Ozzuu Bible
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1 No mais, meus irmãos, regozijai no Senhor. Escrever-vos as mesmas coisas não me é penoso, mas para vós é segurança.
2 Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão. Fp 3:2
Paulo usa a expressão “cão” para demonstrar a irracionalidade e a ferocidade com que os falsos pregadores se opunham ao verdadeiro Evangelho e a gravidade das heresias que ensinavam, cujos resultados podiam ser comparados ao ataque de um “cão” devorador. Divulgavam uma doutrina semelhante àquela que Paulo combateu nas igrejas da Galácia. Esses falsos mestres distorciam de tal maneira o significado do ritual da circuncisão, que Paulo o chama literalmente de “mutilação”, pois perdera seu principal conceito espiritual e, nas mãos desses falsários, havia sido transformado apenas em um corte inútil no órgão genital masculino (Gl 5.15; Gn 17.10; 21.4; Dt 10.16; Jr 4.4).
3 Porque a circuncisão somos nós, que adoramos a Deus no Espírito, e nos regozijamos em Cristo Jesus, e não temos confiança na carne. Fp 3:3
Por causa do sacrifício de Cristo, os cristãos – como o Povo da Aliança (a Igreja) - passaram a considerar a “circuncisão” (o povo com a marca de propriedade de Deus), tendo, portanto, o direito de herdar as promessas do Senhor. A circuncisão deixou de ser um ritual físico, obrigatório, e passou a ser um ato voluntário e espiritual, uma decisão de amor (Rm 2:24 -29; Cl 2.11; Gl 6.16; 1Pe 2.9,10; Gl 5:2 -6).
4 Ainda que também podia ter confiança na carne; se algum outro acha que pode confiar na carne, ainda mais eu: Fp 3:4
Embora o termo “carne”, na maioria das vezes em que aparece nas cartas de Paulo, tenha a ver com a “natureza humana pecaminosa”, aqui se refere a qualquer valor humano, ganho por herança ou esforço, em que o homem não convertido deposita sua fé ou confiança. Os nossos esforços morais, intelectuais ou religiosos são frágeis, como a própria natureza humana, não podem, portanto, nos salvar nem mesmo nos aperfeiçoar. Os Fp 3:4 -14 apresentam uma das seções autobiográficas mais importantes das cartas de Paulo (Gl 1:13 -24; 1Tm 1:12 -16; Atos 22:1 -21; 26:1 -23).
5 Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; no tocante à lei, um fariseu, Fp 3:5
A fé pré-cristã de Paulo estava depositada na sua linhagem, puramente judaica, e no seu zelo quanto à obediência da Lei e suas normas e detalhamentos farisaicos. A expressão literal “hebreu de hebreus” quer dizer “um filho judeu, nascido de pais judeus”. Paulo enfatiza que não era prosélito (gentio que se converte ao judaísmo), mas nascido judeu, circuncidado ainda bebê, na mais tradicional das tribos judaicas: Benjamim, em cujas fronteiras ficava a Cidade Santa, Jerusalém. Portanto, era um verdadeiro e digno hebreu, no sangue, no idioma, na cultura e no estilo de vida (Gn 17.12; Atos 22.2,3; 23.6; 26.5; Gl 1.14). Perante as exigências da religião judaica, Paulo era irrepreensível (Fp 3.6). Entretanto, diante do Espírito de Cristo, e em seu coração, ele se reconheceu pecador (Rm 3.20; 7:7 -25).
6 segundo o zelo, perseguidor da igreja; no tocante à justiça que está na lei, irrepreensível.
7 Mas as coisas que para mim eram consideradas como ganho, reputei-as como perda por Cristo. Fp 3:7
O encontro de Cristo com Paulo, na estrada de Damasco, transformou seu conjunto de valores, sua visão de si mesmo e do mundo. O auto-suficiente, arrogante e egocêntrico Saulo, foi convertido num servo, humilde, amoroso e cristocêntrico (Atos 9:3 -16; 2Tm 2.15).
8 E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo.
9 E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus, pela fé.
10 Para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição, e a participação em seus sofrimentos, sendo feito conforme à sua morte.
11 Para ver se, de alguma maneira, eu possa chegar à ressurreição dos mortos. Fp 3:11
Paulo não está revelando qualquer dúvida sobre sua fé na ressurreição ou na vida eterna com Cristo após a morte do corpo, mas, sim, reforçando sua intensa dedicação e expectativa. Não significa que ao crermos em Cristo, ainda tenhamos que – obrigatoriamente – realizar boas obras e contar com um julgamento benevolente de Deus no último dia. Paulo está afirmando que, seja qual for a forma em que se dê a ressurreição dos que dormem em Cristo, ele – certamente – estará lá, assim como todos os cristãos sinceros (Dn 12.2; Jo 5.29; Atos 24.15; 1Co 15.23; 1Ts 4.16).
12 Não que já a tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus.
13 Irmãos, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo- me das coisas que atrás ficam e avançando para as coisas que estão diante de mim,
14 prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Fp 3:14
Paulo compreendia bem o quanto os gregos valorizavam a performance intelectual e física dos seres humanos. Os discursos, as artes e os esportes revelavam – para os gregos – a própria divindade misturada à alma humana. O vencedor das corridas gregas recebia uma grinalda de folhas em sinal de divindade e, muitas vezes, um alto valor em dinheiro. Paulo faz uma analogia com o grande prêmio dos cristãos: a glória da salvação eterna, não conquistada por esforço ou capacidade, mas por meio da graça de Deus através do sacrifício de Cristo (1Co 9:24 -27; 1Tm 6.12; 2Tm 4.7,8; Mt 24.13; Hb 12.1). As maiores aspirações do apóstolo Paulo não estavam nesta vida ou em qualquer valor da terra, mas no céu, porque é ali que Cristo está (Cl 3.1,2).
15 Por isso todos quantos já somos perfeitos, tenhamos este mesmo sentimento; e, se sentis alguma coisa doutra maneira, Deus deve revelar ainda esta a vós. Fp 3:15
A expressão grega original teleioi, que significa “aperfeiçoado” ou “desenvolvido de acordo com um alto padrão”, aponta para a maturidade daqueles que, com os olhos fixos em Cristo (nosso objetivo principal), esperam ouvir do Senhor: “muito bem” (Mt 25.21). O cristão teleioi é o crente em Cristo que fez progresso razoável no crescimento e na maturidade espiritual (1Co 2.6; 3:1 -3; Hb 5.14). Os cristãos não devem se entregar às discussões teológicas acirradas, especialmente sobre detalhes da fé, o mais sábio é deixar que o Espírito Santo venha esclarecer todas as coisas a cada um.
16 Porém, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra e sintamos a mesma coisa. Fp 3:16
Cada cristão deve viver segundo o que já aprendeu e experimentou do Senhor. Em um mundo onde a fome por informação parece insaciável, essa exortação de Paulo é um alerta para que os crentes procurem fazer mais o que já sabem ser a vontade de Deus do que se entregarem a uma busca insana por descobrir a vontade de Deus para cada detalhe, presente e futuro, de suas vidas pessoais.
17 Irmãos, sede também meus seguidores, e marcai os que assim andam, segundo o exemplo que tendes em nós. Fp 3:17
Esse é o princípio do discipulado cristão, em que Cristo é nosso mentor e exemplo maior, seguido por Paulo (os apóstolos) e todos cuja vida espelhe a ação livre e saudável do Espírito Santo. O estilo de vida seguido pelos cristãos deve ser um exemplo que valha a pena ser seguido pelo mundo. Esse é o mais eficaz método de evangelização em massa de todos os tempos: o crescimento exponencial dos crentes a partir do discipulado bíblico, sincero e dedicado, um a um.
18 (Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo a vós, chorando, que eles são inimigos da cruz de Cristo.
19 O fim deles é a destruição, o deus deles é o seu ventre, e a glória deles é para vergonha deles mesmos, que só pensam nas coisas terrenas). Fp 3:19
Na época de Paulo já haviam os chamados “cristãos nominais”, pessoas que se dizem cristãs, mas suas práticas diárias demonstram nitidamente o contrário. Paulo se refere a dois tipos bem definidos: os judaizantes (legalistas desprovidos de amor cristão, mais apegados às leis do que ao Deus das leis – Fp 3.2) e os antinomistas (um outro extremo; libertinos, para os quais tudo é permitido – Fp 3.19).
20 Mas a nossa cidadania está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
21 que transformará o nosso corpo vil, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas. Fp 3:21
Cristo tem poder absoluto sobre o universo por toda a eternidade. Deus Pai lhe outorgou esse poder e o ressuscitou glorificado mediante sua obediência até a morte, e morte de cruz (Mt 28.18; 1Co 15.27; Ef 1:20 -22). Mediante o Espírito Santo, ressuscitará também os nossos corpos mortais, sujeitos às fraquezas, à corrupção, à completa deterioração física e à eterna separação de Deus (morte e inferno) por causa do pecado (Rm 8:10 -23; 1Co 6.14; 15:42 -53). O corpo ressurreto, espiritual e glorioso, já recebido por Cristo, que é “a primícia”, de modo semelhante será presenteado aos cristãos sinceros na futura “colheita” da ressurreição (1Co 15:20 -49).