é o Altíssimo quem manda nos impérios dos homens e dá o poder a quem ele quer”.
30
Na mesma hora essa palavra se cumpriu para Nabucodonosor. Ele foi retirado do meio das pessoas, passou a comer capim como boi e a ficar no sereno. Seu cabelo ficou comprido como penas de águia e as unhas cresceram como unhas de passarinho.
31
“Terminada aquela fase, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos para o céu e a consciência me voltou. Passei, então, a bendizer o Altíssimo e a glorificar Aquele que vive eternamente. Seu poder é eterno, seu domínio atravessa as gerações!
32
Os habitantes do mundo diante dele nada valem, ele trata como quer os astros do céu e os habitantes do mundo. Ninguém há que resista à sua mão ou possa perguntar-lhe: ‘Que fizeste? ’
33
Naquele momento a consciência me voltou e, para o esplendor da minha autoridade de rei, também voltaram minha glória e majestade. Meus ministros e conselheiros foram procurar-me. Fui recolocado em minha autoridade real e meu poder ficou ainda maior.
34
Agora, então, eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e glorifico o rei do céu, porque tudo o que ele faz é honesto, seus caminhos são justos, e a quem anda com soberba ele sabe rebaixar! ”