Ozzuu Bible
pt_kjfiel - 1Co 12
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1 Ora, acerca dos dons espirituais, irmãos, eu não quero que sejais ignorantes. 1Co 12:1
Paulo continua a responder às questões levantadas pelos coríntios na referida carta (1Co 7.1; 8.1; 16.1). Embora, a palavra original grega usada aqui para “dons” seja diferente da usada em 1.7, é certo que tem a ver com pneumatikõn, crentes capacitados pelo Espírito Santo para servirem no Reino de Deus e cooperarem (encorajarem) uns aos outros.
2 Vós sabeis que, ainda quando gentios, fostes levados aos ídolos mudos, assim como fostes conduzidos. 1Co 12:2
Os coríntios, no passado (1Co 10.19,20), e muitas pessoas – ainda hoje – foram iludidos por rituais a ídolos (objetos) sem vida. Os “gentios” ou “pagãos” são todos aqueles que não colocam sua fé (confiança na paternidade e salvação) em Deus por intermédio de Cristo. Paulo orienta aos coríntios a seguirem a direção do Espírito Santo que agora habita em seus corações.
3 Portanto, vos quero fazer entender que nenhum homem que fala pelo Espírito de Deus que Jesus de amaldiçoado. E que nenhum homem pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Santo Espírito. 1Co 12:3
A pessoa que foi regenerada (nasceu espiritualmente), pelo Espírito Santo, não tem como proferir qualquer maldição (anátema – 16.22; Gl 1.8,9) contra a pessoa de Jesus Cristo, nem agir de maneira a amaldiçoar o Nome do Senhor. Pelo contrário, somente o crente pode declarar com propriedade que “Jesus é o Senhor” (Jo 20.28; 1Jo 4.2,3). Essa expressão na boca de qualquer pessoa que não tenha nascido de novo (Jo 3) é “anátema” para sua própria vida. A expressão original grega, aqui traduzida por “Senhor”, é a mesma utilizada na tradução grega do AT (Septuaginta) para se referir ao nome de Deus Yahweh em hebraico.
4 Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. 1Co 12:4
O termo grego original aqui traduzido por “dons” é charismatõn, que tem a ver com poderes miraculosos que Deus outorga aos crentes em Cristo, Seu Filho, por meio do Espírito Santo (Rm 12:3 -8; 1Pe 4.10). Há diversos dons (capacitações espirituais) para diversas aplicações e serviços na Igreja. Paulo apenas citou alguns. Essa é uma das passagens (1Co 12:4 -6) que revela a Trindade em ação para abençoar cada crente com dons e capacitações espirituais a serviço da Igreja.
5 E há diferentes ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 1Co 12:5
A expressão grega original, aqui traduzida por “ministérios”, é usada, em suas várias formas, sempre no sentido de “serviço à comunidade”, especialmente aos membros da Igreja de Cristo, como o zelo em servir às mesas (Atos 6.2,3). A Igreja primitiva (no século 1) usava esse mesmo termo em referência ao ofício diaconal (Fp 1.1).
6 E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
7 Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para proveito comum. 1Co 12:7
Uma das evidências da conversão de um pagão a Cristo é a expressão de um dos muitos dons espirituais em benefício dos seus irmãos. Todo cristão recebe pelo menos um dom do Espírito Santo (1Pe 4.10,11). O dom espiritual é concedido de forma gratuita, natural e para toda a vida, entretanto, sua manifestação é ocasional e está sujeita ao crente. Todas as capacitações espirituais (dons) têm como objetivo divino encorajar e edificar, especialmente, os membros da comunidade de crentes que integram a Igreja. Portanto, não devem ser jamais usados com orgulho ou egoísmo para que seus efeitos e as pessoas envolvidas não sofram prejuízos. Paulo adverte que alguns em Corinto estavam procedendo mal em relação à administração dos seus próprios dons.
8 Porque a um é dada, pelo Espírito, a palavra da sabedoria; a outro a palavra do conhecimento, pelo mesmo Espírito; 1Co 12:8
Nem todos os crentes têm o mesmo dom, tampouco, há algum cristão que tenha todas as capacitações espirituais. A expressão original grega logos traz o sentido de “capacidade de comunicar”, enquanto “sabedoria” corresponde ao poder de analisar profundamente algo que é descoberto ou apresentado. O dom do “conhecimento” tem a ver com a capacidade espiritual dos apóstolos, profetas e mestres em trazer à lume novas revelações da Palavra para o benefício do Corpo de Cristo (Ef 2.20; 4.11).
9 a outro a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, os dons de cura, pelo mesmo Espírito; 1Co 12:9
Essa não é a fé para a salvação (que todo cristão ganhou), que também é um dom de Deus, mas cuja finalidade é converter o coração do incrédulo e levá-lo a crer profundamente no sacrifício vicário e salvador de Jesus Cristo (Ef 2:8 -10; Fl 2.12). O dom da fé para o serviço cristão é uma capacitação especial para crer no cumprimento da Palavra e na realização de grandes obras espirituais em prol da comunidade cristã e na evangelização do mundo (1Co 13.2; Mt 17.19). Quanto à expressão grega original “dons de curas” (literalmente no plural) refere-se a várias capacidades espirituais oferecidas pelo Espírito Santo aos crentes, a fim de poderem ministrar, de várias formas, a cada uma das muitas doenças que afligem a humanidade de tempos em tempos.
10 a outro, a operação de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, diversos tipos de línguas; a outro, a interpretação das línguas.
11 Mas um só e o mesmo Espírito que opera todas essas coisas, dividindo solidariamente a cada homem como ele quiser. 1Co 12:11
Literalmente, no original grego, temos a expressão: “ações de milagres”, confirmando que o milagre é sempre uma intervenção sobrenatural e extraordinária de Deus, que, nesse caso, usa como canal a pessoa de determinado crente e sua capacitação espiritual e especial (dom) concedida pelo próprio Senhor. A profecia é igualmente um ato da vontade de Deus, que o Espírito Santo transmite especialmente ao crente agraciado com esse dom específico. A revelação divina pode ser uma predição (Mt 24; Atos 11.28; 21.10,11) ou anúncio da vontade expressa de Deus a partir da exposição da Palavra (Atos 14.29,30; 13.1,2). Entretanto, como falsas profecias e ensinos podem adentrar à comunidade dos crentes, o Senhor concede o “dom de distinguir” os espíritos, separando com clareza os ensinamentos e práticas que vêm do Senhor dos enganos e mentiras que tentam seduzir os cristãos desde o início da Igreja (1Jo 4:1 -6). Alguns crentes recebem a capacidade espiritual de falar em outros idiomas, sem que nunca os tenha aprendido de forma natural, como ocorreu no Dia de Pentecoste (Atos 2:4 -11) ou em línguas extáticas (no original grego glõssõn), um sistema lingüístico próprio dos seres celestiais e desconhecido na Terra. Esse dom tem a finalidade de enlevar os crentes e a Igreja, não exatamente de comunicar ensinos, doutrinas ou profecias do Senhor. Deve ser ministrado em adoração sincera a Deus, com humildade, altruísmo e discernimento (como todos os demais), pois o mau uso dos dons pode causar muito prejuízo ao seu hospedeiro e à Igreja (1Co 14. 9,10). Por isso, Paulo orienta o uso do dom de “línguas estranhas”, e enfatiza que tenham tradução clara e precisa, a fim de que todos os ouvintes possam ser movidos a louvar a Deus, especialmente os que ainda não são cristãos (1Co 14:18 -28). É Deus, por meio do Seu Espírito, quem atribui soberanamente a cada crente os dons espirituais, para edificação da Igreja e evangelização do mundo. Ao cristão cabe receber seus dons com alegria, e administrá-los com sabedoria, altruísmo e sem rivalidades, para a glória do Senhor Jesus.
12 Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros desse corpo, sendo muitos, são um corpo, assim também é Cristo.
13 Porque por um Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer sejamos judeus ou gentios, quer sejamos escravos ou livres, e a todos foi dado beber em um só Espírito. 1Co 12:13
O povo de Deus (os crentes) são os únicos membros do Corpo de Cristo (a Igreja), e deve aprender a usar a diversidade dos seus dons espirituais para, em unidade e adoração ao cabeça da Igreja: Jesus Cristo (Ef 1.22,23), evangelizar o mundo. Todos os cristãos sinceros são batizados no Espírito Santo (Jo 4.10), incorporados ao Corpo de Cristo e, portanto, podem participar da Ceia do Senhor (1Co 10.16). Em Cristo não pode haver qualquer preconceito ou distinção racial, cultural, econômica ou social, pois a todos que crêem foi dado o direito de beber do único Espírito de Deus, de modo que suas vidas expressem o fruto do Espírito que neles habita (Gl 5.22,23; Jo 7:37 -39).
14 Pois o corpo não é um membro, mas muitos.
15 Se o pé disser: Porque eu não sou mão, eu não sou do corpo; não é portanto do corpo?
16 E se a orelha disser: Porque eu não sou o olho, eu não sou do corpo; não é portanto do corpo?
17 Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
18 Mas agora Deus colocou cada um dos membros no corpo como lhe agradou.
19 E, se todos eles fossem um só membro, onde estaria o corpo?
20 Mas agora, eles são muitos membros, mas um só corpo. 1Co 12:20
A Igreja em Corinto apresentava muitas deformações doutrinárias. Uma delas era exigir que todas as pessoas tivessem o dom de línguas. Com isso, muitos cristãos sinceros estavam se sentindo inferiorizados perante seus irmãos. Paulo orienta, especialmente os líderes da igreja (1Pe 5.1; Atos 6:1 -6), a ter uma visão correta sobre a diversidade e os benefícios do exercício de todos os dons na Igreja, porquanto essa é a vontade soberana de Deus para o funcionamento sadio do Corpo de Cristo.
21 E o olho não pode dizer à mão: Eu não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Eu não tenho necessidade de vós.
22 Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são os mais necessários.
23 E os membros do corpo que pensamos ser os menos honrosos, a esses concedemos abundante honra; e às nossas partes íntimas são tratadas com maior decoro.
24 Porque nossas partes decentes não têm necessidade disso, mas Deus de tal forma articulou o corpo, dando mais abundante honra à parte que faltava,
25 para que não haja separação no corpo, mas que os membros tenham o mesmo cuidado uns para com os outros.
26 E se um membro sofrer, todos os membros sofrem com ele; e se um membro for honrado, todos os membros se regozijam com ele.
27 Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.
28 E Deus colocou alguns na igreja, primeiro apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, mestres, depois milagres, depois, dons de curar, de ajudar, de governar, de diversidades de línguas. 1Co 12:28
Os ministérios e os dons são como os dois lados de uma mesma moeda. Quando o Senhor convoca alguém para uma missão (serviço espiritual) é porque já lhe concedeu os dons necessários. Os “apóstolos” são aqueles que foram escolhidos pessoalmente por Cristo, foram testemunhas oculares da Sua ressurreição e receberam autoridade especial para estabelecer os fundamentos doutrinários da Igreja (Mc 3.14; Atos 1.21,22; Ef 2.20; Jd 3). Em seu sentido ampliado, esse termo pode ser usado como “missionário” (Rm 16.7; Gl 1.19). Os “profetas” revelam a Palavra de Deus para situações específicas e temporárias. Os “mestres” dominam a teologia, a didática, e ensinam de forma prática a Palavra revelada (Ef 4.11). Os dons, que permitem aos cristãos a realização de milagres, curas e prestação de socorro (ajuda espiritual, psicológica ou material), estão agrupados numa mesma categoria e devem ser ministrados com humildade, altruísmo e profunda adoração ao Senhor (1Co 12.9,10; Atos 5.12; Rm 12:6 -8; Atos 6:1 -6). Finalmente, Paulo destaca os que têm dom de “governo ou administração”, normalmente exercido pelos presbíteros (Atos 15:6 -22; 1Tm 3.5) e, pela terceira vez, menciona o “dom de línguas”, em último lugar.
29 São todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? São todos operadores de milagres?
30 Têm todos do dom de cura? Falam todos em línguas? Fazem todos interpretações?
31 Portanto, procurai fervorosamente os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente. 1Co 12:31
A expressão grega original zeloute também usada em 14.1, indica o “zelo” (dedicação, cuidado, carinho, seriedade) com que o crente em Cristo deve aceitar, compreender e usar seus dons espirituais em benefício especialmente do Corpo de Cristo. A instrução de Paulo não é para que os cristãos entrem numa competição em busca de eventuais dons mais importantes ou apreciáveis. Os dons são distribuídos por Deus, segundo sua vontade soberana, não podem ser escolhidos ou aprendidos; são capacidades espirituais em potencial, que precisam ser desenvolvidas e usadas com maturidade. O uso pleno e sábio dos dons proporciona grande alegria ao seu hospedeiro, a todos que estão à sua volta e, especialmente, ao Espírito do Senhor. Paulo segue mostrando que a maneira mais correta de exercer os dons é por meio do amor sincero. Neste sentido, o amor não é um “dom espiritual” mas sim um dos atributos do fruto do Espírito (Gl 5.22).