Ozzuu Bible
pt_kjfiel - 1Co 9
Config
1 Não sou eu um apóstolo? Eu não sou livre? Não tenho eu visto a Jesus Cristo, nosso Senhor? Não sois vós a minha obra no Senhor? 1Co 9:1
Paulo, a exemplo de Jesus, sempre enfrentou críticas à sua pessoa e ministério. Alguns proclamavam que Paulo não tinha méritos para ser considerado apóstolo (2Co 12.11,12; Gl 1.1 – 2.10). Paulo justifica seu chamado e ministério por meio de duas evidências: Paulo viu a Jesus (Atos 9:1 -9; 22:6 -16; 26:12 -18), da mesma forma que os demais apóstolos (Atos 1.21,22). Acrescenta que o fruto do seu ministério no Senhor era visível nas vidas de muitos (especialmente dos próprios coríntios).
2 Se eu não sou apóstolo para os outros, sem dúvida o sou para vós; pois o selo do meu apostolado sois vós no Senhor.
3 A minha resposta para com os que me examinam é esta:
4 Não temos nós poder para comer e beber?
5 Não temos nós poder para levar conosco uma irmã, uma esposa, bem como os demais apóstolos, e como os irmãos do Senhor, e Cefas? 1Co 9:5
Paulo defende (no original grego apologia – 1Co 9.3) o direito ao suprimento de suas necessidades básicas, inclusive ao casamento, se essa fosse sua vontade (1Co 7.7). A maioria dos discípulos e apóstolos havia se casado. Tinham filhos e viviam em família. Tiago e Judas, irmãos de Jesus Cristo, eram filhos de Maria e José. O apóstolo Pedro também era casado e cuidava de sua família (Mt 8.18).
6 Ou somente eu e Barnabé não temos o poder para deixar de trabalhar?
7 Quem vai a uma guerra a qualquer momento por conta própria? Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Ou quem alimenta o rebanho e não come do leite do rebanho?
8 Digo eu estas coisas segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo?
9 Porque está escrito na lei de Moisés: Tu não amordaçarás a boca ao boi que trilha o milho. Acaso cuida Deus dos bois?
10 Ou é seguramente por nós que ele diz isso? Por nossa causa, sem dúvida, isto está escrito: Aquele que ara deve arar com esperança, e o que trilha na esperança, deve ser participante da sua esperança.
11 Se nós semeamos para vós coisas espirituais, será muito colher de vós as coisas carnais? 1Co 9:11
Paulo se refere à Lei expressa no Pentateuco (Dt 25.4; 1Tm 5.17), considerando que Deus se preocupa com o bem-estar dos animais, quanto mais com Seus servos e obreiros que ministram em Seu Nome e seara. Paulo está propondo que os obreiros cristãos recebam, por parte da Igreja, pleno sustento de suas necessidades materiais (Gl 6.6), a fim de que possam dedicar-se despreocupadamente à ministração da Palavra e ao cuidado do rebanho do Senhor. Os benefícios materiais não se comparam aos profundos e eternos benefícios espirituais (Rm 15.27).
12 Se outros participam deste poder sobre vós, quanto mais nós? Todavia, nós não usamos deste poder; antes, suportamos todas as coisas, para que não impeçamos o evangelho de Cristo.
13 Não sabeis vós que os que ministram as coisas santas vivem das coisas do templo? E que os que esperam no altar são participantes do altar?
14 Assim também ordenou o Senhor aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho. 1Co 9:14
Geralmente, os ministros da Igreja, nos primeiros séculos, recebiam sustento integral. Paulo, entretanto, preferiu sustentar-se por meio do trabalho manual que – como todo judeu de sua época – aprendeu quando adolescente; com o principal objetivo de evidenciar sua integridade e desprendimento em relação à obra do Senhor, evitando que os críticos o acusassem de qualquer interesse financeiro ou material. Os cristãos de Corinto entenderiam bem a ilustração de Paulo ao se referir aos que trabalham no templo, não apenas por conhecerem o AT (Dt 18.1; Lv 7:28 -26; Nm 18:8 -20), mas pelo fato da prática comum nos templos pagãos dos gregos e romanos.
15 Mas nenhuma destas coisas tenho eu usado, nem escrevi estas coisas, para que assim se faça comigo; pois melhor me fora morrer do que algum homem fazer vã esta minha glória.
16 Porque, embora eu anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois essa necessidade é colocada sobre mim; sim, ai de mim, se eu não pregar o evangelho! 1Co 9:16
Por trás de toda pregação sincera e autêntica, há um mandato (chamado) do Senhor, que produz uma irresistível motivação divina no coração do homem (Rm 1.14; Atos 20.26; Ez 33.7; Jr 20.9). Paulo alimentava um “santo orgulho” de não depender das ofertas dos irmãos para sua sobrevivência, ainda que reivindicasse esse tipo de atitude cristã e generosa em benefício de todos aqueles que trabalhavam a serviço do Reino e dos irmãos nas igrejas.
17 Porque, se o faço de boa vontade, eu tenho uma recompensa; mas, se contra a minha vontade, uma incumbência do evangelho me é confiada.
18 Qual é a minha recompensa então? Verdadeiramente, eu pregando o evangelho, eu posso fazer o evangelho de Cristo sem cobrar, para não abusar do meu poder no evangelho.
19 Porque, embora eu seja livre de todos os homens, mas fiz-me servo de todos, para eu poder ganhar mais. 1Co 9:19
Paulo, por sua devoção a Cristo, se tornou um homem livre da Lei (1Co 9.20; Rm 6.14; 10.4); das responsabilidades de um lar, ao optar por uma vida celibatária (1Co 7.6,32); das demandas da sociedade secular (1Co 7.23; Atos 22.25); do domínio das vontades carnais (1Co 9.25) e de qualquer dívida por favores ou ofertas recebidas (Rm 13.8). Paulo não apenas deixou de exercer o direito de receber pagamento material por seu trabalho, mas se privou de várias outras prerrogativas sociais e eclesiásticas em função do seu grande objetivo de evangelizar (ganhar) o mundo.
20 E aos judeus tornei-me como judeu, para que eu pudesse ganhar os judeus; aos que estão sob da lei, como se estivesse sob da lei, para que eu pudesse ganhar os que estão sob a lei;
21 para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para que eu pudesse ganhar os que estão sem lei.
22 Aos fracos tornei-me como fraco, para que eu pudesse ganhar os fracos. Fiz-me todas as coisas para todos os homens, para que eu pudesse por todos os meios salvar alguns.
23 E isso eu faço por causa do evangelho, para que eu possa ser participante dele convosco. 1Co 9:23
Por amor aos judeus, Paulo se ajustava aos mandamentos do AT (Atos 16.3; 18.18; 21:20 -26). Ajustava-se, pelo mesmo motivo, (2Co 5.14) à cultura gentílica (aos que não conheciam a Lei), sempre que essa atitude não violava os princípios ensinados por Cristo; e ajustava- se, ainda, à consciência dos “fracos” que tinham uma série de restrições alimentares e de costumes. Tudo isso pelo prêmio de manter-se fiel ao Senhor, levar a Palavra da salvação a muitos, e ouvir de Jesus: “Muito bem, servo bom e fiel” (Mt 25.21; Lc 19.17).
24 Não sabeis que os que correm em uma corrida, todos correm, mas um recebe o galardão. Assim correi para conquistá-lo.
25 E todo homem que luta pelo domínio é moderado em todas as coisas. Ora, eles o fazem para obter uma coroa corruptível; mas nós uma incorruptível. 1Co 9:25
Na carreira cristã, o importante não é começar bem, mas terminar vitorioso (1Co 10:1 -12; Tm 2.5; 4.7). A expressão: “todo atleta em tudo se domina”, como aparece em algumas versões, é melhor traduzida a partir dos textos gregos mais fidedignos como: “se submetem a um treinamento rigoroso”, pois o original grego comunica claramente a idéia de “esforçar-se ao máximo”. A coroa do cristão – ao cumprir sua jornada – é imperecível, e dura para sempre (2Tm 4.8; Tg 1.12; 1Pe 5.4; Ap 2.10; 3.11; 4.10).
26 Portanto, eu assim corro, não como na incerteza; assim eu luto, não como alguém que bate no ar;
27 senão que trato com severidade meu corpo, e o reduzo à sujeição, para que, por qualquer meio, pregando aos outros, eu mesmo deveria ser um náufrago. 1Co 9:27
Paulo usa aqui uma metáfora extraída das lutas de boxe, a fim de ilustrar a nossa vida cristã cotidiana. Ele não desferia seus golpes contra o ar, sem alvo ou propósito certo, como os muitos pensadores gregos. Mas, ensina que devemos disciplinar nosso corpo como oferta e serviço a Jesus Cristo, nosso Salvador e Senhor (Fp 3.14).