Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Rev 13
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1 E eu fiquei sobre a areia do mar, e vi uma besta surgir no mar, tendo sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez coroas, e sobre suas cabeças o nome de blasfêmia. Ap 13:1
O termo original grego qhrivon, transliterado por therion e traduzido pela expressão “Besta”, que significa “poderoso animal selvagem” (Ap 11.7,36). Seus poderes foram legados de forma mística pelo próprio Diabo (o Dragão). A Besta simboliza toda espécie de deificação do homem ou da autoridade secular. Essa tem sido a marca de todos os tiranos e anticristos do passado, como o rei Antíoco Epifânio (Dn 7.25; 8:9 -14; Ap 17:3 -12), especialmente a partir dos imperadores romanos. Será também a principal característica do último e mais terrível anticristo que precederá o glorioso retorno de Cristo (Mt 24:15 -31; 2Ts 2:1 -12). O cenário que se arma coincide com a visão que Daniel teve acerca das quatro grandes feras, que significavam poderosos impérios já passados (Dn 7:2 -7): babilônico (De 626 a 539 a.C), medo-persa (até 300 a.C), grego (até 63 a.C) e romano (até cerca de 110 d.C).
2 E a besta que eu vi era semelhante a um leopardo, e seus pés eram como os pés de um urso, e sua boca como a boca de um leão; e o dragão lhe deu seu poder, e seu trono e grande autoridade.
3 E vi uma de suas cabeças como que ferida para a morte; e sua ferida mortal foi curada. E todo o mundo se maravilhou com a besta.
4 E eles adoraram o dragão que dera poder à besta, e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante a besta? Quem é capaz de guerrear contra ele?
5 E foi dada a ele uma boca falando grandes coisas e blasfêmias; e poder foi dado a ele para continuar por quarenta e dois meses.
6 E ele abriu a boca em blasfêmia contra Deus, para blasfemar o seu nome, e o seu tabernáculo, e os que habitam no céu.
7 Foi-lhe dado poder para guerrear contra os santos e de vencê-los; e foi-lhe dado poder sobre todas as famílias, e línguas, e nações. Ap 13:7
A Besta terá uma vitória apenas externa por meio do martírio dos cristãos que não negarem sua fé no Senhor. Apesar da morte, as almas dos crentes estarão preservadas pelo Espírito Santo (Ap 6:9 -11; Mt 24.12; Sl 69.28). O Diabo tem profunda inveja de Deus e procura imitar todos os procedimentos criativos do Senhor, visando receber da humanidade toda a adoração à sua pessoa sedutora e nefasta. Por isso, vem tentando ao longo da história e nos últimos dias, com mais intensidade e evidência, projetar a imagem do seu anticristo como melhor substituto mundial de Jesus Cristo, o Filho de Deus, de quem é o verdadeiro e eterno domínio (Ap 5.9; 7.9; Jr 15.2).
8 E todos os que habitam na terra a adorarão, cujos nomes não estão inscritos no livro da vida do Cordeiro, morto desde a fundação do mundo. Ap 13:8
O sacrifício vicário de Jesus Cristo fez parte do propósito remidor de Deus mesmo antes da criação do Universo. Os planos, mandamentos e profecias do Senhor são tão reais e concretos quanto os próprios acontecimentos em si (Atos 2.23; Ef 1.4).
9 Se algum homem tem ouvido, ouça.
10 Aquele que leva ao cativeiro, irá para o cativeiro; aquele que mata com a espada deve ser morto com a espada. Aqui está a paciência e a fé dos santos.
11 E eu contemplei outra besta saindo da terra; e ele tinha dois chifres semelhante a um cordeiro, e ele falava como um dragão. Ap 13:11
O Diabo, em sua inveja insana de Deus, desenvolve uma imitação da pessoa e da espiritualidade de Jesus na forma de um poderoso, carismático e ardiloso “falso profeta” (Ap 19.20), cuja forma exterior de cordeiro (pretenso exemplo de pessoa amável e beneficente) será usada pelo Dragão para seduzir e chefiar uma religião que adensará milhões de adoradores, de todas as partes do mundo, aos pés do anticristo. Com suas “feras diabólicas e sedutoras”, Satanás dominará por um tempo os três grandes pilares da sociedade moderna: economia, política e religião. Da mesma forma como ocorreu na época de João, quando o povo de Deus foi obrigado a se render à adoração dos imperadores romanos, assim será no mundo atual, pouco antes da volta de Cristo (Mt 24.24).
12 E ele exerce todo o poder da primeira besta antes dele, e fez a terra e os que nela habitam adorarem a primeira besta, cuja ferida mortal estava curada.
13 E ele faz grandes maravilhas, a ponto de fazer fogo descer do céu sobre a terra à vista dos homens,
14 e engana aqueles que habitam na terra por meio daqueles milagres que tinha poder de fazer à vista da besta; dizendo para aqueles que habitam na terra, que eles fizessem uma imagem para a besta, que tinha sido ferida pela espada, e vivera.
15 E ele tinha poder de dar vida à imagem da besta, e que a imagem da besta poderia tanto falar quanto fazer com que tantos quantos não adorassem a imagem da besta fossem mortos.
16 E ele fez com que todos, tanto pequenos quanto grandes, ricos e pobres, livres e escravos, recebessem uma marca em sua mão direita, ou em suas testas; Ap 13:16
Como já vimos (nota 5 do cap. 12), as profecias podem ter uma realização imediata e repetida ao longo da história até o final dos tempos. Assim, os anticristos sempre forçaram as pessoas, especialmente o povo de Deus, a se renderem às suas “personas” como “divindades” e, para tanto, usaram de toda espécie de tortura e humilhações, como o ferretear de escravos ou presos militares, o carimbar passaportes e outros documentos com expressões discriminatórias. A marca da Besta será uma espécie de prova de fidelidade às exigências do culto imperial à personalidade do último anticristo. Esse ato será promovido e supervisionado pelo “falso profeta” (a Besta possuída pelo Dragão), e um dos últimos símbolos da globalização, do ecumenismo e da padronização dos comportamentos da humanidade em favor do anticristo e de seu sistema mundial de valores (Ap 13.17; 14.9,11; 15.2; 19.20; 20.4). Essa também será uma das últimas grandes tentativas do Diabo para imitar (blasfemar) um procedimento santo de Deus, isto é, o selo espiritual dos servos de Cristo (cap. 7).
17 e que nenhum homem possa comprar ou vender, a não ser aquele que tiver a marca, ou o nome da besta, ou o número de seu nome.
18 Aqui há sabedoria. Deixa que aquele que tem entendimento calcule o número da besta; porque é o número de um homem; e seu número é Seiscentos e sessenta e seis. Ap 13:18
Desde a Antigüidade, os escritos proféticos e apocalípticos judaicos costumavam atribuir às letras valores numéricos e significados ocultos, o que facilitava a conferência da correção de um texto (especialmente das cópias) pela simples somatória das letras, além de encerrar certos enigmas, a fim de evitar que as mensagens pudessem ser compreendidas pelos perseguidores do povo de Deus. Na atualidade, muitos equipamentos usam letras que podem ser convertidas em números para suas operações. A tríade maldita, formada pelo anticristo e suas bestas, convencerá a sociedade mundial a ostentar sua marca e implantará um boicote econômico-financeiro contra todos os rebeldes. A marca do Diabo é um número que revela um nome humano. O número seis, simboliza na numerologia judaica a imperfeição e a maldade, numa flagrante oposição e eterna incapacidade de chegar à perfeição, bondade e justiça representadas pelo número sete. Portanto, sabemos que essa marca será uma expressão da união desses três representantes do Diabo sobre a terra. Além disso, eles deflagrarão violenta e impiedosa oposição contra seus opositores, especialmente aos judeus e cristãos sinceros. Considerando o passado, esta profecia traduz bem alguns líderes tiranos mundiais e suas ações sanguinárias: Nabucodonosor, rei da Babilônia, que destruiu o primeiro Templo e escravizou o povo de Israel; Antíoco Epifânio, rei da Síria, que profanou o segundo Templo e colocou uma estátua representando seus deuses pagãos no Santo dos Santos; o comandante romano Tito e seu pai Vespasiano, que profanaram a terceira edificação do Templo (70 d.C), sobre o qual profetizou Jesus, quarenta anos antes da destruição de Jerusalém (Mt 24); Domiciano, imperador romano que obrigava todos os seus súditos a reverenciá-lo com uma frase protocolar (uma espécie de marca da blasfêmia), em latim: Dominus et Deus noster (Nosso Senhor e Deus); Nero César; e já em meados do séc. XX, Adolf Hitler, com sua visão totalitária e insana do estabelecimento de uma raça humana perfeita, sem ascendência judaica (ariana) e seu anti-semitismo diabólico.