Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Mar 11
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1 E, quando se aproximaram de Jerusalém, de Betfagé e de Betânia, ao Monte das Oliveiras, ele enviou dois dos seus discípulos, Mc 11:1
Aqui tem início a etapa derradeira do ministério de Jesus, que acontecerá dentro dos limites de Jerusalém, chamada de Cidade Sagrada. O monte das Oliveiras fica a leste de Jerusalém, chega a uma altura de 823 metros, um pouco mais alto do que o monte Sião. Do seu cume é possível ter uma linda visão panorâmica da cidade, especialmente do templo.
2 e ele disse-lhes: Ide pelo caminho à aldeia que está defronte de vós; e logo que nela entrardes, encontrareis amarrado um jumentinho, sobre o qual ainda não montou homem algum; desprendei- o, e trazei-o. Mc 11:2
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, evento assim conhecido pela maneira efusiva com que as multidões aclamaram essa chegada de Jesus Cristo à Cidade Santa, abre a Semana da Paixão, lembrada dessa forma para marcar os dias em que Jesus entregou sua própria vida em holocausto, por causa da sua paixão pela humanidade, e para resgatar todo aquele que nele crer da sentença perpétua do abandono de Deus. Mais uma vez as profecias se cumprem até nos detalhes (Zc 9.9; Mt 21.5; Jo 12.15), como foi o caso de Jesus solicitar um jumentinho sobre o qual ninguém ainda houvesse montado, numa demonstração do uso santificado dos elementos para o ritual do sacrifício (Nm 19.2; Dt 21.3). Esse foi um ato messiânico deliberado, de Jesus, revelando-se claramente ao povo como o Messias prometido, e permitindo que os líderes religiosos e políticos que viviam tentando surpreendê-lo em alguma falta, agora passassem a ter um pretexto.
3 E, se algum homem vos disser: Por que fazeis isso? Dizei-lhe que o Senhor necessita dele, e logo ele o enviará para aqui.
4 E eles foram pelo seu caminho, e encontraram o jumentinho amarrado à porta do lado de fora, entre dois caminhos, e o desprenderam.
5 E alguns dos que ali estavam lhes disseram: O que fazeis, desprendendo o jumentinho?
6 E eles responderam como Jesus lhes tinha mandado; e eles o deixaram ir.
7 E eles trouxeram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e ele assentou- se sobre ele.
8 E muitos estendiam as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. Mc 11:8
Parte das vestes de Jesus foi colocada sobre o lombo do jumentinho. Os profetas do AT foram dirigidos por Deus para ministrarem ao povo por meio de atitudes de grande efeito visual e dramático (Jr 19; Ez 4:1 -3). A entrada triunfal, como a purificação do templo, a maldição da figueira, e a ceia do Senhor foram ações dessa natureza. Jesus se apresenta como o Messias. Entretanto, diferentemente de como imaginavam muitos judeus, sem armas ou exércitos, nem mesmo a natural arrogância dos monarcas e grandes líderes. Jesus foi o Messias da Paz (Lc 19:38 -40).
9 E aqueles que iam adiante, e os que seguiam, clamavam, dizendo: Hosana, abençoado é o que vem em nome do Senhor;
10 abençoado seja o reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas. Mc 11:10
A expressão hebraica hosana já era de uso comum (e por isso Marcos não a traduz para o grego) e proferida na aclamação de reis e governadores. O verso 10 indica que o povo reconheceu plenamente em Jesus a pessoa do Messias. O vocábulo tem origem na antigüidade judaica e foi usado por Davi em seus salmos de Hallel (Louvor). A passagem do Sl 118.25,26 era cantada na ocasião da celebração da Páscoa e como expressão de boas-vindas proferida pelos sacerdotes aos peregrinos de todas as partes que chegavam a Jerusalém. Portanto, muito adequada para aquele momento. Hosana tornou-se um grito de júbilo e louvor a Deus por seus feitos maravilhosos.
11 E Jesus entrou em Jerusalém, no templo; e, olhando ao redor sobre todas as coisas, e chegando a tarde, saiu para Betânia com os doze.
12 E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, ele teve fome;
13 e, avistando de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, talvez pudesse encontrar nela alguma coisa; e, chegando até ela, nada encontrou senão folhas, porque ainda não era tempo de figos.
14 E Jesus, respondendo, disse à figueira: Nenhum homem coma fruto de ti daqui em diante para sempre. E os seus discípulos ouviram isso. Mc 11:14
As figueiras da região de Jerusalém costumam brotar folhas novas no final de março, mas só produzem frutos quando toda folhagem está completa, por volta de junho. Essa figueira – como Israel – era uma exceção, já estava coberta de folhas muito antes do tempo, na Páscoa, mas sem oferecer nenhum fruto. O episódio serviu de grande recurso didático para que Jesus revelasse especialmente aos discípulos mais uma parábola sobre o Juízo, com a figueira servindo de perfeita ilustração (Os 9.10; Na 3.12). O acontecimento no templo e o evento com a figueira explicam-se mutuamente.
15 E vieram a Jerusalém; e Jesus entrou no templo, e começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas, e as cadeiras dos que vendiam pombas; Mc 11:15
Jesus dirigiu-se ao “átrio dos gentios”, a única parte do templo em que os gentios tinham acesso permitido para adorar a Deus e reunir-se para as orações. Os romeiros que vinham de todas as partes da Palestina, para as celebrações da Páscoa, tinham de comprar animais que satisfizessem as exigências rituais. Os sacerdotes mantinham um acordo com os vendedores e somente os animais comprados (a preços exorbitantes) dentro dessa área do templo recebiam uma espécie de visto de aprovação sacerdotal: “sem defeito” e, portanto eram aceitos na hora do sacrifício. Ao lado dos abrigos dos animais, os vendedores montavam mesas para troca (câmbio) do dinheiro estrangeiro pela moeda local. As pombas eram oferecidas para a purificação das mulheres (Lv 12.6; Lc 2:22 -24) e para determinadas doenças de pele (Lv 14.22), além de outros fins específicos (Lv 15.14,29). Havia também as ofertas que deviam ser entregues pelos pobres (Lv 5.7), e vários outros tipos de sacrifícios. Jesus entrou no templo naquele dia como o verdadeiro Sumo Sacerdote (Ml 3.1) e agiu como responsável que é sobre o Templo do Espírito de Deus.
16 e não permitia que nenhum homem carregasse algum vaso pelo templo.
17 E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada por todas as nações casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.
18 E os escribas e principais sacerdotes ouviram isso, e buscavam de que modo o destruiriam, pois o temiam, porque todo o povo estava admirado da sua doutrina. Mc 11:18
A indignação dos líderes religiosos é compreensível. Afinal eram os sacerdotes e seus chefes, Anás e Caifás, que embolsavam o lucro ilícito do comércio geral no templo.
19 E, vindo à tarde, ele saiu da cidade.
20 E de manhã, enquanto passavam, eles viram que a figueira tinha secado desde as raízes. Mc 11:20
Esta era a manhã de terça-feira da Paixão. O detalhe salientado por Marcos, informando que a figueira estava seca desde as raízes, foi uma admoestação ao grave estado de corrupção do povo de Israel a partir dos seus líderes religiosos máximos, e o aviso de que a destruição seria absoluta (Jo 18.16). Além disso, ninguém mais, em futuro algum, seria beneficiado pelos frutos espirituais de Israel. Uma vívida ilustração do terrível juízo que ocorreria no ano 70 d.C. (Mt 24.2).
21 E Pedro, chamando à lembrança, disse- lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, secou-se.
22 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus. Mc 11:22
Pedro observa que a figueira secou completamente, de um dia para o outro, e se dirige a Jesus em hebraico usando a expressão: Rabbi, que significa: “meu mestre”. Jesus ensina que a nossa fé (que em hebraico tem o sentido de depositar toda a confiança), deve ser dedicada de forma pura e absoluta a Deus, o Pai. Mesmo a fé em Jesus é fé em Deus, que o enviou e o declarou Seu Filho pleno em poder (Jo 5.24; Rm 1.4; Fl 2.9). Era comum entre os mestres judaicos da época o uso da expressão “remover montes” em relação à solução de problemas muito complicados de interpretação e aplicação prática da Lei. Do alto do monte das Oliveiras era possível avistar o mar Morto. Quem ora com verdadeira fé em Deus não enfrenta dificuldades insolúveis nem insuportáveis; é vital não duvidar e não guardar rancor (Tg 1.6; 2.4).
23 Porque na verdade eu vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança- te no mar, e não duvidar em seu coração; mas crer que se fará aquilo que diz, assim lhe será feito.
24 Portanto eu vos digo que todas as coisas que desejais, quando orardes, crede que as recebereis, e tê-las-eis.
25 E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai, que está no céu, possa perdoar as vossas transgressões.
26 Mas, se vós não perdoardes, nem o vosso pai que está no céu, perdoará as vossas transgressões.
27 E eles foram novamente para Jerusalém; e, andando ele pelo templo, aproximaram- se dele os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos.
28 E lhe disseram: Com que autoridade tu fazes estas coisas? E quem te deu tal autoridade para fazer estas coisas? Mc 11:28
O Sinédrio perguntava ao Senhor por que ele estava realizando um ato oficial sem reter cargo formal (Lc 20.2).
29 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Também eu vos farei uma pergunta, e respondei-me, e então vos direi com que autoridade eu faço estas coisas.
30 O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondei-me.
31 E eles argumentavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Por que então não acreditaste nele?
32 Mas se dissermos: Dos homens; eles temiam o povo; porque todos os homens verdadeiramente tinham a João como profeta.
33 E, eles respondendo, disseram a Jesus: Nós não podemos dizer. E Jesus lhes respondeu: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas. Mc 11:33
Os judeus usavam a expressão “céu” ou “céus”, muitas vezes em substituição ao vocábulo divino “Deus” ( ou como muitos judeus grafam ainda hoje: “D-us”), procurando evitar, assim, um possível mau uso do nome de Deus (Êx 20.7). Com sua pergunta Jesus deu a entender que sua autoridade provinha de Deus, da mesma maneira que o batismo de João.