Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Mat 28
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1 No fim do shabat, quando começou a amanhecer o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. Mt 28:1
Conforme o horário judaico, o domingo começava logo após o pôr-do-sol do sábado. Lucas nos informa que Maria Madalena e Maria, mulher de Clopas (Lc 24.1; Jo 19.25) saíram de madrugada, ainda escuro (Jo 20.12), para visitar o corpo de Jesus, lamentar e ungi-lo com mais especiarias. Chegaram ao túmulo com os primeiros raios da aurora na esperança de que lhes fosse autorizada a entrada para a continuação do ritual fúnebre (período de luto) judaico da época (Mt 28.1; Mc 16:2 -3).
2 E eis que houvera um grande terremoto; pois um anjo do Senhor descera do céu e, chegando-se, removera a pedra da porta, e sentou-se sobre ela.
3 Seu semblante era como um relâmpago, e as suas vestes brancas como neve; Mt 28:3
Deus manda seus anjos anunciarem o nascimento e a ressurreição de Jesus. Ele é concebido e ressuscitado pelo poder do Altíssimo (Lc 1.35; Rm 6.4; Ef 1.20). Essas mensagens são comunicadas em primeiro lugar a mulheres devotas e humildes e que receberam um nome simples, mas conhecido em todo o mundo: Maria (forma helenizada do nome hebraico Miriã, que foi derivado de um antigo vocábulo egípcio Marye, e que significa: princesa, amada, mulher de esperança). O anjo não rolou a pedra para que Jesus saísse do sepulcro, a pedra foi rolada para que as mulheres e, mais tarde, outras pessoas, entrassem e verificassem o túmulo vazio, o selo (lacre estatal feito com cordas que envolviam a pedra e eram atadas ao sepulcro com as marcas de Roma e do Sinédrio) rompido e nenhum outro sinal ou dano. Séculos mais tarde, expedições arqueológicas, como as organizadas pelo General Christian Gordon, localizaram esse túmulo e confirmaram algumas alterações para acomodar um corpo maior do que o de José de Arimatéia (segundo a tradição de baixa estatura). Contudo, análises físicas e químicas jamais atestaram qualquer vestígio de restos mortais na sepultura. O túmulo era novo quando foi oferecido para sepultar o corpo do Senhor e continuou novo após sua ressurreição.
4 e os guardas tremeram de medo por causa dele, e ficaram como homens mortos.
5 E o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não temais vós; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado.
6 Ele não está aqui; porque ressuscitou, como ele disse. Vinde ver o lugar onde o Senhor deitava.
7 E ide depressa, e dizei aos seus discípulos que ele está ressuscitado dentre os mortos; e eis que vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis; eis que eu vo-lo tenho dito.
8 E, partindo elas apressadamente do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciá-lo aos seus discípulos.
9 E, indo elas a dar as novas aos seus discípulos, eis que Jesus lhes veio ao encontro, dizendo: Salve. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram.
10 Então lhes disse Jesus: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galileia, e lá me verão.
11 Quando elas iam, eis que alguns da guarda foram à cidade, e contaram aos principais sacerdotes todas as coisas que foram feitas.
12 E, reunindo-se eles com os anciãos, e tomado conselho, deram muito dinheiro aos soldados,
13 dizendo: Dizei: Seus discípulos vieram de noite e o furtaram enquanto nós dormíamos.
14 E, se isto chegar aos ouvidos do governador, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança. Mt 28:14
Agostinho (354-430 d.C.) observou: “Se acordados, por que permitiram a alguém raptar o corpo de Jesus? E, se dormindo, como podiam declarar que foram os discípulos?” De qualquer modo seriam todos condenados à morte, não fosse o interesse dos líderes religiosos judaicos em divulgar uma falsa versão sobre o desaparecimento do corpo de Cristo e levar a população a não crer na intervenção divina, presenciada por soldados e discípulos, nas primeiras horas daquele domingo no monte Calvário.
15 Assim eles pegaram o dinheiro, e fizeram como foram instruídos; e este dito é divulgado entre os judeus até o dia de hoje.
16 Então os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado.
17 E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.
18 E Jesus veio e lhes falou, dizendo: Foi-me dado todo o poder no céu e na terra.
19 Portanto, ide, ensinai a todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
20 ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco sempre, até o fim do mundo Amém. Mt 28:20
Jesus recebeu todo o poder de Deus (em grego ?????????) e do Senhor Ressuscitado parte a ordem plenipotenciária: Ide! (literalmente “indo”, em grego ???????????~). Agora esse “envio” não é provisório, limitado e transitório como em Mt 10, mas definitivo, ilimitado e permanente. Rompeu-se o estreitamento étnico das sinagogas e abriu-se a Salvação (comunhão com Deus) para todos os povos, raças e culturas. A comunidade de Jesus que abrange o mundo inteiro substituiu a “velha aliança” pela “nova aliança”, que congrega toda e qualquer pessoa cujo coração creia no Senhor para ser convertido em discípulo. Jesus ensinou e demonstrou com a sua própria vida o que significa ser um discípulo do Senhor (obediência a Deus). A tríplice ordem missionária (discipular, batizar e ensinar a discipular) é emoldurada pela garantia da onipresença de Jesus na alma daquele que crê (o crente). A essência da Igreja de Jesus é que o Ressuscitado continua vivo e atuante no indivíduo e na comunidade. Ao orarmos, não é mais necessário buscarmos a Deus nos céus, mas, sim, em nossos corações. A promessa da presença contínua de Deus é a chave de ouro com a qual vários livros da Bíblia são concluídos (Êx 40.38; Ez 48.35; Ap 22.20). Jesus, após ressuscitar, apareceu a várias pessoas em diversas ocasiões: a Madalena (Jo 20:11 -18), a algumas discípulas (Mt 28:9 -10), aos discípulos a caminho de Emaús (Lc 24:13 -33), a Pedro (Jo 21:15 -19; Lc 24:34 -35), a dez discípulos no Cenáculo (Jo 20.19), aos onze discípulos (Jo 20:24 -29), a sete discípulos na Galiléia (Jo 21:24 -29), aos onze no monte, na Galiléia (Mt 28:16 -17), a Tiago e a todos os apóstolos (1Co 15.7), a uma multidão no monte das Oliveiras (Lc 24:44 -49), ao apóstolo Paulo (Atos 9:3 -8).