Ozzuu Bible
pt_kjfiel - 1Pe 3
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1 Semelhantemente, vós, esposas, estejam sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, possam sem palavra ser ganhos pelo comportamento de suas esposas, 1Pe 3:1
Assim como todos os cristãos devem se sujeitar às autoridades governamentais instituídas, por amor e fé no Senhor (1Pe 2:13 -17), e os escravos, ou empregados, a seus senhores e patrões (1Pe 2:18 -25), as esposas crentes devem a seus maridos a mesma submissão. O verbo grego “sujeitar”, usado nessas orientações, tem a mesma raiz e, em sua forma imperativa Hypotagete significa “colocarse espontaneamente sob a missão ou a responsabilidade de outrem”. A missão aqui é a construção de um lar confortável para a família. Até mesmo os maridos que “se opõem ao Evangelho” (esse é o sentido literal da expressão no original grego) poderão ser “ganhos” (em grego kerdethesontai), termo técnico no NT, cujo sentido é o de “cooperar intensamente para levar alguém à presença de Cristo”. No entanto, a esposa não deve pregar sistematicamente para seu marido renitente, mas demonstrar – mediante seu procedimento diário – como vive uma pessoa salva, cuja fé e esperança estão plenamente depositadas no Senhor.
2 enquanto consideram o vosso comportamento casto e reverente.
3 O adorno delas não seja o exterior, no entrançamento dos cabelos, no uso de ouro, no uso do vestuário.
4 Mas que seja o homem interior no coração; o qual não se corrompe, e ainda o ornamento de um espírito manso e quieto, que aos olhos de Deus tem um alto preço. 1Pe 3:4
É natural e apreciável que as mulheres se arrumem de forma a valorizar sua personalidade, bem como seus dotes físicos e estéticos. A ênfase da instrução bíblica não está tanto no tipo dos adornos. Entretanto, o exibicionismo em geral, como os arranjos excêntricos para os cabelos, uso de roupas extravagantes ou luxuosas, jóias finas e exóticas e caros acessórios de moda, não conseguem superar – especialmente no dia-a-dia – a beleza e elegância de uma mulher graciosa, gentil, delicada, mansa, compreensiva e que não depende da sua capacidade de sedução e verbalização para realizar tudo o que deseja, pois sabe esperar confiante no Senhor (1Sm 16.7; Rm 7.22).
5 Porque desta maneira, antigamente, as santas mulheres também, que confiavam em Deus, adornavam-se, estando sujeitas aos seus próprios maridos.
6 Assim como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, contanto que façam o bem, e não tenham medo de nenhum espanto.
7 Igualmente vós, maridos, coabitai com elas de acordo com o conhecimento, dando honra à mulher, como ao vaso mais frágil; como sendo coerdeiras da graça da vida; para que as vossas orações não sejam impedidas. 1Pe 3:7
À medida que o tempo passa, a sociedade, em geral, se distancia mais e mais da verdadeira adoração a Deus, respeito e obediência à sua Palavra. O fato de Sara tratar Abraão de “senhor” era um sinal de consideração e elevada estima para os padrões do povo de Deus no Oriente daquela época. O princípio subjacente, entretanto, é que as atuais discípulas de Sara são as crentes que buscam agradar a Deus em primeiro lugar, e, por isso, desenvolvem uma personalidade paciente, bondosa e destemida, ou seja, não se deixam influenciar ou amedrontar por nada nem por ninguém (Pv 3:25 -27). Ao homem cabe cuidar com dignidade e carinho da mulher, como ser mais delicado e sensível. Entretanto, a mulher é igual ao homem quanto à graça salvadora e às responsabilidades do discipulado cristão (Gl 3.28). A desobediência à Palavra de Deus prejudica tanto a comunhão com Deus quanto a vida conjugal e o relacionamento com a Igreja (1Ts 4:1 -12; 1Co 7:3 -5).
8 Finalmente, sede todos de uma só mente, tendo compaixão uns dos outros, amai como irmãos, sede compassivos, sede atenciosos.
9 Não retribuindo mal por mal, ou maledicência por maledicência; porém, ao contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que possais herdar uma bênção.
10 Porque aquele que deseja amar a vida, e contemplar dias bons, que refreie a sua língua do mal, e seus lábios para que não falem maliciosamente. 1Pe 3:10
As advertências de Pedro são ecos das palavras de Jesus, Paulo e Tiago (Mt 5.10,12,44; Lc 6.28; Rm 12:15 -21; Fp 2:2 -8; 1Co 12.26; 1Ts 4.9,10; Hb 13.1; Cl 3.12). Contudo, ele cita parte do Sl 34, a fim de encorajar todo cristão a praticar as virtudes ensinadas em 1Pe 3.8,9; com a promessa de uma vida feliz, apesar das tribulações cotidianas, contando com as bênçãos dos 1Pe 3:10 -12.
11 Aparte-se do mal, e faça o bem; que busque a paz, e siga-a.
12 Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos abertos às suas orações; mas a face do Senhor é contra aqueles que fazem o mal.
13 E quem vos fará mal, se fordes seguidores daquilo que é bom?
14 Mas se sofrerdes por amor da justiça, felizes sois vós, e não temais o terror deles, nem fiqueis perturbados. 1Pe 3:14
É muito difícil que alguém venha a sofrer fazendo o que é certo, direito e altruísta. No entanto, mesmo que isso venha a ocorrer, o cristão é encorajado a temer a Deus e nele confiar absolutamente (Is 8.13).
15 Porém, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder a cada homem que vos pedir a razão da esperança que há em vós, com mansidão e temor.
16 Tendo uma boa consciência, para que, enquanto falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem envergonhados por falsamente acusarem o vosso bom comportamento em Cristo. 1Pe 3:16
O cristão está sob as bênçãos de Deus e de posse da Verdade, portanto, não tem do que se envergonhar ou temer. Sua apologética (defesa da fé) deve ser proclamada com mansidão, paciência e consideração à pessoa humana daqueles que se opõem, pois todos nós fomos criados à imagem de Deus e carecemos da iluminação do Espírito Santo. Sempre que tratamos aqueles que nos caluniam ou difamam com mansidão, compreensão e respeito (inclusive baixando o tom da nossa voz), demonstramos que a amargura do oponente não faz sentido e entregamos a situação ao perfeito juízo de Deus (Mt 5:1 -12; Lc 1.48). Não há nem haverá mais qualquer sacrifício pelos pecados da humanidade (1Pe 3.19; Hb 9:25 -28; Mt 16:21 -23; Fp 2:5 -11).
17 Porque melhor é, se Deus assim o quiser, que sofrais por fazer o bem do que por fazer o mal.
18 Porque Cristo também uma vez padeceu pelos pecados, o justo pelos injustos, para que nos levasse a Deus; sendo colocado à morte na carne, mas vivificado pelo Espírito.
19 Pelo qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; 1Pe 3:19
Pedro usa propositalmente a expressão original grega kerussein “proclamar” ou “anunciar”, em vez de evanggelizen, “evangelizar”, para deixar bem claro o tipo de pregação vitoriosa realizada por Jesus sobre o Inimigo e toda a malignidade do universo (2Pe 2.4,5; Cl 2.15).
20 os quais em outro tempo foram desobedientes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas foram salvas pela água.
21 Tal como esta figura, agora, também, o batismo nos salva, não do despojamento da imundície da carne, mas a resposta de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo; 1Pe 3:21
Nessa passagem, o dilúvio simboliza o batismo, e o batismo ilustra a própria salvação. No dilúvio, a água representou a morte de todos os ímpios; o batismo evoca a morte redentora de Cristo e figura a morte do “velho homem” no crente. O batismo, portanto, é o grande símbolo da salvação por ilustrar vividamente a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo (nossa Arca), e a nossa identificação com Ele nessas experiências (Rm 6.3,4). A responsabilidade do cristão é esforçar-se para que todo o simbolismo do batismo se concretize em seu convívio prático e diário com o Espírito Santo. A salvação ocorre pelo poder transcendente da ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus (1Pe 3.22; Atos 1:9 -11; Ef 1.21; 6.12).
22 o qual subiu ao céu, e está à destra de Deus; anjos e autoridades e poderes foram- lhe sujeitados.