Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Rev 19
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1 E depois destas coisas, eu ouvi uma grande voz de uma numerosa multidão no céu, dizendo: Aleluia! Salvação, e glória, e honra, e poder ao Senhor nosso Deus. Ap 19:1
“Aleluia” é uma expressão hebraica, rara no NT, que significa “Louvai a Yahweh (Jeová)”. Essa convocação ocorre quatro vezes do Ap 19.1 ao 6, a fim de anunciar que a Salvação e o Triunfo pertencem ao Senhor, e que é chegado o Dia das bodas do Cordeiro, e sua noiva (sua Igreja) já está preparada para as núpcias eternas.
2 Porque verdadeiros e justos são os seus juízos; porque ele julgou a grande prostituta, que corrompeu a terra com a sua fornicação, e vingou o sangue dos seus servos que estava na mão dela.
3 E novamente eles disseram: Aleluia! E a sua fumaça subiu para sempre e sempre.
4 E os vinte e quatro anciãos, e os quatro animais, se prostraram e adoraram a Deus, que se assentam sobre o trono, dizendo: Amém! Aleluia!
5 E uma voz saiu do trono, dizendo: Louvai o nosso Deus, todos vós, seus servos, e vós que o temeis, tanto pequenos quanto grandes.
6 E eu ouvi como se fosse a voz de uma grande multidão, e como a voz de muitas águas, e como a voz de poderosos trovões, dizendo: Aleluia; porque o Senhor Deus onipotente reina.
7 Alegremo-nos e regozijemo-nos, e demos honra a ele; porque as bodas do Cordeiro chegou, e sua esposa já se preparou. Ap 19:7
João usa a linguagem figurada de um casamento, conhecida no NT, para comunicar a intimidade de amor e compromisso entre Deus e seu povo. Laços de perene fidelidade e fraternidade que têm raízes nos escritos proféticos do AT (Is 54:5 -7; 62.5; Jr 31.32; Os 2.19), e foram reafirmados por Cristo e pelos apóstolos ao se referirem à Igreja toda, e não apenas a um segmento ou denominação cristã (Mt 22:2 -14; 25.6,7; Ef 5:25 -32; 1Jo 3.2,3; 2Co 7.1).
8 E foi-lhe concedido que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente porque o linho fino é a justiça dos santos.
9 E ele disse-me, escreve: Abençoados são aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus. Ap 19:9
A expressão “os convidados” tem o mesmo significado de “a esposa ou a noiva” e “a cidade santa”. São todas figuras de linguagem que nos ajudam a compreender o profundo amor de Deus por seu povo em toda a terra (Ap 21:2 -10). Felizes (bem- aventurados) são todos aqueles que receberam o convite do Senhor e o aceitaram de coração, pois somente os convidados, que confirmaram sua presença por meio de uma resposta íntima, positiva e sincera ao discipulado de Cristo, estarão presentes ao banquete nupcial do Cordeiro. E o anjo assegura que essas são as “exatas” (literalmente em grego: ajlhqinoi; “verdadeiras”), palavras de Deus e que, portanto, a promessa desta festa maravilhosa se cumprirá com toda certeza, assim como o julgamento e condenação dos incrédulos, ímpios e impenitentes.
10 E caí a seus pés para o adorar; e ele me disse: Atenta para que tu não faças isso; eu sou o teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia. Ap 19:10
O fiel e fraterno testemunho sobre Jesus, capaz de vencer as mais difíceis crises, provações e perseguições é aquele que tem sua fonte na essência (literalmente: “no espírito”) da profecia (Ap 1.17; Atos 10.25).
11 E eu vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele era chamado de Fiel e Verdadeiro; e com justiça julga e guerreia. Ap 19:11
Esse “cavalo branco” é o símbolo do glorioso retorno de Cristo como Guerreiro-Messias-Rei. Seus títulos “Fiel e Verdadeiro” salientam a absoluta segurança com que os crentes devem aguardar, e cooperar para o cumprimento dessas promessas do Senhor (Ap 1.5; 3.14; Mt 24.35 de acordo com Is 9:3 -5; 11.4; Ez 1.1).
12 Seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitas coroas; e ele tem um nome escrito, que nenhum homem conhecia, senão ele mesmo. Ap 19:12
O valor e a importância do Nome, como indicativo de família e caráter herdados de Deus, se manterá no Reino. Esse nome, no entanto, será conservado em segredo até a batalha final (Ap 2.17), quando Cristo despojará toda força que se opõem a Deus e exercerá seu poder sobre todas as coroas (reinos, diademas) do mundo (Ap 19.16; Dn 10.6; Fp 2.9).
13 E ele estava vestido com veste banhada em sangue; e o seu nome é chamado de: A Palavra de Deus. Ap 19:13
Somente o apóstolo João empregou o termo grego logos (palavra), para descrever a pessoa do Filho de Deus como sendo seu próprio “fôlego espiritual” (hálito). Jesus é a expressão exata da vontade divina ao salvar, santificar, julgar, destruir a iniqüidade e criar o novo e eterno mundo (a Nova Jerusalém) para a nova humanidade. As marcas de sangue em seu manto são provenientes do seu próprio corpo (para a salvação) e dos inimigos de Deus (para a condenação final – 14:14 -20; Is 63:1 -3).
14 E os exércitos que estavam no céu seguiam- no sobre cavalos brancos, vestidos de linho fino, branco e limpo. Ap 19:14
Um poderoso exército composto de seres angelicais (Dt 33.2; Sl 68.17) e humanos salvos de todas as épocas (Ap 17.14), que executarão a justa e definitiva sentença de Deus contra o império de Satanás (Ap 19.19; Mt 25.31).
15 E de sua boca sai uma espada afiada, para que com ela castigue as nações; e ele as governará com cetro de ferro; e ele pisa o lagar do vinho da fúria e da ira do Deus Todo- Poderoso. Ap 19:15
Cristo não precisará de nada além da sua própria Palavra (Hb 4.12,13), para executar o julgamento e execução dos incrédulos e pecadores manipulados pelo anticristo e suas entidades (bestas). Logo depois de haver aniquilado o Mal, instalará seu Reino de paz e justiça plenas, e regerá o mundo com eqüidade, literalmente: “cajado de ferro” (Sl 2.9; Is 11.4; 63.3; Jl 3.13; Ap 14.20).
16 E ele tem sobre a sua veste e sobre a sua coxa um nome escrito: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.
17 E eu vi um anjo que estava de pé no sol, e ele gritou com alta voz, dizendo a todas as aves que voam pelo meio do céu: Vinde, e ajuntai- vos à ceia do grande Deus; Ap 19:17
Aqui temos a cena terrível e dramática do banquete que farão os abutres e aves carniceiras com os corpos dos incrédulos, ímpios e impenitentes sobre a face da terra, em contraste com a exultante ceia dos crentes nas bodas do Cordeiro (Ap 19.9). O Armagedom, a última guerra entre os exércitos de Satanás e o poder de Jesus Cristo, o Messias e seus fiéis, deixarão sobre a terra os corpos de todos aqueles que se consideravam poderosos, ricos, cultos e indestrutíveis em suas perversidades (Ap 16.16), de maneira que não restará sequer quem os sepulte (Mt 24.28 de acordo com Ez 39:17 -20).
18 para que possais comer a carne de reis, e a carne de capitães, e a carne de homens poderosos, e a carne de cavalos e dos que neles se assentam; e a carne de todos os homens, tanto livres quanto escravos, tanto pequenos quanto grandes.
19 E eu vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para guerrearem contra aquele que está assentado sobre o cavalo, e contra o seu exército. Ap 19:19
A narrativa do Apocalipse é como uma pintura complexa e delicada à qual o artista volta sucessivas vezes para incorporar um detalhe ou retocar algum aspecto importante do quadro geral. Assim, a Besta, cujo exército está descrito em 16:13 -14, comanda uma união de dez nações (ou reis) contra a Babilônia (Ap 17:16 -18), com o objetivo de igualmente atacar o Cordeiro (Ap 17.4). O Maligno não tem paz, e, em seu egoísmo perverso e ensandecido, busca a ruína de bons e maus sem distinção.
20 E a besta foi tomada e com ele o falso profeta que operava milagres diante dele com os quais enganava os que receberam a marca da besta, e os que adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo, queimando com enxofre. Ap 19:20
O castigo por meio do fogo, que arde sem parar sob uma densa atmosfera de enxofre, sempre fez parte dos ensinos judaicos primitivos sobre o juízo final e eterno. Apesar da expressão grega “geena” (inferno) não ter sido usada aqui, não há dúvida de que João se refere a esse lugar de punição, desolação e dor (Mt 5.22, de acordo com 2Rs 16.3; 23.10; Jr 7.31). Entretanto, o “inferno” não é o mesmo local designado de “Abismo” (Ap 9:1 -3; 20:1 -3), mas uma espécie de jazigo final de Satanás e de todos os seus asseclas e simpatizantes (passivos ou ativos). Ou seja, todos quantos não fizeram uma declaração pessoal e sincera de aceitação incondicional do ato expiatório e salvífico de Cristo. Tanto a doutrina do “inferno”, quanto a do “céu”, tão solidamente apresentadas neste livro, são expostas de forma simbólica por meio de vívidas e dramáticas metáforas (capítulos: 4, 5, 21 e 22).
21 E os remanescentes foram mortos com a espada daquele que está assentado sobre o cavalo, espada que saía da sua boca; e todas as aves se fartaram com a carne deles.