Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Mat 9
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1 E, entrando no barco, passou para o outro lado, e chegou à sua cidade.
2 E eis que lhe trouxeram um homem paralítico, deitado em um leito; e Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, tem bom ânimo, teus pecados são perdoados.
3 E eis que, alguns dos escribas disseram consigo: Este homem blasfema.
4 Mas Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações?
5 Pois, o que é mais fácil, dizer: Os teus pecados são perdoados; ou dizer: Levanta-te e anda?
6 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem poder sobre a terra para perdoar pecados (ele disse então ao paralítico): Levanta- te, toma o teu leito, e vai para tua casa. Mt 9:6
Freqüentemente Jesus refere-se a si mesmo como Filho do Homem (Mc 8.38; 13.26, 14.62; Lc 17.24; 21.27). Ele usou essa expressão do AT para descrever seu caráter e missão em termos da visão de Daniel (Dn 7.13). O Filho do Homem se humilhou como verdadeiro ser humano, sendo ao mesmo tempo, o Eterno Vitorioso (Mt 24.30). Além disso, Jesus revestiu essa expressão com a necessidade e o profundo significado dos seus sofrimentos, morte e ressurreição expiatória (Mc 8.31; 9.31; 10.33; 14:21 -41; Lc 18:31 -33; 19.10; Mt 20:18 -28; 26.45; Lc 21:25 -28; 22:29 -30; Mc 13:26 -27; 14:24 -25,62; Jo 13:31 -32).
7 E ele levantando-se, foi para sua casa.
8 Mas a multidão, vendo isso, maravilhava-se, e glorificaram a Deus, que dera tal poder aos homens.
9 E passando Jesus dali, viu assentado na coletoria um homem, chamado Mateus, e disse- lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu.
10 E aconteceu que, estando Jesus em casa sentado à mesa, eis que, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos. Mt 9:10
Cafarnaum foi a cidade onde Jesus permaneceu mais vezes e por mais tempo, por isso era chamada de a “cidade de Jesus” (Mt 4.12,13; 9.9; Mc 2.1; Lc 4.13, 23, 31, 38). Mas, apesar de Cafarnaum ter sido um grande centro comercial, presenciado mais sinais e recebido mais da presença e da Palavra de Cristo do que qualquer outra localidade, Jesus encontrou ali apenas uns poucos seguidores. Por isso o Senhor exclama seu “ai” sobre a cidade (Mt 11.23). Hoje Cafarnaum é um campo de entulhos, chamado Tel Hum. Mateus era um cobrador de impostos a serviço de Roma. Os judeus se referiam a eles como “publicanos e pecadores”, pois os consideravam “amaldiçoados” como os gentios (Jo 7.49). Jesus viu, porém, em Mateus, um discípulo e o autor deste Evangelho o chamou, em aramaico akolutheo (Segue-me!), que é uma expressão que significa: “ir atrás de”. Na época, essa expressão era um convite de honra. O aluno do profeta, em sinal de respeito, passaria a caminhar atrás do seu mestre (rabino) e, por dois anos, aprenderia as leis do judaísmo. Mateus (Matias, em hebraico), deixa tudo e começa uma nova vida com Cristo (Lc 5.28). Oferece uma ceia, em sua casa (Lc 5.27), para Jesus, os discípulos e seus muitos amigos pecadores. No Oriente e naquela época, convidar alguém para cear em casa era uma grande demonstração de amizade e intimidade e por isso recebia o nome de: “comunhão de mesa”. Isso foi o suficiente para provocar a ira de um grupo de fariseus (hassïdïns – leais a Deus em hebraico; eram os sacerdotes e doutores da Lei, temidos por seu rigor e poder político).
11 E os fariseus, vendo isso, perguntaram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?
12 Jesus, porém, ouvindo isso, disse-lhes: Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os que estão enfermos.
13 Ide, pois, e aprendei o que significa isto: Eu quero misericórdia, e não sacrifício; porque eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento. Mt 9:13
O maior e mais agradável sacrifício (holocausto) para Deus é o nosso amor sincero, sem restrições e em plena fé. A enfermidade da qual todos padecemos, inclusive muitos religiosos e líderes cristãos, é a distância do mais verdadeiro e puro amor (em grego: agape) ao Senhor (1Jo 4.16) e aos nossos semelhantes. Jesus pede que os doutores em teologia, filosofia, direito e ética da época, voltem às Escrituras, leiam atentamente Oséias 6.6, especialmente na edição grega do AT, a Septuaginta (cerca de 260 a.C.), e entendam que Ele não estava pactuando com o pecado, mas salvando todos aqueles que reconhecerem nele o Messias, o Filho de Deus.
14 Então vieram ter com ele os discípulos de João, dizendo: Por que nós e os fariseus jejuamos com frequência, mas os teus discípulos não jejuam?
15 E disse-lhes Jesus: Podem os amigos do noivo estar de luto, enquanto o noivo está com eles? Mas dias virão, em que lhes será tirado o noivo, e então hão de jejuar.
16 Nenhum homem põe remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo rompe a roupa, e faz-se pior a rotura.
17 Nenhum homem coloca vinho novo em odres velhos; do contrário os odres se rompem, o vinho se derrama, e os odres se perdem; mas coloca-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam. Mt 9:17
Segundo a lei mosaica, apenas o jejum do Dia da Expiação era obrigatório (Lv 16.29,31; 23:27 -32; Nm 29.7). Após o exílio na Babilônia, outros quatro jejuns deveriam ser feitos durante o ano (Zc 7.5; 8.19). Na época de Jesus, os fariseus jejuavam duas vezes por semana (Lc 18.12). Os casamentos judaicos eram grandes celebrações familiares, cujas festas chegavam a durar uma semana e, nessas ocasiões, os convidados eram dispensados da obrigação do jejum, uma vez que esse ato era sempre associado à tristeza. Jesus então faz uma analogia entre as festividades das bodas e seu relacionamento com seus discípulos (os amigos do noivo), dispensando-os do jejum enquanto o noivo (Ele) estiver presente. Jesus jejuava em particular, mas rejeitava a observação da Lei de forma legalista e para autoglorificação (Is 58:3 -11). O jejum seria praticado por seus discípulos, após sua ascensão, voluntariamente e para edificação pessoal (Mt 4.2; 6:16 -18). Jesus veio estabelecer uma nova ordem para o relacionamento das pessoas com Deus. A lei deve ceder lugar à graça (o novo vinho, a nova aliança). Os odres eram bolsas feitas de pele de cabra, onde se conservava o vinho (Gn 27.28; Êx 29.40; Lv 10.9; Sl 104.15; Ec 10.19; 1Tm 5.23; 1Tm 3.8; Tt 2.3; Rm 13.13; Rm 14.21). À medida que o suco de uvas frescas fermentava, o vinho se expandia. Os odres novos tinham maior resistência e flexibilidade, e se esticavam. Mas os odres usados e envelhecidos não suportavam a pressão e estouravam, colocando o vinho a perder. Jesus usa essa metáfora para revelar que seu novo, puro e poderoso ensino não pode ser recebido pelas antigas formas do judaísmo, nem pelo legalismo religioso.
18 Enquanto ele ainda lhes dizia essas coisas, eis que chegou um governante, e o adorou, dizendo: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, e coloca a tua mão sobre ela, e ela viverá.
19 Levantando-se, pois, Jesus, o seguiu, e também foram os seus discípulos.
20 E eis que uma mulher que havia já doze anos padecia de um fluxo de sangue, chegando- se por detrás dele, tocou na orla de sua veste;
21 pois ela dizia consigo: Se eu tão somente tocar a sua veste, eu ficarei sã.
22 Mas Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem bom ânimo filha, a tua fé te curou! E naquela mesma hora a mulher ficou sã. Mt 9:22
Jesus se agrada da nossa fé e está sempre pronto para nos socorrer em qualquer necessidade. Basta que o procuremos com sinceridade. O verbo grego sõzein significa “salvar e curar”. A mulher pensou em salvar-se, livrar-se de uma doença horrível e antiga. Mas Jesus deu-lhe a cura integral, da alma e do corpo, quando a abençoou com a tradicional bênção dos rabinos da época: “a tua fé te salvou”. Jesus demonstrou que essa não era apenas uma frase religiosa, mas a indicação de que o Reino de Deus havia chegado para todos aqueles que nele cressem, pois que as palavras de Jesus são acompanhadas de poder.
23 E Jesus, chegando à casa do governante, e vendo os instrumentistas e as pessoas fazendo barulho,
24 disse-lhes: Retirai-vos, pois a menina não está morta, mas dorme. E eles riam-se para o desprezar.
25 Mas quando as pessoas foram colocadas para fora, ele entrou, a tomou pela sua mão, e a menina se levantou.
26 E sua fama acerca disto foi por toda aquela terra.
27 E, partindo Jesus dali, seguiram-no dois homens cegos, clamando e dizendo: Filho de Davi, tem misericórdia de nós.
28 E, quando ele chegou à casa, os homens cegos se aproximaram dele; e Jesus perguntou- lhes: Credes vós que eu possa fazer isto? Disseram-lhe: Sim, Senhor.
29 Então ele tocou nos seus olhos, dizendo: conforme a vossa fé vos seja feito.
30 E seus olhos foram abertos; e Jesus rigorosamente lhes ordenou, dizendo: Vede para que nenhum homem saiba isto.
31 Mas eles, saindo, espalharam a sua fama por toda aquela terra.
32 Enquanto eles saíam, eis que lhe trouxeram um homem mudo possuído por um demônio.
33 E, o demônio sendo expulso, o mudo falou; e as multidões se maravilharam, dizendo: Nunca se viu algo assim em Israel.
34 Os fariseus, porém, diziam: Ele expulsa os demônios pelo príncipe dos demônios.
35 E Jesus foi por todas as cidades e aldeias, ensinando nas suas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e todas as doenças entre o povo.
36 E, ele vendo as multidões, moveu-se com compaixão delas, porque estavam exaustas e dispersas, como ovelhas que não têm pastor.
37 Então ele disse aos seus discípulos: A seara verdadeiramente é grande, mas poucos são os trabalhadores.
38 Orai, pois, ao Senhor da seara, que envie trabalhadores para a sua seara.