Ozzuu Bible
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1
Não muito tempo depois, o rei enviou um dos anciãos de Atenas [26] com ordens para forçar os judeus a abandonar as leis da sua pátria e a deixar de viver segundo os princípios de Deus,
2
e para profanar o templo de Jerusalém e dedicá-lo a Zeus Olímpico [27] ; como também aquele que havia em Garizim, a Zeus Hospitaleiro, conforme os costumes dos habitantes do local.
4
O templo estava cheio da devassidão e orgias dos pagãos, que se divertiam com prostitutas e tinham relações com mulheres no átrio sagrado, levando mesmo para o templo objetos proibidos.
7
Todos os meses, no dia de aniversário do rei, os judeus eram coagidos pela força a participar num festim ritual, e aquando das festas de Dionísio [28] , eram obrigados a tomar parte na procissão dionísica, usando coroas de hera [29] .
8
Por sugestão de Ptolomeu [30] , foi publicado um decreto, dirigido às cidades gregas vizinhas que obrigava a adotar idêntico procedimento com os judeus e forçá-los a participar nos festins e rituais pagãos;
9
quem não se dispusesse a seguir os costumes gregos seria executado. Podia pois prever-se a iminência de desgraças.
10
Assim duas mulheres foram acusadas de terem circuncidado os filhos. Fizeram-nas desfilar publicamente pela cidade com as crianças penduradas no peito e precipitaram-nas do alto das muralhas.
11
Outros reuniram-se em grutas na vizinhança para celebrar em segredo o dia do sábado. Denunciados a Filipe, foram queimados em conjunto, porque se abstiveram de resistir, por reverência para com a santidade do dia.
12
Peço aos leitores deste livro que não fiquem desanimados por causa dessas desgraças, mas considerem que estes castigos vieram não para destruir o nosso povo, mas para o corrigir.
13
Pois é sinal de grande bondade, não deixar os ímpios muito tempo entregues a si mesmos, antes aplicar-lhes sem demora a merecida retribuição.
14
Ao contrário do que faz com os demais, que o Senhor espera pacientemente até que encham as medidas dos seus pecados para os castigar, connosco não entendeu agir assim,
16
Por isso, nunca afasta de nós a sua compaixão mas, ao castigar-nos com a adversidade, não abandona o seu povo.
17
Que estas palavras vos sirvam de lembrança. Mas finda esta breve interrupção, voltemos agora à história.
18
Eleazar, um dos mais destacados mestres da lei, homem avançado em idade e de belíssima aparência, foi forçado a abrir a boca e comer carne de porco.
19
Mas ele, preferindo morrer com honra a viver na abominação, caminhou voluntariamente para a tortura.
20
Cuspiu a carne, como devem fazer os que têm a coragem de rejeitar o que lhes não é permitido provar, mesmo por amor à vida.
21
Ora, os homens encarregados deste banquete ritual, proibido pela lei, em virtude de há muito conhecerem este homem, tomaram-no à parte e insistiram com ele para que levasse consigo carne de que lhe fosse lícito servir-se, preparada por ele mesmo, e fingisse estar a comer das carnes do sacrifício prescritas pelo rei,
22
a fim de, agindo assim, escapar à morte, e gozar deste gesto de humanidade da parte deles, em virtude da antiga amizade.
23
Mas ele tomou uma nobre decisão, digna da sua idade, devido prestígio que a sua velhice lhe dava, distinção conquistada com os seus cabelos brancos, como também da sua conduta impecável desde criança, mas principalmente digna da lei instituída por Deus; respondeu em conformidade que o mandassem, sem demora, para o mundo dos mortos.
24
Disse ele: «Não é digno da nossa idade fingir, para que muitos dos jovens não venham a pensar que Eleazar, com noventa anos de idade, se tenha convertido a costumes pagãos,
25
e para que, por causa do meu fingimento e só para prolongar um pouco mais a brevidade da minha vida, eles se não desviem por minha causa, e eu não atraia vergonha e desonra para a minha velhice.
26
E, mesmo que no presente momento eu me livrasse do castigo humano, não escaparia vivo ou morto, das mãos do Todo-Poderoso.
28
E deixo também aos jovens um nobre exemplo de como se deve morrer voluntária e generosamente pelas nossas venerandas e santas leis.» Dito isto, imediatamente se encaminhou para o suplício.
29
Mas aqueles que o conduziam, pouco antes afetuosos para com ele, tornaram-se-lhe hostis por causa das palavras que ele tinha proferido, por as julgarem loucura.
30
Estando prestes a morrer por espancamento, soltou um gemido e disse: «Ao Senhor, cuja sabedoria é santa, para quem é tudo manifesto. Ele sabe que eu, podendo ter escapado da morte, suporto estas terríveis dores dos açoites; mas, na minha alma, sofro com alegria, porque o temo.»
31
Assim rendeu a vida este homem, deixando, não somente para os jovens, mas também para a maioria dos seus compatriotas, um modelo de nobreza e um memorial de virtude.