Ozzuu Bible
pt_kjfiel - 1Co 11
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1 Sede meus seguidores, como também eu o sou de Cristo. 1Co 11:1
Paulo foi salvo por Cristo e dele se tornou “imitador” (palavra cujo sentido original refere-se ao compromisso de ser discípulo). Todo aquele que vive segundo o exemplo supremo de Cristo deve ser, igualmente, seguido (1Pe 2.21).
2 Ora, louvo-vos, irmãos, porque vos lembrais de mim em todas as coisas, e guardais as ordenanças, como eu as entreguei a vós. 1Co 11:2
A expressão grega original pardoseis, aqui traduzida por “tradições”, refere-se ao ensino cristão básico e fundamental transmitido de forma oral e escrita (2Ts 2.15; 3.6; 1Co 15.3), e não tem a ver com costumes e modelos culturais de uma comunidade cristã. O Evangelho deve tomar a forma e a cultura do povo onde está sendo pregado, sem infringir nenhum de seus mandamentos. Isto é manter a “tradição” neotestamentária e a doutrina dos apóstolos (Atos 2:42 -47).
3 Mas eu quero que saibais que a cabeça de todo homem é Cristo, e a cabeça da mulher é o homem; e a cabeça de Cristo é Deus. 1Co 11:3
Paulo usa a palavra grega kefale, em seus dois significados: “cabeça” e “chefe”. A expressão grega literal usada neste texto para “mulher” tem o sentido de “esposa”. Paulo está ensinando que, assim como Cristo tem autoridade (em grego: digno de honra) sobre o homem (Cl 1.18; 2.10), e por isso deve ser honrado (tanto no sentido de receber quanto de agir com honradez). Assim também o marido tem uma posição de autoridade no lar e deve, portanto, ser honrado pela esposa (1Co 15.28; Ef 1.21,22; 5.22,23).
4 Todo homem que ora ou profetiza, tendo sua cabeça coberta, desonra a sua cabeça.
5 Mas toda mulher que ora ou profetiza com sua cabeça descoberta desonra a sua cabeça, porque seria como se fosse rapada.
6 Pois, se a mulher não se cobre, tosquie- se também. Mas, se para a mulher é vergonha tosquiar- se ou rapar-se, que ela se cubra. 1Co 11:6
O costume oriental dos homens de descobrirem suas cabeças ao entrar num local religioso ou sinagoga, e das mulheres cobrirem suas cabeças como símbolo de honra a seus maridos era muito anterior a Paulo (Gn 3.16). Esse dado cultural era tão forte que costumava-se rapar a cabeça das prostitutas e mulheres pegas em adultério como sinal público de desonra. Algumas mulheres estavam confundindo sua posição de liberdade em Cristo e igualdade de direitos em relação aos homens, e cortando os cabelos ou retirando o véu (manto) de sobre as cabeças em sinal de protesto (1Tm 2:11 -14; Gl 3.28).
7 Pois, o homem certamente não deve cobrir sua cabeça, porque ele é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem.
8 Porque o homem não é da mulher, mas a mulher é do homem. 1Co 11:8
Deus estabelece uma hierarquia de honra e autoridade com base na origem primeira dos seres. Deus, como não tem início, tempo ou espaço, é a própria origem e a finalidade de tudo, merecendo ser honrado e amado eternamente por toda a sua criação. Deus é Pai de Jesus Cristo; e o Senhor é a autoridade máxima sobre todo homem; o homem, em um certo sentido, deu à luz a mulher, para que esta lhe fosse esposa, sua melhor companhia na terra e sua colaboradora leal, segundo o plano de Deus para a humanidade (Gn 2:21 -24). Por isso, cabe à mulher respeitar e ajudar seu marido. Os maridos, contudo, devem ser amáveis e justos, como convém aos verdadeiros filhos de Deus (1Pe 3.7).
9 Nem foi o homem criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem.
10 Por esta causa a mulher deve ter poder sobre sua cabeça, por causa dos anjos. 1Co 11:10
Paulo estabelece uma correlação entre o acampamento judaico, descrito na Torá (o Pentateuco), quando Deus passeava por entre seu povo no deserto para os abençoar e santificar, e ao lar cristão (Dt 23.14). Deus, assim como seus anjos (Is 6.2; 2Pe 2.4; Hb 1.14; Jd 6), tem prazer em passear pelos lares onde Seu Nome é amado e reverenciado. Assim como o véu e os mantos (em grego exousia – “autoridade”), para a maioria dos povos orientais, a aliança de casamento também era um símbolo do compromisso entre um homem e sua mulher. Os judeus costumavam confeccionar um anel circular de ouro maciço, totalmente liso e sem qualquer adorno extra ou inscrição, que o noivo colocava no dedo indicador da mão mais forte da noiva como símbolo de Kiddush (consagração) e amor perpétuo. Paulo usa a expressão hebraica “por causa dos anjos”, para falar da presença gloriosa do Senhor sem a necessidade de mencionar o nome de Deus, como era a forma de os judeus fiéis respeitarem a transcendência divina. Os textos de Qunram - os rolos do Mar Morto - aduzem a este motivo.
11 Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher é sem o homem no Senhor.
12 Porque, como a mulher é do homem, assim também é o homem da mulher, mas todas as coisas de Deus.
13 Julgai em vós mesmos: É decente que uma mulher ore a Deus descoberta?
14 Ou não vos ensina a mesma natureza que é vergonhoso para um homem ter cabelo comprido?
15 Mas se uma mulher tem cabelo comprido, isso é glória para ela, pois seu cabelo lhe foi dado para se cobrir.
16 Mas, se algum homem quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus. 1Co 11:16
No primeiro século, era costume no oriente os homens usarem os cabelos mais curtos do que os das mulheres. Paulo não acha importante discutir costumes locais e temporários ou culturas, desde que estes procedimentos não transgridam os princípios básicos do Evangelho de Cristo.
17 Ora, nisto eu declaro a vós, não vos louvo, porque não vos congregais para o melhor, mas para pior.
18 Porque, primeiro de tudo, quando vos ajuntais na igreja, ouço que há divisões entre vós, e em parte eu acredito. 1Co 11:18
Reunir-se “como igreja” ou “na igreja” são expressões que derivam do termo grego original Ekklesia que fora traduzido do hebraico (congregação – Atos 7.38) pela Septuaginta. A palavra portuguesa “igreja” deriva do termo em latim Ecclesia. Contudo, todas essas expressões têm um mesmo sentido: a igreja não significa um lugar ou edifício, mas o ajuntamento, a assembléia ou a reunião dos fiéis seguidores de Cristo (discípulos) com o objetivo de adorar a Deus, estudar sua Palavra, cooperar e encorajar uns aos outros na fé.
19 Porque também é necessário haver heresias entre vós, para que os que são aprovados se manifestem entre vós.
20 Portanto, quando vos ajuntai em um lugar, isto não é para comer a ceia do Senhor. 1Co 11:20
O ensino eucarístico (o termo original grego eucharistesas significa “dar graças”), distintivo de Paulo, salienta a significação da Ceia, ligando-a firmemente ao propósito remidor de Deus, de tal maneira que a mesma proclama a morte de Cristo (1Co 11.26), visto como o ritual de Páscoa. A expressão hebraica Haggãdãh (anunciar, proclamar) foi traduzida por Paulo para o grego Katangellõ, cujo sentido é realizar uma pregação dramatizada em palavra e símbolo como era a própria Páscoa (Êx 13:3 -10). Paulo apresenta o profundo significado da Mesa do Senhor como uma comunhão (em grego koinõnia) entre os filhos de Deus, simbolizada pelo partilhar do pão e do vinho (1Co 10.16), e revela o caráter de unidade da Igreja, pois assim como seus membros compartilham juntamente de um único pão, também se reúnem como o Corpo único de Cristo. Paulo termina essa carta com um fundo eucarístico: Marãnãthã, expressão transliterada do aramaico e que significa: “Vem, Senhor!” (1Co 16.22).
21 Porque ao comer, cada um toma antes do outro à sua própria ceia; e um tem fome, e outro está embriagado.
22 Não tendes, porventura, casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus e envergonhais aos que não têm? O que vos direi? Devo louvar-vos? Eu não vos louvo.
23 Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: Que o Senhor Jesus, na mesma noite em que ele foi traído, tomou pão;
24 e tendo dado graças, ele o partiu, e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. 1Co 11:24
Segundo descobertas e análises histórico-arqueológicas ocorridas durante o século 20, Paulo escreveu esta carta pouco antes do surgimento dos quatro evangelhos. Esse é, portanto, o primeiro relato da Ceia do Senhor e a mais antiga citação escrita das palavras do Senhor Jesus (Mt 26.26). A celebração da eucaristia e da Ceia do Senhor, na comunhão dos crentes, deve ser realizada com alegria, fraternidade, reverência e com o sentido de celebração (memorial), não como sacrifício, uma vez que esse já foi realizado pelo próprio Senhor, de uma vez para sempre e por todos os que crêem (Hb 9.27,28).
25 Depois, da mesma maneira também, ele tomou o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.
26 Porque todas as vezes que comerdes este pão, e beberdes este cálice, proclamais a morte do Senhor, até que ele venha. 1Co 11:26
Jesus celebrou a primeira Ceia do Senhor, logo após a tradicional refeição da Páscoa (Mt 26:17 -30; Mc 14:12 -26; Lc 22.7- 23; Jo 13:18 -30). Um cálice de vinho foi o símbolo usado por Jesus para marcar o início de um novo pacto (aliança) que seria escrito com seu sangue, inocente e vicário, derramado sobre a cruz do Calvário (Lc 22.20; Jr 31:31 -34). A nova aliança (em grego diatheke) é superior e derradeira sobre a antiga aliança firmada com Moisés e o povo de Israel no Sinai (Êx 24:3 -8). Esse novo memorial deve ser realizado com regularidade, até que Jesus volte – brevemente – em glória (Mt 26.29).
27 Portanto, qualquer que comer este pão e beber este cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
28 Mas, examine-se o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice.
29 Porque aquele que come e bebe indignamente, come e bebe condenação para si mesmo, não discernindo o corpo do Senhor. 1Co 11:29
A Ceia do Senhor é uma celebração destinada aos crentes. Antes de participar da Ceia, o crente deve passar um tempo refletindo sobre a maneira como está vivendo o cristianismo que professa. A expressão grega original dokimazetõ significa um “exame rigoroso” da alma em relação à vontade de Deus: uma auto-análise íntima, sincera e curadora, em aconselhamento com o Espírito Santo. Esse tempo de diálogo, confissão e restauração com o Espírito Santo seria melhor aproveitado antes da Ekklesia, ou seja, antes da “reunião dos crentes” para o culto. Assim, o cristão chegaria para a celebração da Ceia em plena comunhão com Deus e com seus irmãos, com a alma renovada e restaurada, apto para louvar a Deus e vivenciar plenamente o significado do memorial do sacrifício de Cristo por nossa salvação (19; 2Co 13.5; Tg 5.16; 1Jo 1.6). Quem não é sensível ao Corpo de Cristo, isto é, ao significado diário e perpétuo da morte e ressurreição do Filho de Deus, e à natureza e caráter da Ekklesia (os membros da Igreja do Senhor), vive uma vida egocêntrica e materialista, atraindo sobre si ainda mais juízo (1Co 5.5; 1Tm 1.20; Atos 5:1 -11; Tg 5:13 -20).
30 Por causa disso, muitos estão fracos e enfermos entre vós, e muitos dormem.
31 Porque, se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.
32 Mas, quando somos julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. 1Co 11:32
Um exame rigoroso das nossas motivações e ações à luz da Palavra nos pouparia de muito sofrimento. Como filhos redimidos de Deus somos disciplinados – assim como um pai amoroso corrige as atitudes erradas de seu filho – a fim de que cheguemos à conclusão de que precisamos nos arrepender dos nossos pecados e voltar à plena comunhão com o Espírito do Senhor. Esse processo de correção, disciplina, reconhecimento, perdão e restauração significa: crescimento espiritual na graça. E apenas aqueles que amam a Deus e se permitem quebrantar, conseguem perceber essa bênção em suas vidas (2Co 7.10; Hb 12:7 -14; Rm 6.22).
33 Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros.
34 Mas, se algum homem tiver fome, coma em casa, para que não vos ajunteis para condenação. Quanto ao restante, colocarei em ordem quando eu chegar. 1Co 11:34
A Igreja primitiva celebrava uma reunião de confraternização conhecida como ágape (termo grego para o “amor fraternal”), por ocasião da celebração da Ceia do Senhor (2Pe 2.13; Jd 12). Ocorre que, na igreja de Corinto, os grupos de gregos cristãos ricos estavam trazendo grande quantidade de alimentos para a festa, mas não repartiam com os pobres. E muitas pessoas estavam passando fome, enquanto outras até se embriagavam, antes da Ceia do Senhor. Paulo nota o absurdo e, por isso, adverte que o cristão deve estar em contínua vigilância espiritual e comunhão com o Espírito de Deus, pois a natureza do cristão é semelhante a de todo mundo, e tende para o egoísmo (pecado). Paulo ainda demonstra que o líder cristão deve discernir sobre o que escrever e o que falar. E, ainda, que há assuntos que dizem respeito à toda a congregação, e outros que são mais particulares.