Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Act 4
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1 E, enquanto falavam ao povo, os sacerdotes, e o capitão do templo, e os saduceus, vieram a eles, Atos 4:1
Esses são sacerdotes que estavam servindo naquela semana no recinto do templo (Lc 1.23). O capitão (em grego sãgãn) era membro de uma das famílias sacerdotais de destaque, e segundo oficial no poder político e religioso dos judeus depois do sumo sacerdote (Lc 22.4,52; Atos 5.24,26). Os saduceus faziam parte de uma seita da elite religiosa judaica, seus membros provinham da linhagem sacerdotal, eram cultos, ricos e governavam o templo. Não acreditavam na ressurreição dos mortos nem na vinda de um Messias pessoal e Libertador, mas pregavam que Israel já vivia a época messiânica e cabia a eles instruírem os mestres da lei para ensinarem o povo a edificar e preservar esse chamado “estado ideal”. O sumo sacerdote, um entre os demais sacerdotes (Mt 3.7; 22:23 -33; Mc 12.18; Lc 20.27; Atos 5.17; 23:6 -8), era escolhido para presidir o Sinédrio (Supremo Tribunal Judaico).
2 muito irritados porque ensinavam ao povo e anunciavam, por Jesus, a ressurreição dos mortos. Atos 4:2
Os saduceus haviam tomado a liderança no plano para condenar e crucificar a Jesus (Jo 11.49,50) com a esperança de que, eliminando o líder, aquela “nova seita judaica” que se esboçava viesse a desvanecer-se doutrinariamente e perdesse seus adeptos. Precisamente os saduceus, que não acreditavam na ressurreição (Atos 23:6 -8), têm agora que lidar com o Espírito do líder ressurreto dos cristãos e com o dinamismo, alegria, poder e carisma dos seus seguidores.
3 E lançaram mão deles, e os colocaram sob custódia até o dia seguinte, porque já era tarde.
4 Entretanto, muitos dos que ouviram a palavra creram, e o número de homens era de quase cinco mil.
5 E aconteceu que, no dia seguinte, os seus governantes, os anciãos, os escribas,
6 e Anás, o sumo sacerdote, e Caifás, e João, e Alexandre, e todos os que eram parentesco do sumo sacerdote, reuniram-se em Jerusalém.
7 E, pondo-os no meio, perguntaram: Com que poder, ou em nome de quem fizestes isto?
8 Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, disse a eles: Governantes do povo e anciãos de Israel,
9 se nós hoje somos examinados acerca de uma boa ação feita a um homem impotente , e do modo que ele foi curado,
10 seja do conhecimento de todos vós, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo de Nazaré, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, por ele este homem está em pé diante de vós.
11 Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. Atos 4:11
Os primeiros cristãos enfatizavam em suas pregações e ensinos o cumprimento das profecias do AT sobre a vida e obra redentora de Jesus Cristo, o Messias (Mt 21.42; 1Pe 2.7), de acordo com Rm 9.33; Is 28.16, o próprio Jesus havia citado Sl 118.22. E sua ressurreição estabeleceu o novo Templo “construído sem mãos” (Jo 2.19; Mc 14.58) que é a habitação de Deus: o coração do indivíduo salvo e a reunião dos crentes, que é a Igreja, o Corpo de Cristo (Ef 2.20).
12 E em nenhum outro há salvação, porque não há nenhum outro nome dado aos homens debaixo do céu, pelo qual devamos ser salvos.
13 Ora, eles vendo a ousadia de Pedro e João, e percebendo que eles eram homens iletrados e ignorantes, se maravilharam; e tinham conhecimento de que eles haviam estado com Jesus. Atos 4:13
Em comparação com os saduceus e os teólogos da época, Pedro e João eram literalmente “analfabetos” (como está nos originais em grego agrammatos) e “leigos” (da mesma forma em grego idiotai). Entretanto, o Espírito Santo os capacitou de tal maneira, que a coragem, eloqüência, poder e sabedoria de suas palavras fizeram os líderes judaicos deduzirem que aqueles homens haviam estudado e convivido com Jesus (Mc 1.22; 3.14).
14 E, contemplando o homem que fora curado em pé com eles, nada podiam dizer contra isto.
15 Então lhes ordenaram que saíssem do concílio, e eles deliberavam entre si,
16 dizendo: O que faremos a estes homens? Porque certamente um milagre notável feito por eles é manifesto a todos os que habitam em Jerusalém, e não podemos negá-lo.
17 Mas, para que não se espalhe ainda mais entre o povo, ameacemo-los, para que de agora em diante eles não falem mais nesse nome a nenhum homem.
18 E, chamando-os, ordenaram-lhes que de nenhum modo falassem nem ensinassem em nome de Jesus.
19 Mas, Pedro e João lhes responderam e disseram a eles: Julgai vós se é justo, aos olhos de Deus, ouvir a vós mais do que a Deus.
20 Porque nós não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido.
21 Depois de ameaçá-los ainda mais, os deixaram ir, não achando nada para castigá-los, por causa do povo, porque todos homens glorificavam a Deus pelo que acontecera.
22 Porque o homem em quem se operara aquele milagre de saúde, tinha mais de quarenta anos de idade.
23 E, soltos eles, foram para a companhia dos seus e contaram tudo o que os principais dos sacerdotes e os anciãos lhes disseram.
24 E, ouvindo eles isto, levantaram a voz a Deus unânimes e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar, e tudo o que neles há;
25 que pela boca do teu servo Davi disseste: Por que os pagãos se enfurecem, e os povos imaginam coisas vãs?
26 Os reis da terra se levantaram, e os governantes se reuniram contra o Senhor, e contra o seu Cristo.
27 Porque, verdadeiramente eles se ajuntaram contra o teu Santo Filho Jesus, que tu ungiste, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel, Atos 4:27
O “Ungido” (em grego: Christos, que é a tradução da palavra hebraica: Mãshïah, Messias). Na oração, os companheiros de Pedro e João, referem-se ao batismo de Jesus quando Deus declarou: “meu filho amado” (Mt 3.17). Herodes Antipas (tetrarca da Galiléia e Peréia) e Pôncio Pilatos (procurador romano na Judéia) são os reis e autoridades (príncipes) mencionados na profecia do Sl 2.1,2 (de acordo com Lc 23:1 -24). Santo Servo é novamente uma alusão às profecias de Isaías (Is 52.13 – 53.12).
28 para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho determinaram antes para ser feito. Atos 4:28
A expressão “predeterminado” (conforme o original grego: prowvrisen) foi somente usada por Paulo e Pedro (1Pe 1.2,20: 2.4-6). O plano de Deus, contemplado e traçado antes da fundação do mundo (Ef 1.4; Ap 13.8), considera em seu contexto amplo as boas e más ações da humanidade sem, contudo, diminuir qualquer responsabilidade pelos atos de cada indivíduo sobre a terra. Deus não força o ser humano a agir de uma forma ou outra. Entretanto, o Senhor vê a história do universo como um todo atemporal, sem os limites de tempos e épocas (passado, presente e futuro) e, portanto, tem o poder de usar os homens, com seus progressos e tragédias, bem como as ações do Diabo, em prol da salvação final e eterna da humanidade, particularmente de todos aqueles que depositarem fé sincera e absoluta em seu Filho Jesus, o Messias Salvador (Jo 1:12 -13).
29 E agora, Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra,
30 estendei a tua mão para curar, e para que sinais e maravilhas sejam feitos pelo nome do teu santo filho Jesus.
31 E, tendo eles orado, foi abalado o lugar em que eles estavam reunidos, e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam a palavra de Deus com ousadia. Atos 4:31
A exemplo do que ocorreu no AT, Deus fez tremer o lugar onde seus servos estavam reunidos em oração, como um sinal da sua presença e aprovação (Êx 19.18; Is 6.4). Foi uma maneira através da qual o Senhor renovou nos apóstolos e discípulos, que estavam iniciando a Igreja de Cristo, a experiência do dia do Pentecoste (ou semana do Pentecostes). É o Espírito Santo quem nos capacita com força espiritual, generosidade, coragem (intrepidez), determinação, sabedoria e santidade para testemunharmos da salvação que há – somente – em Jesus (Atos 8.13,33).
32 E a multidão dos que criam era um só coração, e uma só alma, e ninguém dizia que algo do que possuía fosse seu, mas tinham todas as coisas em comum.
33 E com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e havia uma abundante graça sobre todos eles. Atos 4:33
A expressão grega original: dunamis significa “poder” e também “milagre” (Atos 2.22). Em 2.47, a Igreja (o povo de Deus) recebeu “graça” (no original em grego charin) que significa: “favor, simpatia, apreciação”, da parte do povo. Neste trecho, a “graça” vem de Deus e se constitui na fonte da generosidade e do serviço cristão (2Co 8.1,9).
34 E não havia nenhum necessitado entre eles; porque todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o valor das coisas que foram vendidas,
35 e as depositavam aos pés dos apóstolos. E distribuía-se a cada homem segundo a sua necessidade.
36 Então, José, a quem os apóstolos que pelos apóstolos havia sido apelidado de Barnabé (que traduzido, é filho da Consolação), levita, do país de Chipre,
37 possuindo terra, vendeu-a, e trouxe o dinheiro, e o depositou aos pés dos apóstolos. Atos 4:37
José Barnabé (em grego: “filho de parakl?sis” – “aquele que exorta, anima, consola”) era primo de João Marcos de Jerusalém (Cl 4.10) e originário de uma família sacerdotal (levita) judaico-cipriota que vivia e possuía propriedades na ilha de Chipre (um país localizado na parte leste do mar Mediterrâneo). Desde os tempos dos macabeus muitos judeus se estabeleceram em Chipre. Esta é a maneira como Lucas apresenta aquele que virá a ser um dos melhores amigos e conselheiros de Paulo: um homem cheio do Espírito e de bondade (Atos 9.27; 11.22,25; 13:1 -4; 15.37,39).