Ozzuu Bible
pt_kjfiel - Heb 4
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1 Portanto, temamos, a fim de que a promessa deixada para nós de entrar em seu repouso não exclua a nenhum de vós.
2 Porque para nós o evangelho foi pregado, assim também como a eles, mas a palavra pregada não lhes serviu, não estando esta misturada com a fé daqueles que a ouviram. Hb 4:2
O autor de Hebreus está sempre comparando a caminhada dos israelitas no deserto, abandonando a escravidão no Egito e peregrinando até o “descanso de Deus” (em hebraico Shabbãth) na Terra Prometida, em relação à jornada do cristão rumo ao seu pleno repouso espiritual no Reino de Deus. O descanso dos judeus, sob a liderança de Moisés, e depois de Josué, temporário e terrestre, prenunciava o descanso eterno das nossas almas em Cristo (Hb 4.8; Js 1.13). A expressão grega “acompanhada” significa, literalmente, “unida”; enquanto pode dizer também que “as boas novas” foram literalmente “evangelizadas”. A fé compromete o ouvinte com a mensagem recebida; não se pode esquivar-se da sua obrigação (Rm 10.16; Is 53.1).
3 Porque nós, que temos crido, entramos no repouso, tal como ele disse: Assim como jurei na minha ira eles não entrarão no meu repouso; embora as obras estivessem consumadas desde a fundação do mundo. Hb 4:3
Do mesmo modo que a fé nas promessas de Deus era requerida para se entrar no descanso de Canaã, também só ingressaremos no descanso pleno e eterno da salvação mediante a fé sincera na pessoa e na obra expiatória de Jesus Cristo. Deus concluiu suas obras no sétimo dia da criação e descansou (Hb 4.4; Gn 2.2,3). Portanto, o Senhor nos convida para compartilhar do seu descanso, e não para qualquer tipo de repouso que possamos conquistar (Hb 4.10,11).
4 Porque ele falou sobre o sétimo dia a partir de um certo lugar: E Deus repousou no sétimo dia de todas as suas obras.
5 E neste lugar novamente: Não entrarão no meu repouso.
6 Vendo, portanto, que ainda há alguns que devem entrar, e que aqueles que primeiro receberam a pregação não entraram por causa da incredulidade,
7 novamente, ele determina um certo dia, dizendo através de Davi: Hoje, depois de muito tempo, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações.
8 Porque, se Jesus lhes houvesse dado repouso, não teria falado depois disso a respeito de um outro dia. Hb 4:8
O ingresso de Israel em Canaã sob a liderança de Josué representou uma forma parcial e temporária de entrar no “Sábado de Deus”. Mas, a posse do “Sábado” não foi completada naquela época, como demonstra o convite contínuo expresso no Salmo 95.7,8.
9 Portanto, ainda resta um repouso para o povo de Deus.
10 Porque aquele que entrou no seu repouso, também cessou as suas próprias obras, assim como Deus repousou das suas. Hb 4:10
Podemos tomar a posse completa do “Sábado de Deus” por meio da fé sincera em Jesus Cristo. Assim como Deus descansou da obra da Criação, o crente pode descansar de empreender esforços na tentativa de alcançar a sua salvação, e deve repousar na obra consumada pelo Filho de Deus na cruz do Calvário, o qual nos conduzirá ao “Shabbãth eterno do Senhor” (Ap 14.13).
11 Esforcemo-nos, portanto, para entrar naquele repouso, a fim de que ninguém caia no mesmo exemplo de incredulidade. Hb 4:11
O esforço do cristão não é “para alcançar o mérito da salvação”, mas sim porque “já é salvo”, busca perseverar na fé, pela obediência diária ao Espírito Santo e à Palavra de Deus. Não devemos seguir o triste exemplo de Israel no deserto. As palavras “repouso” e “descanso” vêm do termo original grego sabbatismos (Jo 5.19; 14.2,24).
12 Porque a palavra de Deus é viva e poderosa, e mais aguda do que qualquer espada de dois gumes, penetrando até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Hb 4:12
A expressão total de Deus foi revelada aos seres humanos por meio da pessoa de Jesus Cristo, a Palavra encarnada (Jo 1.1,14) e, igualmente, nos foi confiada verbalmente. Essa palavra dinâmica e ativa de Deus, no cumprimento de todos os seus planos, aparece claramente tanto no AT quanto no NT (Sl 107.20; 147.18; Is 40.8; 55.11; Gl 3.8; Ef 5.26; Tg 1.18; 1Pe 1.23). Tanto a onipotente e onisciente presença do Senhor, quanto o poder de discernimento (em grego kriticos) da Palavra, revelam os sentimentos e intenções mais íntimas e os traz à tona da nossa consciência para que possam ser julgados (1Co 4.5).
13 E não há criatura alguma que não se manifeste à sua vista; porém todas as coisas estão nuas e abertas aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.
14 Sabendo que temos um grande sumo sacerdote, que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, retenhamos firmemente a nossa fé. Hb 4:14
O autor de Hebreus começa aqui uma longa exposição teológica (Hb 4.14 – 7.28) quanto à superioridade do sacerdócio de Jesus Cristo sobre Arão e o ministério da tradição sacerdotal. Para os cristãos de hoje, esse pode ser um tema de entendimento tranqüilo. No entanto, para os judeus de todos os tempos, especialmente no século I, essas conclusões são tão chocantes quanto reveladoras e salvadoras (Sl 110.4). Assim como o sacerdote arônico, no Dia da Expiação, passava por entre os olhares expectativos do povo em direção ao Santo dos Santos, assim também Jesus passou para além da vista dos discípulos que o observavam atentamente, elevando-se e atravessando pelos céus até adentrar o Santuário Celestial, ocupando sua suprema transcendência e autoridade, e cumprindo plenamente sua obra expiatória (Hb 7.26; Atos 1:9 -11; Ef 4.10; Fp 2:9 -11).
15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa se importar com as dores de nossas enfermidades, porém um que em todos os pontos foi tentado, assim como nós, porém sem pecado.
16 Portanto, acheguemo-nos confiantemente ao trono da graça, para que possamos obter misericórdia e achar graça e auxílio em tempo de necessidade. Hb 4:16
Jesus Cristo, nosso Sumo Sacerdote, não se mantém distante nem alienado do ser humano e de suas agruras, como ocorria com os sacerdotes judaicos e, ainda hoje, acontece com muitos líderes espirituais. Deus se fez carne em Cristo e sentiu na pele as fraquezas e sofrimentos que acometem a todos nós. Entretanto, ele jamais pecou, o que significa que obteve vitória sobre todos os desafios da carne e do espírito. Portanto, só Jesus pode sentir o que sentimos e oferecer a sua ajuda compassiva sempre que, pela fé, dela nos quisermos valer.