Ozzuu Bible
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1 Portanto, se há alguma consolação em Cristo, se algum conforto de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e misericórdias, Fp 2:1
Segundo Paulo, ser salvo é estar com Cristo. É viver dia após dia em relacionamento íntimo (as entranhas eram consideradas a sede das emoções, assim como o coração em nossos dias) com o Espírito de Cristo, nosso Salvador (o Messias). A partir desse relacionamento, que amadurece e se aperfeiçoa constantemente, fluem todos os benefícios, aprendizados, experiências e frutos próprios da salvação (Fp 3:8 -10; Rm 8.1; 2Co 5.17; Gl 2.20). A igreja em Filipos, de uma forma geral, demonstrava muitos dos aspectos da verdadeira vida cristã: encorajamento (exortação), comunhão (em grego koinonia, cujo sentido aqui tem a ver com uma “participação ativa na vitória do irmão sobre as dificuldades da vida”), afeição, solidariedade, compaixão e fraternidade (2Co 13.14; Cl 3.12; Rm 5.8; 8.38,39; 1Jo 3.16; 4:9 -16).
2 completai a minha alegria, para que sejais de semelhante pensamento, tendo o mesmo amor, estando de acordo, com uma só mente. Fp 2:2
Paulo reforça a importância dos crentes em Cristo serem unidos em torno do mesmo propósito principal: proclamar o verdadeiro Evangelho, o próprio Cristo. Não significa que todos os cristãos devam pensar igual sobre todos os assuntos, mas que deve haver humildade para aceitar as diferenças em prol de uma vida fraternal, harmoniosa e de mútua cooperação em todos os sentidos. Colocar em prática, nos relacionamentos, a “atitude” de Cristo (Fp 2.5; 4.2; Rm 12.16; 15.5; 2Co 13.11).
3 Que nada seja feito por contenda ou por vanglória, mas por humildade de espírito; cada um considere os outros melhores do que a si mesmo.
4 Não atente cada um para suas próprias coisas, mas cada qual também para as coisas dos outros. Fp 2:4
Os maiores inimigos da unidade cristã são: o egoísmo, a vaidade pessoal e o “complexo messiânico” (a falsa idéia de que determinada pessoa foi chamada por Deus para resolver os problemas do mundo, e que todos lhe devem plena obediência; qualquer oposição às suas determinações é considerada como ataque do Inimigo). Considerar os outros “superiores a si” não significa desenvolver um sentimento de inferioridade, baixa auto-estima ou pieguice, mas, sim, – por amor cristão – considerar o próximo digno de toda deferência e atendimento preferencial (Rm 12.10; 15.1; Gl 5.13; Ef 5.21; 1Pe 5.5).
5 Que haja em vós a mesma mente que houve também em Cristo Jesus:
6 Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Fp 2:6
Paulo traduz para o grego um antigo hino aramaico (Fp 2:6 -11), adaptando seus versos à teologia que está ensinando à Igreja: Cristo é Deus; eles, juntamente com o Espírito Santo são a mesma pessoa com funções diferentes. O contraste entre o primeiro homem (Adão) e o Segundo (Jesus) é evidenciado pelo apóstolo. Adão (como toda a sua descendência) sentiu o desejo de ser “como Deus” (Gn 3.5) e cedeu à tentação (desobediência) de usurpar essa posição (que também é o objetivo de Satanás). Em contraste, Jesus Cristo não se apegou egoisticamente aos seus atributos e privilégios divinos, mas aceitou com humilde resignação a vontade do Pai, como única possibilidade da raça humana ser absolvida da condenação eterna, e entregou-se à dor e ao vexame da morte de cruz.
7 Mas fez-se sem reputação, tomando sobre si a forma de um servo, fazendo-se semelhante aos homens. Fp 2:7
Jesus é perfeitamente Deus e perfeitamente humano. Esse é um dos conceitos basilares do NT (especialmente da teologia de Paulo) e da fé cristã. Jesus não perdeu ou renunciou aos seus atributos divinos, como a onisciência, onipotência e onipresença. Porém, para que Ele pudesse nascer e viver na Terra como “verdadeiro homem”, voluntariamente, escolheu o caminho da humilhação (ao contrário de Lúcifer e de Adão), e assumiu plenamente a natureza humana de “filho e servo de Deus”, depositando toda a sua glória natural nas mãos de Deus Pai (Jo 1.14; 17:5 -24; Lc 9.32; Rm 8.3; Hb 2.17).
8 E, achado na forma de homem, humilhou- se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz. Fp 2:8
A maneira como Jesus se humilhou, obedecendo como perfeito servo até o momento mais horrível da vida humana: a morte, exemplifica a total dependência e reverência que um ser absolutamente livre pode ter em relação a Deus. Jesus foi além, não apenas se entregando à morte, mas passando pelos sofrimentos físicos, emocionais e espirituais de ver sua criação submetê-lo ao mais cruel e humilhante dos aniquilamentos: a morte de cruz, como um criminoso amaldiçoado (2Co 8.9; Hb 5.7,8; Gl 3.13; Hb 12.2).
9 Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que está acima de todo nome,
10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho das coisas nos céus, e coisas na terra, e coisas debaixo da terra,
11 e para que toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. Fp 2:11
A ressurreição e exaltação de Deus é a resposta do Pai à sua obediência filial; é o verdadeiro “amém” de Deus ao “está consumado” do Filho. O Nome supremo é também o título: Senhor (em grego Kurios), termo usado na Septuaginta (a tradução grega do AT) para traduzir o nome de Deus (em hebraico Yahweh – Jeová). Deus concedeu ao Filho, Jesus Cristo, o lugar supremo de autoridade e majestade à mão direita do Pai (Mt 28.18; Jo 17.2; Atos 2.33; Is 52.23; Ef 1.21; Hb 1.4,5). Pela vontade soberana de Deus todas as pessoas do mundo, um dia, dobrarão seus joelhos diante de Cristo, e o reconhecerão como Senhor, quer voluntariamente (como crentes salvos), quer não (Rm 14.9).
12 Por isso, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor.
13 Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Fp 2:13
A salvação é um processo no qual o primeiro milagre se dá com a regeneração imediata da nossa alma, no momento preciso em que aceitamos o dom remidor de Cristo. A partir de então, começa o crescimento e a maturidade espiritual, um processo de aprendizado e experiências vivas com o Espírito de Cristo; um pouco por dia, durante todos os dias da nossa vida na terra. Ao fecharmos os olhos para este mundo, os abriremos para o tempo da glorificação que alcançará seu auge no glorioso retorno de Jesus. Portanto, os cristãos devem viver na terra de acordo com a fé que abraçaram, e capacitados pelo Espírito Santo (Mt 24.13; 1Co 9:24 -27; Hb 3.14; 6:9 -11; 2Pe 1:5 -8). O contexto indica que Paulo procura advertir a Igreja quanto ao problema dos desentendimentos (“guerras entre os crentes”). Nesse sentido, a expressão “salvação” tem o sentido de “saúde espiritual da Igreja”. O clima de harmonia, compreensão e colaboração é sempre resultado da obra de Deus nos corações quebrantados dos crentes.
14 Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas.
15 Para que sejais irrepreensíveis e inofensivos, filhos de Deus inculpáveis no meio duma nação perversa, entre a qual resplandeceis como luzes no mundo. Fp 2:15
Paulo usa uma figura de linguagem para mostrar o contraste que deve haver entre o brilho fulgurante do caráter e das atitudes dos cristãos, que, mesmo em menor número, iluminam – como estrelas – o frio universo humano mergulhado nas trevas da incredulidade (Dn 12.3 e Mt 5:14 -16). A mesma distinção que houve entre o comportamento de Cristo e o mundo, quando Ele andou pela terra (Jo 1.9; 8.12; Ef 5.8).
16 Retendo a palavra da vida, para que possa gloriar-me, no dia de Cristo, de não ter corrido em vão, nem trabalhado em vão. Fp 2:16
A frase “Palavra da vida” é uma expressão sinônima para o termo “Evangelho”, que os cristãos devem levar com honra, firmeza e gratidão, como um atleta nos antigos jogos olímpicos da época de Paulo (1Ts 2.19; 1Co 9:24 -27).
17 E, ainda que seja oferecido sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, me alegro e regozijo com todos vós.
18 Por esta mesma causa vós também alegrai- vos e regozijai-vos comigo. Fp 2:18
Paulo afirma que mesmo que viesse a ser morto no cárcere, seu sangue seria derramado como a oferta junto aos sacrifícios (libação), acompanhando a dedicação espiritual dos cristãos da Igreja em Filipos, numa analogia aos sacrifícios diários do AT (Êx 29:38 -41; Nm 28.7).
19 Mas confio no Senhor Jesus que em breve vos mandarei Timóteo, para que também eu esteja de bom ânimo, sabendo do vosso estado.
20 Porque não há ninguém como ele, que sinceramente cuide do vosso estado.
21 Porque todos buscam o que é seu e não as coisas que são de Cristo Jesus.
22 Mas também conheceis o caráter dele, e que, como filho ao pai, serviu comigo no evangelho. Fp 2:22
Timóteo é um dos grandes testemunhos bíblicos do quanto, mesmo pessoas com pouca idade, mas humildes e consagradas ao Senhor, podem cooperar notavelmente com a expansão do Reino de Deus em todo o mundo. Paulo havia discipulado o jovem Timóteo como um pai que educa seu filho amado (1 e 2Tm).
23 De sorte que espero enviá-lo a vós logo, assim que eu descobrir o que irá acontecer comigo.
24 Mas confio no Senhor que também eu mesmo irei ter convosco em breve.
25 Contudo, julguei ser necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão, companheiro de trabalho, companheiro de lutas, e vosso mensageiro, para prover as minhas necessidades.
26 Porquanto tinha muitas saudades de vós todos e estava muito angustiado, porque tínheis ouvido que ele estivera doente.
27 E, de fato, esteve doente e quase à morte, mas Deus teve misericórdia dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.
28 Portanto, enviei-o a vós com mais cuidado, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e para que eu tenha menos tristeza.
29 Recebei-o, pois, no Senhor, com toda a alegria, e tratai-o com grande estima:
30 Porque, pela obra de Cristo, chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da sua vida, para suprir a falta do vosso serviço para comigo. Fp 2:30
Paulo usa uma figura de linguagem (literalmente em grego: “jogou com a vida”), retirada dos jogos entre soldados e gladiadores, nos quais alguns ofereciam voluntariamente a própria vida, para referir-se à atitude corajosa de Epafrodito em sua disposição para servir à Igreja de Cristo. Paulo também usa a expressão grega, muitas vezes traduzida como “apóstolo” (mensageiro, missionário) ao mencionar a responsabilidade de Epafrodito como representante da Igreja em Filipos (2Co 8.23).