Ozzuu Bible
pt_kjfiel - 1Jo 2
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1 Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e se algum homem pecar, temos um advogado com o Pai, Jesus Cristo, o justo. 1Jo 2:1
De acordo com os relatos de antigos escritores e pais da Igreja, como Clemente de Alexandria, o apóstolo João desenvolveu grandioso ministério pastoral nas várias igrejas espalhadas pela província da Ásia ( entre os anos 70 e 100 d.C.), particularmente na região onde se localizava Éfeso (hoje Turquia). João já estava bastante idoso quando escreveu esta epístola, isso explica o uso acentuado de expressões de carinho e afetividade, como “filhinhos”, por exemplo. Os textos de João tornaram-se uma espécie de carta circular doutrinária para todas as igrejas cristãs. João apreciava o uso da expressão grega “parakleto” (aquele que se coloca ao lado para defender e proteger) ao referir-se ao seu amado mestre e amigo Jesus Cristo (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7). Na antigüidade greco-romana, o advogado (em latim: advocatus) de defesa tinha que ser alguém irrepreensível perante a lei para poder exercer efetivamente seu ofício.
2 E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não pelos nossos apenas, mas também pelos pecados de todo o mundo. 1Jo 2:2
João não está defendendo a idéia do universalismo (a teoria de que todas as pessoas serão salvas um dia, de alguma forma). O texto é claro em afirmar a imparcialidade do Senhor. O pecado entrou na terra e na espécie humana a partir de uma clara desobediência às ordens de Deus, cuja punição, previamente estabelecida e do pleno conhecimento de todos, era a morte (Gn 3). Somente o Filho de Deus, o Messias, tem o poder de se fazer expiação vicária pelos pecados daqueles que nele, e em sua obra redentora, crerem de todo coração (1Jo 4.10; Jo 3.16; Rm 3.25). O perdão de Deus, mediante o sacrifício vicário de Cristo, não é limitado a uma época ou grupo étnico, mas está à disposição de toda a humanidade até o Dia do glorioso retorno do Senhor (Jo 1.29).
3 E nisto sabemos que o conhecemos, se guardarmos os seus mandamentos.
4 Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está com ele. 1Jo 2:4
João emprega, mais de quarenta vezes em 1Jo, dois verbos gregos: eidenai “saber” e gnosis cujo sentido é “conhecer” e identificava os “gnósticos” que alegavam possuir conhecimentos e revelações especiais de Deus. O santo e experiente apóstolo está afirmando que o crente sincero não é aquele que nunca peca ou comete erros, mas ensina que uma das marcas do cristão é pautar a vida pela obediência ao Senhor e à sua Palavra (1Jo 1.8,9).
5 Mas qualquer que guarda a sua palavra, nele verdadeiramente está o amor de Deus aperfeiçoado; nisto sabemos que estamos nele.
6 Aquele que diz que está nele, deve ele mesmo andar da maneira como ele andou. 1Jo 2:6
Considerando que Deus é luz e amor, o pecado e o ódio são absolutamente incompatíveis com o verdadeiro conhecimento do Senhor. João usa cerca de 20 vezes a palavra “verdade” em suas cartas. É a Verdade que liga o crente a Deus (Jo 14.6). O nosso sincero amor para com o Senhor é aperfeiçoado à medida que dedicamos mais e mais obediência à sua Palavra.
7 Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas um mandamento antigo, que tivestes desde o início. O mandamento antigo é a palavra que ouvistes desde o princípio.
8 Novamente vos escrevo um mandamento novo, o qual é verdadeiro nele e em vós; porque as trevas já passaram, e agora a verdadeira luz brilha. 1Jo 2:8
João explica que o mandamento do amor é tão antigo quanto o próprio homem (Lv 19.18; Mt 22.39,40; Jo 13.34,35). Entretanto, o sacrifício expiatório de Cristo foi a demonstração maior desse amor. O exemplo pessoal do Senhor e seu ensino sobre o amor sacrificial de um para com os outros deve ser a nova marca dos crentes sobre a terra (Mt 5).
9 Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, está em trevas até agora.
10 Aquele que ama seu irmão está na luz, e não há nele ocasião para o tropeço.
11 Mas aquele que odeia seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde vai; porque essas trevas lhe cegaram os olhos.
12 Escrevo-vos, filhinhos, porque vossos pecados estão perdoados, por causa do nome dele.
13 Escrevo-vos, pais, porque vós conhecestes aquele que é desde o princípio. Escrevo- vos, jovens, porque vós vencestes o maligno. Eu vos escrevo, filhinhos, porque conhecestes o Pai.
14 Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e vós vencestes o maligno. 1Jo 2:14
Por meio de redundância lingüística, João assegura a todos os seus “filhinhos” (queridos em Cristo) que, a despeito das duras provas, está seguro da vitória espiritual dos crentes, seja qual for o estágio ou maturidade da fé de cada pessoa (1Jo 2.1,28; 5.21; Ef 6:10 -18).
15 Não ameis o mundo, e nem as coisas que estão no mundo. Se algum homem ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
16 Porque tudo o que está no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e o orgulho da vida, não é do Pai, mas do mundo. 1Jo 2:16
A sociedade incrédula se afasta do Senhor e, manipulada pelas artimanhas de Satanás, despreza a Palavra de Deus e os crentes (Jo 15:18 -24). Os cristãos são encorajados a amar a humanidade e lhes pregar o Evangelho, mas não devemos nos apegar às paixões mundanas, pois somos cidadãos do céu (Jo 17.24; Tg 4.4).
17 E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
18 Filhinhos, é a última hora; e como vós ouvistes que o anticristo há de vir, e mesmo agora há muitos anticristos, por isso sabemos que é a última hora. 1Jo 2:18
Para os autores do NT, “a última hora” ou “o Dia do Senhor” são expressões de mesmo sentido, isto é, têm a ver com a era iniciada com a primeira vinda de Jesus Cristo à terra e apontam para o seu retorno iminente e glorioso, a fim de resgatar definitivamente a sua Igreja deste mundo que perece sob a liderança do Diabo, o arquiinimigo do Senhor e dos cristãos (Atos 2.17; 2Tm 3.1; Hb 1.2; 1Pe 1.20). João estava consciente de que seus leitores tinham pleno conhecimento das profecias que alertavam para o surgimento de um grande e poderoso inimigo de Deus e do seu povo, antes do retorno de Cristo. Esse será o principal “anticristo”, também chamado de “o homem do pecado” ou “a besta” (Mt 25:1 -13; 2Ts 2.3; Ap 13:1 -10). Entretanto, antes dele aparecerão, ao longo da era cristã que vivemos, muitos tipos de anticristos. Estes têm as seguintes características básicas: negam a encarnação; a perfeita divindade e humanidade do Jesus histórico; não têm amor a Deus como Pai, apenas usam de falsa religiosidade para iludir as pessoas e atingir seus fins escusos; são mentirosos, avarentos, egoístas e ardilosos (2Jo 7). Na época de João, esses anticristos eram representados pelos gnósticos primitivos que haviam abandonado a Igreja, pois nada tinham em comum com os crentes (2Ts 2.4; Ap 13.6,7).
19 Eles saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, sem dúvida teriam continuado conosco; mas eles saíram para que se manifestasse que todos eles não eram de nós.
20 E vós tendes a unção do Santo, e sabeis todas as coisas.
21 Eu não vos escrevi julgando que não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira advém da verdade.
22 Quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Ele é anticristo, que nega o Pai e o Filho.
23 Qualquer que nega o Filho, o mesmo não tem o Pai; [mas] aquele que reconhece o Filho, tem o Pai também.
24 Portanto, que isto esteja convosco, o que ouvistes desde o princípio. Se isto que ouvistes desde o princípio permanecer em vós, vós também haveis de permanecer no Filho, e no Pai.
25 E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.
26 Estas coisas vos escrevi a respeito daqueles que vos enganam. 1Jo 2:26
Paulo havia profetizado o que chamou de “lobos ferozes” cerca de 40 anos antes da revolta desses pseudocristãos e o início do gnosticismo primitivo (Atos 20.29,30).
27 Porém a unção que vós recebestes dele permanece convosco, e não tendes necessidade de que homem algum vos ensine; mas como a mesma unção vos ensina todas as coisas, e é verdade, e não mentira, como ela vos ensinou, vós haveis de permanecer nele. 1Jo 2:27
João não está menosprezando o ensino sistemático das Escrituras, mas sim alertando a Igreja para que não se deixe envolver por falsas doutrinas e ensinos heréticos. Os gnósticos estavam arrogantemente pregando que haviam recebido uma revelação especial de Deus, que os elevava a um padrão de conhecimento (no original grego gnosis) muito superior aos apóstolos. João nos ensina que o ministério do Espírito Santo consiste em iluminar nossa alma para “percebermos pela experiência” em Cristo (em grego ginõscõ – 2.13,14) a verdade já revelada na Palavra de Deus mediante seus autores sagrados (Mt 28.20; 1Co 2:9 -16; 12.28; Ef 4.11; Cl 3.16; 1Tm 4.11; 2Tm 2.2,24).
28 E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, possamos ter confiança, e não sejamos envergonhados diante dele em sua vinda.
29 Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele. 1Jo 2:29
Nem toda pessoa que se diz cristã é justa, mas toda justiça verdadeira só é possível ser vivenciada como resultado do novo nascimento em Cristo (Ef 2.10).