Ozzuu Bible
pt_kjfiel - 1Co 2
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1 E eu, irmãos, quando eu fui até vós, não fui com excelência de discurso ou de sabedoria, declarando-vos o testemunho de Deus.
2 Porque eu decidi não saber coisa alguma entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. 1Co 2:2
Os pregadores e mestres do Evangelho devem dar especial atenção ao conteúdo da mensagem e ao viver sob a direção do Espírito Santo. A oratória e as técnicas de comunicação são secundárias. A expressão original grega marturion significa “testemunho”, e transmite aos oradores a idéia de serem testemunhas de Cristo antes de apenas comunicadores. “Cristo crucificado” é uma síntese da mensagem cristã que deve ser pregada em todo mundo e a todos os povos (1Co 15.3,4), cuja exposição completa está registrada nas diversas passagens do NT.
3 E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.
4 E meu discurso e a minha pregação não estava em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder,
5 para que a vossa fé não esteja na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. 1Co 2:5
Paulo não está negligenciando o estudo sistemático e dedicado das Escrituras, nem a busca do aperfeiçoamento na arte de pregar. Suas cartas revelam grande conhecimento em várias áreas do saber, e sua eloqüência ficou evidenciada em seus vários discursos (Atos 17:22 -31). O que acontece, infelizmente, é que à medida que os cristãos se desenvolvem no conhecimento teológico, menos se observa demonstrações de piedade e dependência do Espírito em suas vidas. O que o experiente apóstolo está nos ensinando é que a obra é do Senhor. É o Espírito Santo quem abençoa o pregador cristão para entregar a mensagem de Deus aos ouvintes, assim como é o mesmo Espírito quem opera na audiência para aplicar as verdades bíblicas em seus corações. A confiança de Paulo como pregador não dependia da sua capacidade intelectual e retórica, como ocorria com os comunicadores e filósofos gregos.
6 Todavia, falamos sabedoria entre os que são perfeitos; porém, não a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que são reduzidos a nada,
7 mas nós falamos a sabedoria de Deus em um mistério, mesmo a sabedoria escondida, a qual Deus ordenou antes do mundo para nossa glória;
8 a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; pois se a tivessem conhecido, eles não teriam crucificado ao Senhor da glória. 1Co 2:8
A expressão grega original teleiois (perfeitos ou aperfeiçoados) refere-se aos cristãos que por meio da experiência com o Espírito Santo, e às muitas provas, alcançaram sabedoria e maturidade espiritual e, portanto, já não agem com “infantilidade, espiritual” (Hb 5.13 a 6.3). Ao referir-se aos “poderosos deste século”, Paulo não está falando das potestades demoníacas, mas dos governantes judaicos e romanos da sua época, bem como das autoridades humanas do nosso tempo, cujo poder é ilusório e efêmero (1Co 2.8; Lc 24.20; Atos 3.17, 4.27; Mc 1.24,34).
9 Mas, como está escrito, olho não viu, nem ouvido ouviu, tampouco entraram no coração do homem as coisas que Deus preparou para aqueles que o amam.
10 Mas Deus nos revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito busca todas as coisas, sim, as coisas profundas de Deus.
11 Porque qual dos homens conhece as coisas do homem, senão o espírito do homem que está nele? Assim também nenhum homem conhece as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. 1Co 2:11
Paulo cita o AT com freqüência (está escrito...), a fim de demonstrar o cumprimento da Palavra de Deus em Jesus Cristo. Aqui, Paulo refere-se a certas passagens de Is 64.4; 65.17; 52.15. O amor não é apenas um sentimento de paixão, mas um compromisso para a vida toda (Jo 14.21). A grande revelação se refere às verdades do Evangelho todo.
12 Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas o Espírito que é de Deus, para que pudéssemos conhecer as coisas que nos são dadas gratuitamente por Deus.
13 As coisas que nós também falamos, não com palavras de ensino de sabedoria humana, mas com as ensinadas pelo Espírito, comparando as coisas espirituais com as espirituais.
14 Mas o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus, porque para eles são loucuras; nem pode conhecê-las, porque elas são discernidas espiritualmente.
15 Mas o que é espiritual julga todas as coisas, e ele por nenhum homem é julgado.
16 Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo. 1Co 2:16
O homem “natural” ou “da alma” (no grego original psuchikos) vive em função de um “espírito não regenerado”, ou seja, completamente inclinado às vontades da terra, do pecado e das trevas. O Espírito Santo em nós, além de dar vida ao nosso espírito, nos abre a visão ao conceder-nos o poder do discernimento (em grego anakrinetai). Um milagre ocorre, e deixamos de ser apenas “alma vivente” para ser pneumatikos (no original grego “espiritual”). Ou seja, guiados pelo Espírito Santo (Rm 8.9,14). Entretanto, o Espírito não age por força, o crente precisa convidá-lo a participar das decisões de sua vida. Quanto mais o cristão dialogar e entregar o controle de sua vida ao Espírito Santo, tanto mais e maiores experiências do amor e do poder de Deus terá.