Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Gal 3
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1 Ó insensatos gálatas, quem vos encantou a fim de que não obedecessem a verdade, quando entre vós, diante de vossos olhos, Jesus Cristo foi evidentemente apresentado e crucificado? Gl 3:1
A expressão grega original, aqui traduzida por “insensatos”, não traz o sentido de qualquer limitação mental, mas a falta de juízo e de bom senso (Lc 24.25; Rm 1.14; 1Tm 6.9; Tt 3.3). O termo grego original, aqui traduzido por “enfeitiçou”, tem o sentido de “magia ou sedução maléfica”. Paulo também usa o verbo “exposto” da mesma forma que fora usado para comunicar a maneira como Moisés “expôs em público” a serpente de bronze (Nm 21.9; 1Co 23; 2.2).
2 Apenas quero saber de vós isto: Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela fé naquilo que ouviram?
3 Sois assim tão tolos? Depois de terdes começado pelo Espírito, quereis agora ser aperfeiçoados pela carne? Gl 3:3
Os gálatas haviam abraçado a fé em Cristo de uma maneira pura e sincera. No entanto, depois de algum tempo, influenciados pelos judaizantes, estavam criando e pregando regras e doutrinas baseadas na Lei, como forma de se alcançar maiores bênçãos de Deus. Paulo os alerta sobre essa tamanha falta de sabedoria, enfatizando que tanto a salvação quanto a santificação são obras do Espírito Santo (ao qual ele se refere 16 vezes em toda essa carta). Paulo usa literalmente a expressão grega “por meio da carne” para significar “a natural e inconseqüente fraqueza humana”. Buscar conquistar a justificação por meio do cumprimento de leis, rituais e boas obras, incluindo a circuncisão judaica, faz parte do caráter de todos os homens, mas é absolutamente inútil em relação à Salvação eterna e à verdadeira comunhão com Deus.
4 Padecestes tantas coisas em vão? Se é que foram em vão!
5 Aquele que vos ministra o Espírito e realiza milagres entre vós, o faz pelas obras da lei, ou pela fé naquilo que ouviram?
6 Assim como Abraão creu em Deus, isso lhe foi creditado por justiça.
7 Sabei, pois, que aqueles que são da fé são chamados filhos de Abraão. Gl 3:7
Deus fez de Abraão o pai biológico e espiritual de toda a raça judaica (Gn 15.6; Jo 8:33 -53; Atos 7.2; Rm 4.12). Paulo enfatiza, entretanto, que todos os crentes sinceros (judeus e não judeus) são chamados de filhos espirituais dele, e também são apresentados no NT como “descendentes” de Abraão (Gl 3.16; Hb 2.16).
8 Prevendo a Escritura que Deus justificaria os povos gentios pela fé, apregoou o evangelho a Abraão, dizendo: Em ti todos os povos serão abençoados. Gl 3:8
Paulo personifica a Bíblia (...a Escritura, prevendo...) com o propósito de ressaltar a origem divina da Palavra de Deus (1Tm 5.18). Os judaizantes se valiam do texto bíblico de Gn 17 para afirmar que as bênçãos divinas foram prometidas somente a Abraão e aos seus filhos (Gn 12.3; 18.18; 22.18). Para ser incluído na linhagem de Abraão, era indispensável ser circuncidado. Paulo nega veementemente essa interpretação racista e obtusa da Palavra de Deus, declarando que o mais importante não é ser “filho na carne”, mas no Espírito, pela fé em Cristo (Rm 4:9 -12; Hb 11:8 -19).
9 De modo que aqueles que são da fé são abençoados com o fiel Abraão.
10 Porque todos quantos são das obras da lei estão sob a maldição, pois está escrito: Maldito é todo aquele que não observa todas as coisas escritas no livro da lei para cumpri-las. Gl 3:10
Paulo se refere a todos os legalistas, pois recusam a Graça de Deus e insistem em tentar obter a justiça ou merecer os favores de Deus por meio da prática metódica de leis, rituais e boas obras. Paulo ensina que não é possível ao ser humano (depois da Queda – Gn 3) guardar a Lei com perfeição, e, portanto, todos aqueles que se acham “bons, justos ou cumpridores das leis”, desprezam a Graça e estão sob a maldição da Lei que, certamente os condenará, pois ninguém é capaz de cumprir todos os mandamentos do Senhor. Além disso, não basta observar a Lei, é preciso não ter qualquer contato com alguém em pecado, sob pena de assumir para si a maldição de outrem e suas penalidades (Hb 2.15). A bênção do Senhor não é concedida por merecimento, mas pela misericórdia de Deus ao coração humilde e desejoso de salvação (Dt 27.26; Tg 2.10). Não há nada que possamos fazer para que Deus nos ame mais, porém, não há nada que façamos que possa diminuir o amor de Deus por nós em Cristo Jesus.
11 Que nenhum homem é justificado pela lei perante Deus, isso é evidente, porque o justo viverá pela fé.
12 E a lei não provém da fé, mas o homem que observar os preceitos da lei deverá viver por eles.
13 Cristo nos redimiu da maldição da lei, fazendo-se por nós maldição, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em um madeiro. Gl 3:13
É Cristo quem nos “redimiu” (no original grego exegorasen – com o sentido de “comprou para pôr em liberdade”) da maldição a que estávamos condenados pela Lei (Rm 8.3). Paulo usa o grego clássico no sentido de comunicar a morte de Cristo na cruz do Calvário, em analogia ao terrível suplício da empalação romana por meio de varas e estacas (Atos 5.30; 10.39; 1Pe 2.24). Portanto, quem viver pela fé pela fé será julgado, quem viver pela Lei, pela Lei já está condenado (Hb 2.4; Lv 18.5; Dt 21.23).
14 Para que a bênção de Abraão pudesse vir sobre os gentios por meio de Jesus Cristo; para que possamos receber a promessa do Espírito através da fé.
15 Irmãos, falo como homem. Embora seja um testamento de homem, se ainda assim for confirmado, nenhum homem pode anulá- lo ou adicionar-lhe coisa alguma.
16 Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua semente. Não diz: Às sementes, como se fossem muitos, mas fala de um só: E à tua semente, isto é, a Cristo. Gl 3:16
Isaque era em si incapaz de transportar as bênçãos de Deus para todos os povos (Gl 3.8). Portanto, Jesus Cristo é a verdadeira “semente” (no singular em Gn 12.7; 22.17,18), em que as promessas têm o seu perfeito cumprimento.
17 E isto digo, que o testamento que foi confirmado diante de Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos mais tarde, não pode anulá-lo, tornando a promessa sem efeito. Gl 3:17
O princípio da fé é anterior à própria Lei e mais importante do que as ordenanças mosaicas. O período em que o povo de Israel viveu como escravo no Egito (sem contar a peregrinação no deserto) é designado em números redondos pela Septuaginta (a tradução do AT em grego – Êx 12.40,41; Gn 15.13; Atos 7.6).
18 Porque se a herança fosse obtida pela lei, não viria mais da promessa, mas Deus a concedeu a Abraão por promessa.
19 Então, para que serve a lei? A lei foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse a semente para quem a promessa fora feita; e foi estabelecida por anjos pelas mãos de um mediador.
20 Ora, um mediador não é um mediador de um apenas, mas Deus é um só. Gl 3:20
O “Descendente” refere-se outra vez a Jesus Cristo. A Lei foi interpolada para que os judeus pudessem perceber claramente e reconhecer suas transgressões e pecados (Rm 3.20). Em contraste com a Promessa, a Lei foi declarada aos homens por meio de anjos (Atos 7.38,53), mas a pessoa de Deus ficou à parte. Em Cristo, entretanto, o próprio Deus vem diretamente até o crente e lhe abençoa com o Seu Espírito Santo (Gl 3.14).
21 É então a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum. Se tivesse existido uma lei que pudesse vivificar, em verdade, a justiça teria vindo pela lei.
22 Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que a promessa mediante a fé em Jesus Cristo fosse dada aos que creem.
23 Porém, antes que viesse a fé, éramos mantidos sob a lei, encerrados para a fé que havia de se revelar posteriormente. Gl 3:23
Estar sob custódia (detenção) da Lei, ou prisioneiro do pecado, em termos práticos resulta na mesma falta de liberdade e condenação, porquanto a Lei revela e estimula o pecado (Gl 4.3; Rm 7.8; Cl 2.20). Paulo se refere à “Escritura” para mostrar seu embasamento teológico acerca de que a Lei é secundária; outorgada para provar o quanto somos pecadores e merecedores da condenação eterna por nossas afrontas a Deus e aos nossos semelhantes, e a fé é prioritária e vital, pois nos concede a vida.
24 De modo que a lei foi a nossa pedagoga, para trazer-nos a Cristo, a fim de que pudéssemos ser justificados pela fé.
25 Mas, depois que veio a fé, já não dependemos de um pedagogo. Gl 3:25
A expressão original grega paidagõgos (da qual se deriva “pedagogo”) refere-se a um tipo especial de escravo, também chamado de “aio”, cuja principal responsabilidade era acompanhar os filhos do seu amo na execução dos seus deveres escolares, bem como na sua formação acadêmica e cultural. Fazia parte de suas funções caminhar e seguir seus pupilos por todos os lugares, sempre zelando por sua educação e segurança (1Co 4.15). A Lei, portanto, pode conduzir o ser humano a Cristo, porém somente Jesus é capaz de tirar o poder do pecado da alma humana e ser seu Advogado (Jo 14:16 -21).
26 Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.
27 Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.
28 Já não há judeu nem grego, não há também escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus.
29 E se sois de Cristo, então sois a descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa. Gl 3:29
Todos os cristãos sinceros são adotados por Deus e se tornam seus filhos, plenamente justificados, adultos e dignos da herança eterna com todos os privilégios (e deveres) decorrentes (Gl 4:1 -7; Rm 8:14 -17). A união com Cristo transcende todas as diferenças raciais, culturais, políticas e sociais (Rm 10.12; 1Co 12.13; Ef 2.15,16). Portanto, os crentes verdadeiros são os descendentes espirituais de Abraão.