Ozzuu Bible
pt_kjfiel - 1Co 5
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1 É relatado frequentemente que há fornicação entre vós, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios existe, que alguém possua a mulher de seu pai. 1Co 5:1
A expressão grega porneia, aqui traduzida por “imoralidade”, significa todo o tipo de impureza moral e indecência. O incesto era expressamente contra a Lei judaica (Lv 18.7,8; 27.20; Am 2.7) e abominável entre os romanos. O antigo orador Cícero declarou que tal ato era desconhecido na sociedade romana de sua época. O texto de Paulo faz supor que a mulher não se tratava da mãe biológica do homem em questão, ainda assim uma atitude repugnante mesmo para aqueles que não criam em Deus (os pagãos).
2 E vós estais convencidos, e nem vos haveis entristecido para que fosse tirado do meio de vós o que fez esta ação.
3 Pois eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já julguei, como se eu estivesse presente, a respeito daquele que fez tal ato,
4 em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de nosso Senhor Jesus Cristo,
5 o tal seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus. 1Co 5:5
Paulo já havia advertido a igreja em Corinto (1Co 5.9) que os crentes devem buscar e andar em santidade, pois esse é o caráter dos cristãos e seu testemunho ao mundo. Entretanto, neste caso, como não houve qualquer manifestação de arrependimento e, além disso, muitos ainda se portavam com arrogância, afrontando a Palavra, Paulo manda, em nome de Jesus Cristo, que seja executada a sentença pública (perante toda a igreja) de excomunhão daquele cristão faltoso, renitente e presunçoso. Um ato formal e solene deveria marcar a exclusão do impenitente (excomungar da igreja – Jo 9.22) da comunhão e do convívio fraterno dos crentes (nossa família em Cristo), e decretar sua devolução ao reino das trevas (sistema mundial), onde Satanás reina com toda a sorte de crueldades e depravações. Essa sentença vigorava até que o cristão rebelde se arrependesse dos seus maus atos e pecados contra o Senhor e Sua Igreja e rogasse por sua reintegração à comunhão dos santos. Entretanto, algumas vezes, era necessário que tais pessoas sofressem aflições espirituais, psicológicas e físicas até que compreendessem o valor e a bênção de viver guardados e dirigidos pelo Espírito Santo. Mesmo pessoas que jamais se arrependem claramente, nem voltam ao bom senso espiritual, poderão ser salvas no último dia, por haverem, um dia, aceito ao Senhor e se tornado cristãs. Portanto, esse julgamento final não pertence à Igreja (Ef 2.12; Cl 1.13; 1Jo 5.19).
6 A vossa vanglória não é boa. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?
7 Purificai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós. 1Co 5:7
Paulo repete uma metáfora muito usada por Jesus para evidenciar que os cristãos são, posicionalmente, santos (santificados por Cristo) e, portanto, os devem ser também no procedimento diário; puros, como a massa dos pães sem fermento (levedura), oferecidos como alimento durante a Festa da Páscoa (Êx 12.15). Nas Escrituras, em geral, o fermento simboliza o mal ou o pecado (Mc 8.15), que penetra na alma humana, azeda e se desenvolve (cresce), contaminando todo o corpo. A Igreja deve estar atenta e, com amor e firmeza, livrar-se do fermento do pecado, pois é nova massa, composta de novas criaturas em Cristo (2Co 5.17). Cristo é nosso Cordeiro Pascal. Em sua morte expiatória na cruz do Calvário cumpriu completamente – e de uma vez por todas – as demandas da Lei quanto à instituição do sacrifício judaico do cordeiro pascal (Is 53.7; Jo 1.29). O Cristo, o Cordeiro de Deus, foi crucificado no exato Dia da Páscoa, celebração anual que começava no entardecer do dia anterior, quando se realizava a cerimônia familiar e comunitária da refeição da Páscoa (Êx 12.8).
8 Portanto, guardaremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os pães não fermentados da sinceridade e da verdade.
9 Eu vos tenho escrito por carta para não vos ajuntardes com os fornicadores;
10 porém não quis dizer com os fornicadores deste mundo, ou com os avarentos, ou com os extorquidores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo.
11 Mas, agora, escrevi que não vos manteis na companhia de qualquer homem que chamado de irmão seja um fornicador, ou avarento, ou idolatra, ou caluniador, ou beberrão, ou extorquidor; com o tal nem ainda comais.
12 Porque o que tenho eu para fazer julgamento também dos que estão de fora? Não fazeis julgamento vós os que estão dentro?
13 Mas Deus julga os que estão de fora. Portanto, apartai dentre vós, essa pessoa perversa. 1Co 5:13
É função da Igreja orar, orientar e buscar a reconciliação do pecador com Deus. A disciplina na igreja não deve ser uma atitude intempestiva ou despótica, mas um processo amoroso e justo com vistas a recuperar o faltoso à plena comunhão com Cristo e com os santos (crentes) da igreja. O primeiro passo desse processo, quase sempre, é o mais negligenciado – o que traz graves conseqüências – e consiste na busca de um diálogo particular e conciliador entre a pessoa que se sente ofendida e o suposto ofensor (Mt 18:15 -18). Todavia, não cabe à Igreja julgar o mundo e os incrédulos, pois esse papel é da responsabilidade das autoridades governamentais constituídas em suas várias instâncias (Rm 13:1 -5), cujo julgamento final e eterno será decidido por Deus (Ap 20:11 -15).