Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Rom 12
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1 Suplico-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, de apresentardes os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Rm 12:1
A partir desse momento, até o final desta epístola apostólica, Paulo vai apresentar uma série de aplicações práticas à teologia explanada de 1 a 11. Segundo Paulo, a fé sincera e verdadeira em Jesus Cristo manifesta-se na obediência amorosa e dedicada à Sua Palavra. Jesus foi o último e suficiente sacrifício, e pagou todo o pecado humano diante da Lei de Deus, concedendo ao crente livre acesso à presença do Pai. De Cristo em diante, os sacrifícios passaram a ser prestados no templo do corpo humano, no santo dos santos do coração, onde habita o Espírito Santo. Como toda doutrina tem seu lado prático, o ensino de Paulo vem acompanhado de exortações éticas muito semelhantes ao ensino de Cristo nos quatro evangelhos, principalmente no conhecido Sermão do Monte (Jo 13.17; Mt 5 a 7). Paulo usa a palavra grega parastesai, a qual já havia usado em 6:13 -19, com o sentido de “apresentação”, “dedicação”, “oferta”. Temos aqui uma descrição mais abrangente das virtudes proporcionadas pela ação do Espírito Santo à vida dos cristãos sinceros. Paulo ainda esclarece que o culto prestado pelos cristãos é diferente do culto meramente cerimonial prestado no templo em Jerusalém. Ao usar o termo grego logikos, Paulo caracteriza o culto cristão como sendo uma atitude pessoal e diária de devoção, adoração e serviço a Deus e aos semelhantes. A expressão logikos confere ao culto a qualidade de “espiritual e autêntico”, algo um tanto diferente da expressão “racional” publicada por algumas versões (1Pe 2.2).
2 E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Rm 12:2
Paulo adverte que o cristão não deve “tomar a forma” deste sistema mundial com suas concepções de sucesso e glória; maldades e corrupções (Gl 1.4) mas, permitirmos que uma “transformação” se processe em nossa vida. Essa expressão, nos originais, só aparece nas narrativas sobre a “transfiguração” de Cristo (Mt 17.2; Mc 9.2) e em 2Co 3.18, que é um ótimo comentário desta passagem. Os cristãos devem viver no presente século (em grego aiõn) com a perspectiva da “era de Cristo”, época em que estaremos com Cristo por ocasião de seu glorioso retorno. Assim, devemos viver aqui e agora como cidadãos do céu e herdeiros do Reino, no mundo vindouro (1Co 1.20; 2.6; 3.18; 2Co 4.4).
3 Pois eu digo, pela graça que me é dada, a cada homem dentre vós, que não pense de si mesmo mais altamente do que deve pensar, senão que pense com sobriedade, segundo a medida da fé que Deus deu a cada homem.
4 Porque assim como temos muitos membros em um corpo, e nem todos os membros têm a mesma função,
5 assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, e cada um, membros os uns dos outros.
6 Então, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos foi dada, se for profecia, profetizemos segundo a medida da fé; Rm 12:6
Com o novo nascimento, Deus presenteia a cada um de seus filhos com, pelo menos, uma capacidade espiritual com a qual o cristão passará a abençoar seus irmãos na fé e todas as demais pessoas à sua volta. A palavra grega usada nos manuscritos gregos originais para descrever os dons especiais da graça é charismata (1Co 1.7; 12:4 -28; Ef 4.11; Atos 20.17; 1Ts 5.12; 1Tm 5.17).
7 se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação no ensinar;
8 ou o que exorta, na exortação; o que reparte, faça-o com simplicidade; o que governa, com diligência; o que demonstra misericórdia, com alegria. Rm 12:8
Paulo faz uma analogia entre os membros do corpo humano e os membros do Corpo de Cristo (a Igreja), para mostrar a importância de todos no funcionamento saudável e feliz do corpo. Cada membro tem uma função vital e a deve exercer a favor da unidade e bem-estar do grupo. A ênfase recai sobre a unanimidade em meio à diversidade (1Co 12:12 -31). Como o poder provém de Deus, não é admissível que um cristão, membro do Corpo, tome atitudes de superioridade, orgulho pessoal ou de justiça aos seus próprios olhos. A humildade sincera deve nortear todos os relacionamentos. Ouvir e refletir antes de falar e agir.
9 O amor seja sem hipocrisia. Aborrecei o que é mau e apegai-vos ao que é bom. Rm 12:9
O amor é um dom de Deus, que por meio do Espírito Santo, capacita o cristão a expressá-lo de forma prática e adequada, funcionando como suporte para o exercício de todos os demais dons e manifestações do próprio Espírito. Só uma mente ree novada por Cristo consegue amar dessa forma. Por ser esse o maior e mais lindo cartão de visitas que um cristão e uma igreja possam apresentar ao mundo perdido, Satanás não se cansará de atacar essa área na vida pessoal de cada crente e de sua comunidade (Fp 2.3).
10 Sede amigavelmente afeiçoados uns aos outros com amor fraternal, preferindo- vos em honra uns aos outros.
11 Não sejais negligentes nas atividades, ferventes no espírito, servindo ao Senhor.
12 Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração; Rm 12:12
O cristão tem em seu coração um tipo de esperança totalmente diferente de todas as demais esperanças. É a “esperança com certeza” da companhia e redenção de Cristo em sua vida, fato que produz a alegria do salvo (Rm 5.5; 8:16 -25; 1Pe 1:3 -9). Devemos perseverar com coragem e certeza da vitória, porquanto a aflição (especialmente para o cristão nesse mundo) é uma experiência inevitável (Jo 16.33). Por isso, o crente deve “viver em oração”, ou seja, “viver conversando com Deus em seu íntimo”, sem a necessidade de rezas ou mantras repetitivos. Não somente em tempos difíceis, mas diariamente a fim de manter comunhão com Deus mediante a oração (Lc 18.1; 1Ts 5.17).
13 participai à necessidade dos santos, sede dados à hospitalidade;
14 abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis. Rm 12:14
Paulo está ecoando os ensinos de Jesus Cristo nos evangelhos (Mt 5:39 -45; Lc 6.28; 1Ts 5.15; 1Pe 3.9). O cristão tem responsabilidades sociais para com todo o mundo, especialmente com os irmãos de fé (Gl 6.10).
15 Regozijai-vos com os que se regozijam, e chorai com os que choram.
16 Tende o mesmo pensamento uns para com os outros; Não aspireis posição, mas identificai-vos com o humilde. Não sejais sábios em seus próprios conceitos.
17 Não retribuas a nenhum homem mal por mal; procurai as coisas honestas à vista de todos os homens. Rm 12:17
Paulo reflete sobre um antigo conceito citado em Pv 3:3 -4 na Septuaginta (o AT em grego). O caráter e o comportamento do cristão nunca deve estar abaixo dos altos padrões morais e éticos dos evangelhos; de outra forma, provocará o desdém e a zombaria dos incrédulos, prejudicando a boa reputação do Evangelho (2Co 8.21; 1Tm 3.7).
18 Se for possível, no que depender de vós, vivei em paz com todos os homens.
19 Amados, não vos vingueis a vós mesmos, mas dai lugar à ira, porque está escrito: A vingança é minha; eu recompensarei, diz o Senhor.
20 Portanto, se o teu inimigo tiver fome, alimenta-o; se ele tiver sede, dá-lhe de beber; porque fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.
21 Não sejas vencido pelo mal, mas vence o mal com o bem. Rm 12:21
É tão difícil viver em paz com nossos semelhantes, que Jesus impetrou uma bênção especial sobre esses heróis (Mt 5.9). Por isso, no que depender do cristão – ainda que com certos prejuízos – ele deve buscar a paz com todos. Fazer um bem a um inimigo tem o efeito sobrenatural de depositar brasas incandescentes sobre sua mente e coração, além de aplacar o natural desejo de vingança e – em muitos casos – poder comunicar de maneira prática e eficaz o Caminho da Salvação (Pv 25.22). Sem dúvida, a melhor maneira de demonstrar nosso amor por um inimigo é torná-lo num amigo (Mt 5.44). Foi assim que Deus agiu com a humanidade ao enviar seu Filho para nos salvar (Jo 3:16 -17).