Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Heb 7
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1 Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que encontrou Abraão quando este regressava da matança dos reis, e o abençoou, Hb 7:1
Embora o autor de Hebreus não afirme claramente que Melquisedeque foi uma cristofania, é revelador o fato de ele não ter origem (genealogia) e ocupar simultaneamente duas posições de grande poder. Elementos que reforçam o pensamento do autor quanto a prefigura (preexistência) do eterno Messias: Jesus Cristo. O nome “Salém”, vem do hebraico antigo, Yerüshal?m, cujo sentido primitivo teria sido “capital da guerra e da paz”. Mais tarde, essa expressão passou para o idioma aramaico como “cidade da paz”. (Gn 14:18 -20; Is 23.5,6; 33.15,16).
2 a quem também Abraão deu a décima parte de tudo; sendo primeiramente, por interpretação do seu nome, Rei de justiça, e depois disso também Rei de Salém, que é Rei de paz.
3 Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.
4 Considerai agora o quão grande era este homem, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dos seus despojos.
5 E verdadeiramente aqueles dentre os filhos de Levi, que recebem o ofício do sacerdócio têm ordem de tomar os dízimos do povo, segundo a lei, isto é, de seus irmãos, ainda que estes também tenham saído dos lombos de Abraão.
6 Mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles, recebeu os dízimos de Abraão, e abençoou ao que tinha as promessas.
7 E, sem contradição alguma, o inferior é abençoado pelo superior.
8 E aqui, homens que morrem recebem dízimos; lá, porém, os recebe aquele que pode provar que está vivo.
9 E, assim como digo, Levi também, que recebe dízimos, pagou-os por meio de Abraão,
10 porque ainda encontrava-se nos lombos de seu pai quando Melquisedeque o encontrou.
11 De modo que, se a perfeição viesse pelo sacerdócio levítico, pois o povo recebeu a lei sob este sacerdócio, que necessidade haveria ainda de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse chamado segundo a ordem de Arão? Hb 7:11
A Lei entregue a Moisés e ao povo, bem como o sacerdócio e os sacrifícios, faziam parte do mesmo sistema que contemplava o fato de todas as pessoas nascerem em pecado (sob a maldição da Queda) e, portanto, sujeitas à condenação prescrita. Por este motivo, necessitavam de um mediador legal e idôneo para representá-las diante de Deus. O autor de Hebreus esclarece, contudo, que o sacerdócio levítico (ou da descendência de Arão) era imperfeito e havia se tornado insuficiente, mas que o sacerdócio de Melquisedeque era o ideal e perfeito. A história registra que a proclamação daquele que viria a ser Sacerdote para sempre (o Messias) foi escrita profeticamente, bem na metade do período em que os sacerdotes levitas exerciam seu serviço ministerial, mostrando que o sacerdócio levítico existente deveria dar lugar a um sistema melhor (Sl 110.4).
12 Porque ao mudar-se o sacerdócio, uma mudança na lei também se faz necessária.
13 Porque aquele sobre quem estas coisas são ditas pertence a uma outra tribo, a qual nenhum homem assistiu ao altar,
14 pois evidente é que o nosso Senhor procedeu de Judá, tribo da qual Moisés nada falou acerca de sacerdotes.
15 E o que é ainda muito mais evidente é isto, se à semelhança de Melquisedeque, se levanta um outro sacerdote,
16 que não foi feito conforme a lei de um mandamento carnal, mas segundo o poder de uma vida infinita.
17 Porque ele testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Hb 7:17
De acordo com a Lei, a função sacerdotal fora outorgada exclusivamente à tribo de Levi (Dt 18.1), porém Jesus, em sua humanidade, pertencia à árvore genealógica de Judá, uma tribo não-sacerdotal. Entretanto, o autor de Hebreus destaca que Jesus é “sacerdote eterno”, segundo Melquisedeque e, portanto, indestrutível (Hb 7.21).
18 Porque há, verdadeiramente, uma anulação do mandamento anterior por conta de sua fraqueza e ineficácia. Hb 7:18
Como defendeu o apóstolo Paulo, a Lei é santa e justa, todavia não é capaz de transformar em justos aqueles que violaram seus mandamentos e, portanto, pecaram. Nem ao menos pode oferecer à humanidade o necessário poder para vencer o mal e o pecado (Rm 7.12). A Lei foi apenas um sistema preparativo para a definitiva Lei da Salvação em Cristo (Gl 3:23 -25; Mt 5.17). A antiga aliança se cumpre plenamente na nova aliança da perfeita redenção e nos capacita a nos achegarmos à presença íntima de Deus (Cl 1.5).
19 Porque a lei não aperfeiçoou coisa alguma, mas o fez a introdução de uma melhor esperança, pela qual nos aproximamos de Deus.
20 Mas não foi na ausência de um juramento que ele foi feito sacerdote
21 (Porque aqueles foram feitos sacerdotes sem juramento, mas este com um juramento daquele que lhe disse: Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és um sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque).
22 Portanto, Jesus foi feito fiador de um testamento superior.
23 E aqueles eram verdadeiramente sacerdotes em grande número, porque não podiam permanecer, porque a morte os impedia.
24 Mas este homem, porque permanece para sempre, possui um sacerdócio eterno.
25 Portanto, pode salvar aqueles que através dele se chegam a Deus, porquanto vive eternamente para interceder por eles.
26 Pois tal sumo sacerdote nos convinha, porque é santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e elevado acima dos céus.
27 Que não necessita, como aqueles sumos sacerdotes, oferecer diariamente sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos pecados das pessoas? Porque isto ele fez uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo. Hb 7:27
A cruz de Cristo marca definitivamente na história do Universo o ponto central do plano redentor de Deus para toda a humanidade. O ato do sacrifício do Filho de Deus encerra o longo e árduo período histórico de “preparação”, e inaugura a “era escatológica” (Hb 1.1,2; Gl 4.4; Rm 3.26). Toda a certeza de salvação e esperança (fé) no estabelecimento completo do Reino de Deus, emana do sacrifício vicário de Jesus Cristo oferecido uma única vez para sempre (Is 53.6,10).
28 Porque a lei constitui como sumos sacerdotes homens que têm enfermidades, mas a palavra do juramento, que veio desde a lei, constitui o Filho, consagrado para sempre. Hb 7:28
Os sumos sacerdotes humanos, por mais dedicados que fossem, não eram capazes de viver sem cometer algum pecado (como prova a história até nossos dias); mortais e, portanto, impermanentes; segundo a Lei, somente podiam oferecer sacrifícios de animais, que jamais serviriam de substitutos suficientes para o ser humano, criado à imagem de Deus. Cristo, entretanto, foi “aperfeiçoado” ao enfrentar e vencer as tentações, jamais tendo sucumbido a pecado algum. Obedecendo em tudo ao Pai e, assim, estabeleceu uma perfeição eterna (Gn 1:26 -28; 2.10; 5.8).