Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Mar 13
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1 E, quando ele saía do templo, disse- lhe um dos seus discípulos: Mestre, vê que tipo de pedras e que construções estão aqui! Mc 13:1
Este capítulo é conhecido por muitos teólogos como “O Sermão Profético”, é também chamado de “Pequeno Apocalipse”. Marcos consegue sintetizar as grandes e dramáticas verdades em relação aos sinais que surgirão na terra prenunciando o iminente e glorioso retorno de Cristo, o final dos tempos e o início de uma nova era (Mt 24; Lc 21 e todo o Apocalipse). O propósito de Marcos não é esclarecer os seus leitores sobre os eventos futuros, mas sim encorajar os cristãos a resistir ao mal; permanecer firmes na fé em Jesus, não importa o quanto às circunstâncias possam ser adversas; manter sempre a Esperança e estar pronto, a todo o momento, para o magnífico encontro com Cristo em glória. O Templo era uma construção suntuosa e exemplar. Refletia o poder e a capacidade do gênio humano. Herodes, o Grande, começou sua reconstrução no século 19 a.C., tornando-a uma das maravilhas do mundo antigo. O historiador judeu Flavio Josefo dizia que as pedras talhadas e usadas na construção eram brancas e muitas mediam até 11,5m de comprimento, 3,7m de altura e 5,5m de largura. Contudo, no ano 70 d.C., antes mesmo da sua conclusão (Mc 14.58; 15.29; Jo 2.19, Mt 23.38), o Templo foi completamente destruído, a ponto de não ficar uma só pedra sobre outra. Jerusalém foi toda queimada, as praças públicas tornaram-se lagos de sangue e os soldados romanos cobriram, com sal, os cadáveres e todo o chão da cidade. Esse foi o grande sinal do início dos eventos que marcarão o final dos tempos e da humanidade como a conhecemos hoje. Portanto, a volta triunfal de Cristo pode ocorrer a qualquer momento em nossos dias.
2 E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estas grandes construções? Não se deixará aqui uma pedra sobre outra que não seja derrubada.
3 E, assentando-se ele no Monte das Oliveiras, defronte do templo, Pedro, e Tiago, e João e André lhe perguntaram em particular:
4 Dize-nos, quando serão essas coisas? E qual será o sinal quando todas estas coisas estiverem para se cumprir?
5 E Jesus, respondendo-lhes, começou a dizer: Acautelai-vos para que nenhum homem vos engane; Mc 13:5
Um dos principais propósitos deste sermão é alertar os discípulos quanto ao perigo dos ataques místicos de enganadores e falsos profetas. Durante séculos essas pessoas têm surgido em toda a terra, iludindo e destruindo inúmeras vidas humanas. À medida que o final dos tempos se aproxima, mais defraudadores da verdade arrebanharão multidões de incautos. Por isso Jesus enfatiza o cuidado e o zelo, usando expressões como “ficai vós alertas”, “estai vigilantes” e “vigiai” (9, 23, 33, 35, 37).
6 porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.
7 E, quando ouvirdes de guerras e de rumores de guerras, não vos perturbeis; porque todas essas coisas necessitam acontecer, mas ainda não será o fim. Mc 13:7
Jesus se refere ao final da História da Criação e encoraja os cristãos a não se desesperarem, pois assim deve prosseguir a História (Rm 8.22; Hb 12.26). Os falsos mestres e a própria perversão do sistema político, religioso, econômico e social mundial apressarão a volta do Senhor. Entretanto, o cristão, por estar salvo, não deve pensar de forma egoísta: “quanto pior, melhor”. Mas, sim, em tornar-se um canal de bênçãos para a salvação do maior número de pessoas possível.
8 Pois nação se levantará contra nação, e reino contra reino; e haverá terremotos em vários lugares, e haverá fomes e tribulações; essas coisas são o princípio das tristezas.
9 Mas fiquem atentos por vós mesmos; porque eles vos entregarão aos concílios, e nas sinagogas sereis açoitados; e sereis levados perante governadores e reis por minha causa, para um testemunho contra eles. Mc 13:9
Perseguições e incompreensões aguardam todos aqueles que se lançam ao desafio da proclamação do Evangelho em todo o mundo. Os tribunais religiosos eram dirigidos pelos anciãos (administradores) das sinagogas. As infrações dos regulamentos e estatutos judaicos eram sujeitos a uma punição de até 39 açoites (Atos 8.1; 9.1; 2Co 11.23,24). Contudo, governadores, reis e grandes autoridades (judeus e gentios) terão a oportunidade de receber o Evangelho do Senhor por meio do testemunho dos cristãos.
10 E o evangelho deve ser primeiramente pregado entre todas as nações. Mc 13:10
Jesus prediz que o Evangelho será pregado em todas as nações (em grego: ethnç, a mesma palavra para “gentios”). Todos os gentios sobre a face da terra terão ao menos uma oportunidade de ouvir e receber o Evangelho, e não apenas os judeus (Ap 7). Infelizmente, isso não quer dizer que o mundo se tornará melhor e mais cristão com o passar do tempo, mas que é missão da Igreja ir e proclamar.
11 Mas quando eles vos conduzirem e vos entregarem, não penseis de antemão sobre o que haveis de falar, nem premediteis; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque não sois vós que falais, mas sim o Espírito Santo.
12 Ora, o irmão entregará à morte o irmão, e o pai ao filho; e levantar-se-ão os filhos contra os seus pais, e eles farão com que sejam entregues à morte.
13 E sereis odiados de todos os homens por causa do meu nome; mas aquele que suportar até o fim será salvo.
14 Mas, quando vós virdes a abominação da desolação, predita pelo profeta Daniel, estar onde não deve estar (quem lê, compreenda), então os que estiverem na Judeia fujam para os montes;
15 e não deixai o que estiver sobre o telhado descer para a casa, nem entrar nela, para levar alguma coisa de sua casa; Mc 13:15
Aquele que perseverar será salvo do Juízo final, não das perseguições temporais em virtude da sua fé em Jesus Cristo. A expressão aqui traduzida por “laje” tem a ver com um tipo especial de cobertura plana das casas judaicas na época de Cristo, muito diferente dos tradicionais telhados brasileiros e europeus (Mt 24.17; Mc 2.4; Lc 17.31).
16 e não deixai voltar o que estiver no campo para buscar a sua roupa.
17 Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
18 E orai para que a vossa fuga não seja no inverno.
19 Porque naqueles dias haverá aflição, tal como nunca houve desde o princípio da criação que Deus criou, até agora, nem haverá jamais.
20 E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos, que ele escolheu, abreviou aqueles dias. Mc 13:20
O Senhor toma o cuidado de não ser muito claro em suas profecias para que apenas aqueles fiéis, que se dedicam à oração e ao estudo da Palavra, possam compreender o verdadeiro sentido das predições. Especialmente as dos versos 14 a 20, para as quais, muitos anos mais tarde, Lucas nos legaria sua interpretação (Lc 21), tendo em vista os acontecimentos que culminaram com a destruição de Jerusalém, entre os anos 66 e 70 d.C., de cujos fatos ele foi testemunha ocular. Os ídolos do imperador e as atitudes bárbaras dos soldados romanos, absolutamente tomados pelo ódio, profanaram o Templo em 70 d.C. (Dn 9.27; 11.31; 12.11) e tornaram-se uma advertência explícita, quanto ao que, no futuro, o anticristo poderá fazer contra os cristãos e a Igreja, o Templo de Deus na atualidade (2Ts 2.4; 1Pe 2.5).
21 E então, se algum homem vos disser: Eis que o Cristo está aqui; ou: Ele está ali; não acrediteis.
22 Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e maravilhas, para seduzir, se possível fora, até os eleitos. Mc 13:22
Satanás é o pai da mentira, do engano e do ódio. Seu plano é, antes do final do seu domínio sobre o mundo, enganar e iludir o maior número de seres humanos que puder. Com especial empenho em relação àqueles que foram chamados pelo Senhor para a Salvação e uma nova vida em Cristo (Jo 8.44; 1Jo 2.26,27).
23 Olhai, porém; eis que de antemão vos tenho dito todas as coisas.
24 Mas naqueles dias, após a tribulação, o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz, Mc 13:24
O foco dessa passagem está sobre o glorioso retorno de Jesus Cristo (Dn 7.13). As profecias anteriores são indicativos do grande evento do fim. Os fenômenos astronômicos e climáticos são registrados sempre do ponto de vista do observador leigo e sem preocupação científica. Pois era vital apresentar aos povos de todas as épocas, culturas e línguas as grandes pistas da volta triunfal de Cristo, o final das eras, o Juízo e o estabelecimento de uma nova ordem na terra sob o governo de Jesus, o Rei do Universo (Is 13.10; 24.4; Am 8.9; Dn 7.13; Ap 1.7; 21:1 -4). Deus realizará seu sonho de reunir todo o seu povo disperso (seus eleitos e amados), de todas as partes e épocas, em torno de si, em espírito de adoração e fraternidade absoluta (Gn 16.7; Ap 14:14 -16 com Dt 30.3,4; Is 43.6; Jr 32.37; Ez 34.13; 36.24).
25 e as estrelas cairão do céu, e os poderes que estão no céu serão abalados.
26 E, então, verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória.
27 E, então, ele enviará os seus anjos, e ajuntará os seus eleitos, desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu.
28 Mas aprendei da parábola da figueira: Quando o seu ramo já está tenro, e brota folhas, sabeis que está próximo o verão.
29 Assim também vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que ele está perto, às portas.
30 Na verdade eu vos digo que não passará esta geração, até que todas essas coisas sejam feitas. Mc 13:30
O cumprimento das profecias referentes à destruição total de Jerusalém foi visto pela geração contemporânea de Jesus Cristo, inclusive por alguns dos seus discípulos. Além disso, o Senhor é o Deus dos vivos; e, portanto, aqueles que nele crêem não morrem (no sentido de serem destruídos ou deixarem de existir), mas – como adormecidos – aguardam seguros o grande dia da volta de Cristo e a ressurreição dos justos para a glória eterna (os ímpios, para o Juízo e a condenação sem fim).
31 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.
32 Mas daquele dia e hora nenhum homem sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.
33 Tomem cuidado, vigiai e orai; porque não sabeis quando chegará o tempo.
34 Porque o Filho do homem é como um homem viajando para longe, que deixou a sua casa, e deu autoridade aos seus servos, e a cada homem seu trabalho, e ordenou ao porteiro que vigiasse.É como um homem que viaja para outro país e, deixando a sua casa, encarrega cada um de seus servos das suas tarefas e ordena ao porteiro que vigie. Mc 13:34
Os verdadeiros cristãos recebem os dons do Espírito para capacitá-los a servir ao Senhor, aos irmãos e ao mundo perdido (1Co 12; Rm 12; 1Pe 4.10). O termo “porteiro” tem o mesmo sentido do “mordomo” de Lc 12.42, e refere-se principal-mente aos líderes espirituais da Igreja.
35 Vigiai, portanto; porque não sabeis quando virá o senhor da casa, à tarde, ou à meia- noite, ao cantar do galo, ou pela manhã;
36 para que, vindo ele de repente, não vos encontre dormindo.
37 E o que eu digo a vós, a todos digo: Vigiai. Mc 13:37
Jesus consegue resumir numa única e simples expressão: Vigiai, todas as principais obrigações que qualquer pessoa – que o siga como discípulo (com fé e devoção) – deva cumprir até o seu glorioso retorno.