Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Rev 14
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1 E eu olhei, e eis que o Cordeiro estava em pé sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, tendo o nome de seu Pai escrito em suas testas. Ap 14:1
No AT, o monte Sião foi conquistado por Davi e transformado numa espécie de fortaleza e capital da cidade pré-israelita de Jerusalém (2Sm 5.7). No NT, e especialmente neste livro, simboliza a Jerusalém celestial, a eterna habitação de Deus e de seu povo amado (Hb 12:22 -24; Gl 4.26), que descerá até a nova terra, onde se implantará completamente o eterno Reino de Deus (Ap 21.2,3). Como já vimos em 7.4, aqui João contempla a imensa multidão dos salvos: todos os selados com o Espírito Santo de Deus, o Nome do Filho e do Pai (Ez 9.4; Mt 28.19). Um número tão grande de pessoas que pareceu melhor ao Espírito expressá-lo por meio de uma cifra semelhante ao número das tribos de Israel e dos apóstolos de Jesus, um valor santo, completo e perfeito, multiplicado milhares de vezes: 144.000 ou mil dúzias vezes doze.
2 E eu ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas, e como a voz de um grande trovão; e ouvi uma voz de harpistas harpeando com as suas harpas;
3 e eles cantam como se fosse uma nova canção diante do trono, e diante dos quatro animais e dos anciãos; e nenhum homem podia aprender aquela canção, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram redimidos da terra.
4 Estes são os que não foram contaminados com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes foram redimidos dentre os homens, sendo as primícias para Deus e para o Cordeiro. Ap 14:4
Mesmo considerando que alguns teólogos cristãos interpretam literalmente esta passagem, assim como o número dos 144.000 salvos, é preciso notar que, neste contexto, “a Mulher” representa “Israel” e que, portanto, a expressão “mulheres” tem a ver com outras nações, cultos e sistemas de valores. Sendo assim, João está se referindo à grande multidão de pessoas, ainda que seja um grupo específico vivendo durante a Grande Tribulação e que não se dobrou ao sistema sócio-politico-religioso (sistema mundial de valores) ditado pelo anticristo. Ou seja, são homens e mulheres que se mantiveram espiritualmente “virgens” (castos, imaculados) e não se entregaram à sedução e prostituição com os valores mundanos (Mt 19.21; Mc 8.34). Estão portanto, libertos do pecado da “idolatria” que é “fornicação” (Ap 14.8; 17.2,4; 18.3,9; 19.2), com todas as suas implicações (2Pe 2:20 -22). Os salvos serão como aquela primeira parte da colheita (as Primícias) que era oferecida ao Senhor em agradecimento por sua graça e misericórdia (Êx 23.19; Lv 23:9 -14; Nm 18.12; Rm 16.5; 1Co 15.20). Ao mesmo tempo, o restante da humanidade, que preferiu ficar ao lado da “poderosa tríade global” ostentará com prazer o número da Besta e, como uvas maduras, estarão sendo reservadas para serem ceifadas e pisadas no lagar da ira do Senhor (Ap 14:17 -20).
5 E na sua boca não se achou astúcia porque eles estão sem culpa diante do trono de Deus. Ap 14:5
O sentido dessa expressão é demonstrar que os cristãos sinceros jamais negam sua fé (termo que nos originais têm o sentido de: fidelidade no Senhor. Nos últimos tempos, o sistema mundial, manipulado pelo Diabo e seus asseclas, tentará ridicularizar a verdadeira fé cristã e os crentes em Cristo, para mais tarde forçá-los violentamente a negar seu amor por Deus. Nesse momento, muitos cristãos não mentirão, e por isso, serão martirizados (Jo 18.37; Sf 3.13).
6 E eu vi outro anjo voar pelo meio do céu, tendo o evangelho eterno para o pregar aos habitantes da terra, e a toda a nação, e parentes, e língua, e povo,
7 dizendo em alta voz: Temei a Deus, e dai- lhe glória; porque é chegado a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.
8 E seguiu outro anjo, dizendo: Babilônia caiu, caiu aquela grande cidade, porque ela fez todas as nações beberem do vinho da ira de sua fornicação. Ap 14:8
Temos aqui um caso clássico da máxima: “os ciclos históricos são pendulares e se repetem”. Por isso, as profecias apocalípticas podem ser aplicadas às várias gerações até o Dia final. A antiga Babilônia foi erguida na Mesopotâmia (região onde hoje se encontra o Iraque), por volta do ano 626 a.C., e se constituiu no mais prestigioso centro econômico, político, militar e religioso do mundo de sua época. Luxo e depravação moral eram algumas das principais marcas de sua opulência e arrogância. O profeta Daniel referiu-se a ela como “a grande Babilônia” (Dn 4.30). Durante a época de João, suas descrições correspondiam ao Império de Roma (Ap 16.19; 17.5; 18:2 -21). Em nossos dias, simboliza o sistema mundano de valores que envolve todos os povos da terra e os seduz (embriaga) com os ideais de consumo e prazer produzidos pelas nações mais ricas. Contudo, no final dos tempos uma grande potência mundial reunirá sob sua influência e controle todas as nações da terra, e exibirá as mesmas características diabólicas da Babilônia. Sua queda, entretanto, assim como ocorreu com a primeira versão da Babilônia (cerca de 539 a.C.) é inevitável e definitiva (Is 21.9; Jr 51.8).
9 E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo em alta voz: Se algum homem adorar a besta, e a sua imagem, e recebe sua marca em sua testa, ou na sua mão, Ap 14:9
O terceiro anjo proclama diante dos céus e da terra a condenação do anticristo e dos seus seguidores (Ap 20:13 -15). No AT, a ira de Deus é habitualmente ilustrada como o cálice de vinho do juízo final (Ap 14.10,11), a ser provado, individualmente, pelos incrédulos de todos os tempos e de todas as nações (Sl 75.8; Is 51.17; Jr 25.15). Sodoma e Gomorra são exemplos clássicos do derramar da ira de Deus, quando foram destruídas por uma tempestade de enxofre ardente (Gn 19.24). O mesmo juízo será aplicado aos ímpios, incrédulos e infiéis (Sl 11.6; Ap 19.20; 20.10; 21.8).
10 este beberá do vinho da ira de Deus, que é derramado sem mistura no cálice da sua indignação; e ele será atormentado com fogo e enxofre na presença dos santos anjos, e na presença do Cordeiro;
11 e a fumaça do seu tormento sobe para sempre e sempre; e eles não têm descanso de dia nem de noite, os que adoram a besta e a sua imagem, e quem quer que receba a marca de seu nome.
12 Aqui está a paciência dos santos; aqui estão aqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. Ap 14:12
Um encorajamento aos cristãos para que jamais neguem sua fé em Jesus Cristo, sejam quais forem as formas de constrangimento e perseguição que vierem a enfrentar, especialmente tendo em vista a forte tendência do mundo em se aliar ao anticristo e seus comandados, e o trágico final que os aguarda (Mt 24.13).
13 E eu ouvi uma voz do céu, me dizendo: Escreve: Abençoados são os mortos que doravante morrem no Senhor: Sim, diz o Espírito, para que eles possam descansar dos seus trabalhos, e as suas obras seguem com eles. Ap 14:13
A expressão original grega anapauõ, “habitar ou descansar em paz” revela uma das sete bem-aventuranças (prêmios – Mt 5.1- 12), expressas neste livro para aqueles que perseverarem na fidelidade a Cristo (Mt 11.28). Os bem-aventurados (muito felizes) são: os que conhecem e obedecem a Palavra de Deus (Ap 1.3); os que morrem fiéis a Cristo (Ap 14.13); os que aguardam o glorioso retorno de Cristo em santidade (Ap 16.15); os convidados para a Ceia das bodas do Cordeiro (Ap 19.9); os que participam da primeira ressurreição (Ap 20.6); os que atendem às orientações deste livro (Ap 22.7); e os que lavam suas vestes no sangue de Cristo (Ap 22.14).
14 E eu olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do homem, tendo sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice afiada. Ap 14:14
Jesus Cristo, o Filho do homem, Rei dos reis, é o juiz máximo da história e da humanidade (Ap 1.13; Dn 7.13; Mt 3.12; Tg 4.12). O termo grego original drepanon, “faca de colheita”, refere-se a uma grande lâmina afiada, em forma de foice, usada para colher a safra de grãos, simbolizando o julgamento final (Jl 3.13; Mt 13:30 -42). Alguns teólogos cristãos vêem nessa passagem uma referência à grande reunião dos crentes com Cristo em seu glorioso retorno.
15 E outro anjo saiu do templo, gritando em alta voz ao que estava assentado sobre a nuvem: Lança a tua foice, e ceifa; porque chegou a tua hora de ceifar, porque a colheita da terra está madura.
16 E aquele que estava assentado sobre a nuvem lançou sua foice sobre a terra, e a terra foi ceifada.
17 E outro anjo saiu do templo que está no céu; tendo ele também uma foice afiada.
18 E outro anjo saiu do altar, tendo poder sobre o fogo; e gritou com alta voz ao que tinha a foice afiada, dizendo: Lança a tua foice afiada, e junta os cachos da vinha da terra, porque as suas uvas estão totalmente maduras. Ap 14:18
Esse é o anjo de Ap 8:3 -5, que tem a responsabilidade de executar o Juízo (Mt 18.8; Lc 9.54; 2Ts 1.7). A foice israelita (Ap 14.14), própria para colheita de grãos consistia em uma lâmina curvada e afiada de ferro, ajustada a uma haste de madeira ou de osso, com um longo cabo. A foice usada para podas e coleta dos cachos de uvas das videiras era uma espécie de faca menor e mais afiada.
19 E o anjo lançou a sua foice na terra, e juntou a vinha da terra, e lançou-a no grande lagar da ira de Deus.
20 E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até as rédeas dos cavalos, pelo espaço de mil e seiscentos estádios. Ap 14:20
Lagar era um grande recipiente, esculpido na rocha, onde os israelitas costumavam depositar as uvas maduras que seriam pisadas com os pés descalços a fim de produzir o primeiro lote de suco da safra, sendo canalizado para outro recipiente inferior. No AT, “pisar o lagar” era uma metáfora muito eloqüente quanto à execução inexorável da justiça severa (ira) de Deus (Is 63.3; Lm 1.15; Jl 3.13; Ap 19.15). Nos últimos tempos, esse terrível derramamento de sangue contaminaria os próprios limites da cidade numa extensão de, literalmente, “mil e seiscentos estádios” (cada estádio equivale a 185 metros), ou seja, quase o tamanho atual da Palestina de norte a sul.