Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Eph 6
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1 Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
2 Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa,
3 para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. Ef 6:3
No AT, quando esse mandamento, a “promessa” tem a ver com a ocupação da “terra”, ou seja, de toda a Palestina (Êx 20.12; Dt 5.16), desde que Israel se arrependesse de seus pecados e se mantivesse fiel a Yahweh (o nome de Deus em hebraico). Paulo, evidentemente, não está se referindo a esse aspecto particular, mas a uma aplicação geral dos resultados da obediência ao mesmo princípio bíblico.
4 E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor. Ef 6:4
Os pais representam o cuidado de Deus para com seus filhos, especialmente quanto aos menores de idade. Quando cristãos, têm a responsabilidade divina de educá-los na Palavra de Deus, zelar por seu progresso moral, ético e social. Os filhos têm a obrigação de obedecer e respeitar a seus pais, como ao Senhor. Os pais devem evitar submeter seus filhos a qualquer tipo de constrangimento, maus tratos ou injustiça.
5 Servos, obedecei àqueles que são os vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo.
6 Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo a vontade de Deus de coração. Ef 6:6
O escravo ou servo, bem como o funcionário, nos dias de hoje, não deve ter a mesma atitude dos incrédulos em relação ao trabalho. Para os crentes, realizar um trabalho é antes de tudo um culto a Deus e não apenas uma mera obrigação humana. Portanto, deve ser executado com todo o amor e honestidade, como uma oferta sacrificada ao Senhor. Os incrédulos é que fazem apenas o mínimo necessário, e mesmo assim, quando estão debaixo dos olhos de seus patrões e supervisores (Cl 3.22). Tanto o AT quanto o NT incluem normas para algumas situações sociais criadas pelo próprio homem, usando de sua plena liberdade e da “dureza do seu coração”, mas não do agrado nem da vontade de Deus. Os reis e governos, a escravidão e o divórcio, por exemplo, jamais foram projetos de Deus para a humanidade. Os princípios bíblicos não estimulam nem defendem essas práticas sociais, mas Deus os determinou para que os crentes pudessem lidar com essas realidades e evitassem males ainda piores (1Sm 8:5 -7; Dt 24:1 -4; Mt 19.8).
7 Servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens.
8 Sabendo que toda a boa coisa que cada um fizer, o mesmo ele receberá do Senhor, seja ele servo, seja livre.
9 E vós, senhores, fazei as mesmas coisas para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu, e que para com ele não há acepção de pessoas. Ef 6:9
Paulo torna a enfatizar a necessidade de o cristão sincero sempre agir em homenagem ao seu Salvador, Jesus Cristo, exercitando a mutualidade e a reciprocidade cristã (Ef 5.21 – 6.4; Tt 2.9).
10 E finalmente, irmãos meus, sede fortes no Senhor e na força do Seu poder. Ef 6:10
Paulo confere à sua carta uma abrangência cósmica. Desde o início, vem chamando a atenção dos leitores para o mundo invisível, e agora retrata a batalha espiritual travada contra o mal “nas regiões celestiais”. A expressão original grega endunamousthe, que significa “sede fortalecidos”, aparece na Septuaginta (a tradução grega do AT), usada por Gideão (Jz 6.34). Paulo afirma que só teremos vitória sobre os nossos inimigos (e Satanás é o maior deles, seguido da nossa própria carne), se nos “fortalecermos” diariamente no Espírito de Deus.
11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.
12 Porque não lutamos contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste mundo, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Ef 6:12
Não estamos em guerra simplesmente contra outras pessoas humanas, mas contra as forças demoníacas organizadas numa hierarquia que domina a humanidade e o sistema mundial: economia, política, religião e cultura de todas as sociedades (Rm 8.19 – 23,38). O príncipe destes poderes é Satanás que detém o controle de todas as camadas sociais na rebelião mundial contra a autoridade do único e verdadeiro Deus (2Co 4.4; Jo 12.3). Somente o supremo poder de Cristo, que venceu todas essas forças na cruz, pode nos dar a vitória plena e eterna (Cl 2.15).
13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Ef 6:13
A figura de linguagem, usada no grego original por Paulo, expressa a idéia da resistência e avanço individual de cada soldado contra um ataque inimigo, não se refere a uma invasão em massa do domínio do mal. Paulo descreve, simbolicamente, a roupa de guerra do próprio Senhor Jesus, o Messias (Is 11.5), e revela que é o caráter, e não a força bruta ou mesmo a inteligência, que vence a maior das batalhas. Nesse sentido, é o caráter do guerreiro sua principal defesa também. O próprio Deus é descrito simbolicamente, vestindo a couraça da justiça ao apresentar-se na fronteira de guerra, revelando o poder da verdade (Is 59.17). O “dia mau” se refere ao dia em que seremos atacados fortemente pelas dúvidas ou pela tentação de negarmos a fé no Senhor. Esses ataques se tornarão ainda piores durante o “tempo da apostasia”, sob o domínio do “homem da iniqüidade” (2Ts 2:3 -5; Mt 24:9 -13; Ap 13:7 -17).
14 Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça,
15 e calçados os vossos pés na preparação do evangelho da paz.
16 Tomando, sobre tudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.
17 E tomai o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. Ef 6:17
Para vencer “A Guerra dos Séculos”, o cristão sincero precisa de uma estratégia defensiva e ofensiva. Primeiramente, assumir uma posição de defesa, armando-se da verdade (Ef 4.15), justiça e santidade (Rm 6.13; Hb 12.14), fé absoluta nas promessas do Senhor, e certeza pessoal da salvação (1Ts 5.8; Hb 6.11). Em seguida, investir contra os inimigos da nossa alma, empunhando a espada do Senhor, que é a Palavra de Deus (Hb 4.12), e com a oração, que abre nossa boca para revelar ao mundo o poder do testemunho e da pregação do Evangelho (vv 19,20).
18 Orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito, e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos,
19 E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer conhecido o mistério do evangelho,
20 pelo qual sou embaixador em cadeias; para que possa falar dele ousadamente, como me convém falar.
21 Ora, para que vós também possais saber das coisas acerca de mim e o que faço, Tíquico, irmão amado e fiel ministro do Senhor, vos fará saber todas as coisas, Ef 6:21
Tíquico era um crente e ministro fiel, amigo e representante de Paulo em vários projetos missionários pelo mundo da época (Cl 4.7; 2Tm 4.12; Tt 3.12).
22 o qual vos enviei para o mesmo propósito, para que conheçais as coisas a nosso respeito, e para que ele console os vossos corações.
23 Paz seja com os irmãos e amor com fé, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo.
24 A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém. Ef 6:24
Paulo termina essa epístola sem as costumeiras saudações individuais, o que denota o caráter de “missiva circular” para todos os cristãos (Ef 6.1). A expressão grega, aqui traduzida por “com amor sincero e incorruptível” tem o sentido original de “amor que não se deteriora com o passar do tempo”. O amor espiritual é eterno, não diminui por nada, nem tampouco murcha ao longo dos anos, mas permanece viçoso, puro e fiel.