Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Act 23
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1 E Paulo, olhando atentamente para o concílio, disse: Homens e irmãos, tenho andado com toda a boa consciência diante de Deus até o dia de hoje.
2 Mas o sumo sacerdote Ananias ordenou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca.
3 Então, Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada. Tu estás assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei mandas ferir-me? Atos 23:3
Ananias era filho de Nebedeu e exerceu as funções de sumo sacerdote de 47-59 d.C. Ficou conhecido na história por sua crueldade e violência. A condenação profética de Paulo cumpriu-se no ano 66 d.C., quando Ananias foi assassinado brutalmente pelo seu próprio povo (sicários) por dar apoio a Roma. Paulo revela em seu discurso que o cristianismo tem suas raízes doutrinárias no judaísmo verdadeiro e puro. Porquanto a fé cristã é o cumprimento da esperança messiânica defendida pelos antigos e fiéis fariseus. Paulo usa uma expressão de Jesus (Mt 23.27; Ez 13:10 -12) para denunciar a falsidade da liderança religiosa que imperava no Sinédrio (Supremo Tribunal dos Judeus).
4 E os que estavam de pé, disseram: Insultas o sumo sacerdote de Deus?
5 E Paulo disse: Eu não sabia irmãos, que ele era o sumo sacerdote; porque está escrito: Tu não falarás mal do governante do teu povo.
6 Mas quando Paulo percebendo que uma parte era de saduceus, e outra de fariseus, ele clamou no concílio: Homens e irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu. Acerca da esperança e ressurreição dos mortos sou chamado em questão. Atos 23:6
O Sinédrio era dirigido por dois grandes partidos político-religiosos: os saduceus, grupo minoritário, mas de grande influência, pois abrigava a elite econômica e cultural dos judeus. Eles não acreditavam na existência dos anjos ou de espíritos, tampouco na ressurreição (Mt 3.7; Mc 2.16; Lc 5.17). Os fariseus representavam o partido do povo e daqueles que buscavam obedecer à Lei e suas ordenanças em todos os sentidos (muitas vezes de forma exagerada e apenas exterior). Acreditavam na intervenção dos anjos, no Anjo do Senhor, nos espíritos e na ressurreição da alma para a vida eterna. Em 23.9, demonstram a tolerância de Gamaliel (Atos 5.33).
7 E, tendo dito isto, houve uma discórdia entre os fariseus e saduceus; e a multidão se dividiu.
8 Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus confessam ambas as coisas.
9 E houve um grande clamor; e, levantando- se os escribas que eram da parte dos fariseus, contendiam, dizendo: Não encontramos nenhum mal neste homem, mas se algum espírito ou anjo falou com ele, não lutemos contra Deus.
10 E, surgiu uma grande discórdia, o tribuno temendo que Paulo fosse por eles despedaçado, ordenou que os soldados descessem, para que o tirassem à força do meio deles e o trouxessem para a fortaleza.
11 E, na noite seguinte, o Senhor estava ao seu lado disse: Tem ânimo, Paulo. Pois como testificaste de mim em Jerusalém, assim é preciso que também testifiques em Roma. Atos 23:11
A expressão original grega, aqui traduzida por “ao lado”, transmite literalmente a idéia de que o Jesus ressurreto “apareceu em pé, logo acima de Paulo”. Nos principais momentos de crise, Paulo recebeu a companhia encorajadora da pessoa do Senhor ressurreto, garantindo-lhe que sua missão seria cumprida cabalmente, pois assim era a vontade de Deus (Atos 9.4; 16.9; 18.9; 22.18; 23.11; 27.23).
12 Quando amanhaceu, os judeus se reuniram, e sob maldição, juraram dizendo que não comeria nem beberiam até que matassem a Paulo.
13 E eram mais de quarenta os que fizeram esta conspiração. Atos 23:13
O juramento desses 40 assassinos (zelotes que mais tarde provocariam grande revolução contra Roma) pode ser visto como um símbolo vivo do anátema (maldição) assumido pela nação de Israel quanto à morte de Jesus Cristo (Mt 27.25).
14 E eles foram até os principais dos sacerdotes e anciãos e disseram: Havemo-nos jurado debaixo de maldição que não comeremos nada até que matemos a Paulo.
15 Agora pois vós, com o concílio, rogai ao tribuno que o traga a vós amanhã, como que querendo saber mais alguma coisa sobre ele, e, antes que chegue, estaremos prontos para assassiná-lo.
16 E o filho da irmã de Paulo, tendo ouvido da emboscada, foi, e entrou na fortaleza, e contou a Paulo.
17 Então, Paulo chamando um dos centuriões até ele, disse: Conduz este jovem homem até o tribuno, porque ele tem uma certa coisa para lhe contar.
18 Tomando-o ele, pois, o levou ao tribuno e disse: O preso Paulo, chamando-me a si, me rogou que trouxesse este jovem a ti, que tem alguma coisa para dizer-te.
19 E o tribuno, tomando-o pela mão e levando- o consigo à parte, perguntou-lhe em particular: O que tu tens para me contar?
20 E ele disse: Os Judeus concordaram em pedir-te que amanhã leves a Paulo para o concílio, como se quisesse perguntar algo mais estritamente a seu respeito.
21 Mas não te deixes convencer por eles, porque mais de quarenta homens o espreitam, pois eles juraram debaixo de maldição não comerem nem beberem até que o matem, e agora estão preparados, esperando a tua confirmação.
22 Então, o tribuno despediu o jovem, mandando- lhe que a ninguém dissesse que lhe havia contado aquelas coisas.
23 E, chamando até ele dois centuriões, lhes disse: Preparai duzentos soldados para irem até Cesareia, e setenta cavaleiros, e duzentos lanceiros; na terceira hora da noite. Atos 23:23
As precauções especiais tomadas pelo tribunal revelam o clima de tumulto e revolta que se instalou na cidade por conta dos sucessivos julgamentos de Paulo. A expressão literal em grego, usada aqui para determinar as horas, é: “à hora terceira”, que corresponde “às nove horas da noite” no sistema horário ocidental.
24 E providenciai animais, para Paulo montar neles, para o levarem em segurança ao governador Félix. Atos 23:24
Cláudio manda que alguns cavalos sejam preparados para a viagem de escolta de Paulo e seus companheiros de missão (Lucas, Aristarco). Félix foi o primeiro escravo liberto a chegar a ser governador de uma província romana. Mandar um acusado para um tribunal superior exigia uma carta de esclarecimento, conhecida em latim como “elogium”.
25 E ele escreveu uma carta desta maneira:
26 Cláudio Lísias, ao excelentíssimo governador Félix, saudações!
27 Este homem foi tomado pelos judeus; e estando prestes a ser morto por eles, sobrevim com a tropa, e o resgatei, tendo entendido que ele era romano. Atos 23:27
Cláudio Lísias age com a típica sutileza e astúcia da maioria das autoridades públicas, procura lançar a responsabilidade pelo tumulto na cidade e pela situação polêmica de Paulo sobre os judeus (veja Gálio em 18:14 -15). Para fazer uma boa imagem perante o governador, ele modifica “ligeiramente” os fatos a seu favor. Afinal, o comandante Cláudio não ficou sabendo sobre a cidadania romana de Paulo a não ser quando já estava pronto para interrogá-lo por meio de torturas e açoites (Atos 21.38; 22.26).
28 E eu querendo saber a causa pela qual o acusavam, o levei ao concílio deles;
29 e percebi que ele era acusado por questões da lei deles, mas não tinha nenhuma acusação digna de morte ou prisão. Atos 23:29
Da mesma maneira como ocorreu no desenrolar do julgamento de Jesus Cristo diante de Pilatos (Lc 23:4 -22), Paulo é reconhecido pelos próprios líderes romanos (pagãos) como inocente.
30 E, havendo-me informado que havia um complô contra a esse homem, imediatamente enviei-o ordenando também a seus acusadores que falem contra ele diante de ti. Adeus.
31 Então, os soldados, como lhes fora mandado, tomaram Paulo, e o levaram de noite a Antipátride. Atos 23:31
Herodes, o Grande, foi quem reconstruiu a cidade de Antipátride (nome do seu pai). Era um porto militar e localizava-se a 60 km de Jerusalém, entre as grandes cidades de Samaria e a Judéia, cuja sede do governo ficava na cidade de Cesaréia, cerca de 40 km de Antipátride.
32 No dia seguinte, deixando aos cavaleiros irem com ele, retornaram para a fortaleza;
33 os quais, entrando em Cesareia, e entregando a carta ao governador, apresentaram- lhe também a Paulo.
34 E o governador lendo a carta, perguntou de que província ele era, e, quando soube que ele era da Cilícia,
35 disse: Eu te ouvirei quando vierem também os teus acusadores. E ele ordenou que o guardassem no pretório de Herodes. Atos 23:35
Herodes, o Grande, havia também construído um palácio que lhe servia de residência enquanto estava em visita à província. Todavia, agora era usado como pretório romano, uma espécie de escritório para negócios oficiais do imperador e para hospedar seus procuradores. Havia pretórios erguidos em Roma (Fp 1.13), Éfeso, Jerusalém, Cesaréia e em várias partes do império (Jo 18.28).