Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Rev 6
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1 E eu vi quando o Cordeiro abriu um dos selos, e ouvi, como se fosse o barulho de trovão, um dos quatro animais, dizendo: Vem e vê! Ap 6:1
Há três séries bem definidas de julgamentos que se sucederão em grupos de sete elementos: os sete selos (Ap 6:1 -16; 8:1 -5), as sete trombetas (Ap 8.1 – 9.21) e as sete taças (cap. 16).
2 E eu vi, e eis um cavalo branco; e o que nele estava assentado tinha um arco; e uma coroa lhe foi dada, e ele seguiu adiante conquistando, e para conquistar. Ap 6:2
Os quatro cavaleiros do apocalipse fazem parte de um contexto simbólico que tem suas raízes no AT (Zc 1:8 -17; 6:1 -8). Há várias interpretações possíveis quanto ao significado das cores, missões e personalidades dos cavaleiros (assim como para o livro todo), mas o comitê internacional de tradução da KJA considera que o cavalo branco representa o Espírito de Cristo, que através da sua Igreja conquistará milhões de almas (vitórias) para o Reino. A cor branca no NT, e especialmente no Apocalipse, sempre indica ou está relacionada com a pessoa ou a obra de Jesus Cristo, cuja vitória – no final – será plena e perene (Ap 19:11 -16).
3 E, havendo aberto o segundo selo, eu ouvi o segundo animal, dizendo: Vem e vê!
4 E ali saiu outro cavalo que era vermelho; e e ao que nele se assentava foi-lhe dado poder para tirar a paz da terra, e que se matassem uns aos outros, e foi-lhe dada uma grande espada. Ap 6:4
O cavalo e o cavaleiro vermelhos simbolizam os grandes e horríveis derramamentos de sangue provocados principalmente pelas guerras. A espada grande (em grego hromfaia) é uma metáfora de todo tipo de arma ou poder que visa o extermínio humano (Zc 1.8; 6.2; Mt 10.34).
5 E havendo aberto o terceiro selo, eu ouvi o terceiro animal dizer: Vem e vê! E eu olhei, e eis um cavalo preto, e o que nele se assentava tinha um par de balanças em sua mão.
6 E eu ouvi uma voz no meio dos quatro animais, dizendo: Uma medida de trigo por um denário; e três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o óleo e o vinho. Ap 6:6
O cavalo preto representa os períodos trágicos de extrema necessidade de alimentos que, normalmente, se seguem aos tempos de guerra e graves conflitos políticos (Zc 6.2,6). Os processos econômicos mundiais não são solidários aos pobres e, portanto, quanto maior a escassez maiores os preços. Um dinheiro (em grego denarion) era uma moeda de prata, que, na época de João, era capaz de comprar até quinze vezes a alimentação diária de um homem e, normalmente, era o salário que um soldado ou operário braçal ganhava por dia a serviço ao Império romano. Todavia, nos dias de “fome”, aqui previstos, o equivalente monetário a um denário não será suficiente para alimentar uma família pequena todos os dias, mesmo considerando uma balança com alimentos (cevada) menos nutritivos do que o trigo. Entretanto, o Senhor coloca limites à destruição promovida pelo cavaleiro negro: as raízes da oliveira e da videira são fortes e profundas, e resistem aos períodos de seca e privações.
7 E havendo aberto o quarto selo, eu ouvi a voz do quarto animal, dizendo: Vem e vê!
8 E eu olhei, e eis um cavalo pálido; e o nome do que estava assentado nele era Morte, e o Inferno o seguia. E poder lhe foi dado sobre a quarta parte da terra, para matar com a espada, e com a fome; e com a morte, e com os animais da terra. Ap 6:8
A expressão grega original chlõros descreve um tom de cor “amarelo esverdeado” (pálido), próprio da aparência de pessoas portadoras de graves doenças, o que simboliza a pestilência, epidemias e a morte. Aqui a “Morte” é personificada (1Co 15.26; Rm 5.14,17; 6.9), e o Hades, expressão grega, derivada do termo hebraico Sheol (Ap 6.1.18; 20.13,14; Mt 16.18), que pode significar “sepulcro” ou “inferno”, em alguns casos. Tem aqui melhor tradução como “lugar dos mortos”, pois no NT é companheiro da morte (1Co 15.55; Ap 6.8; 20:13 -14). Os soldados romanos lançaram milhares de cristãos e pessoas consideradas criminosas às feras na arena, em espetáculo público. Estes são alguns dos sinais previstos por Cristo como indicação do seu breve retorno (Mt 24:6 -28).
9 E havendo aberto o quinto selo, eu vi, debaixo do altar as almas daqueles que foram mortos por causa da palavra de Deus, e por causa do testemunho que eles mantinham. Ap 6:9
No ritual do sacrifício do AT, o sangue do animal oferecido ao Senhor era derramado na base do altar (Êx 29.12; Lv 4.7).
10 E eles gritavam em alta voz, dizendo: Até quando, Ó Senhor, santo e verdadeiro, não julgarás e vingarás nosso sangue sobre aqueles que habitam na terra?
11 E túnicas brancas foram dadas a cada um deles; e lhes foi dito que eles deveriam descansar por um pouco de tempo, até também completar-se o número de seus conservos e seus irmãos, prestes a serem mortos assim como eles. Ap 6:11
O símbolo da justiça e pureza de Cristo é atribuído também aos cristãos martirizados, como se o sangue e a dor desses homens e mulheres fossem um sacrifício aos pés do altar de Deus (Fp 2.17; 2Tm 4.6, em paralelo a Lv 4.7). É o sangue dos servos do Senhor que reivindicam o julgamento de Deus sobre os ímpios e toda a forma de injustiça sobre a terra. Há um número dos eleitos (justificados) que se completará naturalmente por conversão a Cristo antes de seu glorioso retorno (Rm 11.12). Embora não seja possível determinar com exatidão que número é esse, o que João nos profetiza é que haverá muitos outros mártires até a volta do Senhor.
12 E eu vi quando ele abriu o sexto selo, e eis que houve um grande terremoto; e o sol se tornou preto como um saco de crina e a lua tornou- se como sangue; Ap 6:12
Terremotos sempre fizeram parte da expressão do castigo divino sobre a humanidade (Êx 19.18; Is 2.19; 13.10; Ez 32.7; Ag 2.6). Os terremotos que sinalizarão as colossais alterações físicas da terra e prenunciarão o glorioso retorno de Cristo, o final dos tempos e a transformação total da criação, terão magnitudes inimagináveis. Toda a descrição do sexto selo está relacionada aos fenômenos cósmicos profetizados pelo próprio Senhor Jesus (Mt 24.29; Mc 13:24 -25; Lc 21.25). O apóstolo Pedro, igualmente, cita o profeta Joel em seu sermão no Pentecostes, como uma indicação da iminência histórica desses eventos (Atos 2.20; Jl 2.31).
13 e as estrelas do céu caíram sobre a terra, assim como uma figueira lança seus figos temporões, quando ela é abalada por um forte vento.
14 E o céu partiu como um rolo quando é enrolado junto; e toda montanha e ilha foram removidas de seus lugares. Ap 6:14
Um dos últimos sinais que antecederão ao glorioso retorno do Senhor ocorrerá no firmamento. As pessoas olharão para o céu escuro e verão algo como uma intensa e prolongada chuva de estrelas cadentes. Os figos que surgem no inverno são soprados facilmente das árvores sem folhas pelos fortes ventos desta estação (Mc 13.25,26). Um outro fenômeno (em geral, relatados nas Escrituras sob o ponto de vista do observador leigo e não de cientistas especializados) será o desaparecimento do céu (a abóbada atmosférica azul que observamos hoje em torno da terra), desmantelamento das cordilheiras e montanhas em todo o mundo, assim como o desaparecimento ou anexação ao continente de todas as ilhas (Ap 16.20; 20.11; Is 34.4; Jr 4.24; Na 1.5).
15 E os reis da terra, e os homens grandiosos, e os homens ricos, e os principais capitães, e os homens poderosos, e cada servo, e cada homem livre, esconderam-se nas covas e nas rochas das montanhas;
16 e diziam às montanhas e as rochas: Caí sobre nós, e escondei-nos da face daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; Ap 6:16
No Dia do Senhor, até mesmo os generais experientes e destemidos (na época de João um general romano comandava uma coorte, cerca de mil soldados guerreiros) se acuarão desesperados nas cavernas (comuns na região da Palestina), reconhecerão que o Cordeiro (o Jesus sacrificado) e Deus são a mesma pessoa, e temerão a ira do julgamento divino (Ap 5.6; 19.15; Is 2.10; Sf 1:14 -18; Os 10.8; Jl 2.11; Na 1.6; Ml 3.2; Rm 1.18).
17 porque é vindo o grande dia da sua ira, e quem será capaz de ficar de pé?