Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Rom 6
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1 O que diremos então? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?
2 De alguma forma! Como nós, que estamos mortos para o pecado, viveremos ainda nele? Rm 6:2
Essa é uma pergunta reflexiva, fruto da afirmação que Paulo acabara de fazer em 5.20, a fim de responder a alguns líderes judeus que o estavam acusando de pregar uma doutrina antinômica (contrária à Lei). Eles estavam confundindo a teologia da justificação somente por meio da fé em Cristo, com a pregação de um estilo de vida libertino e moralmente irresponsável. Paulo enfatiza, em seus ensinos, que há dois resultados inequívocos da nossa maravilhosa união com Cristo: 1) A remoção completa de nossas culpas pela morte sacrificial de Jesus Cristo; 2) A eficácia da ressurreição do Senhor, originando uma nova vida de santidade que envolve toda a alma, consciência e corpo físico do cristão sincero, e que dia a dia transforma-lhe o caráter à imagem de Cristo (Imago Dei). Os principais indícios do novo nascimento são justamente a vontade imensa de adorar a Deus, comunhão com os irmãos, fome pela Palavra, disposição para evangelizar o mundo e a busca perseverante por uma vida santa, contudo, sem legalismo ou fanatismo.
3 Não sabeis que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?
4 Portanto, fomos sepultados com ele para morte pelo batismo, para que assim como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida. Rm 6:4
Na época em que o NT estava sendo escrito, o batismo se seguia tão rapidamente ao arrependimento e à conversão, que os dois atos eram considerados parte de um só grande acontecimento: o novo nascimento (Atos 2.38). Portanto, embora a cerimônia do batismo, especialmente em nossos dias, não seja o meio para estabelecermos um relacionamento vital com Cristo por meio da fé, esse símbolo está estreitamente relacionado à disposição de crer. Mediante a fé estamos unidos a Jesus Cristo, assim como, por meio do nosso nascimento natural, ficamos unidos a Adão (o primeiro ser humano). O batismo simboliza nossa morte para o pecado que herdamos do pai da raça humana (Adão), e nossa ressurreição com Cristo para uma vida eterna de adoração e santidade diante de Deus.
5 Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na semelhança da sua ressurreição;
6 sabendo isto, que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado pudesse ser destruído, para que não sirvamos mais ao pecado.
7 Porque aquele que morreu está liberto do pecado.
8 Ora, se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele;
9 Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não tem mais domínio sobre ele.
10 Pois quanto ao morrer, ele morreu uma só vez para o pecado; mas quanto ao viver, vive para Deus.
11 Assim também vós, considerai-vos mortos de fato para o pecado, mas vivos para Deus em Jesus Cristo nosso Senhor.
12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em seus desejos.
13 Nem tampouco apresenteis os vossos membros como instrumentos de iniquidade ao pecado; mas apresentai-vos a Deus, como os que são vivos dentre mortos, e os vossos membros como instrumentos de justiça a Deus. Rm 6:13
Esse é um chamado eloqüente para que o cristão sincero torne-se, na vida diária e em seus relacionamentos, aquilo que ele já é por posição: morto para esse sistema mundial pecaminoso e para o seu pecado que, mesmo agonizante, luta por fazer prevalecer suas vontades na alma do crente (Rm 6:5 -7); e vivo para adorar e servir a Deus (Rm 6:8 -10). Após essa tomada de posição, o próximo passo em direção à vitória do cristão sobre o pecado é a decisiva e perseverante recusa de permitir que o pecado volte a dominar sua vida, decisões éticas e morais (Rm 6.12). Finalmente, o último passo tem a ver com a entrega absoluta da vida (todos os aspectos e recônditos da alma) do crente aos cuidados paternos e poderosos de Deus, que agora habita em seu corpo na pessoa do Espírito Santo (Rm 6.13).
14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Rm 6:14
Paulo compreendia o pecado como uma espécie de poder escravizador, e por isso o personificou. O crente em Cristo não está livre das suas responsabilidades em relação à verdade e à justiça, nem tampouco da autoridade moral dos mandamentos de Deus. O que Paulo está ensinando é que não estamos sujeitos à Lei mosaica da mesma forma que os judeus do AT estavam, e que ela não oferece nenhuma capacitação para vencermos o poder do pecado introduzido na terra desde Adão. A Lei, em termos práticos, é o código penal diante do qual estamos todos condenados. A graça, entretanto, oferece ao cristão sincero plena capacitação (Tt 2.11,12).
15 Pois quê? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De forma alguma!
16 Não sabeis vós que a quem vos apresentardes como servos para obedecer-lhe, servos sois daquele a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? Rm 6:16
Os versículos de 15 a 23 apresentam uma analogia entre a teologia da redenção e o procedimento ético do mercado de escravos, prática muito comum nos tempos do NT. O escravo está sob a obrigação moral de servir o seu mestre (de onde vem a nossa forma de tratamento, em português: sinhá, dona; sinhô, dono) até a morte. Uma vez morto, o dono não tem mais autoridade ou poder algum sobre a alma dele. Desse mesmo modo, acontece com o crente em Cristo. O seu “velho dono”, o pecado, não tem mais direito sobre sua vida ou vontades, uma vez que já morreu com Cristo.
17 Mas graças a Deus que fostes servos do pecado, mas obedecestes de coração à forma de doutrina à qual fostes entregues.
18 E, tendo sido libertados do pecado, tornastes servos da justiça.
19 Eu falo segundo a maneira dos homens, por causa da fraqueza da vossa carne; pois assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, e à iniquidade para iniquidade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação. Rm 6:19
Paulo pede desculpas por usar uma analogia ligada à escravidão, assunto bastante popular em sua época, mas sobre o qual os judeus tinham ojeriza. O povo judeu sempre acreditou na liberdade que Deus outorgou aos homens. No entanto, os judeus foram feitos escravos por muitos povos durante longos períodos da história da humanidade. A comparação de Paulo, porém, é ideal para ilustrar uma grande verdade universal: ou se é escravo (servo) de Deus ou do Diabo. Essa forma de doutrina refere-se a um sumário de ética cristã, baseado nos ensinos de Jesus Cristo, que normalmente era ministrado aos convertidos na igreja primitiva, a fim de discipular os novos crentes nos primeiros passos da vida cristã.
20 Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça.
21 E que frutos tínheis então das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim dessas coisas é a morte.
22 Mas agora, tendo sido libertados do pecado, e tendo-vos tornado servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Rm 6:22
Ser sinceramente devotado a Deus produzirá, inevitavelmente, santidade. E o final desse processo é a vida eterna. Não existe vida eterna sem santidade (Hb 12.14). Todo aquele que já passou pela justificação (o primeiro ato da salvação que é composta de justificação, santificação e glorificação), com toda certeza, demonstrará, por meio de suas atitudes diárias, evidências desse fato. Uma pessoa que não está sendo santificada (purificada pelo Espírito Santo) em seus pensamentos e atitudes deve avaliar se realmente houve, em algum momento, um arrependimento sincero do seu coração na presença do Espírito de Cristo e, portanto, a justificação.
23 Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.