Ozzuu Bible
pt_kjfiel - 2Co 12
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1 Não é conveniente para mim, sem dúvida, gloriar-me. Eu passarei às visões e revelações do Senhor.
2 Eu conheci um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo, eu não posso dizer, ou se fora do corpo, eu não posso dizer; Deus o sabe) o tal foi arrebatado ao terceiro céu.
3 E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, eu não posso dizer; Deus o sabe), 2Co 12:3
Paulo usa de um recurso lingüístico, em seu texto original grego, para narrar sua extraordinária experiência pessoal de arrebatamento (extática ou êxtase), preservando, quanto possível, a humildade e a confidência diante do privilégio de vivenciar tal fenômeno, no qual viu e ouviu manifestações inefáveis do Senhor. A maneira de Paulo se colocar (um homem em Cristo) indica que ele não se considerava merecedor de tamanha graça, nem ao menos compreendia se tal evento se deu como uma visão magnífica e extasiante ou se seu corpo físico foi trasladado para um plano celestial, contudo recebeu o fato de boa vontade como prova do seu chamado apostólico. Paulo não induziu ou conquistou sua experiência especial com Cristo, por isso não se sentia no direito de dar ocasião a qualquer autoglorificação (2Co 12.5,6). Esse evento extraordinário aconteceu há catorze anos passados, o que indica que Paulo estava em Tarso, logo antes da sua primeira viagem missionária (Atos 9.30; 11.25).
4 foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras indescritíveis, que ao homem não é lícito proferir.
5 Do tal me gloriarei; mas de mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas. 2Co 12:5
Paulo tem certeza de sua experiência arrebatadora, diferentemente dos falsos apóstolos que apenas teorizavam sobre visões e revelações divinas. Ainda que os rabinos israelenses acreditassem em sete céus, Paulo aqui se refere ao “terceiro céu” como um lugar chamado “paraíso”, o céu mais elevado, situado muito além do céu imediato formado pela atmosfera terrestre, e fora do espaço exterior com todos os seus astros e galáxias, chegando onde Deus tem seu trono (Dt 10.14). Por isso, declara-se que Jesus Cristo ressurreto e glorificado passou pelos céus e, agora, tendo sido elevado além de todos os céus, está exaltado acima do “terceiro céu”, onde as almas dos crentes que já deixaram seus corpos materiais descansam na presença do Senhor (Hb 4.14; 7.26; Fp 1:20 -23). A grandeza e as maravilhas presenciadas por Paulo ampliaram extraordinariamente sua fé e poder espiritual; entretanto, para que se mantivesse consciente de sua humanidade limitada e se preservasse humilde, uma aflição permanente e dolorosa lhe foi imposta (2Co 12.7). Sua glória deveria estar sempre e somente no Deus de toda a graça (1Pe 5.10).
6 Porque, embora desejasse gloriar-me, eu não serei um tolo, porque direi a verdade; mas agora disto me abstenho, para que nenhum homem pense de mim acima do que vê em mim, ou que ouve de mim.
7 E, para que eu não me exaltasse acima da medida, pela abundância das revelações, foi-me dado um espinho na carne, o mensageiro de Satanás para me esbofetear, para que eu não me exaltasse acima da medida. 2Co 12:7
Muitas são as conjeturas e especulações acerca da natureza desse “espinho na carne”, que afligia permanentemente a pessoa do apóstolo e o fazia se sentir fraco e humilhado. Paulo, no entanto, jamais foi claro sobre isso nas Escrituras, nem seus discípulos e amigos. Para Lutero, se tratava das constantes perseguições; especialmente por parte dos judeus, seus próprios irmãos, aos quais Paulo dedicava tanto amor (Rm 9.3). De fato, nos textos hebraicos do AT, o termo “espinhos” pode significar também “inimigos” (Nm 33.55; Js 23.13). Por outro lado, esse fora o “espinho na carne” do próprio Lutero em sua luta pela Reforma. Paulo teve muitos sofrimentos físicos, padeceu de malária (Gl 4.13), de uma doença que muito lhe prejudicara a visão (Gl 4.15) e de fortes enxaquecas. Isso, sem falar, de todas as lutas espirituais e psicológicas que um servo de Deus da estatura de Paulo certamente enfrentou.
8 Por essa coisa, eu supliquei ao Senhor três vezes, para que ela se afastasse de mim.
9 E ele disse-me: A minha graça é suficiente para ti, porque a minha força se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse sobre mim. 2Co 12:9
Assim como Jesus no Getsêmani, Paulo insistiu com Deus para que o livrasse daquele tormento. Entretanto, o Senhor preferiu cobrir o sofrimento do apóstolo com Graça e Poder. É assim, que muitas vezes, Deus nos abençoa nessa terra: não destruindo ou retirando o mal que nos aflige e enfraquece, mas transformando nosso sofrimento em motivo de fé, crescimento espiritual e testemunho da sua graça e amor eterno. Paulo havia aprendido a desfrutar da Graça do Senhor mesmo em meio aos sofrimentos, fraquezas e lutas dessa vida. Por isso, usou expressões que tinham a ver com a glória de Deus (em hebraico Shekinah) pousando sobre o templo (Jo 1.14; Ap 7.15). O termo “repouse” (em grego episkenose) tem o sentido de “fazer seu tabernáculo”.
10 Portanto, eu tenho prazer nas fraquezas, nas censuras, nas necessidades, nas perseguições, nas aflições por causa de Cristo. Porque quando eu estou fraco então eu sou forte. 2Co 12:10
Paulo aprendeu a fazer as pazes com o sofrimento. Aceitou sua condição e se apropriou da glória e do poder espiritual que Deus lhe oferecia. Substituiu sua fraqueza humana pelo poder de Cristo, a arrogância natural pela humildade que deriva de uma fé inabalável no amor e na graça de Deus. Paulo chegou ao estágio de sentir-se feliz nas experiências angustiantes - sem ser masoquista - por meio da certeza (fé) de que todas as coisas contribuíam – de alguma forma – para seu bem e o tornavam ainda mais forte no Senhor (Rm 8.28; Jo 15.5; Fp 4.13).
11 Tornei-me tolo em gloriar-me; vós me compelistes. Porque eu devia ter sido recomendado por vós, visto que em nada fui inferior aos muitos principais apóstolos, embora eu nada seja.
12 Verdadeiramente, os sinais de um apóstolo foram manifestos entre vós com toda a paciência, por sinais, maravilhas e poderosos feitos.
13 Pois, em que vós fostes inferiores às outras igrejas, a não ser que eu mesmo vos não fui um fardo? Perdoai-me este erro.
14 Eis aqui, pela terceira vez, eu estou pronto a ir ter convosco, e não vos serei um fardo; porque não busco o que é vosso, mas a vós; porque os filhos não devem guardar para os pais, mas os pais para os filhos.
15 E eu muito alegremente gastarei, e me deixarei gastar por vós, se mais abundantemente vos amo, serei menos amado.
16 Mas seja assim; eu não vos fui um fardo, mas, sendo astuto, vos tomei com astúcia. 2Co 12:16
Os “superapóstolos”, assim chamados irônica e literalmente por Paulo, caluniavam o apóstolo do Senhor, alegando que ele usava as arrecadações em favor dos cristãos pobres de Jerusalém em seu benefício pessoal e, por isso, não precisava ser “pesado” às igrejas onde ministrava. Na verdade, entretanto, esses falsos cristãos é que fraudavam tanto a teologia bíblica quanto a prática moral (2Co 11:13 -15).
17 Porventura, aproveitei-me de vós por algum daqueles que vos enviei?
18 Desejei a Tito e com ele enviei um irmão. Porventura, Tito se aproveitou de vós? Não andamos no mesmo espírito, não andamos nos mesmos passos?
19 Novamente, pensais vós que nos desculpamos convosco? Nós falamos em Cristo perante Deus, mas fazemos todas as coisas, ó amados, para vossa edificação. 2Co 12:19
Paulo se submeteu à loucura de ter que apresentar suas credenciais apostólicas e defender sua própria pessoa e ministério, não para manter seu prestígio elevado e reputação ilibada perante os cristãos de Corinto, mas especialmente por causa do nome do Senhor. É diante de Deus que ele se levanta, pois sua posição está na pessoa e na obra de Cristo. Longe de ser egocêntrico, sua preocupação está em cooperar com o crescimento espiritual dos irmãos em Cristo. Essa é a principal finalidade de sua vida e ministério (2Co 10.8).
20 Porque temo que, quando chegar, não vos acharei como eu quereria, e que não serei encontrado por vós como quereríeis; que de alguma maneira haja debates, invejas, iras, contendas, maledicências, murmúrios, inchações, tumultos;
21 e que, quando eu for novamente, o meu Deus me humilhe entre vós, e que eu lamente por muitos que pecaram anteriormente, e não se arrependeram da imundícia, e fornicação, e lascívia que cometeram.