Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Rom 1
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1 Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus; Rm 1:1
Na antigüidade, toda carta grega seguia uma metodologia padrão de construção. A primeira parte (abertura) deveria identificar o remetente e sua saudação. Paulo se vale desta formalidade para apresentar-se da forma mais clara e ampla possível a uma comunidade de irmãos que ama, porém – até aquele momento – ainda não o havia conhecido pessoalmente, mas esperava fazê-lo em breve (Atos 9.1; Fp 3:4 -14). A palavra grega original doulos, derivada do verbo deo (algemar, aprisionar), significa também: “escravo”. Para um grego dessa época, essa era uma expressão de vergonha e rebaixamento, para os judeus, entretanto, desde Moisés, era a mais expressiva forma de se posicionar em adoração ao Rei dos reis, e um título de honra. Para Paulo, todo cristão é um servo do Senhor Jesus (1Co 7.22; 6:15 -23). O termo exprime pertença total e definitiva a Cristo (desde o início Paulo faz questão de usar o vocábulo “Cristo” não apenas como nome próprio, mas especialmente como título do Filho de Deus: o Messias prometido, o Ungido). A expressão “apóstolo” tem a ver com o comissionamento dado a Paulo, pessoalmente, por Cristo (Mc 6.30; 1Co 1.1; Hb 3.1).
2 (que ele antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras), Rm 1:2
Esta é a primeira vez que a expressão “Escrituras Sagradas” aparece no original grego da Bíblia. Todo o AT profetiza a vinda de Jesus, o Messias; cuja vida e ministério são perfeitamente descritos no Novo Testamento (Lc 24:27 -44).
3 acerca de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor, que foi feito da semente de Davi, segundo a carne,
4 e declarado para ser o Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos,
5 pelo qual nós recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as nações, pelo seu nome, Rm 1:5
Foi devido à desobediência deliberada de Adão, que o homem foi apartado da glória de Deus (Rm 3.23). Entretanto, é pela obediência voluntária e firmada na fé em Jesus Cristo que ganhamos a reconciliação com Deus. A palavra “fé” neste contexto, não significa “fé em doutrinas”, mas sim fé no Evangelho, ou seja, na pessoa do Cristo (o próprio Evangelho).
6 entre as quais sois também vós os chamados de Jesus Cristo;
7 a todos os que estão em Roma, amados de Deus, chamados para serem santos: Graça e paz a vós, de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Rm 1:7
O sentido mais amplo da expressão original grega, aqui traduzida por “santidade”, é “separado para contínua adoração a Deus”. Neste aspecto, todos os cristãos são “santos”, pois foram sobrenaturalmente “separados” por Deus para servi-lo por meio do seu serviço espiritual diário e contínuo. A expressão tem igualmente o sentido prático de “um aperfeiçoamento espiritual” que ocorre todos os dias na vida dos crentes pela ministração do Espírito Santo que neles habita (1Co 1.2). A “Graça” é o favor imerecido de Deus; o Senhor nos concedendo a bênção do seu chamado e proteção, ainda que não sejamos dignos. Enquanto “misericórdia” é a paciência longânime do Senhor, que retarda a punição que nossas más intenções, erros e pecados merecem, na esperança de nossa conversão (Jonas 4.2; Gl 1.3; Ef 1.2). A “Paz” é a bênção da plena segurança e certeza dos cuidados paternos do Senhor, mesmo em meio às mais graves tribulações e perdas (Jo 14.27; 20.19; Gl 1.3; Ef 1.2).
8 Primeiramente, eu agradeço ao meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque a vossa fé é anunciada em todo o mundo. Rm 1:8
Paulo, apesar de todo o sofrimento, privações e humilhações pelas quais passou, sempre demonstrava um coração agradecido a Deus. Os cristãos têm toda a liberdade de chegar-se a Deus – como Pai – por meio do sacrifício vicário de Jesus Cristo. Entretanto, não apenas para pedir, mas, sobretudo, para agradecer (Jo 15.16). Paulo costumava iniciar suas cartas com ações de graças (1Co 1.4; Ef 1.16; Fp 1.3; Cl 1.3; 1Ts 1.2; 2Ts 1.3; 2Tm 1.3; Fm 4).
9 Pois Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de Seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós em minhas orações,
10 rogando que de algum modo seja possível, agora por fim, ter uma próspera viagem para ir a vós na vontade de Deus.
11 Porque desejo ver-vos, para que eu possa transmitir a vós algum dom espiritual, a fim de que sejais fortalecidos;
12 isto é, para que eu possa ser confortado juntamente convosco, pela fé mútua, tanto a vossa quanto a minha.
13 Ora, eu não quero que ignoreis irmãos, que muitas vezes eu propus ir até vós, (mas tenho sido impedido até agora), para que eu também possa ter entre vós algum fruto, mesmo entre os demais gentios. Rm 1:13
Os gregos costumavam referir-se a todos os povos não-gregos, ou que não falassem seu idioma, como “bárbaros” (Atos 28.4). Paulo desejava conhecer a Igreja em Roma (predominantemente gentílica), ver como viviam na fé os novos convertidos, bem como compartilhar suas experiências e motivar os mais maduros para a evangelização e o avanço missionário.
14 Eu sou devedor, tanto aos gregos como aos bárbaros, tanto aos sábios como aos ignorantes.
15 Então, quanto a mim, estou pronto para pregar o evangelho também a vós que estais em Roma.
16 Porque eu não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Rm 1:16
Jesus Cristo é também chamado de “o poder de Deus”, indicando uma vez mais que o Evangelho é o próprio Cristo oferecido e recebido pelos crentes (1Co 1.24).
17 Porque nele a justiça de Deus é revelada, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá pela fé. Rm 1:17
A expressão “de fé em fé”, como aparece em algumas versões antigas, tem o sentido de “fundamentar-se na fé e apelar para a fé”, na qual é enfatizada o aspecto de que a salvação não vem somente por intermédio da fé como também está à disposição de todos os que crêem. No original grego, os vocábulos “fé” e “crer” possuem a mesma raiz. “Justo” refere-se à qualidade da pessoa justa, que não deve nada à lei. É um termo forense, ligado aos tribunais, e não diretamente relacionado à moral e à ética (2,13; 3:21 -24).
18 Porque a ira de Deus é revelada do céu contra toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.
19 Porque aquilo que de Deus se pode conhecer é manifesto neles, pois Deus o manifestou a eles. Rm 1:19
Paulo começa a expor um dos principais pontos de seu ensino: a culpabilidade humana fundada na sua sistemática e pertinaz rejeição declarada a Deus. Falta amor e fé em Deus e esta postura produz uma espécie de desobediência que não decorre da ignorância, mas de um forte desejo de rebeldia contra o Criador e da vontade de se tornar o próprio deus dos seus atos. Ao expor a doutrina da justiça divina (Rm 1.17; 3.21 – 5.21), Paulo arma sua argumentação teológica que demonstra que todos os seres humanos têm pecados e, portanto, carecem da justiça misericordiosa que somente Deus pode outorgar. Demonstra a culpa e a vocação para o pecado, nos gentios (Rm 1:18 -32) e nos judeus (Rm 2.1 – 3.8). Ou seja, todos nós pecamos e precisamos da purificação outorgada por meio do eterno sacrifício expiatório do Filho de Deus (Rm 3:9 -20).
20 Porque as Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, são claramente vistas, sendo entendidas por meio das coisas que são feitas; o seu eterno poder e divindade, para que eles fiquem inescusáveis; Rm 1:20
Nenhuma pessoa sobre a face da terra, mesmo que ainda não tenha ouvido falar uma só palavra sobre a Bíblia, em relação a Yahweh (o nome de Deus em hebraico) ou quanto a Seu Filho, Jesus Cristo, pode usar como desculpa o fato de não conhecer o essencial de Deus, nosso Criador, e portanto, dever-lhe completa adoração e respeito às suas leis escritas na alma humana. Pois todo o Universo, dos elementos microscópicos às maiores dimensões cósmicas, revelam o poder e a sensibilidade de um Deus único, absoluto e perfeito (Sl 19). A “ira de Deus” não se compara às explosões de raiva demonstradas, muitas vezes, pelos seres humanos em todo mundo. A “ira de Deus” é santa e justa, em repulsa ao menosprezo e rejeição dos seres humanos em relação à natureza e vontade de Deus. Do ponto de vista pragmático, a “ira de Deus” não se limita à condenação dos ímpios no Juízo final (1Ts 1.10; Ap 19.15; 20:11 -15). Deus, observando a decisão humana de se afastar da sua presença e conselhos, entrega os pecadores à sua própria volúpia pecaminosa e à liberdade ansiada. Entretanto, esses se tornam escravos de si mesmos e dos que pensam de igual modo. Deus remove as restrições divinas que protegem a humanidade dos piores sofrimentos decorrentes da libertinagem e das coisas mais horríveis (26,28; Atos 7.42).
21 porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem foram agradecidos, mas se tornaram vãos em suas imaginações, e o seu coração insensato se obscureceu.
22 Professando-se sábios, tornaram-se loucos.
23 E mudaram a glória do Deus incorruptível por uma imagem feita a semelhança do homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.
24 Portanto, Deus também os entregou à sujeira por meio das luxúrias de seus próprios corações, para desonrarem seus próprios corpos entre si;
25 os quais mudaram a verdade de Deus em uma mentira, e adoraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é abençoado para sempre. Amém.
26 Por esta causa Deus os entregou às afeições vis, porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, do que é contrário à natureza.
27 E, semelhantemente também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua luxúria uns para com os outros, homens com homens, praticando o que é indecente, e recebendo em si mesmos a recompensa adequada do seu erro. Rm 1:27
As antigas sociedades gregas e romanas não apenas aceitavam o homossexualismo e a pederastia, mas exaltavam essas práticas como uma expressão de afeição superior ao amor heterossexual. As práticas homossexuais eram comuns também em todo mundo semítico; entretanto, para os judeus sempre foi uma abominação (Lv 18.22). A prática homossexual não é uma doença (podendo originar várias: mentais e físicas). É o resultado do pecado do afastamento de Deus (muitas vezes influenciado – como todos os pecados – pelos ardis do Diabo e seus demônios). E isso, ocorre por vários motivos, entre eles, está o fato de tirarmos Deus do seu trono de comando em nossas vidas e entronizarmos o nosso próprio “Eu” com a mais elevada carga de arrogância, egoísmo, mágoas e vaidades. Assim como o alcoólico, fumante, pornógrafo, drogado, mentiroso, fofoqueiro, desonesto, e tantos outros tipos de viciados, a Igreja deve atrair e tratar com carinho especial toda pessoa desejosa de libertar-se de uma vida mundana, vazia e desregrada. “Tudo é possível ao que crê!” (Mc 9.23; Mt 19.26; Lc 18.27).
28 E, como eles não se importaram em reter Deus em seu conhecimento, Deus os entregou à uma mente reprovada, para fazerem estas coisas que não convêm;
29 estando cheios de toda a injustiça, fornicação, maldade, cobiça, malícia; cheios de inveja, assassinato, contenda, engano, malignidade, murmuradores,
30 caluniadores, aborrecedores de Deus, maliciosos, orgulhosos, fanfarrões, inventores de coisas más, desobedientes aos pais;
31 sem conhecimento, infiéis nos pactos, sem afeição natural, implacáveis, sem piedade;
32 os quais, conhecendo o julgamento de Deus, que os que cometem tais coisas são dignos de morte, não somente as fazem, mas têm prazer naqueles que as fazem. Rm 1:32
O afastamento de Deus produz um tipo de “disposição mental reprovável”, ou seja, um favorecimento ao surgimento de idéias e pensamentos cada vez mais avessos à vontade de Deus e ao bom senso. Um grande pecado sempre tem início com uma singela idéia ou pensamento que, depois de algum tempo de sórdido agasalhamento, da origem a práticas maléficas, ainda que pareçam prazerosas a princípio. Paulo nos adverte para um tipo ainda mais ímpio de pecador: aquele que aplaude o erro e o mal cometido pelo seu semelhante. Hoje em dia, é comum vermos difundidos, especialmente pelos meios de comunicação, elogios de todo tipo a atitudes claramente contrárias à vontade de Deus reveladas nas Sagradas Escrituras.