Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Luk 3
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1 Ora, no décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, e Herodes sendo o tetrarca da Galileia, e seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da região de Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene, Lc 3:1
Tibério passou a ter autoridade sobre as províncias romanas por volta de 11 d.C, e Pilatos exerceu a suprema autoridade de Roma na Judéia, entre os anos de 26 e 36 d.C, enquanto Herodes Antipas (filho de Herodes, o Grande) a exerceu na Galiléia e Peréia, de 4 a.C. até 39 d.C. O “décimo quinto ano”, citado por Lucas, refere-se ao ano 25 ou 26 d.C.
2 sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio a palavra de Deus até João, filho de Zacarias, no deserto. Lc 3:2
Embora Roma tivesse substituído o sumo sacerdote Anás, sucedido por seu filho Eleazar no ano 15 d.C., os judeus continuavam a reconhecer sua autoridade (Jo 18.13; Atos 4.6), e por isso Lucas incluiu o nome dele junto com Caifás, a quem os romanos tinham nomeado. Depois de 400 anos sem um profeta oficial, o Senhor convoca (chama) João para ser Sua voz e anunciar a vinda do Messias. João foi o último dos profetas da Antiga Aliança, por isso seu estilo característico, um tanto diferente dos profetas do NT. O chamado de Deus veio a João da mesma maneira como vinha aos profetas do AT (Jr 1.2; Ez 1.3; Os 1.1; Jl 1.1). A palavra “deserto” nos originais, nem sempre se refere a uma região seca e arenosa, mas principalmente a um lugar desolado e desabitado.
3 E ele percorreu toda a região ao redor do Jordão, pregando o batismo do arrependimento para remissão dos pecados; Lc 3:3
João foi chamado por Deus para pregar arrependimento ao povo. Somente um coração contrito e quebrantado é caminho pavimentado para a vinda de Jesus e a habitação do Espírito Santo. O batismo de João era um ato simbólico, no qual as pessoas demonstravam publicamente sua compreensão e tristeza pelos erros e pecados cometidos, e a sincera disposição de buscar uma vida em plena harmonia com a vontade de Deus. A morte do homem interior é a única maneira de revelar o caráter de Deus: a Imago Dei (Imagem de Deus). Quanto mais parecidos com Deus, mais verdadeiramente humanos nos tornamos. A remissão total dos pecados viria na Salvação de Deus: Jesus Cristo (Lc 3.6), que seria oferecida a todas as pessoas da terra e, por fim, virá a eterna condenação dos rebeldes (Lc 3.7). Somente Jesus Cristo tem o poder de perdoar todos os nossos pecados e cancelar (pagando por nós), a pena de condenação já decretada contra nós (Rm 8.1).
4 conforme está escrito no livro das palavras do profeta Isaías, dizendo: A voz de um clamando no deserto: Preparai o caminho do Senhor, faça seus caminhos retos.
5 Todo vale se encherá, e todo monte e colina será reduzida; o que é torto será feito reto, e os caminhos acidentados serão aplanados;
6 e toda carne verá a salvação de Deus.
7 Então, ele dizia às multidões que vinham para ser batizados por ele: Ó geração de víboras, quem vos advertiu para fugir da ira vindoura? Lc 3:7
Deus mandou que João quebrasse a arrogância daqueles que imaginavam a salvação apenas como uma promessa hereditária e mais nada. João lhes fala da única maneira capaz de os fazer acordar para a realidade. Advertindo-os severamente para o fato de que estavam sendo enganados pela “mãe das víboras”: o Diabo. Eram, portanto, uma geração de serpentes venenosas (Jo 8.44). Os verdadeiros filhos de Abraão são aqueles que amam a Deus e aos seus semelhantes (Rm 8.44). A ira de Deus manifestou-se no ano 70 d.C. quando toda Jerusalém foi destruída (Lc 21:20 -23); e o será de maneira global, por ocasião do Juízo final (Jo 3.36). Os arrogantes, os ímpios e todos aqueles que vivem longe de um arrependimento genuíno, e de uma vida cristã sincera, estão diariamente sujeitos ao Juízo de Deus (Lc 3.9; Mt 7.19; 13:40 -42).
8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer dentro de vós mesmos: Nós temos a Abraão por nosso pai; porque eu vos digo que, destas pedras, Deus pode levantar filhos a Abraão. Lc 3:8
Os frutos que surgem em função de um verdadeiro arrependimento diante de Deus são: O reconhecimento da responsabilidade pessoal e social. A disposição para evitar o mal. A prática espontânea de boas obras. A partilha amorosa e voluntária dos bens pessoais com aqueles que mais necessitam. Um caráter honesto e justo em todos os relacionamentos e assuntos. Uma atitude paciente em todas as situações. A prática da verdade. Um espírito alegre e otimista mesmo em meio às grandes dificuldades da vida, compreendendo que a esperança não vem das pessoas, nem das coisas, mas de Deus, nosso Pai (1Tm 6.6). João usa um trocadilho em hebraico, facilmente compreendido naquela época por seus conterrâneos. A palavra aramaica transliterada: “filhos” banim, muito se assemelha à palavra “pedras” abanim, significando que Deus pode dar aos que carecem de dignidade humana, a mais alta posição com Seu Filho.
9 E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, portanto, que não produz bom fruto é cortada, e lançada no fogo.
10 E o povo perguntava-lhe, dizendo: Então, o que nós faremos?
11 Ele respondendo, disse-lhes: Aquele que tiver duas túnicas, reparta com o que não tem; e aquele que tem alimentos, faça o mesmo.
12 Então, vieram também os publicanos para serem batizados e disseram-lhe: Mestre, o que nós faremos?
13 E ele disse-lhes: Não cobreis além daquilo que vos foi designado. Lc 3:13
Os publicanos eram agentes judeus contratados pelo império romano para receberem os impostos cobrados pelo governo. Eram detestados pelo povo judeu por várias razões, entre as quais por colaborarem com o conquistador romano pagão e, por muitas vezes fraudarem e oprimirem seus próprios irmãos (Lc 19.2,8). Entretanto, os publicanos que se arrependiam, passavam a ter um comportamento honesto e justo.
14 E também os soldados perguntaram- lhe, dizendo: E nós, o que faremos? E ele lhes disse: Não pratiqueis violência a nenhum homem, nem acuseis ninguém falsamente, e contentai-vos com o vosso salário. Lc 3:14
Os publicanos contavam com a cooperação de uma escolta romana para realizar o trabalho de coletar impostos. Era comum os publicanos se juntarem aos soldados e armarem situações para defraudarem os judeus que deviam impostos ao governo. A orientação clara de João é que, uma vez arrependido e comprometido com o Reino, o comportamento deve ser digno e ético. Uma autoridade que teme a Deus jamais deveria usar seu cargo ou posição para intimidar com o propósito de extorquir, ou acusar (denunciar) com objetivos escusos.
15 E, enquanto o povo estava em expectativa, e todos os homens meditavam em seus corações sobre João, se ele era o Cristo ou não,
16 João respondeu, dizendo a todos: Em verdade, eu vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar as correias de seus calçados; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo; Lc 3:16
João tinha o ministério do arauto. Na cultura oriental da época, um proclamador adiantava-se à caravana do monarca com o objetivo de anunciar a chegada de tão importante personalidade, a fim de que o povo se preparasse adequadamente para recebê-lo. Normalmente as pessoas se vestiam com roupas de gala, arrumavam suas casas e decoravam a cidade de forma festiva. Em termos espirituais, o arrependimento era a grande preparação para a vinda do Messias (o Cristo) e a inauguração de um novo tempo, no qual Jesus concederia o Seu Espírito aos que nele cressem (Jo 3.3,5), o que veio a ocorrer a partir do Pentecostes (Atos 1.5; 2.4,38). A expressão “fogo”, nos originais, está ligada ao Juízo (Lc 3.17; 12:49 -53), ao Pentecostes (Atos 2.3) e às provações (1Co 3.13).
17 cuja a pá está em sua mão, e ele limpará cuidadosamente a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro; mas ele queimará a palha no fogo inextinguível. Lc 3:17
A palha representa os infiéis e impenitentes (Rt 1.22), e o trigo, os justos e fiéis. Deus, em relação às pessoas, sempre faz separação entre os que humildemente desejam Sua Graça e os arrogantes e rebeldes, que preferem uma vida de pecado, e, conseqüentemente, seu salário. O vocábulo grego transliterado: “asbestõ”, significa uma qualidade do fogo que, devido à sua fúria e poder de combustão, não pode ser apagado. Muitos judeus imaginavam que na vinda do Messias somente os pagãos seriam julgados e condenados ao fogo eterno. Entretanto, João deixa bem claro que o Juízo vem para todos quantos não se arrependem, inclusive os judeus de nascimento.
18 E muitas outras coisas em sua exortação ele pregava ao povo.
19 Mas Herodes, o tetrarca, sendo repreendido por ele, por causa de Herodias, esposa de seu irmão Filipe, e por todas as maldades que Herodes havia feito,
20 acrescentou a todas elas ainda esta, a de prender João na prisão. Lc 3:20
Esse foi Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, que mandou matar todas as crianças judias de Belém. Conforme os escritos de Josefo, historiador judeu, João foi encarcerado em Maquero, a leste do mar Morto (Jo 3:22 -24). Lucas antecipa a narração deste fato para encerrar a seção sobre o ministério de João e iniciar sua descrição do ministério de Jesus (Mt 4.12; Mc 1.14), mais tarde faz breve menção à morte de João (Lc 9:7 -9).
21 Ora, quando todo o povo fora batizado, aconteceu que, Jesus também foi batizado, e orando, o céu foi aberto, Lc 3:21
Lucas chama atenção para o fato de que Jesus estava em oração por ocasião do seu batismo, assim como o faz em muitos momentos (Lc 5.16; 6.12; 9:18 -29; 11.1; 22.32,41; 23.34,46), oferecendo aos seus discípulos um grande exemplo e demonstrando sua total humanidade e dependência do Pai (Hb 4.15; 5.7). O Espírito assumiu uma forma corpórea (uma espécie de pombo), para que os presentes pudessem reconhecer a Jesus como o Messias (Is 11.2,3; 42.1; Sl 2.7; Hb 1.5) e para sinalizar o início de um tempo em que seus discípulos poderiam viver plenos do Espírito do Pai (Lc 4.1,14). Este evento demonstra que a Trindade está presente no batismo e na vida do cristão sincero (Mt 28.19).
22 e o Espírito Santo desceu como uma pomba, em forma corpórea sobre ele, e uma voz veio do céu, dizendo: Tu és o meu Filho amado, em ti eu me satisfaço.
23 E Jesus, ele mesmo, iniciou em seus quase trinta anos de idade, sendo (como se supunha) filho de José, que era filho de Eli, Lc 3:23
Lucas segue a linhagem de Maria, mãe natural de Jesus, e seu parentesco consangüíneo; enquanto Mateus destaca a ascendência de José (o pai jurídico de Jesus). Tanto José, quanto Maria, pertenciam à Casa de Davi. Mateus preocupa-se em demonstrar o parentesco de Jesus com Abraão, enquanto Lucas ressalta a importância de Maria na genealogia de Jesus e sua solidariedade com toda a humanidade em Adão. Não era nada comum descrever uma árvore genealógica pelo lado materno. Todavia, Lucas se propusera a fazer uma narrativa o mais lógica e ordenada possível dos acontecimentos. Como já havia sido muito franco e direto ao explicar a geração virginal de Jesus (Lc 1.34,35), fato ainda mais inusitado, não podia omitir a maneira como a paternidade de Jesus ocorrera: de um lado, José, “como se dizia” ou “como se imaginava” (Lc 3.23; 4.22), ou seja, o pai juridicamente responsável por Jesus; e o Espírito de Deus que o gerou. Aos trinta anos de idade Jesus inicia seu ministério, assim como era costume entre os levitas (Nm 4.47), quando um servo judeu era considerado maduro para os variados serviços religiosos. Jesus cumpriu toda a Lei, e foi além.
24 que era filho de Matate, que era filho de Levi, que era filho de Melqui, que era filho de Janai, que era filho de José,
25 que era filho de Matatias, que era filho de Amós, que era filho de Naum, que era filho de Esli, que era filho de Nagai,
26 que era filho de Maate, que era filho de Matatias, que era filho de Semei, que era filho de José, que era filho de Judá,
27 que era filho de Joanã, que era filho de Resá, que era filho de Zorobabel, que era filho de Salatiel, que era filho de Neri,
28 que era filho de Melqui, que era filho de Adi, que era filho de Cosã, que era filho de Elmadã, que era filho de Er,
29 que era filho de Josué, que era filho de Eliézer, que era filho de Jorim, que era filho de Matate, que era filho de Levi,
30 que era filho de Simeão, que era filho de Judá, que era filho de José, que era filho de Jonã, que era filho de Eliaquim,
31 que era filho de Meleá, que era filho de Mená, que era filho de Matatá, que era filho de Natã, que era filho de Davi,
32 que era filho de Jessé, que era filho de Obede, que era filho de Boaz, que era filho de Salmon, que era filho de Naassom,
33 que era filho de Aminadabe, que era filho de Arão, que era filho de Esrom, que era filho de Perez, que era filho de Judá,
34 que era filho de Jacó, que era filho de Isaque, que era filho de Abraão, que era filho de Terá, que era filho de Nacor,
35 que era filho de Serugue, que era filho de Ragaú, que era filho de Faleque, que era filho de Eber, que era filho de Salá,
36 que era filho de Cainã, que era filho de Arfaxade, que era filho de Sem, que era filho de Noé, que era filho de Lameque,
37 que era filho de Metusalém, que era filho de Enoque, que era filho de Jarede, que era filho de Maalalel, que era filho de Cainã,
38 que era filho de Enos, que era filho de Sete, que era filho de Adão, que era filho de Deus.