Ozzuu Bible
pt_kjfiel - 2Co 1
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1 Paulo, um apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e Timóteo nosso irmão, à igreja de Deus, que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia:
2 Graça seja convosco, e a paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 2Co 1:2
Paulo reivindica sua plena autoridade apostólica (Mc 6.30; 1Co 1.1; Hb 3.1) em resposta às acusações de seus adversários (2Co 11.13). A Igreja de Deus é a comunidade dos crentes em Cristo, representantes locais da imensa Igreja universal (1Co 1.2). A palavra secular e original grega Ekklesia (Assembléia) é qualificada pela frase “de Deus”, como “Israel de Deus” em Gl 6.16. Os “santos” é uma outra expressão que se refere ao povo de Deus e significa “aqueles que foram separados para adorar e servir ao Senhor” (Rm 1.7). O nome Acaia diz respeito à Grécia, em oposição à Macedônia, situada ao norte. Embora Paulo tenha escrito em resposta aos coríntios, seu conteúdo e princípios teológicos beneficiaram muitas outras igrejas (até nossos dias) por meio das cópias que circularam por toda a Grécia.
3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, e o Deus de toda consolação; 2Co 1:3
Deus não é uma entidade invisível e desconhecida. Ele é o Pai e Deus de Jesus Cristo, o Messias, nosso Senhor. A expressão idiomática “Pai das misericórdias” significa que o Senhor é “fonte de toda a graça e perdão”. Deus “da consolação” quer dizer “Deus Paraclesis”, ou seja, “Deus Presente, Amigo, Encorajador”.
4 que nos conforta em toda a nossa tribulação, para que também possamos confortar os que estiverem em alguma tribulação, por meio do consolo com o qual nós mesmos somos confortados por Deus.
5 Porque como os sofrimentos de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação é abundante por meio de Cristo.
6 E se somos afligidos, é para vossa consolação e salvação; que é eficaz na perseverança dos mesmos sofrimentos que nós também sofremos; ou se somos confortados, é para vossa consolação e salvação.
7 E a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que assim como sois participantes dos sofrimentos, assim também o sereis da consolação.
8 Porque nós não queremos, irmãos, que ignoreis a dificuldade que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos pressionados excessivamente, acima das nossas forças, de tal modo que nos desesperamos até da vida;
9 mas tínhamos a sentença de morte em nós mesmos, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus que ressuscita os mortos;
10 o qual nos livrou de tão grande morte e livra; em quem confiamos que ainda nos livrará.
11 Juntos também ajudando com orações por nós, para que pelo dom a nós concedido, por meio de muitas pessoas, graças sejam dadas por muitos a nosso respeito.
12 Porque o nosso regozijo é este: o testemunho da nossa consciência, de que, com simplicidade e sinceridade piedosa, não com sabedoria carnal, mas pela graça de Deus, tivemos nossa conversação no mundo, e mais abundantemente convosco. 2Co 1:12
Para defender sua lealdade diante dos ataques mentirosos de seus inimigos, Paulo usa a expressão grega eilikrineia (sinceridade) que se refere ao processo de sacudir cereais numa peneira a fim de separá-los das cascas e de toda a sujeira. Por isso, Paulo se sente em paz diante do exame perscrutador de Deus e de qualquer investigação apurada dos irmãos (Sl 139.23). Afinal, o apóstolo não era um estranho, pois havia previamente convivido dezoito meses com a igreja quando chegara pela primeira vez em Corinto (Atos 18.11) e, portanto, seu caráter e dedicação ao serviço do Senhor tornaram-se evidentes diante de todos.
13 Porque não vos escrevemos nenhumas outras coisas, senão as que ledes ou reconheceis; e eu confio que vós as reconhecereis até o fim;
14 como também nos reconhecestes em parte, que somos o vosso regozijo, assim como também vós sois o nosso no dia do Senhor Jesus. 2Co 1:14
Alguns irmãos na igreja em Corinto haviam se deixado enganar pelas calúnias dos “falsos apóstolos” que estavam infiltrados entre os crentes. Paulo aponta para a volta gloriosa de Cristo como o “Dia do Senhor” (1Ts 2.19,20).
15 E nesta confiança propus anteriormente ir até vós, para que tivésseis um segundo benefício;
16 e de passar por vós até a Macedônia, e novamente retornar da Macedônia e ir a vós, e ser conduzido por vós no meu caminho em direção a Judeia.
17 Quando eu, portanto, deliberei isto, usei de leviandade? Ou o que proponho, o delibero segundo a carne, para que em mim haja sim, sim, e não, não?
18 Mas como Deus é verdadeiro, a nossa palavra para convosco não foi sim e não. 2Co 1:18
Os inimigos de Paulo tinham procurado persuadir os cristãos em Corinto de que, como mudara seus planos, sua palavra não era digna de crédito, pois ele seria uma pessoa instável e irresponsável. Paulo reafirma seu compromisso de amor para com Deus e seu ministério, e faz referência à mensagem do Evangelho que pregara aos coríntios: uma vez crendo no Evangelho, descobriram que era de todo verdadeira e isenta de ambigüidades, e por meio da experiência que tiveram com seu poder transformador, comprovaram ser uma grande afirmativa em Cristo, em que todas as promessas de Deus são, de fato, “sim”!
19 Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, que foi pregado entre vós por nós, por mim, Silvano e Timóteo, não foi sim e não, mas nele foi sim.
20 Porque todas as promessas de Deus nele são sim, e por ele o Amém, para a glória de Deus por nós.
21 Ora, aquele que nos estabelece convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus;
22 o qual também nos selou, e deu o penhor do Espírito em nossos corações.
23 Além disso, eu invoco a Deus por testemunha sobre a minha alma, de que para vos poupar ainda não fui para Corinto.
24 Não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas somos ajudadores de vossa alegria; porque pela fé estais em pé. 2Co 1:24
Paulo mudou seu plano inicial somente por causa da grande compaixão que sentia por seus “filhos na fé” em Corinto, pois não queria precisar usar a “vara da repreensão” contra os altivos e arrogantes que estavam tumultuando a igreja (1Co 4.21). Contudo, foi muito mal interpretado e difamado por alguns. Mesmo na qualidade de apóstolo, Paulo não deseja impor suas diretrizes de forma despótica; antes, deseja ser conselheiro e servo, promovendo a santificação e a alegria espiritual dos seus amados irmãos.