Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Rev 11
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1 E foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e o anjo que estava em pé, disse: Levanta e mede o templo de Deus, e o altar, e os que adoram nele. Ap 11:1
O vocábulo grego original naos “santuário” refere-se à parte central do templo e incluía o chamado Lugar Santo e o Santo dos Santos. O caniço era uma espécie de bambu fino, abundante às margens do rio Jordão, que por ser longo (podia chegar a mais de seis metros de altura), reto e leve servia bem como uma grande régua (Ez 40.3; Zc 2.1,2).
2 Mas, o átrio que está fora do templo, deixa- o, e não o meças; porque foi dado aos gentios, e eles pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses. Ap 11:2
O conhecido pátio dos gentios era um espaço (cerca de 26 acres) concedido aos não judeus nos limites do templo. Quarenta e dois meses é equivalente a 1260 dias (Ap 11.3), e à expressão apocalíptica: “um tempo, dois tempos e metade de um tempo”, ou seja, são equivalentes a três anos e meio, ou ainda, metade de uma semana completa de anos (Dn 7.25; 9.27; 12.7,14; Lc 21.24). Formas de se referir a um tempo curto de aflição irrefreável. Embora os anticristos do passado, como o tirano sírio Antíoco Epifânio, que assolou o povo e profanou o templo de Israel por volta do ano 166 a.C.; ou, em pleno séc.XX, o ditador Adolf Hitler (1889-1945), na Segunda Guerra Mundial, outros mensageiros de Satanás tentarão exterminar o povo de Deus (Mt 24.15,22) em todas as épocas e nações, até que surjam as iniqüidades e perseguições lideradas pelo último e mais terrível dos anticristos. Todavia, por breve tempo e sob supervisão de Deus que protegerá todos os seus filhos.
3 E eu darei poder às minhas duas testemunhas, e elas profetizarão por mil duzentos e sessenta dias vestidos de saco de crina. Ap 11:3
As testemunhas são profetas e pregadores que lembrarão Elias e Moisés. Essas pessoas se vestirão de forma austera, como os profetas do passado, que se vestiam com roupas grosseiras, feitas de pêlos negros de bode ou camelo. Eram trajes vestidos por longo tempo, em sinal de luto ou arrependimento (2Rs 1.8; Jl 1.13; Jonas 3.5,6; Mt 11.21).
4 Estas são as duas oliveiras, e os dois candelabros que ficam diante do Deus da terra. Ap 11:4
A linguagem metafórica aqui ressalta que o poder necessário para um testemunho eficaz é concedido exclusivamente pelo Espírito Santo (Zc 4).
5 E se algum homem os ferir, fogo sairá de suas bocas e devorará seus inimigos; e se algum homem os ferir, ele deve desta forma ser morto. Ap 11:5
Esta passagem lembra os antigos confrontos entre o profeta Elias e os mensageiros de Acazias (2Rs 1:10 -12).
6 Estes têm o poder de fechar o céu, para que não chova nos dias de sua profecia; e têm poder sobre as águas para transformá-las em sangue, e de ferir a terra com todas as pragas, sempre que quiserem. Ap 11:6
Mais uma analogia à vida, ministério e poder dos profetas: Elias, que determinou uma seca para a glória de Deus, em sua época (1Rs 17.1; Lc 4.25; Tg 1.17), e Moisés, que teve que lançar essa praga sobre os Egípcios durante sua batalha espiritual para que o povo de Deus alcançasse a liberdade e pudesse partir para a terra da Promessa (Êx 7:17 -21). As testemunhas lançarão também poderosos açoites de Deus sobre a humanidade incrédula, com a esperança de quebrar a renitência do pecado, e que alguns recebam a graça salvadora de Cristo em seus corações petrificados, e se tornem “pedras vivas” (2Ts 2:3 -11; 1Pe 2:1 -10).
7 E quando tiverem terminado seu testemunho, a besta que sobe do abismo fará guerra contra eles, e os vencerá, e os matará. Ap 11:7
Esta é a primeira menção feita ao monstro diabólico (a Besta do Apocalipse) e principal inimigo do povo de Deus nos últimos dias (Dn 7.3,20,25). Esse representante poderoso de Satanás, que procede das profundas trevas do Abismo (Ap 9.1), terá permissão de Deus para perseguir e submeter as testemunhas de Cristo ao mesmo destino do seu Senhor. A Besta é a mesma personificação do Diabo que surge do mar (Ap 13:1 -7) e será montada por outra personagem demoníaca, a Grande Prostituta (Ap 17.1,8).
8 E os seus corpos mortos jazerão na rua da grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde também o nosso Senhor foi crucificado.
9 E aqueles dos povos, e famílias, e línguas e nações verão os seus corpos mortos por três dias, e meio e não permitirão que seus corpos mortos sejam postos em túmulos.
10 E aqueles que habitam na terra regozijar- se-ão sobre eles e alegrar-se-ão, e darão presentes uns aos outros; porque estes dois profetas haviam atormentado os que habitam sobre a terra.
11 E após os três dias e meio, o Espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles, e ficaram de pé; e um grande temor se instaurou sobre aqueles que os viam. Ap 11:11
Para vários e sérios teólogos cristãos, esta passagem é uma profecia quanto ao fenômeno chamado de “Arrebatamento” dos crentes em Cristo (em inglês, Rapture), que ocorrerá com o glorioso retorno de Jesus Cristo, e o encontro definitivo com sua Igreja (Ap 16.15; 1Ts 4.17; 5.2). De qualquer maneira, não há dúvidas de que um terrível sentimento de medo e desespero sobrevirá aos “habitantes da terra” (os incrédulos – Ap 11.10) ao observarem a ressurreição e ascensão das testemunhas ao céu (Ez 37.5,10; Is 1:9 -10), assim como ocorreu com Cristo (Lc 24.50,51; Atos 1:9 -11).
12 E eles ouviram uma grande voz do céu, dizendo- lhes: Subam para aqui! E eles subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os contemplaram.
13 E na mesma hora ouve um grande terremoto, e a décima parte da cidade caiu, e no terremoto foram mortos sete mil homens; e os remanescentes estavam atemorizados, e deram glória ao Deus do céu.
14 O segundo ai se passou; e eis que o terceiro aí se aproxima rapidamente.
15 E o sétimo anjo soou, e houve grandes vozes no céu, dizendo: Os reinos deste mundo se tornaram os reinos do nosso Senhor, e do seu Cristo; e ele reinará para sempre e sempre. Ap 11:15
A sétima trombeta assinala definitivamente a chegada dos últimos dias da humanidade e da terra como são constituídas hoje (Ap 10.6), e fecha o parêntese histórico que teve início em 10.1. A mensagem e os eventos profetizados por intermédio desse anjo, ao tocar sua trombeta, consistem nos sete castigos anunciados no cap. 16 (Sl 115.13; Dn 7.14,27).
16 E os vinte e quatro anciãos que estavam assentados diante de Deus em seus assentos, prostraram-se sobre as suas faces, e adoraram a Deus,
17 dizendo: A ti damos graças, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e eras, e hás de vir; porque tomaste para ti teu grande poder, e reinaste.
18 E iraram-se as nações e é chegada a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e para que tu dês recompensa aos teus servos, os profetas, e aos santos, e àqueles que temem o teu nome, pequenos e grandes; e para que destruas os que destroem a terra.
19 E o templo de Deus foi aberto no céu, e foi visto no seu templo a arca do seu testamento; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e um terremoto, e grande granizo. Ap 11:19
João tem uma visão do próprio santuário celestial, e nada é escondido ao olhar do profeta. A antiga Arca da Aliança, uma caixa de madeira feita de acácia (Dt 10.1,2), simboliza a presença gloriosa de Deus entre o seu povo amado. Entretanto, esse símbolo sagrado dos judeus foi destruído, juntamente com todo o templo, pelos exércitos de Nabuzaradá (2Rs 25:8 -10). Seu desaparecimento também ilustra o afastamento da glória do Senhor do seu povo e das nações, aliança que é perfeitamente restabelecida em Cristo, confirmando a imutabilidade das promessas do Senhor (Ap 11:15 -19; 8.5; 16.18).